quarta-feira, março 15, 2006

A falta do ovo estrelado!....

Em Espanha, mais concretamente em Ciudad Real, um adolescente de 18 anos, com a carta de condução obtida em 14 de Janeiro, foi controlado a...213 KM/h na autoestrada. Levado ao juiz, este sentenciou-lhe quatro meses de prisão, que o jovem delinquente não irá cumprir, uma vez que é primário.
No caso, a palavra "primário" terá todas as leituras possíveis, uma vez que o comportamento do jovem delinquente não tem qualquer desculpa a não ser a estupidez natural de um ser primário... O problema, aqui, já não é só o desrespeito à lei, mas sim a sensação de impunidade que se encontra enraizada em quem tem um volante nas mãos. Repare-se que o miúdo não ia apenas com um normal excesso de velocidade, mas, provavelmente, estava a testar o limite do carro. Esta sensação de "Live Fast Die Young", adocicada com o "No Limits", faz hoje parte da educação socio-cultural de cada jovem. Está na TV, nas revistas de moda, nas letras das bandas, no cinema dito "de acção" e, claro, nos videojogos. Graças a Deus, nem todos são premiáveis, mas aqui e ali lá surge alguém que quer imitar o "Doom" entrando por uma escola dentro aos tiros, como aconteceu em Columbine, ou as corridas de "Grand Theft Auto", como é este o caso, entre outros. A distância entre a realidade e a ficção, por vezes, é muito curta e com os adolescentes a serem desmamados cada vez mais tarde, o certo é que a idade adulta já não corresponde à capacidade eleitoral, se é que alguma vez correspondeu... Neste caso em concreto, vai andar a pé nos próximos dezoito meses, esperando-se que seja eficaz...


Certamente que não há medidas mágicas para resolver a questão. O acompanhamento pelos pais é essencial, mas a comunidade pode ter um papel preventivo. A este propósito recordo-me que até há uns anos, havia uma certo número de medidas que obrigavam a estagiar antes de assumir a capacidade plena para uma certa função. Esse período ainda existe em muitas profissões, mas é um conceito quase em desuso, tal a necessidade de se começar a trabalhar em full-time. O caso do traumático "90", popularmente alcunhado de "ovo estrelado", no que ao domínio da condução dizia respeito, era uma dessas formas. Não só pesava na consciência do condutor, como alertava os que o rodeavam. Os números de sinistros ao longo dos anos provam que não era totalmente eficaz, mas também ainda ninguém provou que era contraproducente. Concerteza que se o condutor espanhol tivesse o "ovo estrelado" (que nem sei se existe em Espanha...) poderia, eventualmente, fazer o mesmo. Mas a questão de princípio, em si, em nada me repugna. E não é por já conduzir vai para vinte anos. Com o "90" havia quase que um atestado de não-competência para a condução que pesava na pessoa que ia ao volante, obrigando-a a uma atenção redobrada. Durante esse período, por um lado, aprendia-se muito e apanhavam-se os primeiros sustos, mas, por outro lado, havia sempre a condescendência de que ali seguia um "ovo estrelado". Todos ficavam a ganhar.

ADITAMENTO: "Interceptan a otro joven de 18 años que conducía su vehículo a 200 kilómetros por hora", no ABC
Dupont