The plot thickens…
A coisa está a piorar… A ‘Sábado’ resolveu fazer uma daquelas reportagens que tem tanto de revolucionário como de disparatado: “A Era Gay” - “os heterossexuais identificam-se cada vez mais com os homosseuxuais sofisticados”. Para a “Sábado” o país está “em mudança”, há uma “assimilação inconsciente e cada vez mais generalizada da cultura gay” e, pasme-se, “os homens heterosseuxuais começam a admirar os gays sofisticados”.
Se alguém tivesse dúvidas sobre emergência do lobby gay, fica esclarecido com esta reportagem, assinada por Micael Pereira (um nome à medida…). Já não chegam as noites gay da SIC, com o ‘Esquadrão G’ e os convidados do Herman José, as verborreias do Bloco de Esquerda e as idiotices da Opus Gay e quejandos, agora o ataque passa para a imprensa escrita.
Confesso que não percebo esta necessidade de afirmação. Se querem ser gays, pois que o sejam, mas não chateiem. Eu não ando para aí a repetir e a anunciar a minha heterossexualidade. Cada um que viva como melhor lhe apraz, desde que isso implique o respeito pela opções e liberdade do outro.
O pior é que, para fundamentar este claro sintoma de inferioridade, a revista foi à procura de lojas e restaurantes onde as duas perspectivas se misturassem. No Porto, a escolha recaiu sobre o ‘Café Lusitano’, o ‘Passos Manuel’ e o ‘Maus Hábitos’, que desconheço, e no ‘Cafeína’, onde já fui variadas vezes. Ora, neste último – e posso ter estado distraído – nunca me apercebi da presença de homossexuais que justifique qualquer notícia. Quando andava na “noite”, em discotecas como a “Swing”, era comum a presença de gays assumidíssimos. Davam nas vistas. E havia um restaurante, o “Papagaio”, ali em frente a ‘Biomédicas’, cujos donos eram um casal gay - serviam optimamente, tinham sempre casa cheia e ninguém se importava com o par. Agora, no ‘Cafeína’? A maior parte das mesas são ocupados por casais ou grupos equilibrados quantos ao género. Sinceramente, não percebo.
Mas, do meu ponto de vista, o mais grave até nem é isso. Como é sabido, rotular uma casa com movimentações gay, concorde-se ou não com elas, é matá-la. É injusto, claro, mas é a realidade, aqui e noutro lado qualquer. Por isso espanta-me o à-vontade com que estas reportagens são publicadas. Porque a sensação que me dá é que, em vez de deixaram as coisas fluir naturalmente, parece que se quer impor opções à maralha incuta e retrógrada. Ora, se assim é, o caminho não podia ser o mais errado.
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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