sexta-feira, março 17, 2006

Sorria, senhor condutor

Continuando o tema de segurança rodoviária levantado neste post, não deixam de ser extraordinários os sentimentos e respostas dos condutores à melhoria das garantias de circulação. A este propósito, o meu top pessoal de imbecilidade ainda é liderado por aquele génio que inventou uma camisa branca com uma risca preta longitudinal oblíqua começando no ombro esquerdo e terminando na cintura do lado direito. Objectivo: enganar visualmente as brigadas de trânsito que assim pensariam que o condutor estava a usar o cinto…
Ora, na Grã-Bretanha, o Governo prepara-se para introduzir novas medidas repressivas, com o intuito de minorar o número vítimas decorrente de acidentes rodoviários. Destacam-se três: câmaras de vigilância para detectar condutores a falarem ao telemóvel enquanto circulam; câmaras de controlo de velocidade disfarçadas; e condução com luzes ligadas, em qualquer altura. Em relação à primeira medida, há quem defenda que se trata de mais uma intromissão na vida das pessoas… Quanto às câmaras que vigiam a velocidade elas já existem, pintadas de amarelo e bem identificáveis. O problema é passarem a estar ocultas, o que poderá provocar reacções estranhas nos condutores quando as detectem já “em cima delas”… Finalmente, os detractores da ideia de circular sempre com as luzes ligadas, nos quais se inclui, pasme-se, a própria Automobile Association, argumentam que isso irá aumentar a poluição emitida em cerca de 3%.
Como bem refere Marcel Berlins, colunista do Guardian, a prioridade deve ser, sempre, a de defesa e protecção do maior valor que conhecemos: o da vida humana. Efectivamente, não pode haver contemplações para quem faz da estrada uma pista ou para quem ache que medidas preventivas são limitadoras do que quer que seja.
A protecção dos condutores e dos peões terá de ser sempre a prioridade, independentemente de isso ser ou não confortável para os condutores. Aliás, bem vistas as coisas, isto toma raias de estupidez, uma vez que as medidas são para proteger… quem contra elas protesta.
Pior, ainda, foi a introdução dos "Smiley Sid". Para quem não sabe, são aqueles aparelhos que indicam a velocidade a que o veículo passa em determinado ponto de uma estrada. Recentemente foi introduzida uma variação: em vez da velocidade, aparece um "smiley" que sorri no caso da velocidade ser a adequada e franze o sobrolho na hipótese inversa (na imagem). A ideia é chegar aos pais através dos filhos. A reacção dos condutores foi fantástica! Uns, pura e simplesmente vandalizaram o equipamento. Outros, como a Association of British Drivers, acham que os condutores estão a ser tratados como crianças... Vai daí, não ligam nada ao pobre "Smiley"...
Ou seja, no final, tudo se resume a uma questão de educação e formação. E deixar a fleuma britânica na gaveta, of course...
Dupont