terça-feira, fevereiro 07, 2006

10,7 mil milhões de euros

O anúncio do lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição da Portugal Telecom pela Sonae.com é a maior lufada de ar fresco que o adormecido sector económico nacional recebe em muitos anos.
A demonstração de força do grupo de Belmiro de Azevedo é algo de verdadeiramente extraordinário, uma vez que o valor atribuído à PT é de uns quase incomensuráveis 10,7 mil milhões de euros. O empresário não está, obviamente, sozinho, uma vez que tem ao seu lado um outro gigante: o Banco Santander. Por outro lado, convém não esquecer que a Sonae se desfez de vários negócios, entre os quais o do Brasil, que vendeu à Wal-Mart.
Ou seja, o grupo de Belmiro de Azevedo inspirou fundo para poder ter fôlego para atacar uma das pérolas do tecido empresarial português.
Numa altura em que se fala de entrada de capital estrangeiro nas nossas empresas de referência, é de louvar a iniciativa da Sonae, até porque as comunicações são, como é sabido, um sector estratégico. E esse poderá ser o maior problema, uma vez que o Estado, com a sua golden share, certamente que não irá ficar calado e poderá, muito bem, negar a OPA. Do meu ponto de vista, se o fizer, perderá pontos, uma vez que o mercado confia na Sonae e sairá desta história em acentuada baixa, caso a resposta seja negativa. Mas, pior ainda, será a imagem do Governo, que se diz aberto à modernidade e ao mercado, e cuja recusa será necessariamente vista como uma prevelência de uma política de Estado face a uma de mercado.
José Sócrates não vai ter vida fácil. Até porque se mostrou tanto servilismo para com Bill Gates, como bem notaram Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, o que é que fará perante uma das mais ousadas e fascinantes odisseias financeiras de um grupo económico português? Irá recusar que este "centro de decisão nacional" fique, inteiramente, em mãos nacionais, numa altura em que cerca de 25% da PT está em mãos estrangeiras?
Dupont