segunda-feira, março 06, 2006

Jorge “pusilânime” Sampaio


Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz. (Salmos
37: 11)

Ao longo destes 10 anos, uma outra característica marcante dos mandatos de Jorge Sampaio foi a pusilanimidade e a incapacidade para combater a iniquidade, para enfrentar os poderosos e os que falaram mais alto. Quis estar bem com Deus e o diabo.
Nunca foi capaz de lidar, enfrentar e chamar à responsabilidade o poderoso soba da Madeira (como aliás todos os governantes e presidentes antes dele). Alberto João, uma caricatura da democracia com imensa obra feita na Madeira, fez e disse tudo o que lhe apeteceu. Insultou pessoas e instituições, pisou todos os que lhe fizeram frente e nem uma palavra de censura se ouviu ao Presidente da República, que se sentava a seu lado no Conselho de Estado. Aliás, a sua “estratégia” foi “não entrar em polémicas com os governantes regionais”.
Todos se lembrarão da acção do Presidente ao tempo dos governos de Guterres. Simplesmente não há memória em Portugal democrático nem, pelo que sei, na história mais próxima, de um chefe de estado tão comprometido com a incompetência, tão fraco e tão débil como Jorge Sampaio: lembram-se do modo como acompanhou toda a polémica das touradas de Barrancos, cobrindo as várias ilegalidades cometidas pelos barranquenhos e pelo governo (venceu quem tinha força)? Lembram-se da pretendida passagem da taxa de alcoolémia dos 0.5 para 0.2 gramas por litro de sangue (venceu quem falou mais alto)? Têm memória de algum sinal ou palavra de censura presidencial aos “monstros” orçamentais? E que fez (não o que disse, mas o que fez) Jorge Sampaio quando viu um deputado Presidente de Câmara a negociar com o governo de Guterres obras para a sua terra em troca da aprovação do orçamento “limiano” (venceu a insensatez)?
Lembram-se dos discursos desculpabilizadores, da falta de autoridade de estado e da cobertura que deu, durante 6 anos, a um governo nefasto e prejudicial ao país (o de Guterres)? E também elogiou e cobriu muitos “democratas” que têm governado os municípios portugueses, alguns dos quais se sentam hoje no banco dos réus (será que também condecorou algum?).
E lembram-se dos incêndios do ano passado e do silêncio comprometedor e desculpabilizador do Presidente socialista que, em vez de um discurso forte de crítica aos governos, a todos eles, por terem abandonado a floresta do Estado e acabado com os guardas florestais; em vez de chamar à responsabilidade os que passeavam de helicóptero e os que passavam férias enquanto o país ardia, fez um discurso manso, comprometido com a incúria e a incompetência oferecendo-nos, para além das banalidades do costume, as seguintes pérolas: “os proprietários das áreas florestais deviam ser obrigados a limpar os terrenos”… Outra das questões que devem merecer uma meditação séria é o problema de ordenamento sério e, especificamente, a reestruturação da floresta. Temos que saber que floresta queremos, de que maneira queremos organizar esse recurso fundamental (...). A reestruturação da floresta portuguesa está na ordem do dia e a partir de Setembro [2005] todas as energias têm que ser votadas para este combate, afirmou. Está a chegar o momento em que não podemos adiar mais isto, acrescentou. Eloquente e cheio de razão numa coisa: Mais três ou quatro meses e… “ISTO” voltará a acontecer.

Nota:
Sobre a vaidade de Sampaio e a sua queda para a patetice, nem a propósito a entrevista que deu ao “Expresso” de sábado passado. Eis algumas gotas:
Expresso: Parece bem consigo próprio…
Jorge Sampaio: Saio confortado. Bom pode parecer vaidade, e eu não o sou. Infelizmente (ri), às vezes, devia ser um pouco mais. Mas… acho que fiz muita coisa.
…Eu é que fui o fundador dessas reuniões de Presidentes da Repúblicas… isso exprime alguma consideração.
Mais à frente… Percebi os portugueses…Julgo que conseguimos, a Maria José eu, falar para todos os públicos. Desde os aristocratas até ao Xico da Taberna, onde a gente come “jaquinzinhos”. Este casal fez isso tudo. Veste-se de maneira diferente, está bem... felizmente tem alguma roupa… que nem sequer é nada especial (ri). A sério, acho que a Maria José e eu, nesse aspecto fomos imbatíveis.
… Enfim, não buscámos a popularidade, mas tivemo-la, “malgré nous”.


O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade. (Salmos 94:11)

Haddock