Podes levar a Bicicleta, mas … deixarás os pedais

Ok. Dupont. Apesar de não ter razão nenhuma, vamos lá aos factos:
Dizes que o leit motiv de Kennedy para iniciar o programa Apollo foi travar o ímpeto espacial/militar/tecnológico soviético que estava em crescendo e sem concorrentes à altura: A América precisava dessa demonstração de poder. E conseguiu-o.
Pois bem, so what?
Já pensaste nos possíveis, previsíveis e presumíveis motivos que levam os políticos, mesmo os grandes, a agir? Daria para um tratado, não é assim? Por isso, não pode ser pelos motivos da acção que se diminuem ou louvam os políticos nem as suas políticas – aliás, a bem da verdade, estará para nascer o político capaz de prever todas as consequências das suas políticas.
Por conseguinte, não me interessa saber se a motivação de Kennedy era ou não muito nobre e “elevada”. Aliás, nem eu nem tu, nem ninguém o poderá saber ao certo.
O que eu e tu sabemos é que na Universidade de Rice, Kennedy fez um discurso histórico: We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard (Nós decidimos ir à Lua. Nós decidimos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis).
Ora, ao contrário do que escreveste, o programa Apollo e a ida à Lua traduziram-se num incrível avanço tecnológico e militar e num “grande salto para a humanidade”. Do meu ponto de vista, o maior passo dado pelos americanos na sua curta e rica historia. E um passo do tamanho dos Descobrimentos. Claro que tentas desviar o enfoque e diminuir a importância do assunto, centrando o teu olhar sobre a Lua: A prova de que o feito pouca importância teve senão o de chegar lá e vir embora, é que há trinta anos que nenhum ser humano lá voltou a pôr os pés… Mas sabes tão bem como eu que a ida à Lua é incomparavelmente mais importante por aquilo que potencia e pelos horizontes que abre, que pelo sítio em si – a Lua era pura e simplesmente o pedaço de “novo mundo” mais perto de nós.
Contestas a importância que atribuo a Kennedy na sua política de libertação do mundo do totalitarismo soviético. E sustentas a tua tese no fracasso na Baía dos Porcos e na sua incapacidade de travar a construção do Muro de Berlim. Tens razão nos factos - foram dois tristes momentos – o primeiro da responsabilidade política de Kennedy e o segundo da responsabilidade das democracias ocidentais, de todas. Mas não tens razão nas consequências que lhes atribuis (reforço ou, pelo menos, não abrandamento da vaga totalitária comunista).
A resolução da crise dos mísseis foi de extrema importância para o mundo. Já imaginaste se o Khrushchev tem vencido a sua e mantido os mísseis em Cuba? Seria a capitulação dos EUA e, do meu ponto de vista, a difusão do comunismo pela América e por todo o mundo.
Por isso, não estou a gozar. Estabeleci a minha tese, colocando-me em 1962 e a olhar para o futuro e tu criticaste-a do mesmo momento, mas a olhar para o presente. O comunismo ainda cresceu mais uns anos, é certo, mas Kennedy com a sua acção na crise dos mísseis livrou-nos de um pesadelo inimaginável.
Claro que concordo contigo no que respeita ao papel de Reagan e de João Paulo II no recolhimento, ainda que não global, da deriva comunista. Já agora, junta-lhes a perestroika e a glasnost de Gorbachev.
Finalmente, claro que Kennedy também é um mito.
Só espero que a foto que escolheste – trazendo a 1ª dama ao 1º plano – não tenha um significado …mitológico.
Haddock









































por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock
