segunda-feira, março 06, 2006

Óscares



Não há como escondê-lo: a vitória de “Colisão/Crash” enche de orgulho este blog. Para os mais distraídos, esse foi o “Filme do Ano 2005” n’O Vilacondense. Claramente um outsider, até porque a concorrência era forte, o prémio atribuído a o filme de Paul Haggis é inteiramente merecido, apesar de não conter os ingredientes "certos": não tinha uma história fracturante e não relatava acontecimentos ou personagens do passado recente, facilmente identificáveis pelo espectador. Sobre ele escrevemos, na resenha do ano, "é das histórias mais cruas e brutais que o cinema nos mostrou nos últimos anos. Há momentos de uma intensidade dramática quase insuportável. É um filme que agarra o espectador, abana-o e manda-o para casa completamente atarantado, com a cabeça a ser metralhada por mil e uma interrogações”... Ou seja, era uma história muito bem contada.
Nem sempre a Academia faz justiça e, normalmente, os filmes mais antigos, isto é, os que já estrearam há bastante tempo, são penalizados. Só que, por vezes, a passagem do tempo, tal qual acontece num vinho de qualidade, apura a impressão gravada na mente do espectador. Aconteceu, por exemplo, com o fabuloso “O Silêncio dos Inocentes” e voltou, agora, a suceder com “Colisão”. Ainda bem.
Em relação aos restantes prémios, nada a dizer quanto à atribuição de “Melhor Actor” a Philip Seymour Hoffman, pela sua extraordinária composição de e em “Capote”, mas já não diria o mesmo de Reese Weetherspoon, em "Walk the Line". Gostei muito de Keira Knightley, em “Orgulho e Preconceito”. Em relação ao realizador, julgo que se galardoou mais a versátil obra de Ang Lee do que propriamente "O Segredo de Brokeback Mountain". Se vamos falar de realização cinematográfica, então Paul Haggis é que deveria ter levado a estatueta.
Mais três notas. Uma para o Óscar de Rachel Weitsz, melhor actriz secundária por “O Fiel Jardineiro”, obra que ficou em terceiro lugar na nossa lista dos melhores de 2005. O filme merecia mais, nomeadamente nomeações para realização e actores, mas ficou praticamente esquecido. O Óscar entregue à actriz britânica vem, claramente, salvar "O Fiel Jardineiro" de uma tremenda injustiça.
Em segundo lugar, os três prémios para “Memórias de uma Gueixa”. Na altura escrevemos que “conseguiu seis nomeações para o Óscar, entre as quais, claro está, a de “Melhor Cinematografia”, uma estatueta que costuma ser atribuída a postais ilustrados e não a quem faz da cinematografia uma arte...”. Bingo! E já que se fala de injustiça, convém não esquecer a maior de todas: "Match Point", de Woody Allen, em qualquer das categoria...
Finalmente, um aplauso para os Óscares de “Wallace & Gromit e a Maldição do Coelhomem” e para o ternurento documentário “A Marcha dos Pinguins”, de que não falámos, porque só o vimos em DVD.
Os Óscares 2005 aí estão, ainda vão ser motivo de falatório durante uns tempos e, depois, começa a trabalhar-se no elenco dos nomeados de 2006. Entretanto, aconselho vivamente a correrem à Blockbuster mais próxima e alugarem “Crash”. Ou até comprarem já que nos saldos daquelas lojas estava, há pouco, a 9,90 euros.
Dupont