sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Conquista da Praça de Ceuta


O diferendo que opôs a Câmara Municipal do Porto e o Ministério da Cultura parece que terminou. Ainda bem. É sempre bom que patetices destas terminem.
Porque, sejamos claros, o que esteve em confronto foi o PSD e o PS, com o segundo a tentar prejudicar eleitoralmente o primeiro. A personalização do conflito em Rui Rio e Isabel Pires de Lima mais não passou de uma tentativa de encapotar a verdadeira intenção do Ministério da Cultura, fazendo crer que o problema estaria na incapacidade de diálogo e na teimosia dos dois governantes.
Mas, agora que as autárquicas já lá vão e não se vislumbram actos eleitorais no horizonte, passado que está um período de nojo de alguns meses, o embargo da obra foi desbloqueado, porque, segundo dizem os jornais, chegou-se a uma solução de compromisso.
Sinceramente, não vislumbro qualquer cedência por parte da autarquia da Invicta que se possa considerar fundamental. O projecto, na sua parte essencial, está exactamente como Rui Rio pretendia. As imagens do jornal Público são esclarecedoras – estas são d’A Baixa do Porto, mas as do jornal têm melhor definição.
Durante meses e meses, os moradores daquela zona, os comerciantes, quem por ali passava e quem queria visitar o Museu Soares dos Reis, era presenteado com pó ou lama, consoante a disposição de S.Pedro. Houve gente que amargou com as obras e quem tivesse passado dificuldades sérias. Tudo na tentativa de prejudicar eleitoralmente um adversário. Paradoxalmente, o tiro saiu pela culatra, erguendo Rui Rio e afundando Francisco Assis, o grande beneficiado com esta estratégia.
Finalmente, um comentário para as “cedências”, mais exactamente uma delas, a que prevê uma praceta em frente ao Museu Soares do Reis. Confesso a minha estupefacção com semelhante originalidade. Olho para as fotos e não consigo ver o que será a tal praceta. O que vejo são faixas de rodagem, em que o asfalto será substituído, por “granito amarelo”. Para justificar mais este empedrado, diz-se que, no local, "a circulação automóvel será subjugada”… Concerteza que sim!...
Rui Rio ainda se deve estar a rebolar de riso…
Dupont