sexta-feira, março 17, 2006

Mourinho, ainda e sempre

A edição de hoje do Courrier Internacional apresenta um dossier sobre José Mourinho, pessoa que goza n'O Vilacondense de estatuto de intocável... Trata-se da compilação do ataque concertado que a imprensa inglesa e catalã lhe fez após a derrota na eliminatória com o Barcelona. As páginas 8 e 9 estão disponíveis aqui, em PDF.
Começa com "Mourinho! Ele joga! Ele marca!", de David Runciman, publicado no London Review of Books e que mais não é do que uma recensão sobre o livro «Mourinho: Anatomy of a Winner», de Patrick Barclay. É uma análise que pretende abordar o fenómeno com alguma profundidade, comparando-o com o caso dos "meninos de ouro" do desporto e o mundo da política. Na opinião do articulista, aquilo que Mourinho aprendeu nos seus anos de experiência não foi tanto o que fazer, mas antes o que não fazer.
Arrasador é "Deixámos de amar José Mourinho?" de Paul MacInnes, para o The Guardian. Trata-se de um artigo que exala ressabiamento: "onde antes se via autoconfiança, leia-se agora arrogância. Onde havia mestria de «jogos mentais» leia-se de mau perder" e por aí fora. Não por acaso, a leitura deste texto deverá ser completada com a uma das duas únicas prosa não britânicas: "Made in Mourinho", de Marcos Lopez para El Periódico de Catalunya.
O artigo principal é, no entanto, "O Grande Ditador", que Peter Conrad assinou no The Observer. Trata-se de uma análise semi-psicológica de José Mourinho, comparando-o aos ditadores que dilaceraram a Europa no séc. XX, como Mussolini. O articulista vai buscar à família, à religião e à política os gérmens do comportamento do treinador do Chelsea. É tão agressivo e manipulador que até aposto como o autor é sócio do Arsenal ou do M.United...
No mesmo jornal, Paul Wilson ataca outro flanco: o de mau perdedor. "Mourinho acerta por fim: o diabo são os pormenores" é o nome do artigo que, em dez pontos, esmiuça as tácticas do "special one" no embate com o Barcelona. Finalmente, "De Hamlet a bobo da corte", é a oportunidade para Marta Cervera, também no El Periódico de Catalunya, para registar o gozo que as companhias de teatro catalãs reservaram a José Mourinho por este ter dito que os catalães produzem "teatro do bom"...
Enfim, uma torrente de ferozes e avinagrados ataques. Teriam outro mérito se fossem feitos sem que o leão do Chelsea estivesse ferido. Mas, nessa altura, não havia coragem para tal...
Dupont