quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Um ano

Foi há um ano que o País respirou de alívio quando os portugueses mostraram o cartão vermelho a Pedro Santana Lopes. Das ruínas do Governo PSD-PP nasceu uma nova maioria, a primeira socialista de sempre. Um ano depois e com um quarto do tempo de governação passado, é altura para se fazer algum balanço.
Desde logo, há que aplaudir a estabilidade da equipa governativa, algo de que já carecíamos há bastante tempo. Depois, houve vontade em remexer em muita coisa atascada no lodo, em especial o que diz respeito a impostos. Além disso, tirando algumas medidas cirúrgicas, pouco mais houve do que erros.
Em primeiro lugar, os impostos. José Sócrates anunciou que não os iria aumentar e, como todos sabemos, o fermento não ficou por cair em nenhum, com destaque para o IVA. Depois, o emprego – acenou-se com milhares de empregos e o que temos é a taxa de desemprego a subir. Em terceiro lugar, a mania das grandezas: OTA, TGV, Plano Tecnológico… Tudo projectos absolutamente desfasados da nossa pequena realidade, por excesso ou defeito, sem qualquer viabilidade de algum dia se ver o retorno do investimento.
De um modo geral, o Governo especializou-se na dupla habilidade de, por um lado, não cumprir as promessas de campanha e, por outro, governar com novas campanhas. Tudo está a ser pensado ou planeado ou estudado, mas a ser feito não há, efectivamente, nada.
Depois, descendo ao concreto de alguns ministérios, temos o da Saúde, onde se anda a perder tempo a alterar denominações de hospitais, com as listas de espera a manterem-se inalteráveis. No Trabalho, as empresas continuam a fechar e a taxa de desemprego é a maior de há muitos anos a esta parte. Na Justiça andou-se a discutir o período de 22 dias de férias do juízes e funcionários judiciais, esquecendo-se que o problema está nos dias de trabalho que deveria ser efectivo e não o é. Das virtudes da Nova Lei do Arrendamento já aqui falámos…
No entanto, o que mais me irrita é o PS estar a fazer exactamente aquilo que criticava ao PSD. O partido laranja, em coligação com o CDS-PP, era acusado de mentir sobre a promessa de não aumentar os impostos – o PS fez o mesmo. Os socialistas acusaram Manuela Ferreira Leite de manipular as regras orçamentais para obter índices mais simpáticos – o PS diz que não o fará, mas não vai conseguir bater os 5,2% (sem receitas extraordinárias) do anterior Governo, em 2004, apesar do aumento de receitas fiscais. A coligação então no poder era confrontada, diariamente, com o facto de não atender aos milhares de pessoas que se viam confrontados com o desemprego - este Governo não conseguiu estancar o fluxo, antes o piorando.
Enfim, ainda faltam três anos, mas já dizia George Bernard Shaw que não era preciso comer um ovo inteiro para saber se ele estava podre…
Dupont