quarta-feira, março 22, 2006

«A Idade da Bola», de João Malheiro

O nosso meio-conterrâneo João Malheiro acabou de lançar o livro “A Idade da Bola”. Trata-se de uma compilação das 250 figuras que fizeram a história do futebol português, divididas entre duas centenas de jogadores nacionais, trinta estrangeiros e vinte treinadores.
O livro tem uma dedicatória especial: ao Vítor Damas. Mas também a Eusébio, Fernando Gomes, Toni e José Mourinho, uma vez que “aquele adepto do Chelsea, chamado Portugal, é um achado”… Segue-se um prefácio de Baptista-Bastos, “o futebol é, também, uma questão de cultura”. Finalmente, a “Introdução” do próprio João Malheiro, enriquecida com citações de Assis Pacheco e…Karl Marx.
O autor escuda-se no facto de esta ser a “sua” escolha, o que nada tem de mal. Para João Malheiro, “ a Idade da Bola é a comitiva que não pára, que não vai parar no século XXI. Segue virtuosa, segue selecta, rejeita a prostituição futebolística. Segue compacta, segue sorrabada, percebe a saudade aflita. O povo que honra a tribo, ao vê-la passar, põe o rosto suplicante, esquece-se de ter medos, de ter outras fomes. Lança-lhe a flor. E a flor vale amor”.
Como é fácil de perceber, folhear este livro é passar em revista os principais rostos deste desporto que leva, entre nós, cerca de um século. Começa em Abel Xavier e vai até Yustrich. Há nomes de que nunca ouvi falar: Acácio Mesquita, do FC Porto, campeão da I Liga; Bentes; Canário, do Benfica; ou Patalino e Pireza, do Sporting. Há também nomes que dispensam apresentações, muito embora ainda não tenham exactamente deixado de ser promessas: Ricardo Quaresma ou João Moutinho. E, depois, há um desfiar imenso de nomes, uns mais claros, outros mais afastados. As lendas moram lá todas, numa abordagem que não parece sofrer de qualquer clubite. Todos sabemos o benfiquismo do autor, mas a verdade é que jogadores do FC Porto abundam. A equipa maravilha que José Mourinho construiu está lá quase toda (falta Alenitchev), sem esquecer o actual treinador do Chelsea.
Jogadores vilacondenses estão quatro: André, Hélder Postiga, Paulinho Santos e Quim.
O único senão deste livro reside no facto de não haver uma biografia mínima. Para quem, como eu, não conhece uma parte dos visados, seria interessante situá-los no tempo e, até, no espaço. Bem sei que a abordagem é do João Malheiro, logo estritamente pessoal – aliás, quem mais poderia dizer que Derlei “tinha a cor erótica do golo”?... Mas julgo que nada se perdia caso estivesse disponível uma pequena ficha sobre cada jogador ou técnico, até mesmo em apêndice final.
Uma edição em capa dura, da Quidnovi Desporto, mas a um preço bastante acessível tendo em conta a qualidade de impressão. “A Idade da Bola” é um livro de leitura e de consulta. Visitá-lo é uma viagem apaixonante, capaz de acordar muita memória adormecida.
Dupont