terça-feira, março 21, 2006

«Graphic Novels»

O namoro entre a banda desenhada e o cinema continua forte e seguro. Se até há pouco tempo a fonte "inspiradora" era o universo dos super-heróis, tem-se registado uma cada vez maior aproximação às "graphic novels". A diferença está, essencialmente, no facto de as novelas gráficas serem uma história linear, com princípio, meio e fim. Até podem sair em vários fascículos, mas há, quase sempre, uma unicidade que não se regista, por exemplo, nas aventuras do "Homem-Aranha", sempre a "renascer com novos perigos e inimigos sucessivamente mais poderosos.
Aqui, n'O Vilacondense, já falámos de "GhostWorld", "Sin City", de "The League of Extraordinary Gentlemen", de "Road to Perdition" e ainda ontem referíamos "A History of Violence", como exmeplos dessa ligação. Por vezes, são os próprios autores a participar na produção e realização da transposição cinematográfica, como aconteceu com Daniel Clowes e o seu "Ghostworld" ou de Frank Miller em "Sin City". O facto não tem passado despercebido, como o atesta o artigo "Graphic novels a literary phenomenon", do Vancouver Sun.
Por outro lado, estreou este fim-de-semana nos EUA "V for Vendetta", mais uma adaptação de uma graphic novel, novamente do genial Alan Moore, depois de "From Hell", "The League of Extraordinary Gentlemen" e antes de "Watchmen". Moore é um dos mais brilhantes argumentistas do universo da banda desenhada. As suas histórias são ricas em conteúdo, com inúmeras referências culturais e históricas. Em "V for Vendetta", temos um outro tipo de abordagem, mais político. Afinal, Londres está subjugada por um ditador e torna-se necessário libertá-la. O livro é fabuloso. O filme conta com argumento dos matrixbrothers Warchovski, o que deixa no ar uma sensação de surpresa, já que melhorar "V for Vendetta" e a sua mensagem subliminar anti-thatcheriana é quase impossível... Também a este propósito, não é de perder a leitura de " Alan Moore: Our greatest graphic novelist", do The Independent.
Dupont