quarta-feira, março 08, 2006

José Sócrates, «O Impressionado»


O senhor Primeiro-Ministro foi à Finlândia e confessou-se “impressionado”. Já não é a primeira vez que José Sócrates revela a sua paixão por este país nórdico – um obsessão que relembra o Major Tomé e a Albânia…
No País dos Mil Lagos, o Primeiro-Ministro observou fábricas com tecnologia de ponta, como a Nokia, e visitou escolas-modelo. Ao seu homólogo local, Matt Vanhanen (na imagem), explicou que "o exemplo seguido pela Finlândia pode inspirar a estratégia do Governo".
Este acto de adoração parola pelos feitos da Finlândia só poderá ter alguma benevolência se for encarada como confissão de incapacidade. Isso seria algo assim como o mau aluno que não tendo capacidade de trabalho, opta por copiar – e a cópia é a melhor forma de elogio, como sabemos. No entanto, José Sócrates parece esquecer algo de basilar.
Em primeiro lugar, os finlandeses não são portugueses. Monsieur de La Palice não diria melhor, mas o que quero dizer é que se tratam de povos radicalmente diferentes na sua cultura, na sua educação, na sua maneira de ser. O modelo finlandês serve apenas os próprios e, quando muito, países com uma vivência social análoga. Em segundo lugar, há que atender ao próprio cenário económico-social. É que a Finlândia há muito que integra o grupo de países desenvolvidos e Portugal continua preso ao grupo perseguidor dos “em vias de desenvolvimento”…
Em suma, o exemplo finlandês dificilmente terá uma aplicabilidade com sucesso no nosso país, mesmo ao nível da “inspiração”. Talvez fosse melhor ir buscar exemplos mais próximos, onde o ensino realmente funciona, como é o caso de Espanha, com um nível de qualidade de ensino elevadíssimo. Mas é claro que uma eventual escolha dos nossos vizinhos não seria tão sofisticada como se a opção recaísse sobre a misteriosa e fria Finlândia… O que vale é que, na melhor tradição portuguesa, dificilmente isto passará das boas intenções, até porque estar a pugnar por um choque tecnológico vindo da Finlândia num país como Portugal onde muitos dos seus habitantes acham que ter um telemóvel (finlandês…) é sinónimo de desenvolvimento é esforço inglório e um enorme gasto de dinheiros. Públicos.
Dupont