“Rush”, de Jay-Jay Johanson
Jay-Jay Johanson é um caso raro no panorama pop europeu. Apresentou-se ao Mundo em 1996, com “Whiskey”, um trabalho que rasgava completamente com o panorama musical de então: uma voz diferente, com características de “crooner”, embalando audiências com sonoridades que oscilavam entre o trip-hop, as big bands e o jazz. Dois anos depois, “Tattoo” confirma o talento deste compositor sueco que avança ainda mais no jazz e assimila um pouco de bossanova. “Poison”, em 2000, é o álbum da consolidação, para, dois anos depois, dar o passo em falso que foi “Antenna”, um trabalho desequilibrado, que ganhou expressão na ridícula mudança de visual do cantor.Depois do greatest-hits sintomaticamente denominado “Prologue”, chegamos, então, a “Rush”, um álbum em que Jay-Jay recupera muita da qualidade que lhe granjeou uma legião de seguidores por toda a Europa. O som, agora, é o que está na moda: recuperação das sonoridades leves e dançantes dos anos 70, com destaque para os ‘Chic’ de Nile Rodgers, movimento estético-sonoro que ganhou expressão, nos últimos anos, em França, com bandas como os ‘Daft Punk’ e os ‘Air’. Em suma, Jay-Jay atirou-se de cabeça ao french touch... E a coisa até nem prometia muito, já que a primeira faixa, uma balada que dá nome ao disco, tem uma sonoridade que evoca os ‘10cc’ e músicas xaroposas como “I’m not in love”. Mas tudo se recompõe logo na faixa seguinte, “The last of the boys to know”, com o ritmo a subir, até chegarmos ao puro domínio ‘disco’ em “Teachers”. A temática oscila, quase sempre, entre declarações românticas e desgostos amorosos, como se prova no excelente “Mirror Man” , em “100.000 years” ou “Because of You”: “I saw your face through the dancing crowd / You closed your eyes when you kissed the guy(...)”. O melhor tema do álbum, no entanto, é “Forbidden Words”, nome revelador por si da única composição que não tem qualquer vocalização. Jay-Jay exibe, ali, toda a sua capacidade de composição, numa mistura de sintetizadores e caixas de ritmo.
Olhando para o álbum no seu todo, duas coisas sobressaem. A primeira, claro, é a voz inconfundível do cantor, que se destaca da sonoridade que o acompanha, sempre num tom sereno e relaxante. A segunda vai para a produção, impecável.
O CD vem em edição especial (pelo menos o que eu tenho...) com um CD extra, onde Jay-Jay apresenta versões acústicas de alguns dos seus temas. O resultado funciona em pleno, pela simples razão que o grande trunfo do cantor está, precisamente, na voz.
Longe de ser excepcional, “Rush” é um álbum bastante agradável, óptimo para fins de tarde de chuva, passados junto a uma janela com vista para um jardim...
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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