quinta-feira, março 30, 2006

Marco António Costa

Tal como havíamos dito aqui, parece estar prestes a confirmar-se a candidatura de Marco António Costa à liderança do PSD.
As razões que então enunciamos permanecem perfeitamente válidas. Na verdade, e analisando aquilo que se está a passar, a única surpresa é a de perceber porque razão mais ninguém se parece querer interessar pela corrida à liderança do partido.
É verdade que as hipóteses de vitória são muito elevadas para quem quer que seja. É verdade que o exercício do cargo também não parece suficientemente interessante para ninguém, pois só existe o deserto da oposição como horizonte político do próximo mandato.
No entanto, há um capital que fica de reserva para o futuro que pode ser começado a amealhar já nestas eleições directas. MAC percebeu-o e decidiu avançar. Acho que faz bem, pois vai conseguir que o país o conheça melhor. O país mediático, que na política é muito importante, e do qual José Sócrates é um filho dilecto, precisa de ser alimentado com novas figuras. Ora, MAC, um desconhecido para a maioria dos portugueses, irá ocupar esse espaço que está vazio.
No que respeita às suas qualidades e à sua preparação para o cargo, penso que não é necessário teorizar muito. É verdade que MAC não é um académico nem será, talvez, uma pessoa intelectualmente brilhante ou dotada de uma cultura que o faça distinguir no panorama político português. No entanto, compensa isso com uma grande intuição política e uma capacidade de trabalho inesgotável. Na gestão da distrital do Porto conseguiu fazer sempre um equilibrio perfeito entre as várias sensibilidades e poderes internos do partido, sobressaindo em todas as ocasiões como um líder incontestado e actuante.
É difícil prever como será o seu desempenho nesta missão. Sabe-se que terá largas franjas do partido e do país a desconfiar dele, como sempre desconfiam de quem parte das trincheiras do norte à conquista do poder. No entanto, penso que a sua capacidade de luta e intuição política o tornarão numa agradável surpresa. Mais do que isso, aconselho todos a seguir com atenção a disputa que se anuncia, pois a surpresa que se viu em Pombal (com o "antecipadamente derrotado" Menezes a chegar aos 45%) pode repetir-se.
Dupond