terça-feira, março 28, 2006

Pensar os partidos

Pedro Magalhães, do Margens de Erro, no Público:
«O que representa e que lugar ocupa o PSD? A resposta não é evidente. Mais evidente é que, sob a liderança de Cavaco Silva, o PSD se transformou numa manifestação acabada daquilo a que, num famoso artigo de 1995, Richard Katz e Peter Mair chamavam o "partido-cartel", caracterizado pela simbiose entre os quadros do Governo e do Estado e a liderança partidária de topo, pela emergência de uma clivagem entre essa liderança e uma cada vez mais autónoma elite intermédia de líderes regionais e locais e, finalmente, por conflitos internos que têm a ver muito menos com a representação de interesses de segmentos concretos do eleitorado do que com as melhores estratégias para obter e repartir cargos e poder.
Esta sua natureza de "partido-cartel" é, aliás, o maior impedimento a que o PSD se possa assumir, como alguns lhe vão pedindo, como um partido mais claramente liberal do ponto de vista económico.»
Luís Delgado, no Diário de Notícias:
Convém ser claro, mas sem magoar Marques Mendes: ele nunca será um grande líder, porque lhe falta tudo para essa função: carisma, empolgamento, ideias e força. Mendes é, e sempre será, um óptimo número dois do partido, um arrumador da casa, um contador de militantes, um organizador das bases, um substituto do que há-de vir, mas nunca, jamais, um líder nato.
(...)
A manter-se tudo, o PP será um clone do PSD, mas pequenino e sem garantias de resistência. A quem agradaria tudo isto? A Marques Mendes e a José Sócrates. Um não se mexeria e o outro faria o que bem entendesse, como até agora.
(...)
Sócrates mete Marques Mendes e Ribeiro e Castro no bolso.
Dupont