sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Nostalgia

A propósito deste post sobre os cinemas tradicionais já desaparecidos, um dos comentadores usou, e bem, a palavra “nostalgia”.
Esta é, do meu ponto de vista, uma das mais belas palavras que conheço. Uso-a para ilustrar aquelas memórias que me são mais queridas. Uma delas era estar na biblioteca lá de casa, sentado no sofá de couro, a ler. Apenas eu, um livro e um candeeiro.
Esta imagem assaltou-me quando o Alcazar me disse que tinha aproveitado as suas curtas férias para ler, descansado, o livro que lhe havia oferecido pelo seu aniversário, precisamente “Munique-A Vingança”. E imaginei-o ao sol, numa esplanada, rodeado de montanhas cobertas de neve. E, claro, suspirei…
O desejo pelo regresso ao “Paradigma Perdido” sobre que Edgar Morin um dia nos escreveu já me acompanhou mais do que agora. O regresso ao passado foi coisa que nunca me atraiu. Encaro-o com a naturalidade possível e fascina-me, isso sim, o futuro. Mas há sempre aquele cantinho na nossa memória, perfeito porque o tempo se encarregou de eliminar as partes negativas, ao qual não resisto a voltar. Era aquele tempo onde parecia não existir preocupações, onde as barreiras eram fáceis de ultrapassar, onde tudo parecia ao nosso alcance. Ainda bem que é só uma memória. Nostálgica.
Dupont