terça-feira, março 21, 2006

Entrevista a Mariano Rajoy

Mariano Rajoy, secretário-geral do PP e líder da oposição, dá uma entrevista ao Diário de Notícias, onde não hesita acusar José Luis Zapatero de quase colaboracionismo com a ETA. Já falámos desta acusação aqui n'O Vilacondense ("Nuestros hermanos" e "Quem te manda tocar rabecão, Zapatero"). Excerto:
Passemos à questão da ETA. Que críticas tem a fazer à acção do Governo?
PP e PSOE tinham um pacto até que o sr. Rodríguez Zapatero chegou a presidente do Governo. Esse pacto dizia o seguinte: a política antiterrorista nunca mudará, governe quem governar; com a ETA não se negoceia, a ETA derrota-se; nunca se deve pagar um preço político aos terroristas; faremos os possíveis para impedir que a ETA, através da Batasuna, se apresente às eleições. Tudo isso foi muito útil e eficaz e debilitou a ETA. A mudança que se produziu é que, neste momento, o objectivo não é a derrota da ETA, mas a negociação, o que, para mim, é inaceitável. Transforma o terrorismo num instrumento para conseguir fins políticos e significa romper um acordo que funcionou.


Mas Zapatero disse que não aceita negociações enquanto a ETA não depuser as armas e renunciar à violência.

Isso é o que ele diz. Mas vou dar-lhe dois dados das últimas 24 horas: o juiz da Audiência Nacional, Grande Marlasca, ordenou a prisão de dois terroristas da ETA e o procurador-geral opôs-se, o que é muito grave; e o ministro da Justiça disse que o PP faz mais ruído do que a ETA, o que é ainda mais grave. A isso há que acrescentar muitos outros factos dos últimos meses, como o Governo pretender autorizar o congresso de um partido ilegal . Não havia necessidade de mudar a política antiterrorista, que vinha de um pacto, era moral e foi eficaz.

O PP nunca negociou com a ETA?
Nunca. Em 1998, ETA decretou uma trégua, mas fê-lo unilateralmente. Então, o Governo anunciou aos partidos (que concordaram) e à opinião pública que ia falar com a ETA para ver o alcance dessa trégua. Houve uma conversa e aí foi dito à ETA que o Governo não pagaria nenhum preço político por abandonar o terrorismo. Não houve mais nenhuma conversa. A partir daí, desgraçadamente, ETA continuou com as suas acções.


Esta não poderá ser uma oportunidade para pôr fim à violência? O que critica à via seguida pelo Governo?

O Governo toma decisões equivocadas. Aprovou uma resolução no Congresso que era um convite ao diálogo - o que é um enorme erro. Faz insinuações à Batasuna, o fiscal-geral não actua com contundência , menos mal que o fazem os juízes.

Acredita que o procurador-geral está a ser influenciado pelo PSOE?

Quem é que não acredita nisso em Espanha?
Dupont