segunda-feira, janeiro 23, 2006

Um caso especial: Vila do Conde

Em Vila do Conde não existe Partido Socialista. É verdade. O que temos é o PMA, o Partido de Mário Almeida. Por estes lados, para quem não saiba, tudo gira à volta do líder que se encarrega de sugar a vida política, qual eucalipto de punho esquerdo levantado, a todo o militante socialista que ouse ter voz própria.
Por isso assume especial importância a candidatura de Manuel Alegre e os apoios que ela logrou reunir entre nós. Os seus rostos mais visíveis foram Abel Maia, ex-vice-presidente da autarquia, a quem foi indicada a porta de saída nas autárquicas; e António José Gonçalves, um jovem elemento do partido, até agora um quase adorador de Mário Soares, mas que gosta tanto de Mário Almeida como Pinto da Costa gosta de Luís Filipe Vieira… Quase sozinhos, conseguiram o mérito de ser a única candidatura a apresentar material específico para Vila do Conde. Organizaram, heroicamente, uma caravana automóvel de apoio ao seu candidato, que acabou por ser a única em toda a campanha presidencial vilacondense.
Os frutos de todo este trabalho estão à vista: em Vila do Conde, Manuel Alegre não ficou em segundo, mas em terceiro lugar com 6941 votos e 17,5% do total, e sete “vitórias” em freguesias.
Ou seja, às costas do candidato-poeta, Abel Maia conseguiu arranjar um verdadeiro espaço dentro do espectro socialista. A partir de agora e confirmando o que se passou nas autárquicas, os militantes socialistas passaram a ter a certeza que há uma voz dissonante com algum poder. O PS de Vila do Conde pode estar a dar, finalmente, os primeiros passos rumo ao estatuto de partido democrático, no sentido de ter dentro de si vozes discordantes sobre os seus desígnios políticos. Se assim for, será mais uma vitória para Abel Maia.
Dupont