terça-feira, fevereiro 14, 2006

Ainda os "cartoons"

Durante cerca de uma semana em que estive ausente do país, os acontecimentos consequentes à publicação de “cartoons” com Maomé foram ganhando uma dimensão crescente, como pude constatar acompanhando os noticiários da CNN que preenchiam mais de dois terços da sua duração com notícias relativas a isso.
Aqueles "cartoons", representando Maomé são, só por isso, ofensivos da religião muçulmana e, especialmente, por caricaturarem o Profeta associando-o ao terrorismo muçulmano. Percebo perfeitamente que um crente se sinta profundamente ofendido com tais representações, tal e qual como eu me sentiria se, por exemplo, alguém tivesse o mau gosto e, sobretudo, a falta de respeito de publicar quaisquer cartoons que associassem Jesus Cristo aos actos de pedofilia perpetrados por padres católicos.
Contudo, a reacção de muçulmanos que se seguiu, por todo o mundo, designadamente com actos de violência e ameaça, são absolutamente inaceitáveis. O Ocidente não pode ficar refém das ameaças de extremistas, renegando valores tão basilares como a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. A civilização ocidental não pode ceder nos seus valores e princípios perante uma interpretação religiosa absolutamente intolerante, que ambiciona impor-se-lhe, sob qualquer pretexto e por qualquer meio, incluindo o terrorismo.
Aliás, a propósito da “ameaça muçulmana” e deste e deste posts, parece-me absolutamente legítimo que um Estado democrático exerça actos de autodefesa e de contraterrorismo contra quaisquer organizações terroristas, particularmente, como sucede com Israel, quando está em causa a sua própria sobrevivência num contexto político e religioso hostil, que pretende a sua destruição e promove a sistemática eliminação física indiscriminada dos seus cidadãos, através de actos de terrorismo.
As acções de Israel contra dirigentes terroristas muçulmanos, designadamente na sequência do massacre de Munique, não configuram a aplicação da “Lei de Talião” a membros do “Setembro Negro” (grupo terrorista criado na sequência da guerra entre o governo legitimo da Jordânia e os fedayeen, que se integravam no milhão de palestinianos que então viviam na Jordânia, os quais desenvolveram uma série de acções terroristas contra aquele Estado por entenderem que o Rei Hussein era pro-ocidental) mas, em vez disso, a eliminação cirúrgica, como agora se diz, de combatentes muçulmanos responsáveis por múltiplas acções terroristas contra Israel. Não se tratam, pois, de actos de vingança, mas sim de actos de prevenção, imprescindíveis à segurança do Estado e dos seus cidadãos, ciclicamente alvos de extremistas intolerantes, que passam das palavras, proferidas em manifestações histéricas com causas mais ou menos compreensíveis, aos actos, massacrando civis inocentes.
General Alcazar