quarta-feira, janeiro 04, 2006

Mega CCB

A escolha de António Mega Ferreira para dirigir o Centro Cultural de Belém é uma excelente notícia. Tenho do indigitado a melhor das impressões.
Homem extremamente culto, belíssimo escritor, admiravelmente bem informado, suficientemente orgulhoso para não dizer ‘amén’ a tudo o que se lhe põe à frente, e vaidoso quanto baste para querer ‘fazer obra’ por onde passa, são estes os traços da personalidade de Mega Ferreira que fui construindo, ao longo do tempo, lendo-o, ouvindo e registando o que dele muita gente foi dizendo.
O seu maior trunfo, claro está, todos o sabemos, foi a Expo-98, um comboio que ele apanhou já em andamento. Mas a verdade é que levou a tarefa até ao fim, mesmo debatendo-se com um problema de saúde gravíssimo. A sua ideia não foi fazer um evento que agradasse à populaça, o que foi altamente contestado. Recordo-me claramente de, numa entrevista, ele ter dito que, culturalmente, queria “nivelar por cima”. Daí a ausência de nomes populares, consensuais, mas antes um cartel de programação nascido de uma escolha conscenciosa e criteriosa. Era a ‘sua’ escolha, é verdade, mas alguém a tinha de fazer. O resultado foi admirável. Outro qualquer, antes de mais procuraria agradar a todos, ou, pelo menos, a uma maioria, para que não andassem por aí a dizer mal dele. Mega Ferreira optou pelo caminho mais difícil e venceu, claramente, a aposta.
Agora, é chamado para mais um projecto: dirigir o mastodôntico Centro Cultural de Belém. Só que, aqui, mais do que comandar, ele vai ter de o salvar de anos de incúria e de uma direcção ineficiente. É certo que a confirmar-se a ida permanente da colecção Berardo para lá, isso é um ‘joker’ que muito o ajudará. Mas tal não poderá ser visto como desvantagem. Na verdade, se Mega Ferreira se mantiver igual a ele próprio, em breve o CCB recuperará a glória de granjeada com exposições memoráveis e tornar-se-á o contraponto cultural ao Museu de Serralves.
Dupont