O poder das maiorias

No caso extremo de Felgueiras, a maioria da população, através do voto, impôs a uma minoria dos seus concidadãos uma Presidente de Câmara que fugiu a um mandado de prisão preventiva (para o caso, nem sequer considero as dezenas de crimes de que está acusada).
fátima felgueiras não é uma criminosa nem uma condenada, pelo menos, para já.
Mas, e aqui é que bate, poderia sê-lo. É que, em Portugal e pelo que se lê, parece ser possível a um cidadão que cumpre pena de prisão, em certas circunstâncias, como por exemplo o gozo de uma saída precária, ser candidato a eleições por qualquer partido político.
E, como se viu, qualquer candidato pode ganhar eleições.
Ora, Vamos então à questão.
Deve uma maioria, por maior que seja, ter poder suficiente para, através de eleições livres, impor qualquer candidato a uma minoria? Mesmo que esse candidato seja bandido, para usar a pertinente terminologia do Louça?
A resposta é NÃO. Não deveria poder.
Numa democracia devem existir mecanismos que protejam as minorias da tirania das maiorias, sob pena de alguma destas decidir que só as mulheres ou só os loiros ou somente os ricos é que pagam os impostos.
Parafraseando Saramago: O voto é de todas as coisas que há no mundo a menos justa. Diz-se que a fátima venceu as eleições; diz-se que o Rio venceu as eleições e a diferença que há entre o Rui Rio e a fátima felgueiras é a diferença que se julga não haver entre os votos que deram a vitória a um e os votos que deram a vitória à outra. Quem isto não entender à primeira vez não merece que lho expliquem segunda.
Haddock

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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