terça-feira, janeiro 31, 2006

Altruísmo de cão

O DD informa que “Uma das principais marcas de comida para cão da Nova Zelândia ofereceu 42 toneladas de alimento para animais para o Quénia, onde a fome está a vitimar milhões de crianças”, acrescentando que o governo queniano terá recusado a doação.
A proprietária e fundadora da empresa doadora esclareceu que alimento em causa é muito nutriente, tem um sabor agradável, ela própria todas as manhãs come desses biscoitos e … fez a doação não como comida para cães, mas como suplemento nutricional.
Com tão lapidar explicação fico muito mais descansado.
General Alcazar

Quem chora...

"Foi criado a semana passada o Movimento Amigos de Manuel Alegre (MAMA)"., n'O Acidental.
Dupont

Vasco Pulido Valente...

...chegou à blogosfera, fazendo parceria com Constança Cunha e Sá, n'O Espectro, um blog que só não vai ser de leitura diária porque já o era...
Uma amostra:
As graçolas sobre a "recuperação" de Alegre não me parecem de muito bom gosto. Depois de trinta anos de ociosidade no parlamento, três meses de trabalho matam um homem.
Dupont

Marca Dinamarca

Leitura altamente recomendada: "Blasfémia", no Blasfémias.
"Como é frágil a liberdade".
Dupont

A humildade do Major


Valentim dos Santos de Loureiro nasceu a 24 de Dezembro de 1938, na aldeia de Calde, em Viseu, (...)

Curiosidades:
O Major Valentim Loureiro, depois de trinta anos de experiência de futebol, não descura a gestão rigorosa e concretização patrimonial, considerando esses dois aspectos fundamentais ao exercício das funções públicas que ocupa, sobretudo na Câmara de Gondomar e na Liga de Clubes, sendo extremamente exigente com o controle das despesas e com a eficaz gestão dos recursos.
Assume-se como uma pessoa muito exigente mas não rancoroso. Admite que, mesmo depois de várias críticas, adopta a sua postura e diz que sabe «separar o trigo do joio, mesmo reconhecendo haver sempre joio no trigo».
A sua vida é, naturalmente, bastante ocupada. Por isso, os seus dias começam bastante cedo e raramente terminam antes da meia-noite. Todos os meses percorre alguns milhares de quilómetros de automóvel, em viagens permanentes entre o Porto, Gondomar e outros locais a que tenha que deslocar-se. Nunca fez um mês de férias, nem sequer passou oito dias de descanso seguidos.
No seu dia a dia, lê quase todos os jornais logo ao levantar-se, consultando, principalmente, artigos relacionados com a sua figura, com a Câmara de Gondomar, com a Liga de Futebol e com a política. Ao longo do dia, escuta várias rádios e está sempre atento aos telejornais. Valentim Loureiro, não obstante a sua notoriedade e popularidade, é uma pessoa sempre disponível para atender quem se lhe dirige, procurando sempre resolver os problemas que lhe colocam com eficácia e rapidez. Para estar sempre em contacto e contactável.
Retirado do site da Câmara Municipal de Gondomar, após sugestão de um notícia no Expresso. Os negritos são nossos.
Dupont

Ainda a neve…


Quando comecei a ouvir as primeiras notícias sobre o nevão que entreteve a paróquia lusa durante o passado fim de semana, julguei que se tratava de algo inédito. Afinal, mais dez, vinte, ou mais cinquenta anos em cima, a situação já se havia verificado. Isso não quer dizer que seja normal - muito pelo contrário, como o provou o gélido e monótono alinhamento dos telejornais.
Mas a verdade é que o ambiente está em mutação. Nascesse Vivaldi hoje e já não comporia “As Quatro Estações”. Efectivamente, somos confrontados, quase diariamente, com catástrofes naturais, sempre bipolarizadas entre secas e inundações, quase todas extemporâneas. Como se não bastasse, o Homem dá o seu contributo: incêndios e construções em locais de passagem de água, respectivamente.
Mas o pior não é só isso. Após a assinatura do Protocolo de Quioto, em 2004 ( mas já assente sete anos antes, o que mostra a enorme preocupação ambiental dos líderes políticos deste Mundo…), a verdade é que muito pouco mudou. As cidades continuam cheias de carros a emitir dióxido e monóxido de carbono, os edifícios ostentam cada vez mais aparelhos de ar condicionado, e os combustíveis fósseis nunca mais dão lugar às propaladas energias renováveis. Por outro lado, o maior produtor mundial de poluição, os EUA, continuam a rir-se do dito do protocolo.
Ou seja, nós, os humanos, continuamos a assobiar para o ar, enquanto o Planeta Terra vai adoecendo. Recorrendo à típica atitude de “o último que feche a luz”, todos nós nos estamos, realmente, a marimbar para com o ambiente. Porquê? Porque somos seres egoístas. E porque todos nós achamos que somos donos do planeta e que a nossa tecnologia é mais do que suficiente para dar resposta a qualquer problema ambiental quando ele surgir na sua amplitude.
Ora, como é óbvio, semelhante raciocínio enferma de um enorme vício: não somos nós quem manda na natureza, pela simples razão de que nós somos parte dela, aliás, apenas uma ínfima fracção dela. E, se um dia, ela entender que pode prosseguir o seu caminho sem nós, vai fazê-lo. E então será certamente tarde para fazer cumprir protocolos e acordos sobre o meio ambiente.
Dupont (cartoon: EL Roto, para El Pais)

Nuestros hermanos

A última edição do Expresso trouxe uma longa entrevista com José Maria Aznar que merece alguma atenção.
O ex-Primeiro-Ministro aborda questões fulcrais da política interna e externa de Espanha, sendo que, algumas, têm reflexo em Portugal.
Aznar considera o comportamento de Zapatero questionável em política externa: “Não falar com o Presidente dos Estados Unidos não é, na minha opinião, uma boa posição política. Digamos que manter uma amizade muito próxima com Chavez ou com Moralez ou com Castro não é o melhor sítio para se estar internacionalmente”. Por mim, acho ridícula a actuação de Zapatero, voltando costas a décadas de frutuosa diplomacia, e parecendo ceder, claramente, aos objectivos terroristas de isolar os EUA internacionalmente. E faz mal porque, primeiro, isso é uma impossibilidade total, uma vez que até Espanha necessita do conforto militar e, claro, do económico proporcionado pelos EUA. Mas, mais grave, é ir aplaudir os resquícios de um império, comandados por gente que ou mergulhou os seus povos na violência e miséria, ou pretende desenvolver o seu país com ideias revolucionárias como legalizar a cocaína… Ou seja, Zapatero foge do pior do Oriente para ir mergulhar no mais esplendoroso lixo político que o Ocidente tem para oferecer.
Ao nível interno, Aznar também não partilha da estratégia de José Luís Zapatero, acenando, já, com o fantasma da guerra civil (na linha do PP de Rajoy, seu sucessor), nomeadamente quando insinua que se está na iminência da “balcanização” de Espanha. Isto porque, como é sabido, se está a avançar para o reconhecimento do carácter nacional da Catalunha e, futuramente, do País Basco. Para Aznar, isto é um óbvio processo de desintegração. O que devia ser feito era o inverso, ou seja, “fortalecimento do Estado, dos elementos de coesão e integração do país”.
Este ponto merece uma maior reflexão e a entrevista deve ser complementada com a sondagem que o El Pais divulgou no Domingo passado. Aí, as posições do PSOE e do PP estão perfeitamente definidas. De entre o universo de apoiantes de cada partido, os do primeiro acham que as reformas estatuárias são positivas (58,1%), enquanto os do segundo acham o inverso (74%). Olhando para as médias nacionais, 43% dos espanhóis entendem que as medidas vão ser negativas, contra 39,5% a achar o contrário. No entanto, quando perguntados pela conveniência em fazer mudanças aos estatutos autónomos, 48,5% acham que sim, contra 35,6%. Do mesmo modo, a maioria acha que os novo Estatuto da Catalunha não se ajusta à Constituição (41,5%), mas também entende que não põe em perigo a unidade do Estado (47,4%) e que a não inclusão da palavra “nação” foi positivo (61,7%). Os resultados são, efectivamente algo confusos. Veja-se que a maioria dos inquiridos acha que Zapatero e o PSOE não geriram bem a negociação (52,3%), mas também não concordam com a estratégia do PP em promover o referendo.
Ou seja, parece que, ao contrário de Aznar, os seus conterrâneos estão divididos e indecisos quanto à bondade da medida. O certo é que também não sabem lá muito bem qual seria a solução ideal.
Como não poderia deixar de ser, a razão não está só de um dos lados. Com efeito, não me parece que haja qualquer perigo para a unidade do Estado espanhol com este novo estatuto, pela simples razão de que bascos e catalães, na sua maioria, se sentem, igualmente, espanhóis. O segredo está no respeito pelas diferenças, culturais e sociais, de cada região, e pelo repartição equalitária entre Estado e região, da riqueza criada em cada uma delas. Algo que os diversos governos têm procurado fazer. Do meu ponto de vista, o estatuto autonómico poderá ser uma arma eficaz para segurar e reforçar, até, a estabilidade interna, já que não passa da versão século XXI da máxima “dividir para reinar”. O caso da palavra “nação” é um significativo exemplo: não está no texto final, mas aparece no preâmbulo… Outro exemplo é o da autonomia financeira, que se ficou num aumento do bolo dos impostos para a Catalunha que supera os 50%, e não a quase totalidade, como defendiam os catalães.



O grande problema é outro. É que com tanta cedência à Catalunha, igual tratamento vai ser reclamado pelo País Basco e, eventualmente, pela Galiza. Ora, sendo os dois primeiros os responsáveis pelo andamento da economia espanhola, não se percebe lá muito bem com que orçamento é que o Governo vai gerir o país. Até porque o que sobra é, essencialmente, agricultura e turismo… E se mais dinheiro ficar no nordeste do País, como é que se vai canalizar dinheiro para a Andaluzia e a Estremadura?
Desmembramento de Espanha parece que não, mas sérias dificuldades governativas e, principalmente, orçamentais, já me parece que sim.
Dupont(cartoons: EL Roto, para El Pais)

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Alguém viu neve no Condado Portucalense?...

Ou «Portugal começa nas margens do Mondego...»
Dupont

Efemérides

Nasceram a 30 de Janeiro:
1951 Phil Collins 1882 Franklin Delano Roosevelt

Morreram a 30 de Janeiro:
1948 Mahatma Gandhi 1951 Ferdinand Porche

Haddock

"Minority Report"

O nosso vizinho, Abel Maia, entregou à Comissão de Jurisdição Distrital do PS o relatório disciplinar que levará à expulsão de "19 militantes socialistas de Felgueiras" por terem integrado a lista de Fátima Felgueiras à Câmara Municipal.
De acordo com o JN o relatório será apreciado pela Comissão Distrital que o enviará, posteriormente, à Comissão de Jurisdição Nacional para decidir das penas disciplinares a aplicar.
Seria importante que Abel Maia, relator do processo, tenha seguido a linha de rigor e autonomia a que nos tem habituado desde que iniciou a sua caminhada de emancipação, para já, paralela à de Mário de Almeida, e que proponha a expulsão pura e simples do PS destes militantes de Felgueiras. Fora com eles Abel.
Haddock

Recado


Rua da Senra, 27 de Janeiro de 2006
«Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não»,
Manuel Alegre
Dupont

O monstro continua a crescer...

"No ano passado as autarquias contrataram 3.920 trabalhadores, mais do dobro do que as aposentações registadas na administração local (1.870), indica a edição deste sábado do Diário de Notícias.
No conjunto, a administração pública contratou 20.607 trabalhadores em 2005, mais 1.077 funcionários do que aqueles que se aposentaram. Ainda assim, este é o número de entradas na Função Pública mais baixo dos últimos 13 anos." No Diário Digital.
Dupont

É precisamente por isto que nunca serei político!....

"«Obrigado, padre Massimiliano, não o vou decepcionar e prometo dois meses e meio de abstinência sexual total, até 9 de Abril»", disse Silvio Berlusconi ao Pe. Massimiliano Pusceddu, um defensor dos "valores tradicionais da família", num comício, no sábado, na Sardenha. Diário Digital.
Dupont

Imprensa Regional


"O Bareme Imprensa Regional contabiliza, no Continente, mais de 4,5 milhões de residentes com 15 e mais anos que costumam ler ou folhear jornais regionais, um número que representa 54.3% do universo em análise e que, face a anos anteriores, tem revelado uma dinâmica de crescimento". Ou seja, apesar dos múltiplos ataques que sucessivos Governos têm feito à imprensa regional, a verdade é que, se exceptuarmos Porto, Lisboa e Bragança, em todos os distritos mais de metade da população residente lê a imprensa regional. Ou seja, com excepção do topo nordeste do País, nos locais onde a população sente que não recebe notícias através dos orgãos de informação nacionais, vai aos locais em busca de notícias da sua terra.
Quem insiste em diminuir a particpação do Estado nas despesas do "porte pago" e em criar cada vez mais requisitos para a existência de títulos regionais, deveria olhar com um pouco mais de atenção para estes resultados que demonstram, claramente, que a imprensa regional não só está viva, como desempenha um papel importante, se não único, junto de grande parte da população portuguesa.
Dupont

Verde...


Este fim de semana só deu verde... O Sporting bateu, e bem, o Benfica; o Rio Ave geriu a inépcia do FC Porto; e os jornais vieram cheios de publicidade à nova cor do BES...
Dupont

BlogMemes

O Mário, do Trenguices, resolveu inovar e aderiu a uma tecnologia emergente na blogosfera, a digg. Basicamente, trata-se de criar um "blog dos blogs". E foi o que ele fez, juntamente com um espanhol, no "BlogMemes".
A seguir com muita atenção.
Dupont

Retrospectiva David Cronenberg na Cinemateca

A Cinemateca Nacional dá hoje início a um ciclo de cinema dedicado a um dos mais extraordinários realizadores do cinema contemporâneo: David Cronenberg.
Ao contrário da maior parte dos seus colegas que fazem aquilo que lhes é proposto, Cronenberg sempre esteve um pouco ao lado do establishment de Hollywood. Andou lá, por vezes, mas jamais se deixou influenciar ou moldar pelo gosto reinante.
E foi assim, com independência artística, que o realizador construiu uma carreira assente numa visão muito própria, embora se aceite que sempre se moveu nos domínios da ficção científica e do terror. E foi nesta área que ele expôs a sua perspectiva sobre o corpo humano.
Para Cronenberg, o corpo humano não está limitado àquilo que dele conhecemos e não nasce, apenas, no primeiro dia da vida de cada um. Há muito por descobrir, e uma das principais portas ainda não abertas é a da fusão entre a carne e o metal, entre o corpo e a tecnologia. Um rápido passeio pelo essencial da sua cinematografia leva-nos a alicerçar, ainda mais, esta convicção.
Comecemos com “Rabid”, de 1976, onde a personagem principal, interpretada pela actriz-porno Marilyn Chambers (pormenor de enorme significado…), é vítima de uma operação cirúrgica, renascendo dela como vampira… Seguiu-se “Scanners”(1981), com a famosa imagem iconográfica de uma cabeça a explodir, onde os duelos não são entre corpos, mas entre mentes, através de telepatas. De Videodrome(1983) toda a gente se recordará da cena em que James Woods retira uma cassete VHS da barriga, num filme sobre os efeitos, físicos, da exposição do ser humano à televisão. Em 1986 apresenta o que será o seu filme mais famoso, “A Mosca”, onde assistimos à fusão molecular de uma mosca com um ser humano, com devastadoras e horríveis consequências. Surge, depois, o meu favorito, “Irmãos Inseparáveis/Dead Ringers”(1988), onde um soberbo Jeremy Irons dá vida a dois irmãos gémeos com uma ligação entre si que ultrapassa qualquer explicação.
Depois, Cronenberg passa para o ecran a obra de William Burroughs “O Festim Nu” para, em seguida, adaptar “M.Butterfly”. Mas, após estas experiências mais fora do seu ambiente, volta em força com o brilhante “Crash”, contando a história de um grupo de pessoas vítimas de acidentes de viação, mas com um desejo sexual, fetichista, por carros acidentados. Surge, depois, “eXistenZ”, onde o ser humano se funde com as consolas de jogos e, já em 2002, apresenta “Spider”, onde Ralph Fiennes tem problemas com as suas memórias.
Como se pode comprovar, a relação de Cronenberg com as transformações, físicas e mentais, do corpo humano são uma constante. O sexo está quase sempre presente, quase nunca como procriação, mas sim como plataforma para uma sensibilidade mais alta. Daí que a família de personagens cronenberguianos esteja sempre disposta a aceitar modificações, psicológicas ou físicas, na esperança de alcançar um estado de felicidade e plenitude para além da mera condição humana. Daí que a genética, a tecnologia médico-científica estejam sempre presentes, como instrumentos indispensáveis para tal fim. A sociedade, composta por “corpos” está em mudança, não só porque faz com que os seus elementos mudem, como igualmente são estes que, por vezes, a levam a divergir o curso tomado.
Obviamente que acumulando uma obra tão rica e, ao mesmo tempo, tão tematicamente homogénea, David Cronenberg é hoje olhado como um “autor”, no sentido que os Cahiers du Cinema deram à palavra no contexto cinematográfico. O que é inteirmanete merecido.
Depois de Michael Cimino, a Cinemateca vira-se, agora, para um verdadeiro criador de cinema. A não perder, não fosse a iniciativa decorrer trezentos e tal quilómetros a sul…
Dupont

sábado, janeiro 28, 2006

Prémios Lumiére 2006

O Hollywood organizou, pela segunda vez, os prémios de cinema da blogosfera nacional: os Lumiére. Convidou vários blogs para integrar o juri e O Vilacondense esteve entre os eleitos. A resultado final da votação foi este:
Melhor Filme
Million Dollar Baby (75)
Runner-up - Oldboy (25)

Melhor Realizador
Clint Eastwood (87)
Tim Burton (39)

Melhor Actor
Javier Bardem (54)
Johnny Depp (43)

Melhor Actriz
Hilary Swank (93)
Imelda Staunton (30)

Melhor Actor Secundário
Morgan Freeman (83)
Clive Owen (62)

Melhor Actriz Secundária
Natalie Portman (69)
Cate Blanchett (64)

Melhor Argumento
Million Dollar Baby (53)
Crash (47)

Melhor Montagem
The Aviator (49)
Million Dollar Baby (48)

Melhor Fotografia
Million Dollar Baby (34)
House of the Flying Daggers (24)

Melhor Banda Sonora
Corpse Bride (43)
Elizabethtown (26)

Melhor Filme de Animação
Corpse Bride (92)
Wallace and Gromitt (70)

Revelação Masculina 2006
Zach Braff (55)
Nuno Lopes (46)

Revelação Feminina 2006
Rachel McAdams (52)
Catalina Sandino Moreno (44)
Dupont

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Um vitória negra


A recente vitória dos radicais do Hamas. A ler, no All Things Beautiful
Dupont

Ainda lhe vai sair o euromilhões...


Adversários de Portugal na fase de qualificação do Euro 2008: Polónia, Sérvia e Montenegro, Bélgica, Finlândia, Arménia, Azerbeijão e Cazaquistão. Tudo coxos e mancos...
Dupont

Biblioteca Digital


Absolutamente notável! A Biblioteca Municipal José Régio disponibiliza todos os jornais e publicações períódicas do concelho de Vila do Conde. O projecto chama-se Biblioteca Digital da Imprensa Periódica Vilacondense e abrange quarenta e seis títulos, abrangendo os anos entre 1871 e 1983. O primeiro jornal de que se tem registo é "O Correio do Ave" e o último desta fase de trabalho é o "Renovação".
Como podem ver pela imagem, já houve um homónimo nosso, que hoje contaria 128 anos... E, anos depois. nasceria um segundo...
A apresentação da página foi há oito dias, mas a verdade é que nunca consegui aceder ao site, a não ser ontem. A página está muitíssimo bem conseguida: simples e funcional, permite um navegar intuitivo e arrisca a tornar-se um vício. Já perdi aqui imenso tempo, a ler notícias do passado, muitas delas com um português absolutamente delicioso.
Dupont

PorMAIORES

Wolfgang AmaDEUS MozART
Dupont

«O desejo de ser inútil», de Hugo Pratt e Dominique Petitfaux

No final do ano passado, a Relógio d’Água lançou no mercado a versão portuguesa de um livro que os amantes de BD há muito conheciam na versão original. Trata-se de uma longa entrevista com um dos mais geniais criadores de banda desenhada, o italiano Hugo Pratt, que alcançou fama mundial com a personagem Corto Maltese, mas cuja obra é muito mais vasta e variada.
Pratt nasceu em Julho de 1927, filho de uma mistura de civilizações e raças: franco-ingleses, judeus-espanhóis e turcos. Além disso, durante a vida, “que começou bem antes de vir ao mundo e imagino que prosseguirá sem mim por muito tempo”, Pratt não parou, passando por locais tão díspares como a Etiópia e a Argentina, a sua natal Itália e o Canadá, o Brasil e a América Central. Parafraseando o Captain Renault, em “Casablanca”, pode dizer-se que “isso faz de Pratt um cidadão do Mundo”. Quem conhece minimamente o seu legado artístico, sabe muito bem das múltiplas influências que o autor espelhava nos seus livros e quadros. Na verdade, Corto Maltese quase era Hugo Pratt.
A longa entrevista, com quase três centenas de páginas, constitui uma leitura rica e agradável, ilustrada por inúmeras fotografias e desenhos. O livro está dividido em duas grandes secções: “Sob o signo do gato” e “Sete portas para um Universo”. Grosso Modo, a primeira corresponde ao homem, a segunda ao artista.
Pratt fala de tudo: dos pais, dos familiares, da religião, da escola, de como, ainda cedo, descobriu o seu talento natural para o desenho e o apoio que recebia da avó (p.30), a descoberta do sexo na Etiópia (p.43), o regresso a Itália e a passagem fugaz pelo exército nazi (p.78), a ida para a Argentina (p.97) onde deu largas à sua paixão por retratar faces e corpos em pequenos cadernos, a passagem por Inglaterra (p.114), o regresso à Europa e a chegada da fama. Curiosa a sua viagem a Angola, a convite do MPLA (pag. 153).
Bem mais interessante é o ponto de vista de Hugo Pratt enquanto criador e artista. Para desvendar o universo de Pratt há que abrir sete portas. São elas, sucessivamente, “a viagem do peregrino”, “cultura e culturas”, “uma educação esotérica”, “mitos e metafísica”, “um mundo no feminino”, “heróis e guerreiros” e, finalmente, “o desejo de ser inútil”. Ao longo desta parte da entrevista, Pratt vai desfiando aquilo que considera ser a alma da sua obra: o que é que o motivava, o que é que o chamava, o que é que o fez ser o homem que era, o que é queria transmitir ao leitor. Daí que chame peregrinações às suas viagens, já que sentia “necessidade de ir aos lugares que estão associados ao meu mundo interior” (p.190). Porquê? “Pelo desejo de confirmar, de prestar homenagem, e pela minha educação romântica”. A cultura era importantíssima, mas Pratt, um poliglota, mostrava uma concepção própria, o que o levava a falar de termos como “cultura erudita” e “cultura militar”: “alguém que seja culto é necessariamente eclético: se apenas conhece o universo cultural a que pertence Klingsor ou só aquele a que pertence King Kong, não é verdadeiramente culto”(p.201). Como parece claro, no fundo, Pratt defendia que cada homem deveria ter uma cultura humanista, onde a abrangência fosse regra. Absolutamente fascinante é a sua deambulação pelo mundo esotérico, quando confessa abertamente que se divertiu a ouvir Paulo VI a falar sobre o Diabo, contra os Doutores da Igreja…"sempre pensei que a par do mundo directamente decifrável existia um mundo oculto”(p.220). Daí, claro está, a aproximação de muitas das suas personagens a um certo mundo mágico e, até, de feitiçaria. Aliás, Pratt era perito na cabala e sabia umas coisas de voodu, e é sabida a sua proximidade com a maçonaria, bem espelhada em “Fábula de Veneza”. Na sequência disso, o autor sempre demonstrou estar mais perto de uma percepção do mundo com passagem obrigatória pelos mitos e simbologias, do que de uma qualquer “porta” religiosa.
Já perto do fim da entrevista, Hugo Pratt aborda a vexata quaestio de saber onde é que se coloca, culturalmente, a banda desenhada. A sua resposta é lapidar, típica de quem nada tem a temer e sabe muito bem o chão que pisa: “A banda desenhada é um género ainda em geral desconhecido dos intelectuais, pois para muitos deles não faz parte da verdadeira cultura: consideram que só faz parte da cultura o que é reconhecido como tal e ensinado pela universidade”. O problema estava, e, se calhar, ainda está, no “conformismo” (p.287). A terminar:
P-Referiu que as palavras do seu pai, quando lhe ofereceu “A Ilha do Tesouro” de Stevenson, foram: «Também tu, um dia, acharás a tua ilha do tesouro». Para concluir estas conversas, gostaria de lhe perguntar se efectivamente a encontrou. Parece-me que sim…
R-O meu pai tinha razão, eu achei a minha ilha do tesouro. Achei-a no meu mundo interior, nos meus encontros, no meu trabalho. Passar a minha vida com um mundo imaginário foi a minha ilha do tesouro. Claro, é verdade que os mundos que eu visito ao sabor das minhas buscas podem por vezes ser julgados pueris ou inúteis, tão distantes se acham das preocupações quotidianas, mas quando hoje penso naqueles que me acusavam de ser inútil, e no que eles julgavam ser útil, então, perante eles, não tenho apenas o prazer de ser inútil, mas também o desejo de ser inútil.
O desejo de ser inútil não se concretizou. Felizmente. O que sobrou foi uma existência recheada de leituras, viagens, amigos, desenhos. Uma vida pouco comum e, precisamente por isso, de conhecimento obrigatório. Tal qual a leitura deste registo biográfico de alguém que era larger than life.
Dupont

Campeões de nada


O site Nation Master, cuja credibilidade desconheço, elaborou uma série de tops económicos e não só, tendo como protagonistas os países do Mundo. Obviamente, também tem dados para Portugal. O mais aterrador é o da dívida esterna per capita: estamos em primeiro lugar...
Dupont

Tem calma, Dupont, já falta pouco! Não te desgraces!...

Depois de Alexandra Lencastre e Scarlett Johansson, fechamos esta trilogia de loiras dirigida ao nosso instinto básico com Sharon Stone, com imagens da sequela do seu filme de maior êxito..


Dupont

quinta-feira, janeiro 26, 2006

«Match Point», de Woody Allen

É difícil falar sobre “Match Point” uma vez que o filme constitui um todo de tal forma homogéneo que não abordar o surpreendente final é quase impossível. Tentaremos.
Chris é um ex-tenista profissional que quase alcançou o topo. Agora dedica-se a ensinar ténis num exclusivo clube londrino, onde ganha para viver e onde conhece Tom, herdeiro de uma fortuna colossal. Os dois entendem-se e o primeiro convida-o para ir à ópera com a família. Com gostos culturais clássicos, Chris aceita. Conhece Chloe, irmã de Tom, acabando os dois por se envolver emocionalmente. Tempos depois, numa festa em casa dos pais da namorada, Chris conhece a sensual Nola, noiva de Tom, por quem fica imediatamente apaixonado. Depois de um affair entre ambos, Nola desaparece. Chris casa com Chloe, o sogro oferece-lhe tudo, incluindo um emprego de topo e a vida não poderia correr-lhe melhor, não fosse o caso da sua mulher não engravidar. Eis senão quando Chris se volta a cruzar com Nola, ambos reatando a antiga paixão, mas de forma ainda mais intensa. Forçado, por uma Nola grávida, a escolher entre as duas mulheres, Chris vai hesitando, até que, finalmente, decide acabar com o dilema…
Resumidamente e desprovido de imensos pormenores que fazem a diferença, eis o resumo de, sensivelmente, dois terços do filme. A parte restante não a vou revelar, mas posso garantir que é fantástica.
Quando falámos de “Jarhead-Máquina Zero”, referimos o facto de a personagem principal começar o filme a ler Albert Camus. Curiosamente, Match Point tem um início análogo, com Chris a ler “Crime e Castigo”, de Dostoievsky. Em ambos os filmes, o gosto literário da personagem acaba por marcar o seu próprio comportamento. No caso de Match Point, Chris passa uma enorme parte do filme dividido entre o bem estar e a riqueza que a sua mulher e respectiva família lhe oferece e a paixão desenfreada que sente por Nola. As constantes escapadelas são crimes no Tribunal da Consciência, mas Chris não parece preocupado. Ele tinha o melhor de dois mundos. O piro foi quando Nola decidiu que havia de ser tudo ou nada, obrigando-o a decidir. Chris não é uma personagem da profundidade da dostoievskiana Raskolnikov, mas o drama moral do dilema e dos seus actos está presente. O filme começa com uma frase-síntese de toda esta formulação, que cito de memória: a vida é como a bola num jogo de ténis, sempre de um lado para o outro; mas, por vezes, acerta no topo da rede e todos ficamos a pensar se ela vai cair do nosso lado, e perdemos, ou vai cair do outro, e ganhamos… Então, com a bola em cima da rede, será que vai cair do lado da esposa fiel ou da amante lasciva?
Woody Allen acertou em cheio nos actores de Match Point. Jonathan Rhys Meyers está absolutamente soberbo no papel de Chris. O filme gira todo à sua volta, mas o actor tem qualidade suficiente para se desenvencilhar de momentos tão diferentes e de amplitude tão vasta como os de intensa paixão e os de profundo desespero. Scarlett Johansson está sensualíssima: no vestir, no olhar e, especialmente, na voz, rouca e quente. À sua volta, uma mão cheia de secundários que jamais ofuscam as verdadeiras estrelas do filme, antes as fazem brilhar ainda mais.
Há mesmo muito tempo que não via um filme de Woody Allen tão bom. Tudo, em Match Point, roça a perfeição. O argumento é soberbo, desenvolvendo-se numa feliz conjugação de racionalidade e surpresa; os actores, magníficos; a realização oscila entre os grandes planos, mostrando nas faces das personagens todos os contornos da história, e planos abertos, onde Londres ganha um enquadramento diferente aos olhos de um americano…
E por falar nisso, não deixa de surpreender o virtuosismo de Woody Allen. Newyorker obsessivo, passou toda a sua carreira a mostrar a sua a sua cidade, bebendo os seus sons sofisticados com especial destaque para o jazz, a sua cultura pop e pseudo-intelectual de vanguarda, sem esquecer os mais belos planos urbanos da história do cinema. Mas, agora, a convite da BBC, foi filmar para Londres. Quem pensar que esta mudança geográfica deixou Allen “como peixe fora de água” está totalmente enganado. O realizador vestiu a pele britânica que lhe assentou como uma luva. Assim, em vez de edifícios arquitectonicamente modernos, temos mansões seculares. Em vez de modernos analistas da alma, como Freud e Jung, temos esse espeleólogo de almas que dá pelo nome de Dostoievsky. Em vez de jazz, temos ópera. Com tais ingredientes, é óbvio que o resultado só poderia ser um filme verdadeiramente clássico, uma tragédia como “La Traviatta”, de Verdi, que Chris vai assistir no Royal Albert Hall ( e não ao Rádio City Music Hall…).
Há quem diga que os grandes filmes são aqueles que nos possibilitam várias camadas de leitura, ou análises válidas a partir de diferentes pontos de vista. A isto adicionaria uma outra característica: são aqueles que nos fazem pensar muito depois de termos saído da sala de cinema.
Game, set and match: Mr. Woody Allen.

Agora, umas palavras a propósito de Miss Scarlett Johansson nos Globos de Ouro...

Quem anda com um vestido destes, pode acontecer-lhe isto:

O artista chama-se Isaac Mizrahi e, segundo diz aqui(mais fotos), é...gay! Pois!... Tá bem.!...
Dupont

Good jobs!

Da esquerda para a direita,
Ed Catmull, Presidente da Pixar,
Steve Jobs CEO da Pixar Animation Studios Inc.,
Robert Iger CEO da Walt Disney Co. e John Lasseter, vice Presidente da Pixar.

A Disney comprou a Pixar. Para quem não sabe, a segunda é a produtora de algumas das mais recentes obras-primas de animação computorizada, como “Toy Story”, “Vida de Insecto”, “Monstros & Cª”, “Á Procura de Nemo” e “Os Incríveis”, entre outros. Todos estes título foram encomendados pela Disney, que soube conjugar a capacidade técnica da Pixar com o seu know-how comercial para ganhar milhões.
No entanto, a Pixar cansou-se de ver outros recolherem os frutos do seu trabalho e optou por não renovar o contrato com a Disney, o que aconteceu há cerca de um ano. Pediam demasiado dinheiro e a empresa do velho Walt não estava disposta a abrir os cordões à bolsa. O último título seria “Cars”, a ser lançado no próximo Verão.
É claro que o cinema de animação é não só uma enorme tradição da Disney, como um dos seus principais suportes. Com a saída da Pixar, e depois de ter encerrado os seus estúdios de animação, a companhia que tem no Rato Mickey a sua mascote viu-se a braços com um perigoso vazio. Daí que o passo seguinte foi comprar a Pixar, negócio que agora foi anunciado.
No entanto, há aqui um factor, mais propriamente um homem, que ninguém pode descurar: Steve Jobs. Para os mais distraídos, Jobs foi um dos inventores do primeiro computador pessoal, o Apple. Ainda hoje ele é o presidente da Apple, tendo conseguido um nicho de mercado assinalável num mundo quase monopolizado pela dupla PC/Windows. Sempre com a palavra “inovação” na ponta da língua, foi ele o responsável pela revolução na forma de ouvir música, quando lançou o leitor digital ‘ipod’, de que já se venderam milhões.
Ora, com o negócio da compra da Pixar, Steve Jobs vai entrar no Conselho de Administração das empresas Disney, que, entre outras companhias, tem a Buena Vista e a Dimension (filmes de terror para adolescentes), além de distribuir cinema sério como o da independente Miramax. Ora, também sabemos que o último brinquedo a sair da “maçã” de Jobs foi “vídeo ipod”. Ou seja, ao vender a sua empresa de animação, Steve Jobs acaba por oferecer de obter, quase de bandeja, um enorme manancial de produtos de suporte para o seu novo brinquedo.
Já dizia o Tio Patinhas que “dinheiro gera dinheiro”… Mas a principal vantagem, ao nível criativo, é que, agora, a Pixar vai ter uma máquina de dinheiro a suportá-la, o que pode trazer para o cinema de animação horizontes. ainda por explorar.
Dupont

Chris Penn

Nunca foi um grande actor, como o irmão Sean, mas por onde passou deixou sempre uma marca de qualidade. Como em "Cães Danados/Reservoir Dogs". Na imagem, Nice Guy Eddie (Penn) ao volante, rindo com Mr. Pink (Steve Buscemi) e Mr. White (Harvey Keitel).
Apareceu morto, ontem, numa bloco de apartamentos, em Los Angeles. Tinha 40 anos. Suspeita-se de suicídio.
Dupont

«Quod Erat Demonstrandum», de José Pacheco Pereira


Sempre amável, José Pacheco Pereira enviou-nos um convite para a apresentação do seu livro «Quod Erat Demonstrandum», [O que era preciso demonstrar] que decorrerá no próximo dia 30, em Lisboa.
Agradecemos penhoradamente a gentileza, mas será muito difícil estarmos presente. De qualquer forma, se houver um evento análogo mais cá a norte, concerteza que não faltaremos.
Dupont

O peixe mais pequeno do Mundo


Não, não é o cherne, mas o Paedocypris progenetica. Tem 7,9 milímetros, vive na Indonésia, em águas ácidas e é da família das carpas.
Dupont

Deus Caritas Est (I) – Esperança e Fé

Aliás Ele não nos impede sequer de gritar, como Jesus na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46). Num diálogo orante, havemos de lançar-Lhe em rosto esta pergunta: «Até quando esperarás, Senhor, Tu que és santo e verdadeiro?» (Ap 6, 10). Santo Agostinho dá a este nosso sofrimento a resposta da fé: «Si comprehendis, non est Deus – se O compreendesses, não seria Deus». O nosso protesto não quer desafiar a Deus, nem insinuar n'Ele a presença de erro, fraqueza ou indiferença. Para o crente, não é possível pensar que Ele seja impotente, ou então que «esteja a dormir» (cf. 1 Re 18, 27). Antes, a verdade é que até mesmo o nosso clamor constitui, como na boca de Jesus na cruz, o modo extremo e mais profundo de afirmar a nossa fé no seu poder soberano. Na realidade, os cristãos continuam a crer, não obstante todas as incompreensões e confusões do mundo circunstante, «na bondade de Deus e no seu amor pelos homens» (Tt 3, 4). Apesar de estarem imersos como os outros homens na complexidade dramática das vicissitudes da história, eles permanecem inabaláveis na certeza de que Deus é Pai e nos ama, ainda que o seu silêncio seja incompreensível para nós” (Encíclica do Papa Bento XVI)
General Alcazar

Deus Caritas Est (II) – A Igreja, o Estado e a Justiça

Desde o Oitocentos, vemos levantar-se contra a actividade caritativa da Igreja uma objecção, explanada depois com insistência sobretudo pelo pensamento marxista. Os pobres — diz-se — não teriam necessidade de obras de caridade, mas de justiça. As obras de caridade — as esmolas — seriam na realidade, para os ricos, uma forma de subtraírem-se à instauração da justiça e tranquilizarem a consciência, mantendo as suas posições e defraudando os pobres nos seus direitos. Em vez de contribuir com as diversas obras de caridade para a manutenção das condições existentes, seria necessário criar uma ordem justa, na qual todos receberiam a sua respectiva parte de bens da terra e, por conseguinte, já não teriam necessidade das obras de caridade. Algo de verdade existe — devemos reconhecê-lo — nesta argumentação, mas há também, e não pouco, de errado. É verdade que a norma fundamental do Estado deve ser a prossecução da justiça e que a finalidade de uma justa ordem social é garantir a cada um, no respeito do princípio da subsidiariedade, a própria parte nos bens comuns. (…) A aparição da indústria moderna dissolveu as antigas estruturas sociais e provocou, com a massa dos assalariados, uma mudança radical na composição da sociedade, no seio da qual a relação entre capital e trabalho se tornou a questão decisiva — questão que, sob esta forma, era desconhecida antes. As estruturas de produção e o capital tornaram-se o novo poder que, colocado nas mãos de poucos, comportava para as massas operárias uma privação de direitos, contra a qual era preciso revoltar-se. (…) A justa ordem da sociedade e do Estado é dever central da política. Um Estado, que não se regesse segundo a justiça, reduzir-se-ia a uma grande banda de ladrões, como disse Agostinho uma vez (…) Pertence à estrutura fundamental do cristianismo a distinção entre o que é de César e o que é de Deus (cf. Mt 22, 21), isto é, a distinção entre Estado e Igreja ou, como diz o Concílio Vaticano II, a autonomia das realidades temporais. O Estado não pode impor a religião, mas deve garantir a liberdade da mesma e a paz entre os aderentes das diversas religiões; por sua vez, a Igreja como expressão social da fé cristã tem a sua independência e vive, assente na fé, a sua forma comunitária, que o Estado deve respeitar. As duas esferas são distintas, mas sempre em recíproca relação. A justiça é o objectivo e, consequentemente, também a medida intrínseca de toda a política. A política é mais do que uma simples técnica para a definição dos ordenamentos públicos: a sua origem e o seu objectivo estão precisamente na justiça, e esta é de natureza ética. Assim, o Estado defronta-se inevitavelmente com a questão: como realizar a justiça aqui e agora? Mas esta pergunta pressupõe outra mais radical: o que é a justiça? Isto é um problema que diz respeito à razão prática; mas, para poder operar rectamente, a razão deve ser continuamente purificada porque a sua cegueira ética, derivada da prevalência do interesse e do poder que a deslumbram, é um perigo nunca totalmente eliminado.”.
General Alcazar

Deus Caritas Est (III) – A Caridade

A parábola do bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37) leva a dois esclarecimentos importantes. Enquanto o conceito de «próximo», até então, se referia essencialmente aos concidadãos e aos estrangeiros que se tinham estabelecido na terra de Israel, ou seja, à comunidade solidária de um país e de um povo, agora este limite é abolido. Qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, é o meu próximo. O conceito de próximo fica universalizado, sem deixar todavia de ser concreto. Apesar da sua extensão a todos os homens, não se reduz à expressão de um amor genérico e abstracto, em si mesmo pouco comprometedor, mas requer o meu empenho prático aqui e agora. Continua a ser tarefa da Igreja interpretar sempre de novo esta ligação entre distante e próximo na vida prática dos seus membros. (…) o amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus. (…) A Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário. Ao mesmo tempo, porém, a caritas-agape estende-se para além das fronteiras da Igreja; a parábola do bom Samaritano permanece como critério de medida, impondo a universalidade do amor que se inclina para o necessitado encontrado «por acaso» (cf. Lc 10, 31), seja ele quem for. Mas, ressalvada esta universalidade do mandamento do amor, existe também uma exigência especificamente eclesial — precisamente a exigência de que, na própria Igreja enquanto família, nenhum membro sofra porque passa necessidade”.
General Alcazar

Deus Caritas Est (IV) – A Sexualidade

Hoje não é raro ouvir censurar o cristianismo do passado por ter sido adversário da corporeidade; a realidade é que sempre houve tendências neste sentido. Mas o modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro «sexo» torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma «coisa» que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. Na realidade, para o homem, isto não constitui propriamente uma grande afirmação do seu corpo. Pelo contrário, agora considera o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito. Uma parte, aliás, que ele não vê como um âmbito da sua liberdade, mas antes como algo que, a seu modo, procura tornar simultaneamente agradável e inócuo. Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico. A aparente exaltação do corpo pode bem depressa converter-se em ódio à corporeidade. Ao contrário, a fé cristã sempre considerou o homem como um ser uni-dual, em que espírito e matéria se compenetram mutuamente, experimentando ambos precisamente desta forma uma nova nobreza. Sim, o eros quer-nos elevar «em êxtase» para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos.”.
General Alcazar

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Canalá como cá...


"O Canadá «votou pela mudança» afirmou hoje o líder do partido conservador Stephen Harper, garantindo que vai governar «para todos os canadianos», depois de ter vencido as eleições legislativas de segunda-feira", in Diário Digital.
Dupont

FHM e Vila do Conde



A última edição da FHM, por via directa ou indirecta, apresenta uma série de ligações a Vila do Conde. É claro que o destaque vai todo para a Alexandra Lencastre - o que nem merece discussão - mas sobra espaço para futebol e blogs.


«Zahovic não dormia há duas semanas»

Assim, temos uma entrevista com o Rui Malheiro, criador do Terceiro Anel e, salvo erro, fundador do Blogue do Rio Ave Futebol Club. Fica a saber-se que é do Rio Ave, mas com uma queda para o Benfica e, consequentemente, para o Boavista. De qualquer forma, quando lhe pediram o onze ideal da Liga, colocou o Baía na baliza e ainda pôs o Lucho e o Quaresma, demonstrando, claro, ser um benfiquista civilizado...(Já agora, o que é feito de ti, Rui?)


«Em Vila do Conde, os toureiros usam óculos»

Mais à frente aparece o João Carmo, responsável pelo excelente Blogue do Rio Ave Futebol Club. Tinha-o em tão boa conta... Então não é que foi confessar à FHM que trocou o FCPorto pelo Rio Ave? E ainda diz que "os êxitos do FCP não eram tudo"... O que acho que aconteceu, João, é que conquistaste tudo pelo FCP e a coisa perdeu piada. Como o alpinista que alcança o cume do Evereste e desabafa: "bem, a partir daqui é sempre a descer...".
Finalmente, na eleição dos cinquenta melhores sites nacionais, lá volta a estar o Terceiro Anel. Estão todos de parabéns, ainda por cima por partilharem o espaço com a Alexandra...Irra, que inveja!
Bem, quem leu até aqui na esperança de que íamos revelar as fotos da Alexandra Lencastre...acertou. Estão aqui. Pronto, corram, mas não se atropelem!
Para os artigos completos: Rui Malheiro / João Carmo.
Dupont

A ver

"O jogo sujo do sistema mediático nas eleições de 2006", no Do Portugal Profundo.
Dupont

Joe Sacco e a Guerra do Iraque


aqui referimos a obra "Palestina", de Joe Sacco, aquando do lançamento da versão portuguesa, prefaciada por Mário Soares.
Agora, em exclusivo para o Guardian, retratou a Guerra no Iraque, através da história de dois iraquianos que resolvem acusar os americanos de tortura.
Download aqui. São 3,2Mega, em formato PDF.
Dupont

'Tou lixado!

"Lucros trimestrais da Dupont caem 44%", Diário Digital
Dupont

Asneirada...


Já sabemos que os sites das Câmaras Municipais são, normalmente, uma miséria. Basta ver o da Póvoa de Varzim. O nosso é melhor, embora seja uma nulidade funcional. Adiante. O da Câmara do Porto é dos mais bem conseguidos, embora o PS discorde: excelente actualização, boa concepção, toneladas de informação. Escusavam era de borrar a pintura com uma parvoíce como esta. (via A baixa do Porto).
Dupont

O que é isto?


"Waiter: You Vultures!", dos "Portugal.The Man" foi publicado ontem, 24 de Janeiro. "Portugal The Man is an Alaskan band living in Portland. Their soulful indie rock blends influences from the ever seminal sounds of early 70's rock, R&B, and vintage soul with the latest innovations in melodious experimentation (drum machines, programming, sampling). They push the boundaries of contemporary music and the album is filled with social commentary and alliteration. For fans of The Flaming Lips, Blonde Redhead, and Portishead", explica a Amazon.


Na Filter: "What is Portugal. The Man? Portugal is a country, not a man. Can a country consider itself a man? Are you confused yet? To clarify, Portugal. The Man is a band and no, they are not from Portugal; they’re a devastatingly handsome and talented group of guys hailing from the arctic wastelands of Wasilla, Alaska.
Their US tour of random all-ages clubs kicks off today in Tempe, AZ. Their musically and visually stimulating debut record Waiter: You Vultures! will be released by Fearless Records on January 24th."
Já têm datas para a tournée!
Entrevista.
Qualquer coisa...
Vá, lá, podia ser pior...
Dupont

terça-feira, janeiro 24, 2006

Obviamente …

Equipamento de Portugal no Mundial-2006 será todo vermelho.” (in Maisfutebol)
Considerando as escolhas do treinador da FPF, apenas se estranha que os calções não sejam brancos …
General Alcazar

Volta. Estás Perdoada!

Eles dizem que não podes "esperar simpatia", mas eu NÃO ACREDITO.
Cá para mim, estão é mortinhos que voltes, Joana.
Haddock

A visitar

Aumentando a interactividade com os seus leitores, o 'Público' criou o "Blog do Provedor".
Dupont

A ler

"O Soarismo morreu", por Marcelo Rebelo de Sousa, no Diário de Notícias (não disponível online).
Dupont

Presidenciais - O melhor da blogosfera

As notas sobre o "mau perder", no Abrupto. Como esta: "Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita. "Se houvesse outro candidato à direita, haveria uma segunda volta", referiu Santana Lopes em declarações à SIC-Notícias." (Portugal Diário)
Como é evidente, "só" haver um candidato "à direita", nada tem a ver com o mérito de Cavaco Silva, mas deve ter sido benemerência dos putativos candidatos."

A vingança serve-se fria, no Acidental: "Algures no país real, um agente policial ofendido pelo então Presidente da República há mais de uma década exclamou:
- Senhor candidato, desapareça!"

O post "Oh sidónio! se pudesses ver isto!- Cavaco está na Praça do império", no Acidental.

"Há sempre um Pinhão que resiste, há sempre um Pinhão que diz não!", no Acidental

Os resultados no Alandroal, com este bónus de ver Jerónimo de Sousa a dançar - um bocado 'mariconço', diga-se... (Clicar em play)


"Uma primeira vitória confirmada - Garcia Pereira já tem mais votos do que as assinaturas apresentadas" - Blasfémias.

A azia de Vital Moreira no Causa Nossa: "Despromoção - O problema com Cavaco Silva não é só ele ser o primeiro presidente oriundo da direita política, nem o inigma sobre a sua prática presidencial. É ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o País (Mário Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da noção) que já tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que não ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocrática é uma enorme sensação de despromoção..."

"ATÉ QUE ENFIM: Do mal o menos: desde 1980 que não era designado Comandante Chefe das Forças Armadas um cidadão com a tropa feita"-Mar Salgado

"PREVISÕES DE RUI OLIVEIRA E COSTA ( EUROSONDAGEM) PARA O BENFICA X SPORTING DO PRÓXIMO SÁBADO:
Vitória do Sporting: 71%
Vitória do Benfica: 2%
Vitória do Ramaldense: 12%
Empate: 5%
Jogo cancelado devido a queda de meteorito: 10%"
No Mar Salgado

"Coincidências freudianas- A SIC está a passar, neste momento[00:33 h], o «Air Force One»: um filmaço com o Harrison Ford, cuja história é a de um Presidente sequestrado no seu próprio avião...", no Portugal Contemporâneo.

A análise do Velho da Montanha: "Presidenciais 2006-The Movie". Excerto, sobre Mário Soares: "“Rest In Peace”, o equivalente anglo-saxão ao nosso “descanse em paz”.Finalmente parece que nos vamos ver livres do geronte de uma vez por todas e provavelmente teremos assistido ontem ao seu estretor político. Por tudo o que se viu, chegou a ser penoso suportar as figuras que Mário Soares fez durante a pré-campanha e campanha. Como é que, familiares e amigos não o aconselharam a não se meter em tão estúpida e arriscada aventura?"

E, last but not the least, "Eleições, mais um momento mágico", na Tasca da Cultura:
A Marlene tinha ido jantar a casa da irmã e eu estava em casa sozinho a acabar um nível do grand turismo III (aquela pista que é com o porsche carrera sem controle de tracção e demora-se uns 15 minutos a dar uma volta e basta uma curva mal dada para não conseguir nem a bronze medal) e começo a ouvir apitar apitar apitar. Eu vou e penso assim «tu queres ver que é outra vez o Sô Canas que está a beber a bica com cheirinho com o carro em 2ª fila?». Mas eram mesmo demasiadas buzinadelas para as onze da noite, e o Sô Canas a essa hora já está em casa bem aviado e então deduzi que era o camião do lixo que não conseguia passar e vinha uma fila de carros atrás dele.
Ia-me a deitar e sempre a ouvir apitar apitar apitar quando começo a prestar atenção ao som.
Era pi pi pipipi pi pi pipipi ou ti ti tinoni ti ti tinoni assim quase como a música e não tiiii tiiiii
Reconheci aquela música do Euro 2004. A música de vitória! Pii pii piriri ti ti tinóni
Claro que passado 5 minutos já estava no 206 a apitar muito contente, com a bandeira de portugal do euro. Não sei explicar, é mais forte do que eu. Se vejo filas de carros a apitar com os 4 piscas, tenho de me meter nelas e apitar também! Foi uma noite bonita, igual àquela da final do Euro 2004 com a Grécia em que festejámos a noite toda a apitar, a apitar, a apitar... a magia era igual.(...)
That's all folks...
Dupont

Capas de jornais e não só

É raro Portugal sair na capa dos principais títulos da imprensa mundial. Fiz uma ronda pelos mais conhecidos e encontrei, apenas, uma mão cheia de jornais que se deram ao trabalho de "puxar" para a capa as eleições presidênciais:

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Espanha- A imprensa vizinha foi aquela que, naturalmente, mais destaque nos deu.

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No Brasil, só a Folha de S.Paulo se lembrou do país-irmão...

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No International Herald Tribune estamos ali, do lado esquerdo, num quadrado pequenino...

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Presença solitária em França no Le Figaro e...

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...em Itália no La Stampa

Adenda: Simanca, habitual cartoonista do jornal brasileiro "A Tarde", perdeu algum tempo com Cavaco Silva:
Dupont

JPC e JS

João Pereira Coutinho sobre José Saramago, em "As Intermitências de Saramago", na Folha Online.
"(...)Para lado nenhum, que em literatura é sempre o lugar do lugar-comum. "As Intermitências da Morte" não é simplesmente um livro falhado. É, coisa pior, um grande livro falhado. Acontece, sim. Mas, aqui entre nós, antes a morte que tal sorte."
Dupont

A ida ao WC nunca mais será a mesma....

...por causa disto!
Dupont

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Vencedores/Vencidos

VENCEDORES

Cavaco Silva
- Conseguiu fazer aquilo que parecia sociologicamente impossível em Portugal, ou seja, conseguiu provar que alguém proveniente do espaço do centro/direita pode chegar a Presidente da República. Pelo caminho, mas sem que isso tenha acontecido voluntariamente, humilhou aquele que mais irritação lhe terá provocado na sua vida política: Mário Soares.
Manuel Alegre - Conseguiu provar a Sócrates que tem peso próprio, conseguindo, contra o partido, Ministros e a máquina do poder socialista superar largamente a votação de Mário Soares. Sai de cena com uma imagem quixotesca o que associado à sua vida poética lhe confere o carinho da generalidade da população portuguesa, mesmo de muitos que não votaram em si.
Jerónimo de Sousa - Termina o período de prova em que se encontrava após a sua eleição como líder do PCP com um resultado positivo. Vence claramente o Bloco de Esquerda e consegue uma votação ligeiramente acima da que o partido tinha conseguido nas legislativas. Para além disso, consegue a proeza simbólica de vencer em Beja, único distrito do país que escapou à onda de Cavaco Silva.
José Socrates - Sendo líder do partido que apoiou um candidato que teve menos 30% do que a votação desse mesmo partido há cerca de 1 ano, José Socrates sai bem deste combate. Desde logo porque ninguém questionou a legitimidade do seu Governo. Depois porque vai ter um Presidente da República que o vai ajudar a atenuar o impacte das suas políticas. Para além disso, ganha neste Presidente da República uma eventual válvula de escape para descontentamentos populares que possam existir. Finalmente, porque conseguiu "matar o pai" socialista de forma definitiva. Os fantasmas que Constâncio, Sampaio, Guterres e Ferro sentiram da ala soarista e que os impediram em muitos momentos de ir mais longe, estão definitivamente enterrados. Ora, esse conforto interno é um seguro de vida para José Sócrates.



VENCIDOS

Mário Soares
- Depois de ter conseguido bater o record de votação numas presidenciais , ao ultrapassar os 70% em 1991, Mário Soares sai da vida política pela porta mais pequena que seria possível imaginar. Acaba ridicularizado por Cavaco Silva, seu inimigo de sempre, a quem bastou te-lo ignorado para conseguir tal feito. Pior do que isso, sai de cena odiado por parte significativa do seu próprio partido, que nunca lhe perdoará o excesso de vaidade e egocentrismo que esta candidatura fora de tempo simbolizou.
Francisco Louçã - Tal como todas as modas, o discurso inflamado e de rotura do Bloco de Esquerda e de Louçã em particular acabam por perder interesse. A perda de força da sua votação é a prova de que as pessoas lhe acharam alguma piada, mas que estão a ficar cansadas. A estratégia do Bloco é bem simples e dependerá sempre do PS. O Bloco vai procurar manter-se à tona, disponibilizando-se para vir a ser uma muleta do PS, esperando que um dia os seus Deputados venham a ser necessários para a formação de um Governo socialista de maioria. Explicado de outra forma, o mano Portas da esquerda vai tentar fazer com o PS aquilo que o mano Portas da direita conseguiu fazer com Durão Barroso.

Dupond

Cavaquistão!!!!


General Alcazar

Um caso especial: Vila do Conde

Em Vila do Conde não existe Partido Socialista. É verdade. O que temos é o PMA, o Partido de Mário Almeida. Por estes lados, para quem não saiba, tudo gira à volta do líder que se encarrega de sugar a vida política, qual eucalipto de punho esquerdo levantado, a todo o militante socialista que ouse ter voz própria.
Por isso assume especial importância a candidatura de Manuel Alegre e os apoios que ela logrou reunir entre nós. Os seus rostos mais visíveis foram Abel Maia, ex-vice-presidente da autarquia, a quem foi indicada a porta de saída nas autárquicas; e António José Gonçalves, um jovem elemento do partido, até agora um quase adorador de Mário Soares, mas que gosta tanto de Mário Almeida como Pinto da Costa gosta de Luís Filipe Vieira… Quase sozinhos, conseguiram o mérito de ser a única candidatura a apresentar material específico para Vila do Conde. Organizaram, heroicamente, uma caravana automóvel de apoio ao seu candidato, que acabou por ser a única em toda a campanha presidencial vilacondense.
Os frutos de todo este trabalho estão à vista: em Vila do Conde, Manuel Alegre não ficou em segundo, mas em terceiro lugar com 6941 votos e 17,5% do total, e sete “vitórias” em freguesias.
Ou seja, às costas do candidato-poeta, Abel Maia conseguiu arranjar um verdadeiro espaço dentro do espectro socialista. A partir de agora e confirmando o que se passou nas autárquicas, os militantes socialistas passaram a ter a certeza que há uma voz dissonante com algum poder. O PS de Vila do Conde pode estar a dar, finalmente, os primeiros passos rumo ao estatuto de partido democrático, no sentido de ter dentro de si vozes discordantes sobre os seus desígnios políticos. Se assim for, será mais uma vitória para Abel Maia.
Dupont

Uma levíssima tristeza...

Terá sido impressão minha ou a vitória de Cavaco Silva não foi celebrada com a emoção e alegria que um tal resultado deixaria antever? E não me parece que tenha sido só o frio… E não falo só do que se via na televisão. Em Vila do Conde registei meia dúzia de buzinadelas, perdidas no meio da monolítica e gelada noite que cobriu a cidade. Em conversa com amigos do Porto e de Vila Nova de Gaia, pude confirmar que, por aquelas bandas, também nada de significativo acontecia. “Na Avenida de Gaia nem uma buzinadela…”, contaram-me e estamos a falar de um município onde o PSD é rei e senhor…
A culpa, a existir alguma, terá de ser atribuída à má gestão das expectativas. Todos apostavam numa margem relativamente folgada, mas viu-se que Cavaco Silva ganhou por uma margem bastante estreita. Efectivamente, o poeta de Águeda esteve quase a ir disputar a segunda volta com o filho de Boliqueime.
As declarações foram quase todas circunstanciais, sem registo de grandes emoções ou depressões. O mais abatido pare
ceu-me Soares. Manuel Alegre soube manter-se sóbrio, embora não disfarçasse o ar de quem deu uma valente lição a alguém… Jerónimo e Louça estiveram iguais a si próprios, com o líder do Bloco a mostrar algum mau perder: “quem pensou que estávamos derrotados, enganou-se”. Pois…
Dupont