segunda-feira, janeiro 23, 2006

Vencedores/Vencidos

VENCEDORES

Cavaco Silva
- Conseguiu fazer aquilo que parecia sociologicamente impossível em Portugal, ou seja, conseguiu provar que alguém proveniente do espaço do centro/direita pode chegar a Presidente da República. Pelo caminho, mas sem que isso tenha acontecido voluntariamente, humilhou aquele que mais irritação lhe terá provocado na sua vida política: Mário Soares.
Manuel Alegre - Conseguiu provar a Sócrates que tem peso próprio, conseguindo, contra o partido, Ministros e a máquina do poder socialista superar largamente a votação de Mário Soares. Sai de cena com uma imagem quixotesca o que associado à sua vida poética lhe confere o carinho da generalidade da população portuguesa, mesmo de muitos que não votaram em si.
Jerónimo de Sousa - Termina o período de prova em que se encontrava após a sua eleição como líder do PCP com um resultado positivo. Vence claramente o Bloco de Esquerda e consegue uma votação ligeiramente acima da que o partido tinha conseguido nas legislativas. Para além disso, consegue a proeza simbólica de vencer em Beja, único distrito do país que escapou à onda de Cavaco Silva.
José Socrates - Sendo líder do partido que apoiou um candidato que teve menos 30% do que a votação desse mesmo partido há cerca de 1 ano, José Socrates sai bem deste combate. Desde logo porque ninguém questionou a legitimidade do seu Governo. Depois porque vai ter um Presidente da República que o vai ajudar a atenuar o impacte das suas políticas. Para além disso, ganha neste Presidente da República uma eventual válvula de escape para descontentamentos populares que possam existir. Finalmente, porque conseguiu "matar o pai" socialista de forma definitiva. Os fantasmas que Constâncio, Sampaio, Guterres e Ferro sentiram da ala soarista e que os impediram em muitos momentos de ir mais longe, estão definitivamente enterrados. Ora, esse conforto interno é um seguro de vida para José Sócrates.



VENCIDOS

Mário Soares
- Depois de ter conseguido bater o record de votação numas presidenciais , ao ultrapassar os 70% em 1991, Mário Soares sai da vida política pela porta mais pequena que seria possível imaginar. Acaba ridicularizado por Cavaco Silva, seu inimigo de sempre, a quem bastou te-lo ignorado para conseguir tal feito. Pior do que isso, sai de cena odiado por parte significativa do seu próprio partido, que nunca lhe perdoará o excesso de vaidade e egocentrismo que esta candidatura fora de tempo simbolizou.
Francisco Louçã - Tal como todas as modas, o discurso inflamado e de rotura do Bloco de Esquerda e de Louçã em particular acabam por perder interesse. A perda de força da sua votação é a prova de que as pessoas lhe acharam alguma piada, mas que estão a ficar cansadas. A estratégia do Bloco é bem simples e dependerá sempre do PS. O Bloco vai procurar manter-se à tona, disponibilizando-se para vir a ser uma muleta do PS, esperando que um dia os seus Deputados venham a ser necessários para a formação de um Governo socialista de maioria. Explicado de outra forma, o mano Portas da esquerda vai tentar fazer com o PS aquilo que o mano Portas da direita conseguiu fazer com Durão Barroso.

Dupond