terça-feira, março 14, 2006

«La Loi du Dollar», Largo Winch, T.14

A propósito da mais uma OPA, lembrei-me que ainda não tinha falado, aqui, da série Largo Winch, uma das mais bem sucedidas no campo da BD franco-belga.
Tudo começa em “O Herdeiro”, de 1990, quando morre o líder de um super-conglomerado de empresas, o “Grupo Winch”. O seu único herdeiro é um maltrapilho e aventureiro, de 26 anos, Largo Winch. De um dia para o outro, o ex-vagabundo do Mundo vê-se ao comando de um império de biliões de dólares, sem qualquer preparação para o fazer. Mas não é isso que assusta Largo, que assume frontalmente o seu novo papel, envolvendo-se em jogos de espionagem, OPAs hostis, romances turbulentos, perseguições dramáticas e aventuras sem fim, tudo com vista a derrubá-lo da cadeira de presidente do Grupo W. Neste décimo-quarto volume, o cenário é o da deslocalização de fábricas do seu grupo que acabam por provocar suicídios e homicídios que Winch se vê obrigado a resolver…
A personagem foi criada ainda nos anos 70 pelo argumentista Jean Van Hamme, mas só em 1990 viria a levantar voo, com desenhos de Philippe Francq. Aliás, Van Hamme é um dos argumentistas mais bem sucedidos do panorama franco-belga, como o provam séries de sucesso como “Thorgal” com Rozinski, “XIII” com W.Vance, “Os Mestres Cervejeiros” com Vallés e “Blake & Mortimer” com Ted Benoit, entre outras, todas elas total ou parcialmente editadas entre nós. Entretanto, o sucesso de “Largo Winch” já deu motivo a uma série de televisão e a um jogo de vídeo.
Não admira um tal sucesso, uma vez que é dos produtos mais mainstream que se possa imaginar, quase parecendo um enredo de folhetim novelesco ou uma soap opera americana. Não há tempo ou espaço para desenvolver personagens, excepto, claro, o próprio Winch. Os argumentos andam sempre à volta de jogos de poder e intrigas financeiras, até porque é esse o mundo em que o personagem principal se move. Nem sempre os argumentos são muito bem conseguidos, até porque há uma tendência para resvalarem para a previsibilidade. Pelo contrário, o traço de Francq dá uma energia e uma velocidade únicas. Largo Winch é a típica série de BD que se acompanha apenas para ver como é que a história acaba, até porque está bem contada… Mas não fica na memória por muito tempo.
Dupont