quinta-feira, janeiro 26, 2006

Deus Caritas Est (I) – Esperança e Fé

Aliás Ele não nos impede sequer de gritar, como Jesus na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46). Num diálogo orante, havemos de lançar-Lhe em rosto esta pergunta: «Até quando esperarás, Senhor, Tu que és santo e verdadeiro?» (Ap 6, 10). Santo Agostinho dá a este nosso sofrimento a resposta da fé: «Si comprehendis, non est Deus – se O compreendesses, não seria Deus». O nosso protesto não quer desafiar a Deus, nem insinuar n'Ele a presença de erro, fraqueza ou indiferença. Para o crente, não é possível pensar que Ele seja impotente, ou então que «esteja a dormir» (cf. 1 Re 18, 27). Antes, a verdade é que até mesmo o nosso clamor constitui, como na boca de Jesus na cruz, o modo extremo e mais profundo de afirmar a nossa fé no seu poder soberano. Na realidade, os cristãos continuam a crer, não obstante todas as incompreensões e confusões do mundo circunstante, «na bondade de Deus e no seu amor pelos homens» (Tt 3, 4). Apesar de estarem imersos como os outros homens na complexidade dramática das vicissitudes da história, eles permanecem inabaláveis na certeza de que Deus é Pai e nos ama, ainda que o seu silêncio seja incompreensível para nós” (Encíclica do Papa Bento XVI)
General Alcazar