quarta-feira, março 08, 2006

Quem te manda tocar rabecão, Zapatero?


José Luís Zapatero é Primeiro-Ministro de Espanha. O próprio ainda não sabe como é que tal aconteceu e isso reflecte-se na sua actuação política.
Recordemos que Zapatero viu o poder cair-lhe nas mãos por força do terrorismo. Do internacional, uma vez que o espanhol nada teve a ver. O PP de José Luís Aznar é que pensou que sim, atribuiu as culpas dos atentados de 11 de Março à ETA e Mariano Rajoy, seu discípulo, perdeu umas eleições que estavam programadas para não serem mais do que um calmo e pacífico passeio.
Quase um ano depois, com o aniversário dos atentados a bater à morta, a festa do primeiro aniversário do Governo do PSOE já agendada, e o PP a apena 1,6% do PSOE nas sondagens, pareceu a Rajoy que era a altura exacta para reunir as tropas. Assim,
no passado fim-de-semana, organizou uma convenção em que se analisou o partido e se debateu a política interna espanhola. Marques Mendes esteve presente, bem como o Ministro do Interior Francês Nicolas Sarkozy, o que deu ao evento uma enorme amplitude mediática (na imagem). O resumo, a acreditar nos vários registos da imprensa, reduziram-se a uma só coisa: desancar em Zapatero e no PSOE.
Mais lá do que cá, a verdade é que os socialistas não estão a ter um exercício governativo fácil. Mais lá do que cá, parece não haver propriamente um desígnio de governação, mas antes uma tentativa de se manter no poder. E isto acontece “mais lá do que cá”, uma vez que Zapatero sucedeu a oito fabulosos anos de Aznar, enquanto Sócrates herdou a chefia do Governo de um dos mais inacreditáveis Primeiros-ministros de que há memória. Ou seja, na velha questão da gestão das expectativas, Sócrates tinha a vantagem de não ter antecessor à altura.
Mas voltando a nuestros hermanos, o que temo é o descambar da máquina oleada deixada por Aznar. O País começa a ver a sua economia a emperrar e, pior, ameaça desagregar-se, como já aqui dissemos. No plano externo, Zapatero tratou de mandar evacuar as tropas espanholas estacionadas no Iraque, não fosse sofrer outro ataque. Ou seja, a palavra dada e os compromissos assumidos por Espanha parecem ter validade apenas e só enquanto o chefe do Governo for o mesmo… Depois, entra em negociações com a ETA (a velha história do “diálogo” tipicamente socialista…) dando a esta organização uma importância e quase uma legitimidade que ela jamais teve. E, claro, teve de ouvir das boas dos familiares de assassinados por aquela organização terrorista… Finalmente, lembrou-se de dar uma maior autonomia à Catalunha, o que não é visto por bons olhos por ninguém, excepto pelos catalães.
Não admira, por isso, que Mariano Rajoy tenha chegado ao ponto de oferecer a Zapatero um pacto de regime. Trata-se de uma oferta venenosa, claro, já que traz implícito o facto de o PSOE não ter capacidade de resolver os grandes problemas nacionais.
Aliás, na mesma senda, foi muito comentada a intervenção de Sarkozy, ao relembrar aos militantes do PP e, por arrasto, aos espanhóis, algo que Zapatero parece ter esquecido: “A Espanha é uma grande nação”. “Grande” e “nação”, duas palavras que enchem de orgulho os espanhóis, especialmente aqueles que a querem assim.
Dupont