sexta-feira, março 31, 2006

"Crime", disse ela?

Um advogado bastante mediático, exasperado com a lentidão da Justiça, escreveu isto numa peça processual:
"1 .Esta execução pende em juízo há mais de três anos, sem que se lhe veja o fim.
2. O Tribunal age com o mais veemente laxismo, sem nenhum respeito pelas normas processuais referentes a prazos, como se quisesse proteger a devedora relapsa que é a executada».
3. É francamente estranho o que está ocorrendo neste processo.
4. Onde os requerimentos de 3 de Novembro e de 15 de Novembro – já passaram mais de três meses – não lograram obter pronúncia.
5. A executada explora com sucesso um estabelecimento de strip-tease com bonitas bailarinas estrangeiras».
6. Não sabe a exequente se o favorecimento em que a omissão resulta tem alguma coisa a ver com isso, embora tenha a maior compreensão pelas fraquezas humanas.
7. O que sabe é que este negócio tem ondas e que a prosperidade que permite à executada pagar pode ser sol de pouca dura .

Termos em que R. Que prossiga a execução para completo pagamento da dívida exequenda."
A Magistrada do processo não gostou, sentiu-se ofendida e apresentou queixa-crime, por injúrias. Após a sentença do Tribunal Criminal de Lisboa, houve recurso e veio a Relação de Lisboa apresentar este acordão. Mas antes de o ler e ficar a saber o desfecho do caso, nada como tentar prever se o que ali está escrito é suficiente para ferir a honra e o bom nome de alguém. Então, caro leitor, se fosse juiz e recebesse um arrozoado destes sentia-se ofendido ou não? E não me estou a referir ao atraso no processo...
Dupont