quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Zig-Zag

A tomada de posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros, liderado por Freitas do Amaral, vem confirmar a errância argumentativa do ex-presidente do CDS.
Se bem nos recordamos, num passado recente Freitas do Amaral criticou de forma quase grosseira os EUA, ficando ao lado de Mário Soares, posição que lhe terá granjeado os aplausos socialistas que o levaram até ao Governo. Uma vez lá, não tardou em dar uma série de argoladas, a mais recente das quais aconteceu no Domingo passado, com a inacreditável história do recurso a um jogo de futebol para resolver o problema entre o Oriente e o Ocidente que, pensávamos nós, era bastante complicado de resolver... Entretanto, o embaixador do Irão fez saber que apoiava - claro! - a posição da diplomacia portuguesa.
Mas, Freitas do Amaral parece que quer ficar para a história como o Santana Lopes de José Sócrates. Não satisfeito com o rol de trapalhadas que tem protagonizado, fez chamar o embaixador do Irão ao Ministério que tutela para lhe dizer que o Governo Português repudiava as relações sobre o Holocausto. "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita", diz a sabedoria popular, algo por que Freitas deve ter uma profunda alergia.
Este arrepiar caminho só pode ter partido do Primeiro-Ministro, tendo chegado aqui talvez por endosso de alguém que não terá achado a mínima piada às declarações do Ministro luso. Ao mesmo tempo e para não dar a sensação de haver alguma desunião entre os membros do Executivo, Sócrates veio anunciar que "a relação com o Islão é muito importante. Portugal participa em missões de paz em países islâmicos e deve esforçar-se por criar um ambiente propício à paz e ao diálogo". Ou seja, claramente para desviar os focos do seu Ministro, José Sócrates vem relembrar, e quase justificar, a necessidade de contenção verbal porque, afinal, há tropas portuguesas estacionadas em países islâmicos e todo o cuidado é pouco.
As declarações do nosso Primeiro-Ministro são, claramente, manhosas. Não dizem nada de novo, mas apelam ao sentimento de quem o escuta, isto é, dos portugueses. Efectivamente, ninguém quererá ver soldados portugueses mortos em consequência de protestos por causa da "guerra dos cartoons". Na sua opinião, haverá que "dialogar", algo que, no jargão socialista imortalizado por António Guterres, é sinónimo de imobilismo. Mas a mensagem de paz consegue "passar", fazendo acreditar nas boas intenções do Governo em salvar os nossos rapazes, quando a verdade é que apenas se quer salvar a própria pele.
Dupont