quarta-feira, novembro 30, 2005

Podes levar a Bicicleta, mas … deixarás os pedais


Ok. Dupont. Apesar de não ter razão nenhuma, vamos lá aos factos:
Dizes que o leit motiv de Kennedy para iniciar o programa Apollo foi travar o ímpeto espacial/militar/tecnológico soviético que estava em crescendo e sem concorrentes à altura: A América precisava dessa demonstração de poder. E conseguiu-o.
Pois bem, so what?
Já pensaste nos possíveis, previsíveis e presumíveis motivos que levam os políticos, mesmo os grandes, a agir? Daria para um tratado, não é assim? Por isso, não pode ser pelos motivos da acção que se diminuem ou louvam os políticos nem as suas políticas – aliás, a bem da verdade, estará para nascer o político capaz de prever todas as consequências das suas políticas.
Por conseguinte, não me interessa saber se a motivação de Kennedy era ou não muito nobre e “elevada”. Aliás, nem eu nem tu, nem ninguém o poderá saber ao certo.
O que eu e tu sabemos é que na Universidade de Rice, Kennedy fez um discurso histórico: We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard (Nós decidimos ir à Lua. Nós decidimos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis).
Ora, ao contrário do que escreveste, o programa Apollo e a ida à Lua traduziram-se num incrível avanço tecnológico e militar e num “grande salto para a humanidade”. Do meu ponto de vista, o maior passo dado pelos americanos na sua curta e rica historia. E um passo do tamanho dos Descobrimentos. Claro que tentas desviar o enfoque e diminuir a importância do assunto, centrando o teu olhar sobre a Lua: A prova de que o feito pouca importância teve senão o de chegar lá e vir embora, é que há trinta anos que nenhum ser humano lá voltou a pôr os pés… Mas sabes tão bem como eu que a ida à Lua é incomparavelmente mais importante por aquilo que potencia e pelos horizontes que abre, que pelo sítio em si – a Lua era pura e simplesmente o pedaço de “novo mundo” mais perto de nós.

Contestas a importância que atribuo a Kennedy na sua política de libertação do mundo do totalitarismo soviético. E sustentas a tua tese no fracasso na Baía dos Porcos e na sua incapacidade de travar a construção do Muro de Berlim. Tens razão nos factos - foram dois tristes momentos – o primeiro da responsabilidade política de Kennedy e o segundo da responsabilidade das democracias ocidentais, de todas. Mas não tens razão nas consequências que lhes atribuis (reforço ou, pelo menos, não abrandamento da vaga totalitária comunista).
A resolução da crise dos mísseis foi de extrema importância para o mundo. Já imaginaste se o Khrushchev tem vencido a sua e mantido os mísseis em Cuba? Seria a capitulação dos EUA e, do meu ponto de vista, a difusão do comunismo pela América e por todo o mundo.
Por isso, não estou a gozar. Estabeleci a minha tese, colocando-me em 1962 e a olhar para o futuro e tu criticaste-a do mesmo momento, mas a olhar para o presente. O comunismo ainda cresceu mais uns anos, é certo, mas Kennedy com a sua acção na crise dos mísseis livrou-nos de um pesadelo inimaginável.

Claro que concordo contigo no que respeita ao papel de Reagan e de João Paulo II no recolhimento, ainda que não global, da deriva comunista. Já agora, junta-lhes a perestroika e a glasnost de Gorbachev.
Finalmente, claro que Kennedy também é um mito.
Só espero que a foto que escolheste – trazendo a 1ª dama ao 1º plano – não tenha um significado …mitológico.
Haddock

Mulheres...



Para muita gente a sociedade é injusta para com as mulheres. Uns dizem que elas tem poucas oportunidades. Outros falam de discriminação. A verdade é que as mulheres são hoje pessoas muito bem preparadas (ocupam em percentagem superior os bancos das faculdades) mas ainda bastante distantes dos lugares de poder.
As razões para isso são várias e um post não será suficiente para dissertar sobre elas. No entanto, há uma que não me canso de repetir, e que vem hoje superiormente exemplificada nesta notícias de jornal.
Por isso, é minha opinião de que o primeiro adversário para que as mulheres atinjam cargos e lugares de poder são as próprias mulheres. O exemplo daquilo que se passa na estrutura de mulheres do PS e que já se tinha passado com duas mulheres como protagonistas da estrutura de juventude do PS e que se passa em qualquer organização em que há uma mulher a liderar é recorrente.
Geralmente, uma mulher prefere ter como líder ou chefe um homem do que outra mulher que não ela. A inveja que sentem umas pelas outras é de tal forma terrível e corrosiva que acaba por prejudicá-las na globalidade.
Dupond

Marktest

Resolvi aturar uma sondagem Marktest sobre comunicação social. Foram vinte minutos de desespero telefónico:
- O senhor lê revistas de tricô?

- O senhor lê a "Maria"?

- O senhor lê a revista da 'Barbie'?

- Na semana passada leu o 'Público'?
- Sim.
- E nos últimos seis meses, leu alguma vez?...

- O senhor vive com quem?
- Com a minha mulher e os nossos filhos.
- Está casado com ela?
- Sim.
- Ela trabalha consigo?
- Não.
- E ela é casada?...

- O senhor vê TV por cabo?
- Sim
- E televisão, costuma ver?

- Lê jornais estrangeiros?
- Alguns.
- Quais?
- ..., ..., ... The Times, ..., ...
- E revistas estrangeiras?
- ..., ..., ... a Time...
- Não, não, essa já tinha dito.
Dupont

Porque não

Meu caro Haddock, resolveste responder, e muito bem, à minha provocação. Então achas que o Kennedy foi o maior Presidente americano de sempre. Se fosse o nosso amigo Dupond, ele responder-te-ia simplesmente: “é do Partido Democrata, logo nunca seria bom presidente” e arrumava-se o assunto.
Mas não vai ser assim. Na verdade, considero uma discussão interna, típica do “blogame mucho”, altamente saudável. Isto apesar de, claro, não teres razão nenhuma…

Começando pelo teu primeiro argumento, “Não só porque impulsionou os americanos e o mundo a uma gesta (Lua) só comparável à dos Descobrimentos, o que seria suficiente”. Não foi bem assim. A motivação de Kennedy não foi qualquer gesta heróica. A existir veio por acrescento. O que motivou a ida à Lua foi, essencialmente, mostrar à URSS que os Americanos também eram competitivos na corrida espacial. Até ali, os russos tinham a liderança total e ameaçavam o Mundo com o seu poderio militar e tecnológico. A América precisava dessa demonstração de poder. E conseguiu-o. A prova de que o feito pouca importância teve senão o de chegar lá e vir embora, é que há trinta anos que nenhum ser humano lá voltou a pôr os pés…

Depois, dizes que ele é importante “Nem somente por ter libertado o mundo, como nunca noutra ocasião, do totalitarismo soviético (Mísseis de Cuba), o que seria suficiente”. Deves estar a gozar… Então e o humilhante fracasso da Baía dos Porcos? Venceu “a crise dos mísseis”, certo, mas Fidel Castro, quarenta anos depois, ainda lá está… E que dizer do facto de ter sido na sua presidência que o Muro de Berlim começou a ser construído? Combater o comunismo? Foi precisamente no seu tempo que ele ganhou mais força. Se queres encontrar um Presidente americano responsável pelo fim do comunismo, então escolhe o republicano Ronald Reagan - com a ajuda inestimável da Igreja Católica, mais concretamente de João Paulo II.

Finalmente, capitão, dizes que conquistou a tua admiração porque “também (penso que sobretudo) por ser jovem, por ser o presidente TV, por ter sido assassinado em funções e por estar tão próximo de nós. Tão próximo, tão próximo que, de rompante, quase não vislumbro nenhum antes dele”. Aqui tenho que te dar razão total. Ele efectivamente conseguiu isso tudo. Transformou-se num ícone pop. Mas isso faz de alguém bom presidente? Na realidade, o infeliz esteve lá pouco tempo. Teve a sorte de apresentar uma série de medidas e não ter tido oportunidade de ver se iam, ou não, resultar. O cenário perfeito para gerar um mito.
Dupont

«57 channels and nothin'on»


- Darlin', I'm tryin' to catch that wonderful soap "Strawberrys with Sugar"...

O tema de Bruce Springsteen que dá título ao post fará rir às gargalhadas Al Jessup, o senhor da foto, que dispõe, nada mais, nada menos, do que 5000 mil canais de rádio e televisão à distância do seu telecomando. São doze parabólicas e a décima terceira já vem a caminho. Segundo noticia o The Register-Herald, este vendedor de gelados reformado acha imensa piada aos canais estrangeiros, como se pode ver na legenda foto...
Dupont

Hilariante

No "É a pronúncia do Norte", por L. Aguiar-Conraria n'A Destreza das Dúvidas. Via Blasfémias.
Dupont

Para futebolistas de sofá

Aqui, via BloGotinha.
Dupont

2005 BBC Sports Personality of the Year Award

Pode votar-se aqui. Já o fiz - em José Mourinho.
Dupont

A rodar…



Quatro álbuns têm ocupado o leitor de CDs d’O Vilacondense. O primeiro é o mais recente trabalho de Devendra Banhart, “Cripple Crow”. O autor passou há bem pouco tempo por Portugal, onde goza dos favores da crítica musical, a começar pela do ‘Público’, para quem Devedra é Deus reincarnado… A verdade é que este é um álbum sofrível. Onde muitos encontram variedade sonora, só consegui ouvir confusão… Misturar folk anglo-saxónico e blues com sonoridades brasileiras é o mesmo que fazer feijoada de marisco: estraga-se o feijão e o marisco. A salada não é apetitosa e “Cripple Crow” será, certamente, a desilusão do ano.
O regresso do grande David Sylvian acontece com o projecto “Nine Horses” e o álbum “Snow Borne Sorrow”, em que faz parceria com o seu irmão Steve Jansen e com Burnt Friedman. Os dois primeiros, como é sabido, integraram uma das melhores bandas de sempre da pop, os “Japan”, mas o som destes “nove cavalos” está a léguas daquele que fez o sucesso do grupo. Aqui, é tudo muito AOR, muito jazzy, criando ambientes sofisticados, mas onde falta, claramente, algum brilho criativo. É que, bem vistas as coisas, já ouvímos isto incontáveis vezes e por intérpretes que não ficaram para a história… É um disco ‘fácil’, onde sobressaem algumas faixas, como “Wonderful World” e “The Day the Earth Stole Heaven”.
Bonnie “Prince” Billie, ou Will Oldham, ou mais uns quantos heterónimos, propõe “Summer In The Southeast'”, o seu primeiro registo ao vivo. Ainda no ano passado falávamos de “Greatest Palace Music”, uma espécie de “Best of” e poderia, aqui, correr-se o risco de ter uma versão ‘Live’ dos sucessos do compositor. Felizmente, isso não acontece. O que temos são interpretações magníficas, gravadas na América profunda, perante um público claramente conhecedor daquilo que escutava. Destaque para “Death to Everyone”, “Wolf Among Wolves” e, especialmente, a soberba “O Let It Be”
‘Funeral’ é o nome do álbum dos "Arcade Fire", uma banda canadiana que caiu nas boas graças da crítica anglo-saxónica. O trabalho é de 2004, mas ganhou projecção apenas no corrente ano. A banda é composta por um grupo de instrumentistas, pelo que não admira que o som acompanhe idêntica prestação. Um pouco de rock, mais algum folk e a evocação de uma banda mítica, os australianos "Triffids", são a receita para um excelente disco. Não foi à toa que David Bowie correu logo para com eles gravar. As melhores faixas: “Power Out”, “Laika”, e o tema de abertura “Neighbourhood #1 (Tunnels)”.
Dupont

terça-feira, novembro 29, 2005

Porquê? Porque sim


Em 23 de Novembro, data do aniversário do seu assassinato, afirmei aqui que JF Kennedy teria sido, provavelmente, o melhor Presidente dos EUA.
O Dupont, com a acutilância que lhe é costumeira, perguntou logo porquê.
É das tais perguntas que desarma pela simplicidade.
E como simplicidade nunca foi sinónimo de facilidade, a resposta não é tão fácil como me pareceu na altura.

Porquê, provavelmente, o melhor?
- Não só porque impulsionou os americanos e o mundo a uma gesta (Lua) só comparável à dos Descobrimentos, o que seria suficiente.
- Nem somente por ter libertado o mundo, como nunca noutra ocasião, do totalitarismo soviético (Mísseis de Cuba), o que seria suficiente.
- Mas também (penso que sobretudo) por ser jovem, por ser o presidente TV, por ter sido assassinado em funções e por estar tão próximo de nós. Tão próximo, tão próximo que, de rompante, quase não vislumbro nenhum antes dele.
A minha preferência radica nestas questões:
foi um homem que abriu novos horizontes á Humanidade; Libertou o Mundo (não só em 1962 mas, quanto a mim, durante uns bons séculos), do imperialismo soviético e do totalitarismo comunista e porque Morreu em serviço.

Gostei de muito de quatro Presidentes dos E.U.A. não pelo deve e haver dos seus feitos, mas sobretudo por questões afectivas, decorrentes de algum ou alguns dos seus feitos.
Gostei do Kennedy e
De George Washington por ter sido o “Pai da Pátria”;
De Abraham Lincoln pela proclamação do fim do esclavagismo (que, como sabe pelos exemplos de Martin L. King e Rosa Parks só terminou? Será que terminou? muito mais tarde);
De F.D. Roosevelt pela longevidade no exercício do cargo; porque retirou os E.U.A da Grande Depressão e pela firmeza com que liderou os americanos durante a 2ª Grande Guerra, que terminou pouco depois da sua morte.
Não sei se chega para satisfazer a tua curiosidade, caro amigo Dupont, mas é isto.
Haddock

Construtor de sonhos

cavacosilva.com, convida-o: “torne o seu sonho realidade”.
Ninguém esperava outra coisa …
General Alcazar

Que lata!

O Dragonis, blog portista - e que, portanto, tinha tudo para ser perfeito - veio cá ao Vilacondense e fez copy de dois posts nossos (o de George Best e um do leitor 'pp'), colocou-os lá e nem fez referência à autoria...
Assim é fácil fazer um blog...
Dupont

Bitolas diferentes


Um relatório da Inspecção-geral de Obras Públicas foi suficiente para, sumariamente e sem explicações, o Governo retirar todos os poderes de gestão ao conselho executivo do Metro do Porto.
Diversamente, perante um relatório do Tribunal de Contas que torna público que a construção da linha amarela, do Metro de Lisboa, custou mais 61% do que o previsto inicialmente, que aquela empresa tem "défice crónico", "sub orçamentação" e "derrapagem orçamental", o Ministro limita-se a informar que irá esperar os resultados de mais uma auditoria.
Como habitualmente, perante o Norte e o Sul, os governantes têm dois pesos e duas medidas.
General Alcazar

Ronaldouro


Dupont

Paulo Morais e a ANMP

Na Rádio Festival: "A ANMP tem um problema de fundo, não existe. É apenas um sindicato de autarcas"(...)Gostava que entendesse que a associação não existe para defender os autarcas, mas para defender os municípios. Tem de reassumir o seu papel(...) Não fui apanhado de surpresa, a política está preparada para quem vive do sistema, para quem vive dependente das classes dirigentes. O sistema não está preparado para mentes livres e independentes".
Amanhã, há um almoço de homenagem a Paulo Morais. Para inscrições, ver aqui.
Dupont

Novos blogs

O Rui Albuquerque começou no Cataláxia, ingressou no Blasfémias e, agora, está no Portugal Contemporâneo. Um grande abraço e boa sorte para este novo projecto.
Entretanto, após o fim do melhor blog de esquerda, precisamente o Blogue de Esquerda, o Luís Rainha e José Mário Silva, entre outros, criaram o Aspirina B, com o último destes bloggers a assinar, também, o A Invenção de Morel.
Dupont

O sortudo

- Só quero ver a cara do pessoal de Lisboa
quando virem a quem é que eu ando a dar a mão...
Dupont

FC Porto em primeiro lugar na Superliga

Finalmente, no futebol português, as coisas começam a regressar à normalidade...
Dupont

«A Conspiração», de Dan Brown

Após o planetário sucesso de “O Código Da Vinci”, a que nos referimos aqui, sucede-se o lançamento das obras anteriores do autor, Dan Brown. Depois de “Anjos e Demónios”, que abordámos aqui, eis “A Conspiração”, um livro que não tem um cenário com ressonância religiosa, como acontecia nos outros dois supracitados.
Rachel Sexton é uma das melhores investigadoras da agência de Segurança NRO. Tem a particularidade de ser, também, filha do principal oponente à reeleição do Presidente americano em exercício e um grande opositor da NASA. Para sua surpresa, é chamada à Casa Branca, onde lhe é anunciada uma descoberta absolutamente extraordinária. Despachada para o Ártico, Rachel depara-se com uma equipa da NASA que acabara de descobrir um meteorito enterrado no gelo, onde foram encontrados fósseis de animais com 190 milhões de anos. Só que as peças do puzzle começam a não bater certo e, um a um, os elementos da equipa científica vão sendo assassinados. Os próximos alvos são ela e Michael Tolland, um cientista com fama de estrela de televisão. Na busca da verdade, descobrem mentira atrás de mentira, até perceberem o que é que está em jogo…
Se ao segundo livro já se vislumbrava um certo padrão de escrita, ao terceiro a confirmação é total. Dan Brown arranjou, efectivamente, uma fórmula para fabricar best-sellers: capítulos curtos (são 133 em 550 páginas…), poucas personagens (não vá alguém perder-se…) e muita acção (evitando potenciais sonolências…). A acção, como sempre, decorre em pouco mais de vinte e quatro horas, apesar de começar em Washington, continuar no Ártico e acabar em frente a New Jersey… É o que vale estar munido dos últimos aparelhos de alta tecnologia…
A caracterização das personagens continua muito próxima do zero, pois o que conta são as suas acções. Nesse sentido, o livro divide-se em três diferentes zonas, que apenas se entrecruzam esporadicamente. Em primeiro lugar, tudo o que se relaciona directamente com Rachel; depois, o que acontece com o pai e a sua secretária; e, finalmente, a equipa de assassinos. A acção salta de um lado para o outro, tal qual um filme. Alias, nesse sentido, a escrita de Dan Brown assemelha-se, e de que maneira, à montagem desenfreada de um filme de acção, onde uma imagem não pode durar mais do que alguns segundos… Não há preocupação em elaborar as personagens, convenientemente repartidas entre “boas” e “más”, deixando de lado uma ou duas para causar alguma surpresa. Onde Brown resvala para o lugar comum é, precisamente, quando resolve recorrer a imagens oníricas, fazendo a sua fusão com a realidade do livro – uma perfeita piroseira… E, no final, quando a conspiração é revelada, nota-se, claramente, que o autor não teve coragem ou não teve arte, para levar o argumento às suas consequências totais, envolvendo o Presidente dos EUA. Outro aspecto curioso é o recurso do autor a explicações científicas e informações tecnológicas. Só que, nesse campo específico, Dan Brown arrisca a comparação com o mestre do tema, Tom Clancy, de que não sai mesmo nada favorecido… Finalmente, a ideia de um meteorito escondido no gelo polar pouco tem de original. Recordo, nesse aspecto, Peter Hoeg e “A Senhora Smilla e a sua Especial Percepção da Neve”, que já transitou para o cinema, num filme menor realizado por Bille August, com a lindíssima Júlia Osmond.
Dos três livros, o mais fraco continua a ser “O Código…”. “A Conspiração”, que no original tinha um nome bem mais interessante, “Deception Point”, não passa de um vulgar thriller, que entretém enquanto dura. Aliás, num exercício de alguma maldade, quase poderia dizer que os aspectos genéricos por mim realçados nas anteriores obras são os mesmos que aqui se encontram. O que quer dizer muito…
Dupont

segunda-feira, novembro 28, 2005

Os partidos vilacondenses

Os principais partidos políticos vilacondenses estão numa fase muito curiosa. Estão ambos a viver momentos de mudança, sendo que, num deles, essa mudança ocorrerá mais rapidamente do que no outro.
No caso do Partido Soialista, é sabido que Mário Almeida já anunciou que não se recandidatará. Mesmo que não cumpra a sua palavra, o que neste caso não deixaria ninguém surpreendido, pois já o fez inúmeras vezes no passado, só poderá recandidatar-se à Câmara Municipal mais uma vez. Assim sendo, é já visivel o agrupamento dos militantes em duas facções bem distintas: os Almeidistas de um lado e os Abelmaistas de outro. Nos primeiros estarão pessoas como Pacheco Ferreira e os filhos de Mário Almeida, com o sempre presente Bruno à cabeça. Com Abel Maia estarão pessoas como António José Gonçalves ou Jorge Laranja, homens que, de uma forma mais ou menos evidente, já souberam mostrar algum desalinhamento face ao actual Presidente da Câmara.
A batalha entre estes grupos vai-se fazendo de forma surda e materializada em pequenos gestos, como acontece agora ao vermos Pacheco Ferreira a liderar os apoiantes de Mário Soares e Abel Maia à frente daqueles que apoiam Manuel Alegre.
No lado do Partido Social Deomocrata, a mudança será mais imediata, pois sabe-se que Miguel Paiva não irá recandidatar-se novamente à liderança do partido por força de uma limitação estatutária, que impede, no partido, a recandidatura de quem já tenha cumprido 3 mandatos, como é o seu caso.
Apesar das eleições ainda estarem distantes (Setembro de 2006), há já várias pessoas a perfilarem-se para ocupar o lugar de líder do principal partido da oposição. À cabeça desses nomes surge o inevitável Pedro Soares que, depois de sucessivas derrotas frente a Miguel Paiva, espera ter agora o caminho livre para conseguir concretizar o seu sonho presidencial. Entretanto sabe-se também que o ex-líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, Albano Loureiro, aspira ao cargo. Militante antigo do partido, o homem que Miguel Paiva recuperou há 4 anos para a política autárquica em Vila do Conde, dispõe agora de todas as condições políticas para conseguir ser uma alternativa. Outra pessoa que tem mostrado interesse em avançar com uma eventual candidatura é Manuel Abreu Amorim, ex-candidato à liderança da Junta de Freguesia de Mindelo. Sendo um militante recente do partido, Amorim não tem deixado que esse aspecto prejudique a sua ambição, mostrando-se bastante participativo e interventivo.
Para além destes nomes, há ainda a hipótese de Santos Cruz poder vir a assumir a liderança do partido. O prestígio de que disfruta poderá vir a ser um aspecto a seu favor, faltando ainda saber se terá essa vontade. Entretanto há quem preferisse um candidato que seja capaz de fazer a ponte entre todas as sensibilidades internas do partido. Esse candidato teria de ser alguém que conseguisse fazer a ponte entre pessoas que estiveram com Miguel Paiva e Pedro Soares e que obtivesse o apoio de Santos Cruz e daqueles que estão a acompanhar o projecto de Manuel Amorim. É uma tarefa bem difícil, mas uma solução abrangente desse tipo seria certamente a melhor forma de o PSD conseguir enfrentar um PS, também ele, em tempo de mudança. O nome de que se fala para conseguir esta missão é Pedro Brás Marques, que depois do bom papel desempenhado na bancada da Assembleia Municipal, é agora Vereador.
São, portanto, cinco candidaturas virtuais. Mas tendo em conta a história local do partido, elas ficarão reduzidas a uma ou duas.
Finalmente, no Centro Democrático Social, Afonso Ferreira, talvez ainda desiludido com o desfecho autárquico, continua a dar sinais de que está cansado da vida política e que deixará a liderança do partido nas próximas eleições internas. Num partido reduzido, com pouca militânica, o sucessor só poderá ser Alexandre Raposo.
Dupond

As elites do Norte

Como referi aqui, foi de todo impossível conseguir assistir à conferência/debate subordinada ao tema "Onde Estão as Elites do Grande Porto?", realizada no âmbito do ciclo Olhares Cruzados sobre o Porto, promovido pelo Público e pela Universidade Católica, em 22 de Novembro.
Felizmente, o mesmo diário apresentou, na edição Local Porto, o texto da intervenção inicial de António Barreto e que pode ser lido, na íntegra, aqui. Excertos:
Por que razão tantas vezes nos interrogamos sobre as elites do Porto, ou do Norte? Não será estranha esta obsessão com a identidade do Norte, o peso do Norte, a existência ou não de elites no Norte? Fazer-se esta pergunta não será já confessar que alguma coisa está errada?
A meu ver, esta obsessão tem razão de ser. Na verdade, ao Norte e ao Porto faltam algumas coisas. Não as elites, mas um papel para essas elites. E falta um factor aglutinante. Em poucas palavras, falta poder político, ou representação aceite dos interesses e das realidades locais e regionais.
(...)
O Porto e o Norte têm tudo o que seria necessário para fundar um protagonismo de carácter e de que as populações aproveitariam. Têm dimensão, riqueza, produção económica, emprego, tradições, empresas, património histórico e cultural, ciência, escolas, técnicos e relações comerciais com o mundo suficientes para sustentar uma personalidade citadina que ultrapasse a região.
Têm, mas nem sempre parece que os portuenses ou as gentes do Norte utilizem esses meios e instrumentos. Dentro do Norte e do Porto, há mais rivalidades do que cooperação, mais adversários do que cooperantes.
(...)
Parece que os melhores, os mais atentos, os mais empenhados acabam por pensar que o seu contributo deve ser sempre canalizado pelo poder central. Por isso é fácil vermos membros da elite portuense cooperar com o poder central e é difícil vermos os mesmos cooperar entre si pela cidade e pela comunidade do Norte.
Tive imensa pena de não estar presente, mas este texto de António Barreto é, como habitualmente, lúcido e preciso. Na verdade, a história das "elites do Porto" surge não como acção ou como reacção, mas antes como afirmação. Só que continua a haver Lisboa, qual Nemesis, e este é e sempre será o problema da cidade. O Porto tinha muito mais a ganhar se olhasse para o que está à sua volta e, especialmente, o que tem a Norte, do que estar preocupado com o que pensam, o que fazem e o que dizem os que estão a 300km a sul.
Não me canso de dizer que a Galiza merece bem mais atenção do que Lisboa. Esta que continue a ser capital e que o fosso que a separa do resto do país continue a crescer. A partir de certa altura, o problema não será o país que está atrasado, mas Lisboa que está demasiadamente adiantada. E ficará isolada.
O Porto e o Norte merecem melhor sorte e não precisam de nada, nem de ninguém, para se afirmarem com a identidade que sempre reivindicaram e com a independência moral e intelectual que sempre os distinguiu. O problema da eterna comparação com a irmã mais rica e mais cosmopolita deverá ser aceite como uma evidência. O sucesso de uma instituição como o FC Porto é um excepção que confirma a regra. Lisboa é maior, tem mais poder, tem mais gente, tem mais instiotuições e goza, em termos genéricos, de uma melhor qualidade de vida. Mas isso não a faz melhor nem pior do que o Porto, apenas diferente. Assim, esta "mui nobre, invicta e sempre leal cidade" só tem de se segurar àquilo que tem de mais rico: a sua personalidade.
Para isso faltará, sem qualquer dúvida, mais poder. Não será preciso uma qualquer regionalização, mas uma melhor articulação dos poderes. Não passa pela cabeça de ninguém que a localização de uma mísera saída de um túnel na cidade seja assunto nos corredores de um Ministério em Lisboa! Como também não pode acontecer que, para se discutir um assunto judicial passado num porto de mar do Norte se tenha de ir a Lisboa, ao Tribunal Marítimo. Há serviços, instituições e departamentos do Estado que podem perfeitamente ser descentralizados e isso aumentaria, e de que maneira, a produtividade das empresas e a satisfação das necessidades dos particulares.
Neste contexto, o papel da elites deverá ser reivindicativo. Mas, uma vez obtido este objectivo, elas poderão, então, avançar para o seu papel natural: o de serem formadoras. A elite como génese de novos elementos, individuais ou colectivos, proporcionará à cidade e à região uma maior visibilidade e, fechando o círculo, um maior poder reivindicativo. As elites enquanto porto de abrigo, mas, também, enquanto motor de uma região. É que, actualmente, o que elas fazem é viajar até Lisboa, em troca de favores. Como refere António Barreto, "os melhores, os mais atentos, os mais empenhados acabam por pensar que o seu contributo deve ser sempre canalizado pelo poder central". Ora, isto tem de acabar. Não por um orgulho bacôco, mas por genuíno brio e por uma extraordinária confiança nas próprias capacidades.
Dupont

Noddy Live



"Pai quero ver o Noddy!". "Pai, o Gonçalo já tem bilhetes para o Noddy!", Noddy isto, Noddy aquilo... Que melgas! Pois... E e eu sem bilhetes...
Com as entradas esgotadas desde Setembro para o espectáculo "Noddy Live", andava num verdadeiro stress para conseguir levar a criançada a ver o show baseado na personagem há muito criada por Enid Blyton. A luz surgiu quando telefonei para a bilheteira e me revelaram que a única hipótese, se bem que remota, era a de confiar nas reservas não levantadas, cujo deadline estava traçado para duas horas antes do início do espectáculo. Assim fiz. Sábado pela manhã, pouco passava das nove horas e ali estava eu à porta da Casa da Música. Até às dez menos um quarto entretive-me a analisar o fluxo de trânsito da Avenida de Boavista... Depois, lá começaram a aparecer algumas almas mais molhadas do que eu, até que, pelas dez, abriram as portas - o mesmo não se pode dizer das bilheteiras, porque a funcionária, quando chegou, já o relógio dos minutos há muito tinha deixado para trás a marca da hora certa. Mas, felizmente, uns desnaturados não levantaram as suas reservas e cá o Dupont sacou os tão desejados bilhetes. Telefonema rápido para casa: "OK. Mission accomplished. Go! Go! Go!"...
No 'Público', louvava-se o espectáculo porque, não só era adorável, como mostrava que um equipamento elitista, como a "Casa da Música", poderia e deveria estar aberto a eventos mais populares. Acho bem. Mas este "Noddy Live" não deverá ser exemplo para nada!
O espectáculo foi pobre. A encenação cumpriu os serviços mínimos. A história poderia ter sido contada em metade do tempo. Não havia o mínimo de emoção na "interpretação" - na realidade, um longo e total playback... Só não adormeci porque o berreiro colectivo não o permitia. Do lado positivo, a fidelidade dos bonecos com o registo televisivo e o profissionalismo posto na execução do show merecem referência.
Mas as crianças adoraram e isso é que interessa. Aliás, quer-me parecer que se tivessem posto em loop a canção-título da série, uma quinze vezes seguidas, a apreciação da criançada era idêntica. Porque, afinal, o que elas queriam era ver o seu herói a passear no País do Brinquedos, com o Senhor Faísca e Ursinha Teresa. Mas tudo em tamanho real. Porque, em miniatura, já os tinham na mão, comprados na loja de merchandising estrategicamente colocada à entrada e que lançava no desespero todos os pais.
Dupont

A nova dieta do imperador

Depois do Natal, perante a evidência de um aumento de peso provocado por todss aquelas delícias hiper-calóricas, que tal experimentar uma nova dieta? Chama-se "zero Spray" e contém...zero calorias, sero gorduras, zero de colesterol, zero de tudo... "Não comer, certo?", perguntarão alguns. Quase... Trata-se de borrifar a boca com um spray de sabores. Não acredita? Vá até aqui.
Dupont

Timtimportimtim



Na Rua General Silveira, quase em frente à Livraria Académica, do quasi-lendário Nuno Canavez, nasceu a "Timtimportimtim", uma autodenominada "Loja de Coleccionismo". Mas é muito mais do que isso.
Na verdade, para quem goste de banda desenhada, aquilo é a visão mais aproximada do paraíso que se possa ter. Tem lá de tudo. Desde edições antigas às mais modernas, passando por edições estrangeiras e nacionais, nada parece estar em falta. Quer a edição completa do Tintin, em 749 fascículos? Quer números atrasados da "Jacto" ou da "Camarada" (O melhor jornal para rapazes)? E que tal recordar o "Cavaleiro Andante", o "Spirou", a "O Mosquito" ou a "Flecha 2000"? E álbuns actuais ou antigos? Vá lá que tem tudo!
Aliás, a loja funciona quase como um museu. É um prazer passear os olhos por incontáveis referências do passado bedeófilo português. E também há, por lá, algumas pérolas, como, por exemplo, edições do "Petit Vingtiéme". Além do mais, o proprietário é uma simpatia e dá todas as explicações possíveis e imaginárias.
Dupont

Estás de volta, Salazar?


"Uma megaprodução de 500.000 toneladas de plantas e hortícolas em estufa está em projecto para a costa alentejana. A meta é transformar Portugal no grande abastecedor de legumes da Europa". In Expresso.
"De celeiro de Portugal a estufa da Europa" ou "Não se esqueçam dos morangos de Tierry Roussel", seriam títulos alternativos...
Dupont (Imagem: Cantigas de Amigo)

Nova revista científica

Chama-se "Mundus". O primeiro número está disponível aqui, para download, em versão *.pdf.
Dupont

sábado, novembro 26, 2005

Richard Burns


Um dia depois de perder o seu maior jogador de futebol de sempre, George Best, o Reino Unido perde também o seu primeiro e único piloto Campeão Mundial de ralis. Richard Burns, com apenas 34 anos, faleceu hoje, em consequência de um tumor no cérebro.
Para quem acompanha o automobilismo, a notícia já era esperada, até porque foi esse o motivo do seu abandono da modalidade, no final de 2003.
Burns não era um piloto explosivo ou espectacular, mas mostrava uma eficiência e uma solidez notáveis na sua condução. Tive o prazer de o ver em acção, em 2001, no Rally de Portugal, que ele acabaria por vencer. E, nesse ano, sagrou-se Campeão do Mundo, depois do tetra de Marcus Gronholm, sendo o primeiro britânico a conseguir tal feito. A sua rivalidade com Colin McRae era quase lendárias, fazendo as delícias dos amantes da modalidade.
Godspeed, Richard.
Dupont

sexta-feira, novembro 25, 2005

Um bilião de libras!!!!

Foi, alegadamente, o preço pago pela empresa CVC Capital Partners a Bernnie Ecclestone pela sua parte na Bambino Trust, a sua empresa que controla a Fórmula 1. Só falta o consentimento da Comissão Europeia e da FIA.
Em moeda continental dará qualquer coisa como 1,35 biliões de euros...
Dupont

George Best

O fim da existência do melhor jogador britânico de sempre, George Best, foi uma autêntica crónica de uma morte anunciada. Há já algum tempo que a sua condição física se aproximara, irreversivelmente, do fim. Hoje, terminou.
George Best foi uma personagem "larger than life". Em tudo o que fez, dos vícios à prática do futebol, foi sempre excessivo. Dizia ele que gastara muito dinheiro em mulheres e bebida; o resto, desperdiçara-o... Este estilo de vida, hedonista, valeu-lhe o epíteto de "quinto Beatle". Foi uma personagem trágica que evoca, a nós, portugueses, outras, como a de Vítor Baptista.
É o que acontece sempre quando as luzes da ribalta ofuscam qualquer racionalização.
Não foi o primeiro, nem será o último.


Mas, para nós, portistas, 'Georgie' será também lembrado por ser o responsável por um par de gloriosos momentos: as duas abadas, lendárias, que o Benfica levou. A primeira, em 1966, no Estádio da Luz, em que foram presenteados por 1-5. Pode ler-se o relato do acontecimento aqui, nas palavras do próprio Best, que aos 10 minutos já tinha marcado dois golos... Um jogo que marca o nascimento da sua lenda.Depois, em 1968, em pleno Estádio de Wembley, perante o Manchester United (na imagem), na final da Taça dos Campeões Europeus, num jogo que os ingleses recordam como "histórico" e em que os lampiões foram despachados por 4-1.
Obrigado, "Georgie" e boa viagem...
Dupont

Natal na IKEA


Vejam estas prendas. Que tal?
É só escolher e... oferecer.
Haddock

Grande a Nau, grande a tormenta

Mão amiga fez-me chegar uma foto da réplica da Nau Quinhentista que está a ser, lentamente, construída pela firma Samuel e filhos nos estaleiros da Junqueira, na margem esquerda do Rio Ave, mesmo junto à foz.
Lentamente, porque se aguarda que o Instituto Portuário dos Transportes Marítimos (IPTM) conclua "o local de atracagem da nau" e a edificação de um "simbólico estaleiro de construção naval em madeira [oficina] e uma área para estacionamento de embarcações de recreio [marina]", da sua responsabilidade.
Image hosted by Photobucket.com
Achei a foto curiosa porque me fez recordar a Nau Catrineta:
Lá vai a Nau Catrineta,
leva muito que contar.
Estava a noite a cair,
e ela em terra a varar

Haddock

Nem todos são OTÁrios....

"Por isso é que toda esta questão da Ota cheira mal à distância: cheira a voluntarismo político ao "estilo João Cravinho", que tanto dinheiro custou e continua a custar ao país, e a troca de favores com a clientela empresarial partidária, a que costumam chamar "iniciativa privada".
Para esse peditório já demos. Já demos demais, já demos tudo o que tínhamos para dar. O país está cheio de fortunas acumuladas com negócios feitos com o Estado e pagos com o dinheiro dos impostos de quem trabalha, em investimentos cuja utilidade pública foi nula ou pior ainda - desde os estádios do Euro até aos hospitais de exploração privada. Seria bom que quem manda compreendesse que já basta."
Miguel Sousa Tavares in Público ou aqui.
Dupont

Hoje, temos o PSD à frente...


"Socialistas voltam a deixar-se ultrapassar pelo PSD - PSD sobe dois pontos nas intenções de voto e PS desce outros tantos em Novembro", no Diário de Notícias.

Cartoon: Máximo, para El Pais.

Dupont

Suspeito que isto não é notícia...

"Voo suspeito da CIA fez escala nos Açores em 2003". Diário Digital
Dupont

Risco sem apólice

"Violência doméstica matou 33 mulheres desde o início do ano". Público.
Dupont

1º de Abril?

"Adriaanse renova até 2008". N'O Jogo.
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro de hoje escrevem:
- Afonso Ferreira, "Trinta anos"
- Felicidade Ramos, "Talheres de prata"; e
- Miguel Paiva, "Um Presidente".
Pouca gente, desta vez... O líder do PP, Afonso Ferreira, recorda o 25 de Novembro, mas fala sobre as reuniões de Câmara em que, agora, participa, uma vez que foi eleito vereador. Miguel Paiva fala das presidenciais, mas ainda arranjou espaço para colocar mais uma acha na fogueira do processo com Mário Almeida: "o Eng. Mário Almeida desistiu de um processo crime que me tinha movido, depois de eu ter repetido ao tribunal aquilo que já tinha afirmado ao Ministério Público durante o inquérito por este ordenado. Não tendo havido nada de novo da minha parte, fico satisfeito pela desistência de Mário Almeida."
Finalmente, Felicidade Ramos. Mais um texto sobre o amor e as relações humanas,não apenas sobre o que se diz mas, principalmente, sobre o que efectivamente se quer dizer. Excelente.
Dupont

«Diversidades», de José Carlos Matias Serra

Foi ontem lançado, no Castelo de S. João da Foz, no Porto, o livro de fotografia “Diversidades”, da autoria de José Carlos Matias Serra. A apresentação pública, à qual 'O Vilacondense' não poderia faltar, esteve a cargo de Miguel Veiga e João Meneres, sendo que o primeiro também assinou o prefácio da obra.
O livro recolhe algumas dezenas de fotografias que o autor foi tirando, ao longo dos anos. Matias Serra optou por não as ordenar cronologicamente, e nem sequer lhes deu título. A razão para tal reside, nas suas palavras, na
“egoísta função de as contemplar e de as sujeitar ao agrado ou desagrado de quem folhear o livro. De cada imagem retirará cada um a história que lhe apetecer ou quiser construir, na alquimia da sua mistura com a emoção de quem vê”.
As fotografias são belíssimas. O livro começa na água, com barcos reflectidos no espelho de água, pintando com os seus tons garridos a tela aquífera. Logo em seguida, somos levados para as texturas, secas e rudes, dos próprios barcos e das casas que se presumem ser dos seus donos. Matias Serra leva-nos, depois, numa ronda por símbolos de passagem: portas, janelas e escadas. Também há bicicletas. Muitas. A par dos barcos artesanais, talvez os últimos meios de transporte cujo desempenho depende da acção do homem – tal qual uma máquina fotográfica. Afinal, nunca haverá robots artistas…
É tempo de largar a terra e o mar e avançar para outro elemento, o ar. É então que somos erguidos bem alto, para aquele lugar bem lá em cima, onde a terra parece ter sido desenhada por uma gigantesca mão, por vezes humana, outras, divina. Depois, aparecem-nos as primeiras pessoas, quase sempre entretidas, distraídas… É tempo de voltar à água. Do rio, do mar, do céu… E mesmo antes de entrarmos nesse mundo só aparentemente binário do preto-e-branco, com que termina a obra, ainda somos levados a conhecer o último dos quatro elementos, o fogo, na vertigem alucinante de uma feira de diversões.
Um belo livro, que 'O Vilacondense' recomenda vivamente. E a mostrar que ainda vamos encontrando pessoas que conseguem ver que existe um mundo a descobrir, para lá do mero exercício de uma profissão.






(As imagens que aqui apresentamos foram, obviamente, retiradas do livro,
e têm a perda de qualidade resultante da sua passagem pelo scanner.)

Dupont

O costume...


A Apple revelou que foram precisos apenas vinte dias para que, através do novo “iPod video”, fosse registado o milionésimo filme a ser alvo de download. Entretanto, o website SuicideGirls.com, que produz filmes porno para iPODs, revelou que precisou apenas de 7 dias para atingir a mesma marca. Fonte: Time Magazine
Dupont

Um PC de borla!


É destinado aos países pobres e, por isso, é de graça. A oferta só foi possível através da contribuição de dez grandes mecenas. Aqui.
Dupont

Blue Lounge

É o novo blog do ex-Blasfémias 'RAF'. Um grande abraço, Rodrigo. E boa estadia nesse Blue Lounge Café.
Dupont

«Perigo na Noite/Frenzy», de Alfred Hitchcock

Depois de “O Terceiro Tiro”, a Colecção Hitchcock-Público salta para o penúltimo filme da sua carreira, “Perigo na Noite”. É o regresso do realizador a terrenos onde ele é mestre, o suspense e a psicologia, após a mal sucedida investida pelo filme de espionagem, em “Topázio” e “A Cortina Rasgada”.
Londres está a ser abalada pelos crimes de um serial killer, “o assassino da gravata”, assim chamado porque estrangula as vítimas com aquele adereço. Num típico bar britânico, Richard Blaney (Jon Finch) irrita-se com o patrão e acaba despedido. Sozinho, vai ter com a sua ex-mulher, Brenda, que trabalha numa agência matrimonial, em busca de algum conforto. Após a sua saída aparece lá um seu amigo, Bob Rusk (Barry Foster), que acaba por a matar, revelando ser o serial killer. Mais tarde, Blaney regressa à agência, não consegue entrar e, quando se afasta, é visto pela secretária da ex-mulher que, após encontrar o corpo de Brenda, não hesita em acusá-lo à polícia. Blaney entra em contacto com a sua colega de trabalho, Barbara, acabando o par por se hospedar num hotel. Aí, são descobertos, mas conseguem escapar. Barbara volta ao pub, onde encontra Rusk, que a convida para ir a té sua casa, onde também a estrangula. Blaney acaba por ser preso, denunciado por Rusk, que lhe colocou provas incriminatórias dentro da mala de viagem e vai para a prisão. Simulando um ferimento, é levado para o hospital, de onde se evade. Procurando Rusk, acaba por o encontrar junto à sua mais recente vítima. Por sorte, nesse momento, também lá está o inspector da Scotland Yard que acompanhava o caso, e que prende o verdadeiro culpado.
Como facilmente se constata, em “Perigo da Noite”, Hitchcock quase faz um resumo dos principais temas da sua longa e genial carreira: o falso culpado é o mais evidente, mas também, o desejo, a inculpação e a análise psicológica).


O realizador já não trabalhava em Inglaterra há cerca de duas décadas quando lá regressou para dirigir “Perigo na Noite”. Daí que o plano de abertura, um travelling aéreo pela cidade que termina num mergulho para o interior de um grupo de pessoas, atinja um maior e diferente significado. O ambiente é o do mercado de Londres, onde os habitantes se deslocam para comprar alimentos, numa analogia clara à necessidade do assassino em “alimentar” a sua voracidade sexual com sucessivas vítimas – até porque, ali, é o seu real local de trabalho... Aliás, a ideia de comida/alimentação, para lá da óbvia conotação sexual, tem um enorme relevo na história. Desde o primeiro plano do actor principal, que se zanga com o patrão por estar a consumir abusivamente uma bebida, até aos pratos de haute cuisine da mulher do agoniado inspector da Yard, os voluptuosos corpos nús dos protagonistas como Hitchcock jamais ousara mostrar, tudo aqui está relacionado com a boca, com o desejo, com a vontade de ingerir e de absorver, com o objectivo final de se transformar em lixo: os melhores ingredientes acabam por ser comida intragável, as mulheres que se estragam ao entregaram-se a homens e, finalmente, o sexo que leva à morte - tudo "elementos que os psicólogos chamariam de “fase anal” como refere João Bénard da Costa, nos 'Cadernos da Cinemateca'.
Como referimos, neste filme Hitchcock apresenta uma quase síntese da sua obra. Mas há, claro, espaço para inovação. Já falámos da nudez, frontal até, inédita na sua obra, mas há outros momentos memoráveis. Um é aquele em que o realizador nos mostra a funcionária de Brenda a dirigir-se ao seu local de trabalho. O plano, estático, é o de uma beco, onde ela entra pela única porta visível. O espectador sabe que ele vai encontrar o cadáver da patroa. E Hitchcock limita-se e eternizar aquele momento, mantendo-o no écran por infindáveis segundos sem que nada aconteça. E quanto mais demora, mais ansiedade cria no espectador que aguarda pela descoberto e pelo “tradicional” grito de horror...
O segundo, absolutamente magistral, a fazer lembrar Buñuel, ocorre quando Rusk convida Barbara para ir a sua casa, com o espectador a presumir que ela irá ser morta. Com a câmara a acompanhar a dupla pelas costas de ambos, como que a imiscuir-se onde não era chamada, assistimos ao casal a entrar no prédio, a subir a escada, a abrir a porta, a entrar e a fechar a porta. O passo seguinte, naturalmente, seria o de terminar o plano. Mas Hitchcock sabe, e nós também, que o que se vai passar dentro do quarto vai ser um crime. Então a câmara faz um travelling para trás, percorrendo o mesmo caminho, como que se afastando, aterrorizada, daquele local hediondo. Puro génio.
O filme posterior a este foi o menor “Intriga em Família”, realizado em 1976. Lamentavelmente, claro, já que se tal tivesse ocorrido com “Perigo na Noite”, Alfred Hitchcock encerraria a carreira com chave de ouro.
Dupont

quinta-feira, novembro 24, 2005

Abel Xavier suspenso 18 meses por uso de substâncias ilegais

A sério????





Olhando bem para ele, será que alguém acredita que ESTE homem tenha tomado uma substância ilegal?

Dupond

Resultado da Primeira Mão - Empate

Na queixa que Mário Almeida moveu a Miguel Paiva, o segundo deu explicações e o primeiro retirou o processo, refere o JN. Agora só falta solucionar o caso em que as posições estão invertidas: Miguel Paiva é queixoso e Mário Almeida arguido.
Dupont

Comerciantes carentes

A Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde, prestimosa instituição deste concelho, que supostamente tem por missão "Apoiar a promoção do desenvolvimento, de forma representativa, da actividade profissional do conjunto das empresas comerciais e industriais do concelho de Vila do Conde, que dela sejam associadas" está a elaborar um estudo junto dos seus sócios, procurando fazer o "Diagnóstico de necessidades, carências e expectativas do tecido empresarial do concelho de Vila do Conde".
Este estudo ainda está em curso, mas a amostra de empresas já contactadas (220), permite que se faça um primeiro balanço. De acordo com os dados já recolhidos, ficámos a saber que o empresário em Vila do Conde está a atravessar um período "carente, não só em termos económicos como também emocionais". Para esta fragilidade concorrem vários factores, a saber:
- "Incerteza quanto ao futuro do seu negócio";
- "Crescente concorrência, ora assumida pelas chamadas "grandes superfícies" ora pelo "dragão do oriente"";
- "Pesar pela situação vivida e por não serem tomadas medidas de combate a estas "ameaças" e de protecção dos seus interesses".
Não querendo menosprezar o trabalho que está a ser feito, nem o texto em que ele é apresentado no último "Jornal do Empresário", o orgão oficial da associação, há, desde logo, uma coisa que me salta à mente: se há instituição que não tem dado o mínimo contributo para contrariar o referido estado de espírito dos empresários de Vila do Conde é a Associação Comercial e Industrial.
Aliás, na singela sinceridade com que apresenta o estudo, nem sequer o esconde ao referir o pesar com que os ditos cujos comerciantes vêem a sua situação evoluir perante a inércia de quem os deveria defender.
Apesar de tudo, ao ler o citado orgão oficial, acabo por encontrar a razão de ser da falta de capacidade interventiva da ACI. É que, do total do seu orçamento, a única verba destinada à promoção da actividade empresarial é a que se refere à circulação do famoso "Comboio". Com efeito, o pseudo-veículo-ferroviário que mais incomoda o nosso trânsito local absorve 20% do total do orçamento da instituição.
Sabendo nós a nulidade da sua presença para o fomento das actividades comerciais e industriais em Vila do Conde, como queriam que andasse o estado de espírito dos comerciantes?
Dupond

A receita errada



Portugal é um país com acentuada necessidade de tratamento psicológico. O nosso complexo de inferioridade revela-se a cada dez anos e as consequências são, quase sempre desastrosas. Não nos estamos a referir ao endémico complexo de inferioridade ou à desesperante impreparação profissional, mas sim à megalomania de que os nossos governantes padecem.
Há cerca de duas décadas, era Cavaco Silva Primeiro-Ministro, uma alma iluminada lembrou-se de construir o Centro Cultural de Belém. Herdeira directa das ‘obras de regime’, o País suportou a sua construção e a lendária derrapagem orçamental. A justificação, eterna e recorrente, é que aquele bunker engrandecia o país. Desconfiado, como sempre, torci o nariz. Mas fui lá várias vezes e até gostei de um espaço onde se desenrolaram eventos musicais e exposições de projecção internacional. Só que isso pertence ao passado. Ainda na semana passada, o insuspeito Eduardo Prado Coelho, lamentava que as exposições rareavam e que a maior parte dos espaços estava a ser cedido comercialmente para a organização de meetings de empresas. Ou seja, o projecto inicial estava desvirtuado.
Cerca de dez anos depois começou a falar-se em organizar o Europeu de Futebol. Concorremos e lá ganhámos a organização, ficando o País obrigado a cozinhar a competição. Nem será preciso recordar que nem sequer tínhamos quaisquer ingredientes para cozinhar o que quer que fosse. Mas não houve problema e o país quase parou para assistir à destruição de estádios lendários como o das Antas, da Luz ou Alvalade e a construção de uma mão cheia de recintos novos. Hoje, só o estádio do FC Porto apresenta assistências condignas. Todos os outros estão uma miséria, com a agravante de que estádios como os de Leiria, Aveiro e Algarve estão, literalmente, às moscas. Em suma, gastaram-se rios de dinheiro, houve um enorme descontrolo orçamental e o projecto global apenas teve total utilidade no período em que decorreu o Europeu. A ideia de dotar o país de uma série de equipamentos de referência e deles tirar partido, esfumou-se.
Por altura dessa decisão, acolheu-se, também, o Porto Capital da Cultura. A obra emblemática, a Casa da Música, foi inaugurada há meses. Na mesma cidade, em frente ao mar, existe um mamarracho que custou cinco milhões de euros, nunca foi utilizado para nada e ninguém sabe, sequer, para que é que serve.
Agora, avança com projectos como o TGV e a OTA. A linha de comboios de alta velocidade é uma daquelas enormidades que só acontece num país latinos. Propor-se gastar milhões e milhões de euros num projecto que visa retirar alguns minutos nas ligações entre as principais cidades é criminoso. Até porque, cada vez mais, só existem dois meios de transporte: o automóvel e o avião. E este último, com a entrada em força das companhias low cost está acessível como nunca. Por outro lado, com a melhoria das estradas, o país continua o seu emagrecimento, no que a tempo gasto em viagens rodoviárias diz respeito. Hoje, sair do Porto à uma da tarde e ir lanchar a Vilamoura, às 17.30 começa a ser normal. Andar de comboio? Por favor...
E quanto à OTA, avançamos perigosamente para mais um “equipamento fundamental” que agrilhetará o País durante décadas. O ‘Público’ titulava, ontem, as palavras do Governo de que o novo aeroporto se pagará em 23 anos. Mas nós já sabemos qual é a realidade: o aeroporto não estará pago nem em 2028, nem dez anos depois. Um dia, se correr bem, talvez isso aconteça.
Mas este não será o último exemplo. Daqui a uns anos, um outro governante irá propor uma qualquer obra revolucionária, que mudará a face do país e trará desenvolvimento e bem-estar.
Mas, para ele, isso terá um enorme significado pessoal: essa obra simbolizará a sua imortalidade. E é exactamente aqui que está o problema.
Dupont

Ruth Simmons, uma mulher de raça

A propósito do intercâmbio entre Universidades americanas e europeias, esteve há pouco, em Madrid, Ruth Simmons, reitora da Universidade de Brown. É mulher, é negra e, logo, é notícia... Felizmente, a sua personalidade desdobra-se em muitas outras facetas, o que justifica uma merecida atenção.
Na entrevista que concedeu ao El Pais (não disponível online) Simmons fala abertamente sobre os problemas rácicos que minam a sociedade americana. Mas vai mais longe e denuncia que “nos EUA, a pobreza e a falta de ideais, está em crescendo”. E, a propósito disso, esclarece que as mudanças de mentalidade não são, jamais, imediatas. Martin Luther King foi fundamental, sem dúvida, mas segundo Simmons, no início, ele nem sequer era bem aceite entre os negros, já que era visto como um agente perturbador, cujas acções poderiam ser prejudiciais para a comunidade negra.
Simmons nasceu num dos estados mais racistas, o Texas, no seio de uma família humílima, tentando erguer-se entre a dúzia de irmãos que a rodeava. E lá conseguiu... Mas, infelizmente, hoje, quem nasce pobre ainda continua a ter dificuldade em conseguir um lugar ao sol. E é por isso que na Universidade de Brown está empenhadíssima em criar um sistema de admissão que favoreça os estudantes de parcos recursos. Mas o mais grave, lamenta-se Ruth Simmons, era que, dantes, ainda havia a esperança que um dia algo de positivo chegaria. Hoje é o contrário: os miúdos têm um ensino péssimo, os professores não contactam com os pais, até porque nem pertencem à mesma comunidade e os próprios progenitores apenas querem saber dos seus empregos. A ameaça de outrora, “ou te portas bem ou vou falar com os pais”, desapareceu e, com isso, evaporou-se igualmente o controlo, a educação e o respeito. Daí que Simmons considere estar a viver-se uma situação paradoxal: o país mais poderoso do Mundo vive com enormes bolsas de pobreza, essencialmente constituídas por negros e hispânicos, mais os primeiros do que os segundos.
A reitora da Universidade de Brown aponta a quebra da unidade familiar como a grande fonte de problemas: “Nós éramos doze e mais os nossos pais, fazíamos catorze. Mas estávamos sempre unidos, nos problemas e nas alegrias.”.
No fundo o que Simmons vem dizer é que, do seu ponto de vista, a família constitui o cerne da sociedade. É a pedra básica onde tudo assenta. E não poderia estar mais certa...
Dupont

Parabéns


Numa altura em que a SONY está a ser fortemente atacada pela introdução de software invasivo nos CDs audio, convém relembrar a excelência dos seus produtos e da assistência aos mesmos.
O centro de reparações da zona Norte fica em Vila do Conde, mais propriamente em Vilar do Pinheiro. São uma simpatia e tratam de tudo excepto de equipamentos informáticos. Para isso, há uma linha telefónica dedicada.
Ora, O Vilacondense é feito num Sony Vaio - uma máquina assomborosa - igual ao da imagem. Mas, na passada quinta-feira, avariou o leitor/gravador de DVD. Telefonei para o número de apoio e tentaram resolver a questão através de um pequeno programa executável, disponível na página web da companhia. Não resultou. Ainda não havia voltado a ligar quando recebo uma chamada da Sony a perguntar se o problema estava solucionado. Surpreendido, lá dise que não. Então ficou combinada a recolha do equipamento, o que aconteceria na segunda-feira desta semana. E assim foi. Logo pela manhã apareceu-me um funcionário da DHL, que me pediu para colocar o computador dentro da caixa. Assim fiz, assinei uns papéis e fui informado que dentro de uma semana teria o computador de volta. "Tem que ir para Lisboa, não é?", indaguei. "Não, nada disso, vai para França", respondeu o homem da DHL. Efectivamente, era o que estava no endereço. "OK, nem daqui a quinze dias...", pensei.
Pois, ontem, logo pela manhã, voltou o homem da DHL, trazendo o meu computador debaixo do braço. Fiquei sem fala. Em menos de 48 horas, o problema ficou resolvido.
De pasmar.
Dupont

Leis & Vícios

Na Rússia, o Governo legislou no sentido de penalizar o consumo público de cerveja e bebidas de baixo teor alcoólico - mas para o vodka, nada... Enquanto isso, na Carolina do Sul, as autoridades foram baixando o preço dos cigarros, que são dos mais baratos em todo o país - os contrabandistas dos estados vizinhos agradecem...
Dupont

FC Porto a ranger...

Distracção, péssimas substituições e falta de maturidade competitiva. Dá nisto.
Dupont

Dos nossos leitores...

Sobre educação....
Há uns dias atrás alguém neste blogue chamou à escola “bordel” e “prostitutas” aos professores. Claro que, como docente e como pessoa, não podia ficar indiferente a tal “desabafo” (leia-se insulto).
Também ontem vi o debate…e também ouvi com atenção os seus intervenientes.
Os professores só têm de dar aulas de substituição (tempos que fazem parte do seu horário de trabalho) se os seus colegas faltam. É um facto que ninguém pode negar.
Os pais estão preocupados com os seus filhos, o que é legítimo e salutar. Muitos professores também são pais…e como tal preocupam-se com os seus filhos…que também andam na escola.
Por acaso Haddock sabia que, depois de dois colegas meus terem faltado umas horas no dia da abertura do ano lectivo, porque foram convocados pela escola que os seus filhos frequentam, não puderam utilizar o artigo do código de trabalho, que autoriza os encarregados de educação a deslocarem-se à escola, por um período de 4 horas por Período para acompanharem os seus educandos? Foi enviado pelo CAE de Braga, ao Conselho Executivo, um esclarecimento dizendo que os funcionários públicos não são abrangidos por este artigo.
“Aulas de substituição” já se fazem no Pré Escolar e no 1º Ciclo há muito tempo. No caso de escolas com mais do que um “lugar”, em caso de falta de um educador ou professor, as crianças são distribuídas pelas outras turmas. Mesmo estas aulas sendo, neste momento, o “centro de todas as discussões”, não me parece que o problema seja o ter que “executar” aquilo que há muito está legislado, mas sim as condições em que isso se vai fazer. Quem conhecer a realidade da maior parte das nossas escolas percebe que os espaços não estão preparados para esta dinâmica. A nível do 2º ciclo e em especial do 3º, não é fácil pegar num grupo de adolescentes, que não se conhece e nem sempre com um “comportamento exemplar”, e ficar lá a “entretê-los”. Porque é disso que se trata. Dificilmente a substituição coincide com a disciplina que o professor lecciona. Já ouviu falar do jogo do “Sudoku”? …Pois se tem filhos que já tiveram aulas de substituição já ouviu falar concerteza.
Como Ministra, acredito que a senhora queira o melhor para o ensino em Portugal … Como também acredito que esse é o desejo dos professores.
Também ouvi com bastante atenção o Professor António Nóvoa e ele disse uma coisa que o Haddock se esqueceu de referir aqui. Quando a estrutura familiar valoriza a escola e apoia os seus filhos o sucesso é praticamente garantido.
Sou Educadora de Infância numa EB1/JI (1º Ciclo com Jardim de Infância). Tem Prolongamento de Horário (JI) e ATL (1º Ciclo). Com tempo lectivo e componente de apoio à família, aquela escola está aberta 11 horas por dia (7:30 /18:30). Muitos dos seus alunos permanecem na escola todo esse tempo…Mais tempo do que os seus pais permanecem nos seus locais de trabalho.
Agora faça contas comigo: uma criança de 3 ou de 9 anos, que fica 11 horas na escola e que durma 9, sobram-lhe 4 horas do seu dia para passar com a família. Percebe agora quando eu disse num post anterior que os filhos dos pais, são cada vez mais filhos da escola?
E a Srª Ministra ainda fala em fazer os “trabalhos de casa”… na escola!!
Não se trata de “atirar culpas” da escola para a família e da família para a escola. Trata-se de perceber que poderemos estar a fazer tudo ao contrário.
Porque não fazem os pais uma greve, mostrando ao Governo que gostariam e têm o direito de passar mais tempo com os seus filhos?

por Cristin@
Dupont (extraído de comentário a este post)

quarta-feira, novembro 23, 2005

Deputados da Nação - Abílilo Fernandes


Quem é Abílio Fernandes?
Este Economista é Deputado eleito pela CDU, tendo liderado a respectiva lista pelo Círculo Eleitoral de Évora. De todos os membros da sua bancada parlamentar, este é, porventura, dos mais conhecidos da população em geral. Com efeito, até às autarquicas de 2001, Abílio Fernandes era uma espécie de Presidente de Câmara modelo do Partido Comunista, tendo presidido até aí à Câmara Municipal de Évora.
No momento em que analisava a derrota que sofreu em 2001 (algo inesperada, diga-se), a Visão dizia dele o seguinte:
"Pode dizer-se que colocou Évora no mapa. A cidade Património Mundial é das poucas, do Interior do País, que não definhou. Abílio Fernandes, autarca modelo, «dinossauro» do PCP, foi granjeando prestígio. Mas alguma vez tinha de cair. Foi vítima do vendaval de mudança que varreu o País de Norte a Sul. Mas foi vítima, sobretudo, da morte lenta de um PCP por renovar."
De entre outras funções que desempehou, Abílio Fernandes foi membro da Comissão Permanente dos Poderes Locais e Regionais, do Comité Director Europeu do Conselho de Municípios e Regiões da Europa, do Conselho Directivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses, onde participou da equipa do nosso bem conhecido Mário Almeida e Vice-Presidente da Organização das Cidades Património da Humanidade. É ainda Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e Cavaleiro do Império Britânico. Foi distinguido em 1997 com o Prémio «Autarca 20 anos – 1977/1997.
No mandato actual, Abílio Fernandes integra as Comissões Parlamentares de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas (Secretário), de Assuntos Europeus, de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território, Subcomissão para a Criação de Novos Municípios, Freguesias, Vilas e Cidades e Subcomissão para a Descentralização.
Como comentário geral, pensamos que este é daqueles Deputados de quem se pode esperar bastante, dada a sua experiência política e o contacto que teve com a realidade de vida dos cidadãos que representa.
Dupond

O eclipse

O PSD venceu claramente as últimas eleições autárquicas mas, depois disso, o que é que aconteceu?
Talvez inspirado pelo fenómeno cósmico de há umas semanas, Marques Mendes eclipsou-se. “Não era difícil”, dirão, sarcasticamente, alguns... Mas, pondo o humor de lado, a verdade é que o PSD não se ouve.
Rapidamente, atente-se no que se passou no terreiro político, nestas últimas semanas. À cabeça, as acções de Alberto Costa na Justiça, alvo de enorme contestação de todos os sectores atingidos. Um ataque às corporações com o recorte deste só poderá dizer uma de duas coisas: insensatez ou razão. O certo é que o Ministro apenas teve oposição por parte dos visados, uma vez que o principal partido da oposição, em vez de galopar na pujante onda autárquica, se remeteu a um inusitado silêncio.
Mais recentemente, o Ministro da Saúde avançou com uma série de críticas à ineficaz gestão dos equipamentos de saúde semeados pelo país. Acusou os hospitais de terem mais médicos do que cama ou excedentes brutais em algumas especialidades, tudo para poder justificar uma certa ineficácia da sua política. De qualquer forma, não se ouviu Marques Mendes a defender o que quer que seja.
As presidenciais aproximam-se a um ritmo vertiginoso. Cavaco Silva é apoiado pelo CDS e pelo PSD, mas, se atentarmos com alguma acuidade, parece que o Professor de Boliqueime está ao nível de independência partidária de Manuel Alegre. Com efeito, o partido, desde as bases aos nomes mais significativos, está algo alheado da corrida eleitoral. Será estratégia ou Marques Mendes, também aqui, se deixou eclipsar?
Capitalizando o sucesso da sua reeleição, Rui Rio já espreita o lugar de líder do PSD. Na margem esquerda do Douro, Luís Filipe Menezes faz o mesmo. José Pedro Aguiar-Branco lá se vai mantendo como espectador. É altura de perguntar: o que é que Marques Mendes ganhou com as autárquicas? E caso Cavaco Silva vença, o que parece provável, como é que Marques Mendes irá fazer reflectir sobre si um pouco do brilho da vitória de Cavaco Silva? Afinal, para que é que Marques Mendes quer o PSD? Para ser Primeiro-Ministro?
Dupont

In memoriam


Como é sabido, foi ontem a enterrar o primeiro-sargento dos Comandos João Paulo Roma Pereira, morto no Afeganistão. Era amigo do Luís Tata, o brilhante blogger do Alandroal, um dos favoritos cá da casa. O nosso soldado já tinha enviado material para os amigos, tendo o Luís colocado o primeiro post sobre o tema no dia 14, ilustrado com a foto que aqui mostramos.
Luís, recebe d'«O Vilacondense» um grande abraço.
Dupont

A praga

Uma minha funcionária apareceu, esta semana, toda satisfeita porque tinha comprado uma carteira Burberrys. Andou a economizar para aquilo durante meses. Enquanto as colegas resolviam o assunto com uma nota de 10 euros nos ciganos, ela optou por possuir the real thing...
Confesso: já vomito o raio do padrão da Burberrys. Começando gabardina que Bogart imortalizou e Cohen cantou, o certo é que aquele xadrez invadiu tudo: carteiras, porta-moedas, chapéus, pastas, guarda-chuvas, camisas, casacos, cintos, berloques, relógios, almofadas, carrinhos de bebé (sim, sim!), papel higiénico... Bem, este último não porque, certamente, ainda ninguém se lembrou. Entra-se num restaurante de moda, o “Cafeína” ou o “Vino Tinto” ou vai-se até a uma esplanada como a da “Praia da Luz” ou a do “Ourigo” e zás - metade das mulheres presentes ostenta uma qualquer peça infestada com o omnipresente padrão da marca inglesa. Bem sei que as mulheres olham mais umas para as outras do que para os homens e ostentar coisas decoradas com aquilo deve dar-lhes uma qualquer ideia de status, um conforto social que só elas perceberão.
A Burberrys mostra qualidade, não é barata, mas também não atinge os preços da Carolina Herrera, da Gucci, da Dior ou da “Rolls Royce” da marroquinaria, a Louis Vuitton. Com uma mala Burberrys não se pertence à classe alta, mas também não se é confundido com o povo... Ou seja, é de “quem quer mas não pode” – o que, nos países latinos, é como mel na sopa... Veja-se em Espanha, onde a praga atingiu o mulherio mesmo em cheio. Na rua, nos cafés, nas lojas, em casa, não há espanhola que não tenham um penduricalho qualquer da Burberrys.
Mas, felizmente, em Inglaterra, pátria da “pior classe média do Mundo” segundo Churchill, começou a surgir alguma luz. Aì, o fenómeno avançou por areias movediças, o que levou a marca a alterar, radicalmente, a oferta. É que, por terras de Sua Majestade, aquele inconfundível padrão bege/acastanhado caiu em desgraça: é pimba, ou, como por lá se diz, é chav, como já falámos aqui, há quase dois anos. Os hooligans e os novos-ricos usam e abusam dele. O que era uma marca high-end está claramente em desgraça.
É claro que, por cá, a Burberrys dificilmente cairá numa zona tão negra, atendendo ao nosso poder de compra. O que é uma pena... Isto apesar de reconhecer uma vantagem na marca: as suas carteiras têm a virtualidade de fazer com que as mulheres andem com uma combinação verdadeiramente matadora: botas de cano alto, jeans justíssimos e uma camisa branca com um generoso decote...
Dupont

Dos nossos leitores...

E ainda dizem que não há hooligans inteligentes:
Slb:
O teu problema é que "o pinto dourado" condenou essa excrescência do salazarismo que é um clube de Lisboa elevado à categoria de clube da união nacional à travessia no deserto. Comprou os árbitros? Talvez o tenha feito, mas se o fez foi em “regime de livre concorrência” e não com o monopólio do antigo regime que só produzia CALABOTES. Mas só mesmo um imbecil é que pode acreditar que o extraordinário percurso do Porto no últimos vinte anos se deve a manobras obscuras, até porque se assim fosse, o que diríamos de um clube como o Benfica com dois presidentes com cadastro!? Não esquecer que o cadastrado Vale e o cadastrado Vieira são “património” do vosso clube nos último vinte anos... O Sucesso do Porto deve ser procurado em nomes como Madjer, Futre, João Pinto, Jaime Magalhães, André, Gomes, Inácio, Aloísio, Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Deco, Paulo Ferreira, Costinha, Maniche, Derlei, Alenitchev, Jorge Andrade e tantos outros que são ou foram futebolistas de eleição. Já agora falta acrescentar dois nomes – Artur Jorge e José Mourinho – e o nome responsável por eles todos: JORGE NUNO DE LIMA PINTO DA COSTA!!! “MAI NADA”!!!
por 'pp'
Mai nada!
Dupont (extraído de comentário a este post)

Parabéns

Ao Causa Nossa e ao Cineblog pelo segundo aniversário.
Dupont

O blog "anti-presidenciais"

Dupont (via Blasfémias)

Frustração


Regressei há pouco do Porto. Desloquei-me à Universidade Católica com o intuito de assistir à primeira conferência da III série da iniciativa "Olhares Cruzados sobre o Porto". Os palestrantes eram António Barreto e Miguel Cadilhe, tendo como moderador Artur Santos Silva. Cheguei em cima da hora e não consegui ver nada - nem eu, nem as largas dezenas de pessoas que também não conseguiram aceder ao anfiteatro onde se realizava o evento, entre elas José Pedro Aguiar-Branco e Carlos Brito. Um sucesso de público e um desastre de organização. Aquela sala não é grande e nem sequer é a maior daquela instituição. Já assisti a outras conferências, naquele mesmo anfiteatro, e o problema de espaço é recorrente. Então para quê insistir no erro?
Mas nem tudo foi tempo perdido. Para compensar, meti-me no carro e fui à "Galiza" saborear uma francesinha...
Dupont (imagem: A Baixa do Porto)

terça-feira, novembro 22, 2005

22 NOV 1963 - 22 NOV 2005


Faz hoje 42 anos que morreu assassinado o, provavelmente, melhor Presidente dos EUA: John Fitzgerald Kennedy.
"Não perguntem o que a América pode fazer por vocês, perguntem antes o que vocês podem fazer pela América"
Haddock

Temos Ministra


Esteve muito bem a Ministra da Educação ontem no debate da RTP, no programa Prós e Contras.
Com serenidade, mas muita firmeza, explicou a política que está a ser seguida pelo ME e defendeu, quanto a mim muito bem, as aulas de substituição, que foram o centro do debate.
Penso que o mau estar dos professores se deve, sobretudo, às questões que buliram no seu vencimento (congelamento das progressões) e à alteração das condições de aposentação e não tanto às aulas de substituição, que já existiam antes do 25 de Abril, como disse a professora que participou.
Para nós, cidadãos comuns, foi melhor que o debate tivesse girado em torno destas últimas, pois, sem desfazer, afecta-nos e interessa-nos muito mais a substituição dos professores em falta do que os seus vencimentos e a sua aposentação. O que preocupa os cidadãos, especialmente os que têm filhos, é saberem que os alunos estão ocupados e orientados enquanto estão na escola; que não estão nos cafés, nem a desenvolver vícios e comportamentos censuráveis. Isto é o que verdadeiramente importa.
Quando falta um professor, os pais, mesmo aqueles que são professores, preferem que os filhos estejam acompanhados por um adulto, professor ou funcionário, do que fiquem à "rédea-solta", sabe-se lá como e onde.
Por isso as aulas de substituição foram uma excelente medida, doa a quem doer. E se há divergências quanto à forma, que se resolvam nas escolas e com os professores, que não se ponha em causa a boa refeição pelo prato em que é servida.
A ministra esteve muito bem pela simplicidade e clareza dos argumentos, no que aliás foi muito bem ajudada pelo Presidente da CONFAP e pelo Prof. António Nóvoa.
Do debate ficou claro que:
Só há aulas de substituição porque os professores faltam.
As escolas têm o dever de ocupar os seus alunos nas faltas dos seus professores.
Se as aulas de substituição estão previstas na lei há tantos anos, não se compreende porquê tanta oposição sindical a elas.
Foi isto que me ficou do debate.
E não vi que os sindicatos tivessem contrariado estas ideias tão simples.
Há falta de condições nas escolas; não são as aulas de substituição que contestamos, mas sim a forma, o tempo e o modo como foram implementadas,disseram.
É certo que a pressa é má conselheira: "cadelas apressadas parem filhos cegos", como bem diz a sabedoria popular, mas também é certo que se estas medidas não tivessem sido tomadas em Junho, só para Setembro de 2006 é que os nossos filhos poderiam estar ocupados quando os seus professores faltassem.
Por mim, foram tomadas na hora.
Haddock

Quem aVISA amigo é!

Os Presidentes de Câmara empregam boa parte do seu tempo de trabalho em lamúrias. O orçamento não é suficiente e também não há maneira daquele dinheirinho do Governo chegar... Veja-se o nosso caso, onde o Orçamento já não chega para as dívidas...
Como parece que se trata de um problema global, a Câmara de Port St. Lucie, na Florida, recorreu ao vulgar cartão de crédito VISA e pagou uma obra de 15 milhões de dólares.
Quem disse que os autarcas não tinham imaginação?
Dupont

Franc...amente

Passaram, ontem, 30 anos sobre a morte do Generalíssimo Francisco Franco. Foi tempo de recordar, mas, também, de verificar o que é que os espanhóis pensam ou sentem sobre essa figura quase mítica da sua história contemporânea e do período em que ele manteve o país subjugado. Os resultados apresentados pelo El Pais, e que aqui reproduzimos, não deixam grandes margens para dúvidas: a democracia está bem enraizada, em Espanha.
Dupont

Perdidos no Espaço...

O site Space.com elaborou a lista dos dez melhores filmes cuja temática seja o Espaço. Aqui está:
1. Star Wars V: The Empire Strikes Back
2. 2001: A Space Odyssey
3. Star Wars IV: A New Hope
4. Apollo 13
5. Star Trek 2: The Wrath of Khan
6. Star Trek: First Contact
7. Alien
8. Star Wars VI: Return of the Jedi
9. The Right Stuff/ Os Eleitos
10. Contact

Assim, sem pensar muito, faltará "O Planea dos Macacos", "Solaris", "Encontros Imediatos do Terceiro Grau", "O Dia em que a Terra parou", "ET", "O Cosmonauta Perdido", "Starman" entre outros. Ou seja, a lista é redutora e, claro, para americano ver...
Dupont

373

É o impressionante número de analgésicos que o cidadão britânico toma, em média, por ano, refere o The Independent. Dá mais do que um por dia... A British Medical Association está estupefacta, tal como os próprios médicos que alertam para o perigo das pessoas encararem este tipo de medicamentos - paracetamol, "aspirinas" e similares - como sendo isentos de risco. Pior ainda, foi constatar que muitos pacientes, mais exactamente metade, consumia-os juntamente com álcool...
Uns trengos, não são, Mário?
Dupont

«Play the Angel», Depeche Mode

Ainda não nos tínhamos referido aos Depeche Mode aqui n’O Vilacondense, pelo menos em termos de trabalhos originais, já que abordámos, aqui, a compilação “Remixes 81>04”. Temos agora essa oportunidade com o novo “Play the Angel”, onde os Depeche Mode parecem querer resolver, definitivamente, os problemas que, no passado, afectaram a banda. Desentendimentos internos, vícios, álcool e droga estiveram para os desfazer. É tempo agora de refazer o que ainda existe e “passar por anjo”.... Para isso, há que pedir desculpas e expiar todo o mal que por lá passou. O tom do álbum é exactamente esse, o de redenção. Consequentemente, ao nível sonoro, os Depeche Mode mostram-se bem mais intimistas, com a composição e produção a atingirem níveis de excelência, e a vertente mais popular e dançável a ficar para segundo plano. De registar ainda, um certo “piscar de olhos” à certas sonoridades passadas, mas de um tempo mais longínquo, da altura de “Music for the Masses”
Apesar disso, o tema de abertura, “A Pain that I’m used to”, continua na senda da dos dois últimos álbuns da banda, “Ultra” e “Exciter”. A temática e o som são negros, com um Dave Gahan a declara-se, desde logo, algo perdido: “I’m not sure what I’m looking for, I just know that I’m harder to console”.
Segue-se “John The Revelator” uma composição com ecos religiosos e políticos, em que se apela ao Deus único e se rejeita esses “reveladores” que querem impor uma nova mundovisão – a união contra a separação. O disco avança, então, para “Suffer Well”, a primeira das três faixas assinadas pelo vocalista Dave Gahan, uma canção pop, a fazer lembrar, por vezes, o clássico “A Question of Lust” e onde se faz referência ao “anjo salvador” que o salvou em momentos difíceis – uma imagem que surgirá noutras composições.
“The sinner in me” é o quarto tema, talvez o melhor de “Playing the Angel”, que poderá ser lido como uma espécie de confissão da banda e de cada um dos seus membros, várias vezes envoltos em polémicas, especialmente Gahan e o seu abuso de estupefacientes: “How sweet life would be/If I could be free/From the sinner in me”. Mas, a cada descida aos infernos, há sempre uma mão angelical que ajuda no regresso: “But you’ve just tried/To be by my side/And catch my fall/When I start to slide”. A necessidade de penitência e de perdão continua na música seguinte, “Precious”, uma perfeita dedicatória a alguém – o tal “anjo”- intrinsecamente bom, que teve de aguentar uma má relação. Martin L. Gore assina uma letra excelente, como comprova este excerto: “If God has a master plan / That only He understands/I hope is your eyes he’s seeing through”. A introspecção aparece em “Macro”, uma viagem por dentro de si próprio, enquanto delírio. Em “I Want it All”, sétimo tema, Gahan continua a sua obsessão pela desculpa, mas sempre consciente que, nele, coexiste o bem e o mal, o choro de arrependimento e a dor da mentira. “Nothing’s impossible”, tema seguinte, acaba por ser a luz de esperança, para quem pecou e magoou o seu semelhante, até porque na faixa seguinte, confessam que são “Damaged People” e, como tal, “trusting in the one thing/The one thing that this life has not denied us”, isto é, o amor. Que tanto poderá ser “Lilian” ou a “The darkest star”, a quem se dirigem os dois últimos temas do disco.
Os Depeche Mode estão de volta o que é sempre de saudar. Mas vieram com um excelente trabalho, onde se nota, claramente, que não estamos perante um punhado de canções soltas, mas antes de um disco concebido com uma determinada linha condutora e com um sentido claramente definido. Já são muito anos de estrada, mas nem todas as bandas conseguiram fazer este “turnover” criativo que os Depeche Mode fizeram.
Agora só falta ver como é que este álbum “passará” no teste da performance ao vivo. Em 8 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico, lá estarei para ajuizar disso...

Dupont

segunda-feira, novembro 21, 2005

Crónica do estado a que isto chegou

Hoje os alunos de três escolas C+S e Secundária da Guarda fizeram greve às aulas e uma manifestação pública contestando as famosas aulas de substituição. A RTP esteve presente fazendo a cobertura jornalistica do evento e entrevistou alguns dos grevistas. Diziam eles:
- "Aqueles que agora nos querem obrigar a ter aulas de substituição quando eram alunos também gostavam de ter feriados. Não é justo acabar assim com os feriados".
- "Os nossos professores não querem dar as aulas de substituição e dizem que temos razão".
- "As aulas de substituição são uma seca".
Para além destes argumentos, curiosa foi a resposta de muitos à pergunta: "quem vos mandou fazer greve?". "Foram os professores", responderam os mais ingenuos...

Se alguém tem dúvidas sobre o estado da educação em Portugal não precisa de ir mais longe do que analisar este singelo acontecimento da Guarda.

Dupond