segunda-feira, fevereiro 13, 2006

O Bravo de Mindelo

Joaquim Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Mindelo, declarou ao Público que, na freguesia, "fala-se cada vez mais da possibilidade de a população interromper a passagem do metropolitano de superfície quando ocorrer a inauguração do prolongamento da Linha Vermelha Pedras Rubras-Póvoa", como forma de protesto pela falta de ligação à estação Espaço Natureza, "nas traseiras da Infineon". Cardoso mostra-se "agastado com a indiferença com que diz ter sido tratado pela empresa Metro do Porto e pela Câmara de Vila do Conde.". O resto da notícia está aqui.
Em relação a toda esta história, sei que a reivindicação é justa. Mas também me custa a crer no que ali se diz. Vejamos.
Um autarca a anunciar que patrocinará uma acção de boicote a uma via de comunicação, estrada ou comboio, não é novidade. Mas já é muito pouco comum que tal aconteça numa situação muito particular como a de Vila do Conde. Afinal, o Presidente da Câmara é, igualmente, um dos responsáveis da Metro do Porto. Ora, Joaquim Cardoso estar a queixar-se da Metro do Porto ou da Câmara, neste específico assunto, é a mesma coisa. Mas, para Mário Almeida, já não o é. Na verdade, Mário Almeida-autarca não pode censurar Mário Almeida-administrador da Metro e vice-versa.
Como entender, então, o comportamento de Joaquim Cardoso? Está a fazer um frete a Mário Almieda por este não poder abrir a boca e, desta forma, faz pressão sobre a Metro do Porto, ou está a mesmo atacá-lo, por iniciativa própria? Esta segunda hipótese não revela nada de verdadeiramente novo, uma vez que Joaquim Cardoso sempre mostrou ter capacidade e virtudes para outros vôos, e já criticou publicamente a autarquia por mais do que uma vez. O Presidente da Junta de Mindelo estará movido apenas por interesses de promoção pessoal ou pensa nos mindeleneses em primeiro lugar, antes mesmo de atender aos interesses do Presidente da Câmara Municipal? Gostaria de apostar na segunda hipótese, mas tenho as minhas reservas...
Dupont