segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Agostinho da Silva

Faz hoje cem anos que nasceu o Prof. Agostinho da Silva. O meu contacto com ele limitou-se às famosas entrevistas televisivas e a um ou outro escrito.
Ao contrário de muitos dos meus colegas, nunca vi nele grande fonte de interesse. As suas aparições pautavam-se sempre por discursos que sugeriam mais empirismo do que outra coisa, dissertando sobre um conceito de portugalidade que, por vezes, me parecia saído de uma conversa de café. Depois, o próprio aspecto da personagem, algures entre o padre e o eremita, me causava alguma desconfiança. Apelava ao saber e ao ser sobre o ter, mas isso já eu tinha lido da pena de vários autores. O panteísmo, isto é a ideia de que o Universo é um sinónimo de Deus, era uma das suas maiores crenças, algo em que, igualmente, não era pioneiro.
Mas havia nestas conversas televisivas algo de positivo. Estimulava o raciocínio, provocava discussões entre amigos, enfim, fazia pensar. Nos dias de hoje passaria despercebido, talvez remetido para o 2:, como outro Professor telegénico, José Hermano Saraiva, que fala de histórias fascinantes, mas que se esquece, frequentemente, de falar de História...
Dupont