segunda-feira, março 20, 2006

Desabafos…


Como já aqui referímos, a chegada do Metro a Vila do Conde constituiu um acontecimento histórico. No entanto, olhando para os jornais e para a televisão, parece que o único concelho visado por esta espectacular melhoria foi …a Póvoa de Varzim!
Logo à hora do almoço, no seu noticiário, a TVI efectuou um directo sobre o tema. Quem falou até foi um vilacondense, Armando Herculano, mas da nossa terra não se ouviu falar nada. Nem mal, nem bem, nem mais-ou-menos…Nada. O mesmo na SIC, que apresentou imagens várias, mas fez a recolha de depoimentos…na Póvoa de Varzim. Podiam falar do lamaçal quem envolvia a estação de Vila do Conde ou do contentamento da população vilacondense… Qualquer coisa!... Nada… Nem sequer o discurso do Presidente da Câmara mereceu referência ou imagem… Mas já Armando Herculano, esse teve tempo de antena à farta, porque fez o barulho que mais ninguém foi capaz, tal qual um streaker num jogo de futebol…
Mais grave foi ler os jornais de ontem. O JN apresentava três páginas, todas pré-intituladas de… “Póvoa de Varzim”. As fotos mostravam os principais intervenientes, Macedo Vieira incluído, mas nada de Mário Almeida, Lúcio Ferreira ou, até, Pacheco Ferreira. Aliás, em todo o jornal, o nosso Presidente da Câmara ficou remetido a um parágrafo…. Pior foi o Público. Na capa, uma foto da estação da Póvoa de Varzim e, no interior, foto com os principais responsáveis, sem nenhum vilacondense. Mário Almeida teve direito a…três linhas e meia! No Diário de Notícias, fotografias do Ministro e de Valentim Loureiro, junto aos aqueduto, sem citação directa do nosso Presidente de Câmara. Finalmente, O Primeiro de Janeiro aposta na generalidade. Não põe nada na boca dos Presidentes e une Póvoa e Vila do Conde nos benefícios e protestos. Enfim…
Pode ser bairrismo, pode ser outra coisa qualquer. Mas do mesmo modo que me magoa ver ou ouvir dizer que “Espanha é que conta na Península Ibérica”, também custa ver como Vila do Conde passa despercebida em toda esta história, engolida pela sua vizinha do Norte. Nem sempre foi assim, mas todos sabemos que, nos últimos trinta anos, a Póvoa de Varzim atingiu uma enorme projecção em todo o país, alicerçada num turismo que, no Verão, faz aumentar exponencialmente a população da cidade, o que lhe dá um certo ar cosmopolita à escala regional. Depois há o Casino, hotéis, equipamentos desportivos ímpares e tudo o mais. Vila do Conde lá foi, lentamente, ficado para trás. Hotéis, na cidade, não temos um sequer – excepto as penta-suites do Forte de S.João - e há tanto tempo que deixámos fugir o casino que nem vale a pena falar sobre isso. Depois há as acessibilidades: olhar para as entradas de ambas as cidades dispensa qualquer comentário e demonstra bem o que é que cada autarquia gizou para o seu futuro. Pelo caminho, a Póvoa ficou com quase todas as valências no Hospital S. Pedro Pescador, com o quartel, com as piscinas, e tem escolas secundárias em excelente posição nos rankings nacionais. Aliás, no que ao ensino diz respeito, o colégio com mais fama das redondezas está na Póvoa de Varzim com dinheiro e proprietários… vilacondenses!
E isto nem sequer são argumentos, mas factos!
Por isso não admira que a comunicação social não local quando resolve fazer uma reportagem sobre a zona Vila do Conde-Póvoa de Varzim apenas veja esta última. Há culpados para isto, mas, a julgar pelos resultados eleitorais dos últimos anos, parece que ninguém quer saber. Será que quem está no poder defende uma política de “orgulhosamente sós”? A ser assim, quando é que será o 25 de Abril?
Dupont