Leve um jornal na compra de um DVD!
A chegada do DVD ao mercado de entretenimento foi um verdadeiro acontecimento para todos aqueles que gostam de cinema. A qualidade de imagem é extraordinária, os extras são um bónus imperdível e a embalagem é um terço do de uma cassete VHS. Com a vantagem de ser muito mais leve.O grande problema foi e é a pirataria. Se copiar cassetes era algo que dava imenso trabalho e ocupava precioso espaço, com a chegada do DVD e da Internet tudo ficou mais fácil: tratando-se de tecnologia digital, a cópia dos conteúdos é fácil e sempre com a mesma qualidade. A indústria assustou-se e de que maneira e os próprios comerciantes temeram pelos seus negócios. Agora, estes últimos sofrem nova ameaça.
Até há uns tempos, era comum ver jornais e revistas proporem filmes e documentários em DVD a um preço reduzido. Mas, agora, na Inglaterra, deu-se mais um passo: os DVDs são oferecidos. Isso mesmo: quem compra um jornal, especialmente as edições de fim de semana, leva para casa um DVD. Os títulos oscilam entre tema infantis e filmes consagrados. Por exemplo, na semana passada, o Times ofereceu o oscarizado “Cabaret”, de 1972, realizado por Bob Fosse e que deu a Liza Minelli o seu maior papel no cinema. Nas lojas inglesas, o mesmo filme custa 20 euros...
Quem se queixa, claro está, são os armazenistas e vendedores que se vêem confrontados com um inimigo quase imbatível, onde a única coisa a que se podem agarrar é a novidade.
Já aqui n’O Vilacondense falámos desta estratégia dos produtos associados aos jornais. O grande problema está quando a motivação da aquisição deixa de ser o jornal e passa a ser o extra. O Público, com a colecção de livros Mil Folhas, não só subiu as vendas como também se tornou, nessa época, no maior editor livreiro de Portugal... A propósito disto dos “brindes” , lembro-me de ler, algures, a existência de legislação (ou, pelo menos, a tentativa de sua implementação) que proibia que o valor da oferta fosse superior ao valor do objecto que era efectivamente vendido. O caso surgiu, salvo erro, nos EUA, a propósito de enciclopédias cuja aquisição era brindada com televisões e vídeos, de valor superior ao dos livros.
Compreendo que este tipo de marketing, agressivo e irresistivelmente apelativo, deixe os operadores do mercado preocupados. Mas a verdade é que o consumidor é quem fica a ganhar. E numa economia de mercado, o consumidor tem a liberdade de escolha e não estando em causa práticas abusivas ou violadoras da leal concorrência, quanto mais ofertas melhor. Aliás, sempre é melhor levar um jornal quando se compra um DVD do que ir à feira comprar dois por cinco euros aos ciganos.
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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