quarta-feira, março 01, 2006

Grupo Espírito Santo comprou Clipóvoa


A empresa HOSPOR, que se dedica à prestação de cuidados de saúde através de unidades hospitalares e clínicas ambulatórias, operando uma rede integrada de estabelecimentos de cuidados de saúde, que engloba dois hospitais (em Setúbal – Hospital de San’Tiago – e na Póvoa de Varzim – Clipóvoa) e três ambulatórios (no Porto, Vila Nova de Cerveira e Amarante) foi comprada pelo grupo Espírito Santo no passado mês de Janeiro.
Os montantes do negócio não foram revelados, mas sabe-se que o GES adquiriu 90% do capital do Grupo Hospor à capital de risco 3i e ao empresário Manuel Agonia, que se mantém com 10% do capital deste grupo. Recorde-se que o capital social só da Clipóvoa era de 3.700.000.000$00. Segundo o Jornal de Negócios, esta transacção terá gerado significativas mais-valias para Manuel Agonia.
Este negócio tem, no entanto, uma abordagem que parece não estar ninguém a fazer: as implicações com o futuro hospital Póvoa/Vila do Conde. Como é sabido, o projecto do novo hospital tem chocado com inúmeros entraves, que chegam ao ponto de haver dificuldade em comprar o terreno. Ora, sabendo nós da importância financeira e do já lendário poder de lobby do grupo Espírito Santo, é de temer que a sua entrada na Clipóvoa venha significar um cenário inteiramente novo no que à política de saúde na nossa zona diz respeito. Na verdade, quem é que investe milhões de euros em unidades de saúde sabendo que um hospital público “novinho em folha” poderá surgir e “roubar” a clientela?
Quem conhece Manuel Agonia sabe que uma das suas mais famosas ideias é a de que não é necessária a construção de um novo Hospital Póvoa/Vila do Conde. Segundo afirmou várias vezes, a Clipóvoa pode perfeitamente ser o hospital público de que esta zona precisa, bastando para tal umas pequenas obras de ampliação. A isto haverá que adicionar uma outra vantagem para o Estado - a de não necessitar fazer qualquer investimento.
Manuel Agonia, com o seu feitio “complicado” e quezilento, nunca foi capaz de convencer o Ministério da Saúde a ir por esse caminho. No entanto, deve considerar-se que o projecto faz algum sentido, pelo que os novos proprietários da Clipóvoa poderão agarrar a “velha” ideia de Manuel Agonia e tentar, com outro peso e maior força negocial perante o Estado, concretizá-la.
As condições para isso estão todas criadas, principalmente agora que o estudo elaborado por Daniel Bessa, a pedido do Ministro Correia de Campos, veio confirmar o hospital Póvoa/Vila do Conde como o menos prioritário do país.
Será interessante estar atento ao desenvolvimento das movimentações futuras à volta deste interessante dossier. Aquilo que nos parece é que, atendendo a todas as vicissitudes a que temos assistido à volta do projecto do novo hospital, esta talvez seja a melhor hipótese de passarmos a ter nesta zona uma infra-estrutura hospital de serviço público de qualidade ao serviço da população.
Estejamos todos atentos às cenas dos próximos capítulos…
Dupond & Dupont