terça-feira, fevereiro 28, 2006

Vai e, se for para mais disto, não voltes!...


António Sousa pediu a demissão. Mais informação no Blogue do Rio Ave.
Dupont

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Jorge “arenga” Sampaio

Durante 10 anos, Jorge Sampaio foi especialista a dizer banalidades, a não actuar, a fazer discursos inconsequentes e cheios de lugares comuns. Numa palavra: ABORRECIDOS: inovação, qualificação, tecnologia foram palavras vãs na boca de Jorge Sampaio. Assim como as expressões grandiloquentes e sem qualquer efeito prático: "Não queremos apenas elites qualificadas, queremos portugueses qualificados porque não são só as elites que fazem um país, mas os portugueses em geral. Tentarei até ao fim do mandato qualificar os portugueses, inovar com os portugueses, nas empresas, nas escolas, nas tecnologias". Blá, blá, blá… Foi o que se viu.
De antologia foram estas palhas: “a elevada sinistralidade rodoviária depende, sobretudo, de uma atitude cívica e educacional” e “a GNR deve andar sem farda nos carros descaracterizados”, para surpreender os automobilistas que circulem em excesso de velocidade. Fez imensas presidências abertas. Não me lembro de nenhuma com consequências importantes para o país, para a região ou para a questão em foco.
O seu único objectivo ao longo do mandato foi agradar aos portugueses: “Tenho um dívida de gratidão com os portugueses que sempre me apoiaram de viva voz. Tenho de agradecer muito comovidamente aos portugueses porque tenho a noção de que sempre me trataram bem. Em todos estes anos nunca ouvi um insulto". Exerceu as suas funções com um olho na Constituição e os dois nas TVs não fosse haver algum sinal de desagrado dos “portugueses”. Nunca percebeu que a sua função era arbitrar, puxar para cima, estimular e não agradar nem, muito menos, agradecer aos portugueses por nunca o terem insultado?! Povo cordato, o português.
Haddock

Assombroso!!!

O Google Video acaba de proporcionar aos cibernautas uma oferta fantástica: vídeos do Arquivo Nacional Norte-Americano. As secções são : NASA History, United Newsreel, Department of the Interior. Os dezassete da Agência Espacial Norte-Americana cobrem o período entre 1962 e 1981. Os newsreel são aqueles pequenos documentários ou magazines de actualidades, que eram feitos para divulgar entre as tropas em combate ou a americanos a viver no estrangeiro (1942-45). Finalmente, o Ministério do Interior divulga uma série de filmes sobre aspectos socio/economico/geográficos dos EUA. Podem todos ser vistos online ou, então, fazer-se o download para o PC.
Dupont

Força Rio Ave

Depois dos resultados do fim de semana o Rio Ave prepara-se para começar o jogo de logo à noite ocupando um dos 4 lugares que dão direito a descer à segunda liga.
Já há algumas semanas que vimos chamando a atenção para a situação problemática do nosso clube. Infelizmente parece que o tempo nos está a dar razão. Por isso mesmo, pede-se que seja dado hoje um sinal de esperança. Vá lá rapazes, consigam um empate ao menos!
Dupond

«Capote/Capote», de Bennett Miller

Ao contrário do que se possa pensar, este filme não tem como objectivo oferecer ao espectador a biografia do escritor norte-americano Truman Capote. O que nos é mostrado é todo o processo criativo do seu livro “A Sangue Frio/In Cold Blood” e o reflexo desse trabalho na própria vida do escritor.
Truman é uma personagem da sociedade nova-iorquina. Afectado nos gestos, efeminado na pose ele é o rei da high-life americana, convivendo com escritores, gente do cinema e das artes. Ele é alguém que adora ser adulado, que gosta de se tornar o centro das atenções em conversas, que despreza todos os que não se identificam com o seu estilo de vida.
Um dia, Capote lê no New York Times a notícia do assassinato de uma família inteira, numa pequena povoação do Kansas. No mesmo dia, telefona ao editor da revista “New Yorker” e propõe-lhe escrever sobre esse tema. Uma vez lá, começa a compilar material para o seu trabalho: conversa com os habitantes locais, cai nas boas graças da mulher do Procurador, consegue tudo o que quer. E mesmo quando os dois assassinos são detidos, Capote tem acesso privilegiado aos mesmos, além de lhes arranjar advogados decentes. Só que o escritor não faz isto por bondade. O que efectivamente o move é o egoísmo de conseguir a história. Daí que, quase seis anos depois do tiro de partida, Capote ainda não tenha o livro pronto e sinta vontade que os dois assassinos morram rapidamente para ele por um fim no seu…sofrimento.
Esta manipulação atinge a perfeição no relacionamento do escritor com o elemento principal do par de assassinos, Perry Smith. Entre ambos nasce algo mais profundo do que uma amizade, podendo vislumbrar-se um jogo homoerótico, em que os bens entre ambos trocados serão a esperança e a verdade. O condenado agarra-se a Capote como a sua única salvação, mental e física, e o escritor quer recolher dele o maior número de dados possível. No fundo, Truman apenas lhe quer sugar essa informação e isso atravessa todo o filme, até ao momento em que é convidado para assistir à execução e aceita.



“Capote” não é só um filme sobre a construção de um episódio literário americano, é também o retrato do fosso social e cultural entre a sofisticação decadente de Nova Iorque e a América profunda, simples e religiosa, um fosso que o tempo não curou, com se pôde ver nas eleições presidenciais americanas. No final, Capote atinge a redenção, após, finalmente, perceber que o que era efectivamente importante não era o seu vício de fama ou os amigos aduladores, mas os sentimentos humanos puros. E aprende-o “a sangue frio”…
A composição de Philip Seymour Hoffman é soberba. O actor vestiu mesmo a pele do escritor e compõe uma personagem absolutamente notável, quase lhe garantindo o Óscar. A realização é pouco ágil, atendendo ao tipo de filme em causa, muito embora se mostre segura e sem nunca ultrapassar a fronteira do bom gosto, embora o argumento o proporcionasse. Excelente, ainda, a reconstrução de uma América típica dos anos 50 e a opção por pouco colorir a maior parte das cenas, o que proporciona uma belíssima percepção melancólica de toda a história.
Parece que, este ano, temos um leque de excelentes propostas na corrida aos Óscares. Aguardemos o resultado, que já falta pouco.
Dupont

Directas do PSD

"As eleições directas no PSD", por Rui Machete.
Dupont

domingo, fevereiro 26, 2006

Baía, o Rei Momo


Dupont

Dia de Carnaval

Há dois anos escrevi isto. Não vejo necessidade de qualquer alteração. Infelizmente.
Dupont

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

PS contra PS

Abel Maia está decididamente ao ataque. Agora, na sua coluna quinzenal n'O Primeiro de Janeiro, contesta a decisão dos elementos do seu partido na Assembleia Municipal em restringir o período de intervenção dos grupos parlamentares da oposição, pondo-se ao lado do PSD, do PP e da CDU.
Só esperemos que ele leve esta sua atitude até ao fim e se candidate às próximas eleições concelhias do PS. Até podia não vencer, mas mostrava uma enorme coragem e marcava, desde já, terreno face aos clãs Almeida e Laranja.
Dupond

Barómetro DN/TSF/Marktest

  • Partidos: PS-38, PSD-36, PCP-10, BE-9, CDS-4. O "centrão em grande": o PS já não está na maioria absoluta e o PSD já descolou do purgatório Santana Lopes - efeito Cavaco? Duvido. Os comunistas retiram dividendos da prestação de Jerónimo de Sousa, o bloco não tem explicação, e o CDS afunda-se, sem líder e sem qualquer presença visível.
  • Líderes: fazendo o balanço entre pontos "positivos" e "negativos" Sócrates acusa +8%, enquanto Marques Mendes regista -15%. Com um ano de confusão, insegurança e medidas entre o polémico e o risível, Sócrates mantém um óptimo score, tal qual o seu partido. Mendes não sai da cepa torta, perdendo, até, para o seu próprio partido. Luís Filipe Menezes deve estar a passar um dia extremamente feliz, apesar de a sua lista concelhia para o congresso ter perdido por mais de cem votos... Na sequência do que dissemos supra, Jerónimo de Sousa contabiliza 27% de pontos positivos, enquanto Ribeiro e Castro tem 23% negativos. Louçã aguenta-se nos +11% e Jorge Sampaio esmaga com +55%.
Dupont

É por isto que eu gosto do Larry Mullen Jr.


Dupont

Blogosfera

O Póvoa Semanário fez um trabalho sobre a blogosfera poveira. Não foi o primeiro, uma vez que “O Voz da Póvoa”, pela pena de Cláudia Valente, já o havia feito há quase dois anos.
O destaque vai todo para o Trenguices do nosso grande amigo Mário Jorge Peliteiro, apresentado como o decano dos blogueiros da Póvoa de Varzim. "E de toda a comunidade poveira-vileira", acrescento eu. Como tal, o Mário está numa posição privilegiada para analisar a evolução deste pequeno mundo com a autoridade decorrente dessa presença que se estende por três anos. E o que ele diz merece reflexão.
Efectivamente, na Póvoa, o fenómeno dos blogs está em crescimento acelerado. Quase todos os meses surgem um ou dois, a lista é extensa e com tendência a crescer. O “pai” deste boom é o grande Tony Vieira, do Povoaonline, o tal blog que os funcionários da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim estão proibidíssimos de consultar através do seu computador de trabalho… É curioso como estas medidas estúpidas só engrandecem o visado pela mesma. Mas há quem tenha vistas curtas…
Fenómeno inverso, como bem nota o Peliteiro, está a passar-se em Vila do Conde. Depois de termos quase duas dezenas de blogs activos, tudo mudou. Agora não são mais do que dez, metade deles ligado ao Rio Ave, com o sempre brilhante blog oficioso em destaque. O resto foi morrendo. O malandro do six resolveu acabar com o lendário Vila do Conde Quasi-Diário, o kafka foi de férias não se sabe até quando, o Pai Já Bai, o Zé da Vila, o Cruzamento de Ideias, o Miguel, do Ouriço Cacheiro, já ameaça fechar a porta e o Lápis de Cor está moribundo. A ideia é que os blogs, em Vila do Conde, atingiram um novo patamar - já passaram da fase generalista e abraçaram as especialidades: temos blogs ambientalistas, sobre caminhada, BTT, marionetas, capas de discos, entre outros. Generalistas também os há, como este, o Strix Aluco, o segundo Andamento e O Quintal Deles. Apesar de haver algumas desistências, sempre de lamentar, claro, julgo que a nossa blogosfera continua a gozar de boa saúde. Na verdade, independentemente de mil e um projectos que possam nascer, gostava de ver um irmão gémeo do Tony Vieira. Já tivemos um parecido, o Burro do Bolas, mas também se finou. O humor é essencial e, quando inteligente, é de uma eficácia imbatível. Aguardemos, então por novas aventuras blogosféricas.
Dupont

«First Impressions on Earth», The Strokes


Para quem está com a memória em ponto morto, recordo que os The Strokes foram os ponta-de-lança do ressurgimento das banda de guitarras, que permitiu o aparecimento de muita coisa boa como The Killers ou Franz Ferdinand. Após “Is This It”, um primeiro álbum inventivo, os The Strokes vieram com o brilhante “Room on Fire”. Quando aguardava, com razoável expectativa, o novo trabalho, eis que a banda resolve mudar para ficar no mesmo lugar. É que “First Impressions on Earth” não traz rigorosamente nada de novo e, pior, parece ter caído na moda de ir buscar influências ao passado musical mais ou menos recente – técnica a que os Belle & Sebastian também recorreram para o novo “The Life Pursuit” e de que falaremos um dia destes.
O disco até começa bem com “You only live once”, mas a segunda faixa, “Juicebox” parece uma melodia que os Franz Ferdinand terão esquecido em algum lugar e que a banda de Julian Casablancas, por sorte, encontrou… Não vou estar aqui a dissecar todos os cadáveres por onde os The Strokes andaram a alimentar-se, mas não posso deixar de falar de “15 Minutes”, uma perfeita “homenagem” aos The Pogues ou “Killing Lies”, a evocar U2…
Será “First Impressions on Earth” um mau disco? Julgo que não se poderá chegar a tanto, mas, para quem quiser ouvir criticamente um disco, há vários considerandos a ter em conta. Criatividade, por exemplo, se for um deles, só poderá obter resposta negativa.
Dupont

Jorge "vaidoso" Sampaio

Ao longo dos últimos dez anos, por detrás daquele ar formal, sério e comedido, Jorge Sampaio não conseguiu disfarçar a faceta de homem vaidoso e presumido que se pôs muitas vezes em bicos de pés para ser visto e ouvido: “Sampaio fez um balanço extremamente positivo da sua magistratura. As estatísticas no anexo do seu livro, “surpreenderam-no" porque pôde verificar "que teria sido virtualmente impossível" um presidente com "uma presença mais forte, permanente e desenvolvida". O chefe de Estado fortalece-se na solidão, considera Sampaio, fazendo referência a decisões "excepcionais", como a dissolução do Parlamento, por exemplo. "Ao fazer este movimento de fortalecer-me na solidão, verifico que não mudei", afirmou, garantindo "Nunca fui um vendedor de ilusões. Estudei sempre os problemas. Mantive sempre a ligação com as pessoas - e como presidente mantive sempre a ligação com os portugueses”. "Verifico – permitam-me que o diga – que teria sido virtualmente impossível que o vosso Presidente tivesse tido uma presidência mais forte, mais permanente, mais desenvolvida".
Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam. (Jó 7 : 3)

Haddock

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Um seu criado

O Presidente da República, Jorge Sampaio está prestes a terminar um longo mandato de 10 anos no exercício do cargo.
Ao observar a sua acção ao longo de todo este tempo, ficaram-me na memória alguns aspectos positivos e outros negativos do seu magistério.
Os aspectos positivos são em reduzido número. Lembro-me de dois:
1 - Dispensou um acompanhamento e apoio importantes na resolução da questão timorense e na libertação do território. Na linha do que havia feito Mário Soares, Sampaio continuou a falar de Timor em todos os fóruns internacionais e esteve bem no forcing internacional que culminou com a independência em 2002.
2 - Foi o único Presidente da democracia que exerceu os seus mandatos sem grandes polémicas nem interferências directas e indesejáveis na governação. Ou seja, nem criou grandes dificuldades aos governos (como fez Soares) nem tentou formar um novo partido (como fez Eanes).
Foi apenas ...cinzento.
Haddock

Câmara do Porto homenageia Albino Aroso

O médico e ex-governante maiato, Albino Aroso, é, na verdade, quase nosso conterrêneo. Ainda hoje se gaba de passar muito do seu tempo a cuidar das "orquídeas, camélias e buganvílias" que tem na sua quinta em Guilhabreu e sabemos que tem por Vila do Conde uma adoração muito especial. Ficou conhecido como o pai do planeamento familiar e, em Novembro passado, integrou a lista dos médicos "mais dedicados" do Mundo, como aqui fizemos referência. Agora, foi a vez da Câmara Municipal do Porto o agraciar com a Medalha de Honra da Cidade.
Dupont

Metro a metro...

Em princípio, será já no próximo dia 18 de Março que será inaugurada a nova Linha Vermelha, que ligará a Póvoa de Varzim ao Porto através da rede de metro. No entanto, lá para os finais de 2007 é que a utilização do serviço compensará. Só então é que chegarão as famosas carruagens «tram-train» capazes de fazer esquecer a linha da CP.
Para já, o tempo de viagem será superior ao do comboio e o custo dos passes mensais quase dobrará, passando de 25 para 46,25 euros.
aqui tínhamos apresentado as conclusões da Comissão de Utentes da Linha da Póvoa. Mais comentários da CULP aqui.
Dupont

Os primeiros Óscares de 2005


Muito menos glamorosos do que os que irão ser atribuídos no dia 5 de Março, são igualmente importantes. Trata-se dos prémios da Academia para o sector científico e técnico. Os premiados estão aqui.
Dupont

Tem calma, Zé, olha que...

...tenho cá uma 'fézada' que os clubes ingleses vão todos passar esta eliminatória da Champions League.
Dupont

O Segredo de Católica Mountain...


No meio de anúncios de pílulas e medicamentos miraculosos, o spam traz coisas como esta. Reparem bem no que é que os padrecos da Católica resolveram fazer no dia 23: uma festa com Alex, o Mr Gay - com live act, uma coisa que nem me atrevo a imaginar o que seja... Para disfarçar, também organizaram uma noite para as mulheres, mas atiraram-na para uma data secundária. Andasse eu ainda na Faculdade e no dia 22 já sabia qual era o meu destino!
Dupont

De repente, comecei a gostar do nosso Ministro da Justiça, Alberto Costa...

«Três fotógrafos que fotografaram a Princesa Diana em Paris na noite da sua morte foram condenados por um tribunal francês a pagar um euro de indemnização por violarem leis de privacidade.
Jacques Langevin, Christian Martinez e Eric Chassery fotografaram Diana e o seu namorado, Dodi al Fayed, perto do hotel Ritz, em Paris, e voltaram a tirar fotografias após o acidente fatal no túnel Alma.
O trio de paparazzi pagará um euro ao pai de Dodi, o milionário egípcio Mohamed al Fayed.
Diana, Dodi e o motorista Henri Paul morreram a 31 de Agosto de 1997, quando o Mercedes em que seguiam sofreu um acidente durante uma perseguição por paparazzi em motos.» Diário Digital.
Dupont

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Preocupante

Andamos nós preocupados com a gripe da aves e

«Todos
os dias são detectados 13 novos de casos de cancro da mama e em Portugal
morrem diariamente quatro a cinco mulheres
»,.

E em mulheres cada vez mais novas. Deve ser duro.

Haddock


"I feel the need...The need for speed!..."

Ricardo Almeida é deputado na Assembleia da República, eleito pelo círculo do Porto nas listas do PSD. Pacato, bom rapaz, transforma-se num "Top Gun" sempre que aspira o aroma do asfalto. Com apenas trinta e um anos, já conseguiu ser multdo dezanove vezes por excesso de velocidade. A última foi há pouco tempo, quando seguia a duzentos à hora!... Ao JN, o nosso Schumacher estradal deu uma resposta que só se compreenderá por ainda estar numa trip por mais uma descarga de adrenalina em virtude da mais recente trip na A1 entre Lisboa e Porto: "Reconheço que, às vezes, ultrapasso os limites de velocidade, mas isso é porque sou um deputado que cumpre horários. Não sou como outros que não chegam a horas às reuniões". Num país onde ninguém cumpre nada, ainda bem que alguém cumpre horários...
Dupont

Um ano

Foi há um ano que o País respirou de alívio quando os portugueses mostraram o cartão vermelho a Pedro Santana Lopes. Das ruínas do Governo PSD-PP nasceu uma nova maioria, a primeira socialista de sempre. Um ano depois e com um quarto do tempo de governação passado, é altura para se fazer algum balanço.
Desde logo, há que aplaudir a estabilidade da equipa governativa, algo de que já carecíamos há bastante tempo. Depois, houve vontade em remexer em muita coisa atascada no lodo, em especial o que diz respeito a impostos. Além disso, tirando algumas medidas cirúrgicas, pouco mais houve do que erros.
Em primeiro lugar, os impostos. José Sócrates anunciou que não os iria aumentar e, como todos sabemos, o fermento não ficou por cair em nenhum, com destaque para o IVA. Depois, o emprego – acenou-se com milhares de empregos e o que temos é a taxa de desemprego a subir. Em terceiro lugar, a mania das grandezas: OTA, TGV, Plano Tecnológico… Tudo projectos absolutamente desfasados da nossa pequena realidade, por excesso ou defeito, sem qualquer viabilidade de algum dia se ver o retorno do investimento.
De um modo geral, o Governo especializou-se na dupla habilidade de, por um lado, não cumprir as promessas de campanha e, por outro, governar com novas campanhas. Tudo está a ser pensado ou planeado ou estudado, mas a ser feito não há, efectivamente, nada.
Depois, descendo ao concreto de alguns ministérios, temos o da Saúde, onde se anda a perder tempo a alterar denominações de hospitais, com as listas de espera a manterem-se inalteráveis. No Trabalho, as empresas continuam a fechar e a taxa de desemprego é a maior de há muitos anos a esta parte. Na Justiça andou-se a discutir o período de 22 dias de férias do juízes e funcionários judiciais, esquecendo-se que o problema está nos dias de trabalho que deveria ser efectivo e não o é. Das virtudes da Nova Lei do Arrendamento já aqui falámos…
No entanto, o que mais me irrita é o PS estar a fazer exactamente aquilo que criticava ao PSD. O partido laranja, em coligação com o CDS-PP, era acusado de mentir sobre a promessa de não aumentar os impostos – o PS fez o mesmo. Os socialistas acusaram Manuela Ferreira Leite de manipular as regras orçamentais para obter índices mais simpáticos – o PS diz que não o fará, mas não vai conseguir bater os 5,2% (sem receitas extraordinárias) do anterior Governo, em 2004, apesar do aumento de receitas fiscais. A coligação então no poder era confrontada, diariamente, com o facto de não atender aos milhares de pessoas que se viam confrontados com o desemprego - este Governo não conseguiu estancar o fluxo, antes o piorando.
Enfim, ainda faltam três anos, mas já dizia George Bernard Shaw que não era preciso comer um ovo inteiro para saber se ele estava podre…
Dupont

Braziuuuu...

Afinal, dos cinco deputados socialistas vilacondenses que não votaram para a eleição da Assembleia Metropolitana do Porto, um deles foi precisamente o nº 2 da lista do PS, Bruno Almeida. Porquê? As nossas fontes na autarquia resolveram o mistério: o clã Almeida está todo no Brasil a passar uma férias, desde o Presidente Mário até aos netos.
Boas Férias, Mr. President...
Dupont

«Walk The Line», de James Mangold

Não posso estar a falar desta biopic de Johnny Cash sem fazer, antes do mais, uma declaração de interesses: sou um dos seus maiores fãs.
Johnny Cash é a personificação da América. “Da América e não dos Estados Unidos”, como uma vez referiu o Álvaro Costa. Tomei contacto com Cash há mais de duas décadas, por referência insistente de muitos dos rebentos que brotaram das muitas sementes que atirou à terra, com Bruce Springsteen à cabeça. E quando me apercebi do marco incontornável da música contemporânea que ele era, fiz a habitual rusga à loja de discos para comprar tudo o que dele lá houvesse… Johnny Cash vestia de negro e era precisamente sobre uma América negra, situada bem longe dos holofotes do american dream que ele cantava. Falava dos desprotegidos, dos esquecidos, dos fracassados, dos oprimidos. Não o fazia como músico de intervenção – munido apenas com a sua guitarra, contava histórias de homens desiludidos, de cidades abandonados, de soldados angustiados, de pecadores arrependidos aguardando a redenção. Gravou dezenas de álbuns e milhares de canções. Tocou rock, country e folk. Gostava tanto de música que não tinha qualquer problema em interpretar versões de outros artistas. Na Europa e em Portugal nunca foi ‘grande’, apesar de algumas estrelas da actual cena musical bem puxarem por ele, como os U2, os Nine Inch Nails e Elvis Costello, entre outros. Mas não se pense que toda esta melancolia se traduzia numa vivência deprimente. “Não estou obcecado com a morte; estou obcecado é com a vida”, costumava dizer. No dia da sua morte, um seu colaborador comentou: “a única coisa que me alegra é que, hoje, o céu ficou com mais luz”.
Com uma vida rica, recheada de significado, era natural que alguém, um dia, a quisesse passar a filme. Aconteceu agora, com o argumento a nascer das suas duas autobiografias: “Man in Black" e "Cash: The Autobiography”. Curiosamente, antes de morrer, em 2003, ainda teve oportunidade para trabalhar no guião…



“Walk The Line”, o filme, conta-nos precisamente a história da vida de Johnny Cash, desde os tempos de miúdo, no Arkansas, subjugado a um pai alcoólico que não gostava dele e confrontado, para sempre, com a morte do irmão que o cantor adorava. Depois é todo o percurso do cantor, desde o encontro com o lendário Sam Philips, da Sun Records, em Memphis, casa onde tinha despontado Elvis Presley. Com a fama sempre a aumentar, a conta bancária a crescer e a dependência de drogas a instalar-se, aí temos o percurso clássico de uma estrela rock, com ascensão, queda e, em raros casos, como o de Cash, a sua ressurreição.
Os produtores poderiam ter feito um filme que se centrasse sobre o génio criativo de Cash, mas optaram, antes, por centrar a acção no relacionamento amoroso que ele teve com a cantora June Carter. Alegre, com uma personalidade cativante, vai ser ela o amor da sua vida. Por ela, Cash largou a primeira mulher e os filhos e será June a libertá-lo da droga. Viveram juntos trinta e cinco anos. Morreram ambos em 2003, com apenas quatro meses de diferença…
O título do filme, “Walk the Line”, vem directamente do título do seu maior hit, que esteve onze semanas em número um do Top da Billboard e parte de um comentário irritado de June, dizendo-lhe que ele só a teria caso “andasse na linha”: “As sure as night is dark and day is light / I keep you on my mind both day and night / And happiness I've known proves that it's right / Because you're mine, I walk the line
Ao longo do filme, são várias as canções que nos são dadas a conhecer, desde as pioneiras “Cry, Cry, Cry”, “Ring Of Fire", "Folsom Prison Blues" ou "Sunday Morning Coming Down", sem esquecer os vividos duetos com June Carter, com destaque para “Jackson”.



O maior momento da carreira de Johnny Cash foi a gravação de “Live at Folsom Prision”. Como o próprio nome indica, foi um álbum ao vivo gravado numa prisão. Cash tinha imensos fãs entre os reclusos das cadeias americanas, não só por ele próprio ter passado por lá o que levava a uma certa identificação, como também pelo facto de as suas canções darem vida a personagens marginalizados, assassinos e criminosos, como os que se encontravam presos. O filme começa e praticamente encerra com esse concerto de 1968. Mas teremos de recuar décadas para perceber a metáfora em toda a sua riqueza. Cash viveu até muito tarde preso à angústia da sua doentia relação com o seu pai, além de viver atormentado com a morte do irmão: “Isto é obra do Diabo, que me levou o filho errado”, proclamou o alcoólico progenitor. Esta memória acompanharia Cash para sempre, como que o prendendo numa camisa-de-forças. Já na tropa, assiste a um documentário sobre a prisão de Folsom e fica hipnotizado. A partir dali, quando Cash falava daqueles a quem o melhor da vida passava ao lado, não estava só a falar deles, mas de si próprio.
O filme, felizmente, capta de forma extraordinária o drama e a angústia de Cash. Mas não o faz de forma deprimente ou tentando esconder os esqueletos do cantor no armário. Cash é mostrado como um homem simples, tocado pela música, com os seus defeitos e pecados. E digo “pecados” porque a vertente religiosa é fundamental, já que Johnny e June eram profundamente cristãos. James Mangold não entra em lamechices, procurando fazer a ponte entre o homem e o artista, conseguindo dar uma visão equilibrada desta dupla faceta. Mas teve duas ajudas de peso: Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon. Ambos os actores estão magníficos nos papéis de Cash e June. Ambos optaram por interpretar as canções inseridas no filme, uma ideia feliz e muito bem concretizada. Phoenix já tem por si um ar melancólico, o que em “I Walk The Line” fica na perfeição, enquanto a alegria e luz de Reese Witherspoon dão vida a uma June Carter dotada duma personalidade absolutamente cativante.
“I Walk The Line” não é um grande filme, nem me parece que queira ser. Inteligentemente, fizeram dele bem mais do que um mero registo biográfico, transformando-o numa bela história de amor, com uma banda sonora de excelente nível. A não perder, para cinéfilos e melómanos.
Quem quiser saber mais sobre este extraordinário compositor e intérprete pode dar um salto a esta página da BBC Online, onde poderá escutar uns segundos de "I Walk The Line" ou a sua entrada na Wikipedia. O site oficial de "Ring of Fire", o musical baseado nas músicas de Cash que proximamente irá estrear na Broadway, é aqui.
Dupont

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Crime de Honra

"Rui Rio constituído arguido devido ao Túnel de Ceuta", Diário Digital.
Dupont

We'll never walk alone

Ser vermelho por um dia.
General Alcazar

Assembleia Municipal I – PS goza com a Democracia

Pelo que hoje soube no Bompastor, parece que os nossos deputados municipais estiveram a fazer uma noitada, na passada sexta-feira: quatro horas e meia durou a sessão daquele órgão autárquico.
Quem pensar que estiveram a discutir coisas realmente importantes, que se desengane. A maior parte do tempo estiveram a discutir o regimento da Assembleia Municipal, especialmente na parte em que a maioria socialista esmagou as pretensões dos partidos da oposição em manter as regras existentes. Só que o PS quis e a sua maioria deu-lhe a possibilidade de retirar tempo às restantes forças políticas. Assim, temos que no período de Antes da Ordem do Dia o PS vai passar a contar com 25 minutos, o PSD com 15, e CDS, CDU e BE com cinco minutos cada. Aquando da discussão das Grandes Opções do Plano e Orçamento, bem como do Relatório e Contas, ambos inseridos no período da Ordem do Dia, o PS passa a ter 25 minutos, o PSD 15, e os restantes 10 minutos cada um”. E Carlos Laranja ainda fez saber que a regra proporcional (?) que estavam a aplicar era bastante favorável aos pequenos partidos. Ou seja, magnânimo, o PS concedeu à maralha mais tempo do que o que a fria proporção matemática permitiria. Um luxo… Quem passou ao lado deste “leva e traz” foi Mário Almeida que, pelo que contaram, esteve ocupado a despachar serviço… Fantástico, segundo a Linear, foi o comentário de Jorge Laranja: “era urgente alterar o artigo e reduzir as intervenções ao que realmente é importante”. Fantástico…
Mas a homenagem à Democracia não se ficou por aqui. Estava agendada a Criação de uma Comissão de Acompanhamento para o Desemprego, que mais não era do que a repetição daquela que existiu no mandato. Só que, agora, mesmo sem qualquer alteração legal ou de funcionamento, o PS virou o bico ao prego e votou contra. Descobriu, agora, que a Lei não prevê este tipo de comissões. E Bruno Almeida foi lá dizer que ainda bem que não iria passar a proposta, uma vez que a anterior não tinha sido benéfica, fora alvo de aproveitamento partidário e, veja-se lá, que até terá precipitado despedimentos. Fernando Reis, o sindicalista da CDU, puxou dos galões e defendeu os trabalhadores, apesar do ataque cerradíssimo do PS, que o acusou de tudo e mais alguma coisa, com Lúcio Ferreira a ajudar à festa, impedindo-o até de usar a palavra em defesa da própria honra… E relembrou que nunca assistiu por parte do PS a qualquer crítica sobre o funcionamento da Comissão, nem se recorda do elemento do PS lá inserido se ter insurgido contra o que quer que fosse… Imparável, teve tempo para mandar a boca da noite a Jorge Laranja, na senda da sua mudança de opinião e comportamento: “a necessidade aguça o engenho, senhor doutor”, querendo referir-se ao facto de este deputado ser, agora, próximo de Mário Almeida quando, no passado, era o rosto principal da oposição interna.
Mas a noite não acabaria sem que o PS voltasse a apresentar mais uma medida altamente penalizadora: um aumento de 5% na Tabela Geral de Taxas e Licenças, uma vez que já não era actualizada desde 2002. Porquê? A nossa intuição faz-nos crer que foi logo depois das autárquicas…o que volta agora a acontecer. No entanto, as nossas fontes na Câmara Municipal confirmaram-nos uma explicação bem mais simples: o funcionário responsável por estes assuntos, esqueceu-se de o fazer. Isso mesmo, esqueceu-se de propor à Câmara Municipal a actualização das mesmas, veja-se lá…
Efectivamente, a Democracia anda muito esquecida cá por Vila do Conde…
Dupond

Assembleia Municipal – II – Deputados do PS ficaram em casa

Já ontem à noite a Assembleia Municipal voltou a reunir, apenas para eleger a Assembleia Metropolitana do Porto. Os resultados foram estes:
PS - 12 votos
PSD – 10 votos
CDS – 2
CDU - 1
BE - 1
Ou seja, os deputados da oposição votaram todos, e conseguiram a maioria dos votos. Do Partido Socialista faltaram cinco. Ora, sabendo de antemão que o nº 2 da lista distrital do PS se chamava Bruno Almeida, é de ficar espantado com a falta de solidariedade de cinco deputados (quase 30% deles) para com o reforço da posição do elemento seu conterrâneo naquela lista.
Isto está bonito….
Dupond

Pavlov está vivo!


«Nós nunca os ensinámos a fazer aquilo!...»

As autoridades de Velograd resolveram encerrar um jornal local, o Gorodskiye Vesti, após este ter publicado o cartoon que aqui se mostra. A justificação foi a de que se queria evitar confrontos religiosos.
Se a moda pega, então o terror incutido pelos islamitas funcionará e eles poderão reclamar vitória.
Dupont

In english, please!...


A cadeia alemã n-tv apresenta esta foto com a legenda: "Mulheres em manifestação, na passada quarta-feira, em Islamabad, capital do Paquistão, contra as caricaturas de Maomé. O que elas querem dizer com o cartaz não está claro".
Eu também não percebo. Mas agradeço-lhes o facto de terem escrito as suas indignações em inglês, a língua oficial do Paquistão e demais países islâmicos...
Dupont

«O Rei e o Vale Encantado» ou o elogio da metáfora

Era uma vez, num belo país não muito distante, um rei que governava há já muitos anos. Com mão de ferro ia afastando todos aqueles que ansiavam um dia sucedê-lo no trono. O que é certo é que apesar de tudo o seu povo apoiava-o. Regularmente a população dava sinais de apoio, e portanto o rei via o seu ego crescer tão depressa quanto o seu poder.
Não era um país perfeito o deste rei, mas também não se pode dizer que fosse dos piores. Por um lado, nenhuma das casas tinha quarto de banho, e os súbditos tinham que conter as necessidades fisiológicas de modo a não poluir o seu país.
Muitos deles levavam esta ideia de tal maneira a sério que nasciam e morriam oitenta anos (e muitos quilos) mais tarde sem necessitarem de esvaziar a bexiga ou o intestino. Como conseguiam? Não sei, apenas sou um narrador de um conto infantil. Por outro lado, e talvez por esta capacidade retentora dos seus habitantes, o país tinha uma aparência asseada e até já recebera alguns prémios do mundo da imaginação onde ele se situava.
O grande tesouro não se encontrava nos cofres do grande palácio, estes estavam apenas cheios de ar, e as dívidas acumulavam-se tal como em muitos outros países de dimensão semelhante. O grande tesouro da nação era o Vale Encantado. Por essa razão é que o nome do país era País do Vale Encantado, e não por uma mera coincidência. O Vale Encantado possuía ribeiros de água límpida e pássaros que cantavam Mozart mesmo nos anos em que não se comemorava o seu Jubileu. O Vale Encantado possuía enormes florestas e uma aragem a maresia que o tornavam único. Pelo Vale Encantado as areias eram de ouro e a luz desenhava sombras de magia infindável.
O problema do Vale Encantado é que o Rei do País do Vale Encantado não lhe reconhecia valor. Existia uma grande cobiça de muitos nobres que queriam lá construir palácios e fundir as areias até se transformarem em lingotes de ouro. Por tudo isto era normal que o rei visse no Vale Encantado uma solução para os cofres vazios da nação.
Porém, muitas vozes do seu povo se levantaram, defendendo o Vale Encantado porque se o país se chamava País do Vale Encantado, então o vale era de todo povo.
Foi aí que o rei começou a pensar. Em breve existiriam umas cortes e o povo estaria atento, e antes que existisse uma revolução republicana decidiu convocar os druidas para definirem um futuro para o Vale Encantado. Muitos nobres acharam que este chamamento era uma traição, primeiro deviam estar os amigos e só depois os sábios, mas o povo ficou contente e reviu-se mais uma vez na opção do rei.
Os druidas estudaram bem o Vale Encantado e todos os meses reuniam com o rei para lhe mostrar os avanços da investigação. Pouco tempo depois descobriram a receita da poção mágica que salvaria o Vale Encantado.
O rei quis vê-la e disse que um mês depois seria feita uma nova reunião para todos beberem a mágica poção. Passou um mês e o rei passeou incólume pelas cortes sem quaisquer indícios de revolução republicana.
Passaram dois meses, três, quatro e a poção foi confundida com águas de bacalhau. O Vale Encantado ficou à espera, mas o rei nunca mais se lembrou dele. O povo? Parece ter memória tão curta quanto o rei.
Por Miguel Torres, Terras do Ave.
Dupont

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Joe Berardo

O debate público à volta da colecção de arte do Sr. Comendador Joe Berardo tem vindo a fazer gastar muita "tinta" na comunicação social. Eu, que não percebo nada de arte, seja contemporânea, renascentista, impressionista, dádá, surrealista ou outra qualquer, confesso a minha incredulidade perante o que se tem assistido.
Na minha humilde posição de cidadão, o assunto é muito claro:
1.- O Sr. Comendador foi comprando ao longo da sua vida um conjunto de obras. Não sei se o fez por gostar delas ou se por ver nisso uma forma de rentabilização das suas economias, facto que também não me parece particularmente relevante. A verdade é que juntou um conjunto de peças de relevante interesse.
2.- Tendo em conta a dimensão da colecção e a sua qualidade, o Sr. Comendador pretende encontrar um lugar para a expor.
3.- Tendo em conta essa sua vontade, terão existido negociações com o Estado Português no sentido de ser encontrado um local no nosso país onde a mesma possa ser exposta, mediante condições a acordar entre as partes.
4.- Segundo consta, as condições impostas pelo Sr. Comendador não são plausíveis de ser atendidas pelo Estado Português.
Perante este panorama, e parecendo haver a possibilidade de o Sr. Comendador encontrar noutros países as condições que pretende, julgo que o assunto é fácil de resolver. De acordo com o jogo da oferta e da procura, o Sr. Comendador deve colocar a sua exposição no local que melhores condições lhe oferecer, mesmo que esse local seja fora do país. Como cidadão português não tenho rigorosamente nada a opor a essa solução. Aliás, até acho que isso pode ser uma excelente forma de promoção do nosso país no exterior. Imagine-se aquela colecção exposta em Londres ou Paris sendo visitada por milhares de pessoas. Sabendo-se, como se vai saber certamente, que a mesma é propriedade de um português, isso constituirá uma grande promoção ao nosso país.
Perante estes factos cristalinamente simples, porquê tanta polémica?
Dupond

Acabaram-se os "feriados"

"Para o ano, as aulas de substituição, uma medida desenvolvida para o ensino básico, vão ser estendidas também ao secundário porque queremos combater o insucesso escolar", afirmou José Sócrates

Parece-me ser uma boa ideia do governo. Por princípio, concordo. Falta ver agora como vai ser na prática:
1 - Será que vão ser actividades de "custódia", tipo ATL para marmanjos? Seria um erro.
2 - Será que vão ser aulas de substituição mesmo? Com professores a ensinar qualquer coisa de útil para "combater o insucesso". Seria boa ideia, mas estarão os professores de acordo?
3- Como vão reagir os alunos do secundário?
Estas aulas de substituição devem ser obrigatórias para todos, sob pena de não terem qualquer expressão.
São questões a que falta responder.
Haddock

MIC cristal para escrita normal…

O Movimento Intervenção e Cidadania, que nasceu das cinzas da campanha presidencial de Manuel Alegre, poderá apresentar candidatos às próximas eleições autárquicas. Quem o diz é o próprio poeta, citado pelo Público.
Com o advento de candidatura independentes vitoriosas, como as de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino de Morais, esta proposta de Manuel Alegre poderá lançar ainda mais confusão no quadro autárquico nacional, até pela crescente descredibilização dos partidos e dos elementos que as integram.
Imaginem só que seria em Vila do Conde uma candidatura do apoiante vilacondense de Alegre, Abel Maia, à presidência da Câmara Municipal, contra Mário Almeida ou contra quem o vier a substituir? Uma fatia do PS lá ia e a Câmara poderia passar, finalmente, para as mãos do PSD… A vingança é um prato que se serve frio e, como todos sabemos, Abel Maia está mortinho por o dar a provar…
Dupont

Big Mário

Um dos concorrentes do primeiro Big Brother, Mário Ribeiro, foi detido e aguarda julgamento em prisão preventiva, indiciado da prática de vários crimes, desde falsificação de documentos a roubos.
Há uns tempos, chegava a notícia da tentativa de suicídio do inacreditável Zé Maria e o Marco-dos-pontapés havia deixado a Marta, sua mulher, com suspeitas de maus tratos. Três em doze pode não parecer muita coisa, mas julgo ser um sinal preocupante.
Ainda ontem, o Jornal de Notícias apresentava uma extensa reportagem sobre a loucura das filas de jovens na tentativa de ingressarem na novela “Morangos com Açúcar”. Muitos querem e os pais apoiam. Uma das mães, cuja cria havia sido prejudicada num qualquer formulário, exclamava que tinham “cortado os pés” à miúda… Ao lado disto, ainda há os pais que acham que os seus filhos podem, perfeitamente, comparar-se ao Figo ou ao Agassi-basta que sejam tratados com “igualdade”…
A sensação de que um estatuto de boa vida se pode alcançar sem grande esforço está cada vez mais enraizado na juventude. Todos sonham com profissões como actores ou cantores, onde a visibilidade seja muita, o dinheiro escorra fartamente e o trabalho não seja muito. Uma vida de felicidade portanto.
A vida, como a maior parte das pessoas o sabe, não é fácil e a maior parte das dificuldades não estão apenas no binómio trabalho-salário. A maturidade traz muitos dissabores, especialmente quando se dá o choque com a realidade. Por incrível que pareça, há pais que parecem não se recordar do que passaram ou, então, julgam que proporcionar aos filhos uma vida melhor é torná-los vedetas.
Como provam os exemplos apresentados no início deste post, a que se juntaram outros que, por vergonha ou inteligência, não são revelados, a fama é algo para que nem todos estão preparados. A subida é rápida demais, não dá tempo para racionalizar e, depois, a queda é brutal e, muitas vezes, irreversível. A vontade em permanecer no topo torna-se obsessiva, tornando a vida desta trágicas personagens num verdadeiro inferno. Ah, se alguém as pusesse a ver Gloria Swanson em “Sunset Boulevard”…
Dupont

Polis Vila do Conde

O Público informou que Mário Almeida já anunciou o fim das obras do Polis para o final do próximo ano. À boa maneira portuguesa, este processo começou com um ano de atraso e vai terminar com bem mais de um ano sobre a data prevista. O relógio, nos Benguiados, está há muito parado, fruto de uma providencial tempestade. Aguardemos, então, num momento em que já se começam a elaborar desculpas para aquilo que não vai ficar igual ao projecto apresentado. Por exemplo, o espelho de água de Siza Vieira para o interior do Espaço Atlântico já foi cancelado…
Dupont

«O segredo de Brokeback Mountain/ Brokeback Mountain», de Ang Lee

A fanfarra que anunciou a chegada do filme-sensação da temporada e principal candidato para arrebanhar os Óscares deste ano, “O segredo de Brokeback Mountain”, fez com que quase todos soubessem o argumento mesmo sem ver o filme.
Ennis del Mar e Jack Twist são dois jovens à procura de emprego. Ambos concorrem a duas vagas existentes num rancho, para acompanharem, pelas montanhas, um rebanho de centenas de ovelhas. Sozinhos, acabam por se apaixonar um pelo outro. E esta paixão irá permanecer viva durante as décadas seguintes, muito embora eles casem com mulher, tenham filhos e a vida de cada um tenha seguido caminhos completamente distintos.
Os dois amantes, Ennis del Mar e Jack Twist, são diferentes em quase tudo. O primeiro é reservado, pouco falador e pouco ambicioso. Já o segundo é mais extrovertido, mais conversador e sociável. No entanto, apesar da paixão correr forte nas veias de ambos, sente-se mais em Ennis do que em Jack. O primeiro talvez ame desmesuradamente o segundo, mas custa-lhe admitir isso e jamais consegue ceder à ideia de ambos viverem juntos. Pelo contrário, Jack está disposto a tudo ceder para viver com o homem por quem está apaixonado.
Para perceber “O segredo de Brokeback Mountain” é obrigatório conhecer as características do cenário em que a acção decorre. O tempo é a década de 60 e o local é uma smalltown situada no estado de Wyoming. Estamos, portanto, na América profunda, povoada de hillbillies e rednecks. Eram e são comunidades extremamente conservadoras, onde à mulher está relegado um papel subalterno na família e na sociedade. Aliás, a mulher de Ennis descobre a relação e continua a viver com o marido… A homossexualidade nem sequer é falada, quanto mais tolerada.
Muito anos antes, quando Ennis tinha nove anos, o seu pai levou-o a ver um espectáculo grotesco: dois homossexuais assassinados, com os órgãos genitais enfiados na boca. Aquela visão claramente que traumatizou o miúdo, para sempre, até porque suspeita que terá sido o próprio pai o autor da proeza... Desde então, a repressão por aquilo que sentia no seu interior, acaba por o atirar para atrozes e inultrapassáveis dilemas morais. Depois de fazerem amor pela primeira vez, Ennis diz a Jack “I’m not queer”. E o outro responde “Neither am I”. Ou seja, teriam de manter as aparências.



O melodrama centra-se, precisamente, neste ponto, no amor impossível entre os dois. Já tínhamos visto esta temática entre amantes com religiões diferentes, com estatutos sociais incompatíveis ou com diferenças culturais intransponíveis. Em “O Segredo de Brokeback Mountain”, a impossibilidade está ligada à homossexualidade.
E é assim, entre mentira, fugas e escapadelas, que os dois vão construindo uma relação fortíssima, muito embora apenas se encontrem uma ou outra vez no ano. Mas, como confessam, passam todo o outro tempo a pensar naqueles escassos dias em que as almas de ambos se tornam uma. O dilema arrasta-se durante mais de duas décadas. Pelo meio Ennis divorcia-se, passa dificuldades e continua a não aceitar assumir a sua sexualidade. O desfecho trágico adivinha-se, aliás, na senda de outros grandes romances, como o clássico “Romeu e Julieta” ou “Titanic”, onde os produtores foram buscar inspiração para o poster que encabeça este texto. Ou seja, o pelo de “Brokeback Mountain” é universal.
O filme centra-se, quase exclusivamente, em Jack e Ennis, com as restantes personagens a terem papéis absolutamente secundários. Não há tempo narrativo para saber como é que eles se relacionam com o resto do mundo, nem sequer como gerem a sua vida. Nada disto interessa, porque o que nos é mostrado é o romance entre os dois. Este mecanismo narrativo é quase clássico e permite uma maior identificação do espectador com as personagens. “Brokeback Mountain” é, só e apenas, a história de um amor entre duas personagens, muito mais do que um filme que mostra a paixão entre dois homens. O que assistimos é ao amor correspondido mas jamais plenamente cumprido, entre dois seres humanos. É esta a grande vantagem do filme de Ang Lee sobre muitas outras histórias com homossexuais como protagonistas. Em “Brokeback Mountain” Ennis e Jack não são dois estereótipos de gays. São indivíduos normais, inseridos na sociedade, cada um com a sua família, mas a quem o destino privou de conviver com a pessoa amada.
Mais do que outra coisa, Ang Lee tem o enorme mérito de não transformar o filme num qualquer panfleto gay e de mater a história sempre dentro de uma enorme decência, incluindo as cenas de sexo. O ritmo do filme é lento, talvez o único ponto negativo que se lhe poderá apontar. Mas tudo em “O Segredo de Brokeback Mountain” é contemplativo e lento, desde as paisagens ao tempo narrativo. O filme é feito de muitos silêncios e de ainda mais solidão. Tudo é seco, áspero e frio, com excepção do amor de Ennis por Jack. O próprio Ang Lee optou por uma fotografia cuidada, com um excelente trabalho de iluminação. Nas cenas de interiores recorreu-se muito à luz natural, o que se traduz numa luminosidade melancólica, típica do cinema independente, assim acentuando o drama amoroso que cada personagem carrega dentro de si, aprisionado entre as paredes de uma família que nunca nenhum deles quis ter.
As interpretações de Heath Ledger e de Jake Gyllenhaal são excelentes, com destaque para a do primeiro. O actor australiano compõe um Ennis traumatizado, quase como se carregasse o peso do Mundo às costas. Os seus silêncios, a sua tristeza e a sua dor, são mostradas por subtis mudanças de expressão, provando que estamos perante um dos melhores actores da sua geração. Ao seu lado, Jake Gyllenhaal confirma uma carreira fulgurante, com uma interpretação confiante e cheia de energia, confirmando a boa impressão de “Máquina Zero/Jarhead”.



“O Segredo de Brokeback Mountain” é o grande favorito aos prémios da Academia. Ainda não nos podemos pronunciar sobre se será o melhor dos filme porque ainda nos faltam ver dois dos cinco candidatos. Pessoalmente, continuo a apostar em “Colisão”. Mas, mesmo que não ganhe, há algo que jamais pode ser retirado a este filme: o facto de ter sido o primeiro a abordar uma relação homossexual masculino sem ter de atender aos estereótipos do costume.
Mesmo no final, a filha de Ennis vem ter com ele à roulotte onde o pai habita, convidá-lo para o seu casamento. Ennis diz-lhe que não poderá ir. Mas sabendo que a filha ama o noivo, retrocede na sua afirmação e confirma a presença. Ennis finalmente percebera que o amor é a coisa mais importante do Mundo. E Ang Lee termina com um plano, tomado do interior da caravana, de uma das janelas, vendo-se uma paisagem iluminada por um sol brilhante… Tal qual John Wayne, há muitos anos abria a porta do quarto onde estava, deixava-a aberta e partia para o deserto, terminada que estava a sua missão. O filme era “A Desaparecida/The Searchers”, em que o lendário actor, personificação da masculinidade do Velho, interpretava também procurou vencer a xenofobia que o levava a odiar as tribos índias. Foi exactamente há meio século, em 1956. Não sei se estarei por cá para ver que preconceitos irão ser combatidos com um western rodado em 2056…
Dupont

5-8


Cinco pontos de avanço sobre o Sporting e oito sobre o Benfica. Antes de viajar à Luz, o FC Porto apresenta-se com o comando do campeonato assegurado, mesmo em caso de um mau resultado. A equipa continua a apresentar um futebol mais ou menos seguro, embora a finalização permaneça um assunto a resolver, especialmente com a falta de Quaresma...
O Benfica, que ficou hospedado no "nosso" Hotel Santana na noite de sexta para sábado, vai, ainda, enfrentar o Liverpool antes do encontro com os Dragões. Esperemos que corra ainda melhor do que em Guimarães, até para os nossos rapazes não se cansarem muito na deslocação a Lisboa...
Entretanto, o Rio Ave vai de mal a pior, encontrando-se dois pontos acima da linha de água...
Dupont

sábado, fevereiro 18, 2006

Rigor jornalístico

"Otras figuras mediáticas del caso ["Silbato dorado"] son el vicepresidente del Colegio de Arbitros luso, Antonio Henriques; el presidente del Nacional (Primera división), Rui Alves; el presidente del Boavista, Avelino Ferreira Torres; y el alcalde de la ciudad de Leiria, Joao Loureiro". (no AS)
General Alcazar

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Agenda

Chegaram a'O Vilacondense os seguintes pedidos de divulgação:
  1. Hoje, às 21.30 horas, no Ateneu Comercial do Porto, realizar-se-á um Debate sobre a questão OTA /TGV. O painel será constituído por: António Guilhermino Rodrigues (Presidente do Conselho de Administração da ANA/NAER) Alberto José Castanho Ribeiro (Administrador da REFER/RAVE) Carlos Brito (Provedor do Cliente do STCP /subscritor da petição à AR) Paulo Morais (Professor Universitário /subscritor da petição à AR). O moderador será Jorge Fiel, jornalista do "Expresso". A entrada é livre.
  2. Foi hoje inaugurado em Aveiro o «Anime Weekend».O evento termina no Domingo e tem por objectivo principal apresentar uma mostra de Animação Japonesa/Anime que incidirá, igualmente, sobre outras formas de expressão japonesa. Haverá, ainda, espaço para a projecção de filmes de animação japonesa (generalistas, infantis, adultos, séries); noites temáticas; exposições com mostra de trabalhos artísticos relacionados com Anime; existirá uma zona comercial onde estarão representadas várias entidades relacionadas com a cultura japonesa; e serão organizados vários ateliers de demonstração. Numa altura em que a animação e a banda desenhada (manga) japonesas ganham cada vez mais adeptos no Ocidente, esta iniciativa é absolutamente de louvar, até porque foge ao mainstream das expsoições que por cá pululam.
  3. No próximo dia 18 de Fevereiro de 2006, pelas 21h30, no Centro Social Cultural e Recreativo Arvorense, irá decorrer uma Sessão de Sensibilização e Informação sobre Violência Doméstica. A organizaçao é do projecto LAURA – Localizar, Avaliar, Unir, Reflectir, Agir. Pretende informar-se sobre violência doméstica que, para além de ser um crime punido pelo Código Penal, é um flagelo social e um drama humano que afecta muitas famílias, com particular impacto nas mulheres e nas crianças.
  4. Também amanhã, mas pelas 16.00 horas, no Pavilhão dos Desportos de Vila do Conde, decorrerá uma meia final da Taça de Portugal em Voleibol. O embate será entre o "nosso" Ginásio Clube Vilacondense e o Sporting Club de Espinho, onde milita o olímpico Miguel Maia. Todo o apoio é necessário para que a Princesa do Ave derrote a (autodenominada...) Rainha da Costa Verde.
Dupont

Nostalgia

A propósito deste post sobre os cinemas tradicionais já desaparecidos, um dos comentadores usou, e bem, a palavra “nostalgia”.
Esta é, do meu ponto de vista, uma das mais belas palavras que conheço. Uso-a para ilustrar aquelas memórias que me são mais queridas. Uma delas era estar na biblioteca lá de casa, sentado no sofá de couro, a ler. Apenas eu, um livro e um candeeiro.
Esta imagem assaltou-me quando o Alcazar me disse que tinha aproveitado as suas curtas férias para ler, descansado, o livro que lhe havia oferecido pelo seu aniversário, precisamente “Munique-A Vingança”. E imaginei-o ao sol, numa esplanada, rodeado de montanhas cobertas de neve. E, claro, suspirei…
O desejo pelo regresso ao “Paradigma Perdido” sobre que Edgar Morin um dia nos escreveu já me acompanhou mais do que agora. O regresso ao passado foi coisa que nunca me atraiu. Encaro-o com a naturalidade possível e fascina-me, isso sim, o futuro. Mas há sempre aquele cantinho na nossa memória, perfeito porque o tempo se encarregou de eliminar as partes negativas, ao qual não resisto a voltar. Era aquele tempo onde parecia não existir preocupações, onde as barreiras eram fáceis de ultrapassar, onde tudo parecia ao nosso alcance. Ainda bem que é só uma memória. Nostálgica.
Dupont

A origem da palmada

Sou pai de duas crianças, ambas a frequentar a escola primária. Ontem, ao chegar a casa, a minha mulher contou-me que apanhara uma delas a dar uma estalada na outra. Chamou a agressora, repreendeu-a e deu-lhe uma palmada na mão. Imediatamente a outra se levantou de onde estava sentada, dirigiu-se a ela e estendeu-lhe a mão, aguardando, também, uma palmada. Surpreendida, a mãe perguntou-lhe porquê. É que, afinal, tinha sido esta a primeira a prevaricar.
Esta história chamou-me a atenção porque, por vezes, julgamos que a nossa visão do Mundo é que está correcta. Assistimos a um certo desenrolar dos factos, contentamo-nos com o que apreendemos e não cuidamos de saber a origem primeira de todo o problema.
Vem isto a propósito, claro está, da argumentação que, por vezes, é empregue para defender determinadas posições. O caso mais recente é o de Freitas do Amaral que resolveu afirmar que no balanço entre o Ocidente e o Oriente muçulmano, terá sido o primeiro a causar mais mossa ao segundo, do que o inverso. Não valerá a pena estar aqui a escalpelizar toda a história do século XX à procura da origem da culpa de muito do mal histórico e social de hoje, mas convém relembrar algo que me parece determinante: é que, mais do que o mal que o Ocidente eventualmente terá feito ao mundo muçulmano ou vice-versa, quem fez encalhar o Oriente islâmico foi ele próprio. A cegueira político-religiosa, o abuso e usufruto pessoal dos bens naturais dos respectivos países por parte dos ditadores, o colossal fosso entre privilegiados e pobres, entre outras questões, não foi causado pelo Ocidente. Muito pelo contrário, o Ocidente é que lhes compra o pouco que produzem, sendo certo que muitas vezes os explorou. Mas em África aconteceu o mesmo e não há sinais de idêntica revolta. O que se vê, no fundo, é a inveja e o mal-estar de uma vida miserável face ao modo de ser e de viver dos ocidentais. Não foi por acaso que, em 11 de Setembro, os aviões chocaram contra umas torres chamadas “World Trade Center”.
Um dia, o petróleo vai acabar. É difícil imaginar o que é que irá acontecer as esses países e aos seus povos. Espoliados por ditadores sem escrúpulos e por dirigentes que usam a religião como arma política de terror, só lhes restará, então, apelar aos países que, no passado, andaram a injuriar e a bombear. Mas, é claro, atribuir culpas dentro de casa não serve aos interesses dos próprios, sob pena de perderem a cabeça. E, já agora, também é verdade que não apela às televisões ocidentais…
Dupont

Chantagem

A propósito do que aqui escrevemos sobre as declarações de José Sòcrates ao invocar os nossos soldados como justificação para as declarações de Freitas do Amaral, ler Vasco Pulido Valente, que alinha na mesma onda, classificando-as mesmo de "Chantagem".
Dupont

Morais vs. Branquinho

Está no horiozonte um novo confronto entre Rui Rio e o seu ex-número dois, Paulo Morais. Como é do conhecimento público, Agostinho Branquinho, um dos vice-presidentes do demissionário presidente da Distrital do Porto do PSD, Marco António Costa, apresentou-se para suceder ao também vice-presidente da Câmara de Gaia. À sua volta conseguiu reunir um enorme consenso, já que, segundo revela, tem os dezoito presidentes das concelhias ao seu lado. Ou seja, tem tudo controlado...
Mas eis que se começa a falar de uma lista alternativa, que terá em Paulo Morais a sua face mais visível e que terá a sua face mais visível em Arnaldo Madureira, um matosinhense que vive na nossa freguesia de Vila Chã há já alguns anos. Desta lista farão parte, ainda, uma série de pessoas ligadas ao PSD, mas descontentes com o destino do partido, como o histórico Carlos Brito.
Paulo Morais, aparentemente, não terá qualquer hipótese. Mas poderá começar a marcar o terreno para o futuro, o que é importante. E, tendo em atenção o historial de declarações do ex-vice-presidente da Câmara do Porto, o combate será entre a sua tão propalada "política por princípios" e a "política de aparelho" de que tem vindo a acusar Marco António Costa e Cª. Aguardemos, então.
Dupont

Wi-Fi Hotspots

Em Vila do Conde há dois: o McDonalds, em Portas Fronhas, e o Hotel Santana.
Dupont(via Blasfémias)

Mozart

Sinfonias 15, 17, 23, 34, 35, 36, 39, 40 e 41. Para download grátis. Aqui.
Dupont

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Lei do Arrendamento

O Presidente da República promulgou a nova Lei do Arrendamento Urbano. Quem a quiser ler está aqui.
Tal com as leis laborais, as leis do arrendamento sempre sofreram de esquerdite aguda. Se é quase impossível a uma entidade patronal despedir um trabalhador, por mais inadaptado ou incompetente que ele seja, um inquilino só vai mesmo para a rua se deixar de pagar a renda. E, mesmo aí, ainda muita água passará por baixo da ponte. Não vou estar aqui a discutir as virtualidades da nova lei, mas uma coisa é certa: é penalizadora para os senhorios, que vêem a sua posição bastante mais fragilizada.
Tal como outros, também este Governo não percebeu que uma legislação menos rígida e mais equilibrada, potenciaria e muito o mercado de arrendamento. Na realidade, a continuação da existência de rendas estupidamente baixas e o tempo e a sorte inerentes ao despejo de um inquilino fazem muita gente optar por manter habitações desalojadas. Antes ter pouco do que uma mão cheia de nada e outra cheia de problemas…
No campo laboral, a questão é idêntica. A obsessão por colar eternamente um trabalhador a um emprego leva não só à baixa produtividade, como à própria estupidificação do mesmo. Mas como, neste país a preocupação vai toda para o emprego e não para o trabalho, o legislador faz o favor de andar em sintonia com os jurássicos princípios de esquerda que há trinta anos enquistam o nosso tecido laboral.
Mas, como se tal não bastasse, ainda temos de aturar as televisões sensacionalistas que adoram visitar velhinhos que vivem, efectivamente, em condições deploráveis, mas que se recusam a sair dali por pagarem três ou quatro euros mensais. Claro que com um reembolso destes, não há senhorio que faça obras, nem sequer se interesse pelo destino do imóvel. É que, muitas vezes, o montante anual de renda nem sequer é de montante suficiente para liquidar as obrigações fiscais do prédio. Mas, obviamente, o desgraçado do inquilino é que merece atenção na sua luta titânica contra o malvado do senhorio…
Dupont

Zig-Zag

A tomada de posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros, liderado por Freitas do Amaral, vem confirmar a errância argumentativa do ex-presidente do CDS.
Se bem nos recordamos, num passado recente Freitas do Amaral criticou de forma quase grosseira os EUA, ficando ao lado de Mário Soares, posição que lhe terá granjeado os aplausos socialistas que o levaram até ao Governo. Uma vez lá, não tardou em dar uma série de argoladas, a mais recente das quais aconteceu no Domingo passado, com a inacreditável história do recurso a um jogo de futebol para resolver o problema entre o Oriente e o Ocidente que, pensávamos nós, era bastante complicado de resolver... Entretanto, o embaixador do Irão fez saber que apoiava - claro! - a posição da diplomacia portuguesa.
Mas, Freitas do Amaral parece que quer ficar para a história como o Santana Lopes de José Sócrates. Não satisfeito com o rol de trapalhadas que tem protagonizado, fez chamar o embaixador do Irão ao Ministério que tutela para lhe dizer que o Governo Português repudiava as relações sobre o Holocausto. "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita", diz a sabedoria popular, algo por que Freitas deve ter uma profunda alergia.
Este arrepiar caminho só pode ter partido do Primeiro-Ministro, tendo chegado aqui talvez por endosso de alguém que não terá achado a mínima piada às declarações do Ministro luso. Ao mesmo tempo e para não dar a sensação de haver alguma desunião entre os membros do Executivo, Sócrates veio anunciar que "a relação com o Islão é muito importante. Portugal participa em missões de paz em países islâmicos e deve esforçar-se por criar um ambiente propício à paz e ao diálogo". Ou seja, claramente para desviar os focos do seu Ministro, José Sócrates vem relembrar, e quase justificar, a necessidade de contenção verbal porque, afinal, há tropas portuguesas estacionadas em países islâmicos e todo o cuidado é pouco.
As declarações do nosso Primeiro-Ministro são, claramente, manhosas. Não dizem nada de novo, mas apelam ao sentimento de quem o escuta, isto é, dos portugueses. Efectivamente, ninguém quererá ver soldados portugueses mortos em consequência de protestos por causa da "guerra dos cartoons". Na sua opinião, haverá que "dialogar", algo que, no jargão socialista imortalizado por António Guterres, é sinónimo de imobilismo. Mas a mensagem de paz consegue "passar", fazendo acreditar nas boas intenções do Governo em salvar os nossos rapazes, quando a verdade é que apenas se quer salvar a própria pele.
Dupont

"404 Page Not Found"

Pior mesmo, só a mesnagem "tape loading error", no velhinho Spectrum. Mas porquê 404 e não 123 ou 983? Porque quando a internet ainda dava os primeiros passos, no CERN, na Suiça, a base de dados central da WWW estava na sala...404. O resto da história está aqui.
Dupont

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Valha-me Deus!...

"O embaixador do Irão em Portugal foi hoje convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde recebeu os protestos e repúdio do Governo face às declarações iranianas sobre o Holocausto, por considerá-las uma «inaceitável deturpação da História» com repercussões nas relações bilaterais e com a União Europeia". Diário Digital.
Dupont

«Correntes de Escritas»

O vencedor de 2006 do Prémio Literário "Correntes de Escritas" foi o espanhol Carlos Luís Zafon, com o romance "A Sombra do Vento", que não lemos. Segundo a nota de imprensa da editora, trata-se de uma obra onde o suspense impera: "numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona". Segundo a mesma informação, "juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo eco se projecta através do tempo".
O "Correntes de Escritas" é uma das grandes iniciativas culturais levadas a cabo pela Câmara da Póvoa de Varzim. Segundo cita o nosso vizinho Trenguices, Eduardo Prado Coelho, um dos mais versado opinion makers culturais portugueses (com tudo de bom e de mau que isso tem...) havendo mesmo quem a considere "um dos momentos fundamentais da vida literária portuguesa".
O Programa está aqui. Este ano passarão pela Póvoa de Varzim grandes nomes do mundo literário, como o poeta poveiro Aurelino Costa, mas também Vergílio Alberto Vieira, Fernando Pinto do Amaral, Xavier Queipo, José Manuel Fajardo, Cármen Yañez, Rodrigo Guedes de Carvalho, Guita Júnior, Karla Suarez, e consagrados como o excelente Mário de Carvalho e a super-estrela Luís Sepúlveda, . Uma das actividades mais relevantes é o do convívio com a comunidade. Como todos sabemos, a maior parte das manifestações culturais cultivam um certo distanciamento entre os "imortais" que vêm as suas obras retratadas e os "reles mortais" que lá vão aprender alguma coisa... No "Correntes de Escritas" não se verifica isso, estando previstos diversos contactos entre autores e alunos dos diversos estabelcimentos de ensino poveiros. Não haverá uma fórmula perfeita para cativar os mais jovens para a leitura, mas pô-los em contacto com os autores será, porventura, a forma mais acertada de os motivar para entrarem no mundo dos livros.
Dupont

150.000 novos empregos!


Durante a campanha eleitoral para as legislativas de 2005 muitas promessas se fizeram. Já sabíamos na altura que algumas não eram para cumprir.
No entanto, o actual primeiro-ministro, fez duas que ninguém há-de esquecer tão cedo: uma delas foi a descida dos impostos. E o iva subiu de 19 para 21%.
A outra promessa inesquecível foi a criação de 150.000 novos empregos. O desemprego tem subido como não há memória.
Ora vejam:
Desemprego sobe a pique em Janeiro.
O Governo tinha traçado como objectivo, quando iniciou funções, a criação de 150 mil novos postos de trabalho até ao final do seu mandato. No PEC, a projecção de criação de emprego já é bastante mais moderada, mas os primeiros erros na previsão mostram as dificuldades que se deverão encontrar mesmo para atingir essas metas menos ambiciosas.

Incumpridores de promessas não há quem os valha. Nem o Gates nem o M.I.T. nem a Sonae.
Pura e simplesmente, não são pessoas credíveis nem capazes de honrar as suas próprias palavras.
Haddock

A corrida laranja começou...

O PSD de Vila do Conde, apesar de nunca ter conseguido conquistar a Câmara Municipal, parece possuir uma fonte inesgotável de gente disposta a lutar e a conquistar esse objectivo. Ontem os militantes locais do PSD receberam na sua caixa de correio a apresentação de Pedro Brás Marques, advogado, Vereador da Câmara Municipal e ex-Director do Jornal Terras do Ave, como candidato à liderança da respectiva Comissão Política.
Num cuidada carta, o agora candidato deixa uma mensagem onde a palavra mais repetida é "União". Aliás, a intenção de unir todo o PSD local é tanta que candidato elegeu como lema da sua candidatura a máxima "A União faz a força".
Pela leitura do folheto, parece que Pedro Brás Marques avança com autonomia. Não refere o nome de rigorosamente ninguém, dando a entender que pretende avançar essencialmente por si e pelas suas ideias. Discordo completamente dele quando refere que o PSD ainda não conseguiu os seus objectivos por não estar "unido", embora compreenda que para qualquer candidato o apelo unitário é sempre um bom "leit motiv".
Acho, também, que Pedro Brás Marques avança muito cedo. Sabendo-se que o mandato da actual Comissão Política termina em Setembro, e Miguel Paiva já afirmou que o pretende levar até ao fim, o conhecido advogado mostra uma grande vontade em começar a "marcar o terreno" bem cedo. Finalmente, a carta aponta claramente o seu objectivo político e esse é, naturalmente, o de vencer as eleições autárquicas. Sobre a forma de o conseguir, a única pista clara é que o candidato fará uma oposição forte e incisiva.
A ver vamos se será o único a apresentar-se ou se irão aparecer mais listas.
Dupond

Cinema Paraíso

Há uns dias ouvi o Álvaro Costa numa conversa com mais dois locutores de rádio. Julgo que era na Rádio Nova. A certa altura, o nosso conterrâneo resolve fazer uma visita a alguns quadros do passado, nomeadamente ao que se passava nas salas de espectáculo há vinte e trinta anos atrás.
É claro que ir ao cinema, nessa altura, era quase um ritual. O Foco e o Lumiére eram mais modernos, o Trindade (sempre foi a minha sala preferida – talvez pela cómoda proximidade com a estação de comboios da Linha da Póvoa…), o Coliseu e o Batalha eram clássicos. Ainda consegui ir ao Águia de Ouro e ao Olímpia. No primeiro foi ver um dos “Amityville” e, no segundo, um filme-documentário que estava na moda no início dos anos 80, sobre coisas escabrosas passadas nos EUA, como pobres a dormir nos esgotos nova-iorquinos e loucuras com automóveis. Uma parvoíce, é claro. Também fui uma vez ao Sá da Bandeira, no costumeiro ritual de iniciação. Nunca entrei no Júlio Dinis.
Mas Álvaro Costa falou também de uma coisa que, a mim, que nem tomo café, sempre me causara tremenda impressão: o facto de nos cinemas do Porto servirem, sempre, café de saco. É que era mesmo assim: no Batalha ou na Sala Bebé, no Coliseu e no Passos Manuel, até no Foco e nos Lumiére, o café nunca era “expresso”. Mesmo no Póvoa-Cine, no Garrett ou no nosso Cine-Neiva não havia alternativa. Aquilo metia-me uma certa impressão, porque me parecia que só com muita bonomia se poderia ingerir aquilo que parecia mais uma mixórdia do que propriamente uma infusão derivada dos frutos secos e torrados do cafezeiro… Aquela conversa fez ressuscitar outros pormenores, que já me esquecera e que, na verdade, estão para sempre perdidos, como aqueles maravilhoso chocolates, enfiados em tubinho em vez de tablete. Creio que eram da Regina. Nunca mais os vi. Eram bastante requisitados porque nem sempre havia dinheiro para todos nós podermos comprar chocolates, e, como já vinham separados e embrulhados, eram fácil dividir por todos, sem ninguém sujar as mãos – M&Ms eat that!
Hoje, chocolates são apenas os da Nestlé. Pipocas são muitas e caras, regadas a Coca-Cola, 7UP ou Fanta. Quanto a café, nem vê-lo. Até porque como as salas estão inseridas em centros comerciais e não há intervalos nos filmes, a coisa não se justifica. A qualidade de projecção e visionamento é muito melhor, mas faltam todos aqueles pequenos pormenores que marcavam a diferença e nos faziam desejar ir ao cinema não só pelo filme, mas também por aquela coisa intraduzível que estava à volta e que fazia de cada visita um verdadeiro acontecimento.
Quem quiser matar algumas saudades, pode ir até Cinemas do Porto.
Dupont

Cada um tem o Ministro que merece

Enquanto Freitas do Amaral é elogiado pelo embaixador do Irão pelas suas declarações de Domingo passado, o Ministro italiano Roberto Calderoni mandou fazer t-shirts com os famosos cartoons estampados. Ele próprio as vai usar...
Dupont

Todos a ajudar...


... o Belmiro na OPA sobre a PT!
Dupont(Via Balsfémias)

Sports Illustrated


Já começou a divulgação das melhores modelos que aparecerão na já lendária "swimsuit edition" da Sports Illustrated. Para quem não sabe, esta edição especial da revista remonta a 1964, tem tiragens astronómicas e é um dos ícones da cultura pop norte americana. O prestígio e impacto é tal que foi criado um programa de televisão exclusivamente dedicado ao tema.
Dupont

Coisas importantes

Com 16 anos, morreu Matilda, a galinha mais velha do Mundo.
Dupont

Para o «day after» do Dia dos Namorados...

É mesmo o que estão a pensar. Contra constipações e resfriados. Está à venda no ebay por USD 420,00...
Dupont

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Ainda os "cartoons"

Durante cerca de uma semana em que estive ausente do país, os acontecimentos consequentes à publicação de “cartoons” com Maomé foram ganhando uma dimensão crescente, como pude constatar acompanhando os noticiários da CNN que preenchiam mais de dois terços da sua duração com notícias relativas a isso.
Aqueles "cartoons", representando Maomé são, só por isso, ofensivos da religião muçulmana e, especialmente, por caricaturarem o Profeta associando-o ao terrorismo muçulmano. Percebo perfeitamente que um crente se sinta profundamente ofendido com tais representações, tal e qual como eu me sentiria se, por exemplo, alguém tivesse o mau gosto e, sobretudo, a falta de respeito de publicar quaisquer cartoons que associassem Jesus Cristo aos actos de pedofilia perpetrados por padres católicos.
Contudo, a reacção de muçulmanos que se seguiu, por todo o mundo, designadamente com actos de violência e ameaça, são absolutamente inaceitáveis. O Ocidente não pode ficar refém das ameaças de extremistas, renegando valores tão basilares como a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. A civilização ocidental não pode ceder nos seus valores e princípios perante uma interpretação religiosa absolutamente intolerante, que ambiciona impor-se-lhe, sob qualquer pretexto e por qualquer meio, incluindo o terrorismo.
Aliás, a propósito da “ameaça muçulmana” e deste e deste posts, parece-me absolutamente legítimo que um Estado democrático exerça actos de autodefesa e de contraterrorismo contra quaisquer organizações terroristas, particularmente, como sucede com Israel, quando está em causa a sua própria sobrevivência num contexto político e religioso hostil, que pretende a sua destruição e promove a sistemática eliminação física indiscriminada dos seus cidadãos, através de actos de terrorismo.
As acções de Israel contra dirigentes terroristas muçulmanos, designadamente na sequência do massacre de Munique, não configuram a aplicação da “Lei de Talião” a membros do “Setembro Negro” (grupo terrorista criado na sequência da guerra entre o governo legitimo da Jordânia e os fedayeen, que se integravam no milhão de palestinianos que então viviam na Jordânia, os quais desenvolveram uma série de acções terroristas contra aquele Estado por entenderem que o Rei Hussein era pro-ocidental) mas, em vez disso, a eliminação cirúrgica, como agora se diz, de combatentes muçulmanos responsáveis por múltiplas acções terroristas contra Israel. Não se tratam, pois, de actos de vingança, mas sim de actos de prevenção, imprescindíveis à segurança do Estado e dos seus cidadãos, ciclicamente alvos de extremistas intolerantes, que passam das palavras, proferidas em manifestações histéricas com causas mais ou menos compreensíveis, aos actos, massacrando civis inocentes.
General Alcazar

Durão Barroso na TIME


"A Man and his Times - José Manuel Barroso may have the hardest job in Europe, but here's why he thinks he'll prevail". Aqui.
Dupont

Não sejam materialistas


Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer mais jucundo,
Apalpar-lhe de neve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brandos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.

Bocage
Haddock

Oliver Stone ou a eterna necessidade de um tema polémico


Mais informação aqui.
Dupont

Brockeback Behind-the-Mountains...

"Coelho francês inseminado em Trás-os-Montes". No JN.
Dupont

Um país de piratas...

Neste fim de semana saíram duas notícias sobre o actual estado do cinema em Portugal, quer do que passa nas salas de espectáculo, quer do que se vê nas salas de estar.
Em relação à primeira, no DN, há uma meia boa notícia. No geral, o número de espectadores diminuiu, passando de 16,9 milhões em 2004 para 15,7 em 2005. Em contrapartida, o cinema português teve uma subida de 37,7%, passando de 335.000 espectadores, para 462.000 espectadores. É claro que isto se deve, quase exclusivamente, ao fenómeno “O Crime do Padre Amaro”, o filme português mais visto de sempre.
A segunda notícia referia o estado da pirataria em Portugal, com um crescimento brutal de 50% em 2005. Como já havíamos referido n'O Vilacondense, o DVD registou, pela primeira vez, uma quebra de vendas, com perdas estimadas na casa dos 12,5 milhões de euros. Aliás, a pirataria grassa em todo o mundo cultural, uma vez que não se limita só ao audiovisual, mas chega, igualmente, ao mercado do livro, onde se detectaram já contrafacções de livros infantis, curiosamente em Vila do Conde – sem esquecer, claro, a praga das fotocópias…
O problema, aqui, continua a ser um misto de permissividade das autoridades, aliado a um baixo poder de compra. Em qualquer feira, de Norte ao Sul do País, se pode ouvir o famoso pregão “três a cinco euros”, com possibilidade de troca caso não funcione. As autoridades não ligam rigorosamente nada, o que não deixa de ser surpreendente… O povo, claro, perante um tal maná, nem hesita em comprar, rindo-se de quem gasta dinheiro em salas de cinema ou em DVDs legais.
É claro que mais pirataria significa menos lucros para as companhias produtoras de conteúdos, muito embora ninguém vislumbre qualquer diminuição na produção ou nos lucros…
A solução passará, talvez, pela disponibilização online do produto a um preço irrisório, como acontece com o iTunes para música. A tecnologia ainda não o permite, mas não demorará muito a que uma família inteira possa ver um filme pelo preço de um único bilhete. Entretanto, iniciativas pioneiras vão tentando fazer a ponte entre os vários momentos da vida de um filme. Recentemente, Steven Soderbergh lançou o seu mais recente trabalho “Bubble” em televisão, cinema e DVD, tudo ao mesmo tempo. As reacções só foram positivas por parte do público, uma vez que os representantes daquelas três áreas se queixaram, em uníssono, do autêntico canibalismo entre formatos que uma iniciativa do género produziu.
Mas não deve ser preciso esperar muito. Há dez anos ligava-me à Internet, com o Netscape 2.0, ligação telefónica precária e sei lá bem o que mais. Hoje, a banda larga está generalizada, há Internet sem fios e as diskettes são coisa do passado. Tudo isto para dizer que o futuro está mesmo à porta…
Dupont

Se isto é verdade...


O segundo andamento apresenta as conclusões da CULP-Comissão de Utentes da Linha da Póvoa comparando o anterior serviço prestado pela CP e o que irá ser proporcionado pela Metro. A ser assim, será caso para dizer que se passa de "cavalo para burro"....
ADITAMENTO: a CULP já tem um blog.
Dupont

Cem anos de Corn Flakes


Um pouco da história...
Dupont

Não sei se foi assim, mas deve ter sido...


"Apito Dourado: As conversas telefónicas", no Esplanar.
Dupont

Dia dos namorados


É hoje e convém não esquecer...
Dupont

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Preocupante

Quem esteve ontem a assistir ao jogo de futebol entre o Rio Ave e a equipa da Figueira da Foz da Naval 1º de Maio saiu seriamente preocupado com o futuro próximo do nosso clube. Desde logo porque o futebol praticado pelo Rio Ave deixou muito a desejar. Na primeira parte parece que não havia interesse em vencer o jogo. A equipa contentava-se em ficar pelo meio campo não mostrando iniciativa nem determinação para se aventurar à procura de um resultado que lhe permitisse conquistar os 3 pontos que estavam em jogo. Pior do que isso, a nossa defesa esteve perfeitamente desastrada evidenciando a cada jogada do ataque adversário uma tremenda insegurança, que foi bem aproveitada pelo nosso adversário.
Na segunda parte a equipa mostrou mais alguma vontade em atacar. Fruto disso conseguiu beneficiar de 2 penalties. Infelizmente para nós, os atletas chamados a marcar as penalidades fizeram-no de forma absolutamente displicente, deixando assim escapar duas oportunidades de outro para dar a volta ao resultado.
Podem dizer que o falhanço de penalties é algo que pode acontecer mesmo aos melhores. É verdade, mas olhem que é muito difícil de aceitar que atletas profissionais, que não fazem mais nada além de jogar futebol, que se treinam diariamente e a quem se pedem escassos 90 minutos de concentração máxima a cada semana de trabalho tenham falhanços destes. Eu, como simples adepto não compreendo nem aceito.
Como resultado de tudo isto, lá voltamos a ter o Rio Ave com dois magros pontos de avanço sobre a primeira equipa que vai descer de divisão. Lembro que entre aqueles que neste momento estão nos lugares de descida conta-se a equipa do Vitória de Guimarães, que acredito vá recuperar fortemente nesta fase final do campeonato. Assim sendo, parece-me que há muito sérios motivos de preocupação para o futuro próximo do Rio Ave.
Dupond