quarta-feira, outubro 12, 2005

O Mundo engripado

A gripe das aves está a aproximar-se. Segundo as últimas notícias, já está presente na Turquia e avança para a Roménia e daí, provavelmente, para o resto da Europa.
Mais do que artigos de jornal, convido os leitores d’O Vilacondense a passarem os olhos pela última edição da National Geographic, edição americana (a que li) ou portuguesa. Ao longo de várias páginas, pode acompanhar-se o efeito da doença nos seres humanos, bem como o trabalho realizado pelas equipas médicas. Centra-se tudo no Extremo Oriente, mas não a distância geográfica não abala, minimamente, o terror do problema.
Para já, a única forma de combater esta epidemia-que-pode-virar-pandemia é o abate de aves. A própria passagem para o ser humano ainda não está completamente diagnosticada, já que não se sabe se é necessário contacto físico ou mero contágio pelas vias respiratórias. O que se sabe é que ataca os extremos etários do ser humano: velhos e crianças – precisamente onde reside a minha principal fonte de terror...
Pelos vistos, a gripe é uma doença bastante comum nas aves. O problema dá-se quando uma dada estirpe passa para o ser humano. A que está a dar dores de cabeça aos cientistas é a H5N1, mas que, graças a Deus, tem dificuldade em transmitir-se entre humanos. Na verdade, boa parte das vítimas ou têm galinheiros em casa ou estiveram em contacto com quintas de criação de aves. Daí o sucesso da eliminação física dos animais – no Vietname e em Hong-Kong já foram mortos dezenas de milhões de galináceos. Mas o problema agudiza-se com os animais selvagens, nomeadamente com as aves migratórias, que não conhecem fronteiras e que podem transportar dentro de si o vírus para todo o planeta. Terá sido assim que chegou à Turquia.

Para já, o assunto não está controlado, mas parece contido. E isso acontecerá enquanto o vírus não conseguir fazer a mutação necessária para passar a circular entre os humanos. Se ocorrer essa mudança, surgirá, então, um outbreak global, a tal pandemia, o que significará o fim para um mínimo de cerca de 7,8 milhões de pessoas. No entanto, a National Geographic extrapolou os dados da explosão de Febre Espanhola em 1918, que infectou metade da Humanidade e matou entre 50 e 100 milhões de pessoas. Os números são aterrorizantes: nessa eventualidade, morreriam entre 180 e 380 milhões de pessoas. Num espaço de tempo de 180 dias, começando em Hong Kong, demoraria semanas a atingir em força a Europa, com o pico de vítimas a situar-se por volta do 140º dia.
E não haveria nada que se pudesse fazer... Excepto, talvez, rezar.
Entretanto, o Observatório Nacional de Saúde estima que pelo menos 25% da população portuguesa venha a ser afectada pela gripe das aves caso ocorra uma pandemia.
Dupont