terça-feira, abril 25, 2006

Fim



O Vilacondense acaba aqui. A decisão já estava tomada há algum tempo e fui eu a despoletá-la – pelo que os outros estão desculpados. Era cada vez mais difícil tratar do blog com a dedicação e prazer com que a ele sempre me dediquei, pelo que, ao optar por sair, faço-o, acreditem, com uma profunda tristeza.

Em Setembro de 2003, estava o Dupond de férias no Algarve, nasceu a ideia de criarmos um blog. O projecto viria a tornar-se realidade em 5 de Outubro. A partir daí, a história é conhecida e estão aí os arquivos para o provar. Nos primeiros tempos, dobrar o cabo das trinta ou quarenta visitas era motivo de celebração. Hoje, à semana, visitas diárias acima das quinhentas é perfeitamente normal. Fazendo fé no blogómetro, entre centenas e centenas de blogs, O Vilacondense termina, quanto a visitas (785), em



e quanto a visualizações (1080),


Se retirássemos a enxurrada de blogs porno-eróticos ainda estaríamos bem mais acima, entre os trinta primeiros. Nesse aspecto, o período que antecedeu as eleições autárquicas foi a nossa subida do Everest: chegámos a estar em 13º lugar nacional...
Efectivamente, O Vilacondense foi um surpreendente caso de sucesso na blogosfera - especialmente para nós, que nunca, mas mesmo nunca, imaginámos alguma vez atingir semelhante dimensão. Não há registo de um blog de expressão local ter esta dimensão. É claro que, a partir de certa altura, “alimentar o monstro” já não era só um prazer, mas uma obrigação… Ver um filme, ler um livro ou um jornal e estar constantemente a questionar se há, ou não, matéria para carrear para o blog é um indício claro de blogo-dependência. Também por isso, o fim do blog significa o regresso a alguma independência. Daí termos simbolicamente escolhido o 25 de Abril como data para o seu encerramento. Mas não só…

A chegada a Vila do Conde deste blog foi, ainda, uma lufada de ar fresco na exposição e tomada de opiniões. A questão do uso de pseudónimos teve, até, um efeito curioso. Numa terra onde toda a gente está politicamente rotulada e, como tal, engavetada, o uso de um nickname permitiu a muita gente ler um texto sem o ligar a uma cara, a um partido, a uma qualquer referência que lhe toldasse ou condicionasse a apreciação. Sim, aqui somos todos do F.C.Porto e andamos, politicamente, à volta da social-democracia. E daí? Só aqui vinha quem queria e nunca recusamos comentários, com excepção dos insultuosos. O Vilacondense, goste-se ou não, foi um espaço de liberdade, numa terra onde a comunicação social continua completamente estrangulada. Nesse espírito, e ao contrário da maior parte dos bloggers que não respondiam a invectivas, nós sempre encetávamos verdadeiras conversas com os comentadores, numa abordagem que sempre julgamos franca e, principalmente, agradável.

Foi assim que muitos bloggers e frequentadores das caixas de comentários se tornaram nossos conhecidos. Em primeiríssimo lugar, o nosso provedor, João Paulo Meneses, com quem trocámos ideias, abordagens e algumas reflexões. E ele sempre foi de uma correcção e verticalidade absolutamente inultrapassáveis. Depois, uma saudação muito especial para a restante comunidade blogueira local, onde pontificam, entre outros, o Eduardo, o six, o kafka, o Miguel, o Luís e o Nuno, o jardineiro, o Gonçalo, o Fernando Vilarinho, o Mário Azevedo e o Alex, entre outros, sem esquecer, claro, todos os que passaram pelo Blogue do Rio Ave Futebol Clube e ao prazeres diabólicos do Fernando Vaz. Aqui ao lado, na Póvoa de Varzim, referência incontornável para o Peliteiro, do Trenguices, que já entrou para o clube dos amigos – não é preciso dizer mais nada, pois não? – e um abraço ao mestre Tony.
Depois, não queria ir embora sem algumas menções especiais. Desde logo, o Blasfémias, onde mora a nata da blogosfera portuguesa, como o CAA, o Luís, o Gabriel, o jcd, o Carlos, o Rui e o André. Aliás, o extinto Mata-Mouros foi como que o nosso padrinho blogosférico… Depois, o blogame mucho, do besugo e da lolita, minha reencontrada colega de curso. O Origem das Espécies, do Francisco José Viegas, o Pacheco-pai-da-blogosfera-Pereira, o Observador do André, o eterno Velho do Velho da Montanha, o Miguel do Hollywood, o destemido António do Portugal Profundo, o nórdico Homem das Neves e A Fundasão, que nos promoveu a colaboradores.. E, claro, também o Alandroal, do Luís Tata, blog por via do qual quase nos irmanamos com aquela vila alentejana… Uma outra curiosidade que escapou à maior parte dos leitores é que o blog se tornou num local de reencontro de colegas da Universidade, como o pp, o incrédulo, a castafiori, o noddy ou o patapouf.
Como os últimos são os primeiros, o maior agradecimento vai, obviamente, para os extraordinários e excelentes companheiros de viagem, o Dupond, o Alcazar e o Haddock.

Pois é…Todas a coisas têm um fim e o do Vilacondense é este. Para quem andou este tempo todo a tentar descobrir quem era o Dupont, já não precisa de procurar mais… estou aqui.
Muito obrigado a todos. Vemo-nos por aí…
Dupont


O Vilacondense acaba hoje. No momento em que me despeço dos nossos amigos e leitores quero dizer-lhes que gostei muito de fazer parte desta equipa. Primeiro a sós com o Dupont, que teve a ideia de fazer o blog e foi, de longe, o maior animador do mesmo. Depois, disfrutando da companhia do Haddock e do Alcazar, parceiros que completaram o painel de colaboradores deste espaço.
No decorrer deste longo período de tempo, cumpri religiosamente aquilo que tinha assumido comigo mesmo: transmitir a minha visão de Vila do Conde, de Portugal, da Europa e do Mundo. Fi-lo sempre em concordância absoluta com a minha consciência íntima e sem fazer qualquer esforço para alinhar em discursos politicamente correctos ou violentando convicções. Sabem uma coisa: senti-me muito bem a fazê-lo!
Não quero fazer balanços. Cada um fará os seus. É melhor assim. Já imaginaram se lhes dissesse o que penso sobre o que foi O Vilacondense? Ainda corria o risco de me chamarem vaidoso ou convencido...
Até sempre!...
Dupond


Há precisamente um ano O Vilacondense anunciava a revolução, profetizando evolução. Não me atrevo a julgar se, neste período, O Vilacondense progrediu ou não. Com a qualidade e os méritos que o Dupont e do Dupond possuem era inevitável o crescimento verificado no número de visitas diárias.
Pessoalmente, no entanto, foi uma experiência notável. A familiaridade que existe entre os bloggers do Vilacondense derramou para os comentadores mais ou menos habituais, emergindo daí um respeito mútuo que estribou a discussão livre, despretensiosa e enriquecedora neste espaço de “conversa de café” virtual que O Vilacondense sempre pretender ser. Todos pudemos pensar, opinar e contradizer sem condicionalismos, contrariando o recato e a precaução aconselhadas pela tirania do “politicamente correcto” que, neste país e em particular nesta terra, floresceu e continua a prosperar. Foi, ao menos para mim, um espaço de evasão, de partilha e de engrandecimento, no qual tive o prazer e o privilégio de poder participar.
Terão havido, certamente, alguns exageros, mas jamais o anonimato dos bloggers do Vilacondense foi um meio para a prossecução de intuitos ou causas inconfessáveis. Em vez disso, serviu para, umas vezes, “conversar” sobre coisas sem importância e, noutras ocasiões, partilhar preocupações mais sérias. O feed back que encontrou aqui e ali e a participação que mereceu, testemunham o papel que O Vilacondense desempenhou. Creio ser justo afirmar quer O Vilacondense ganhou o respeito de quem por aqui passou e isso basta-me.
O tempo que O Vilacondense exige é, contudo, demasiado para a disponibilidade pessoal que lhe poderia ser dada, pelo que chegou o penoso momento de parar.
Vila do Conde, Portugal, a Europa e o Mundo” terão sempre o meu despretensioso e elementar contributo, mas este processo revolucionário termina aqui.
General Alcazar


Tudo o que começa acaba... e o que nasce, morre... e o que... Ok, vou terminar.
Um abraço grande para os compinchas Dt e Dd (de antes e de depois), que me abriram as portas deste blog - seu estimado "filho" . O honroso convite para, com eles e o Alcazar, ir dando vida a um projecto digital da importância d´O Vilacondense foi muito gratificante e tornou-se para mim um desafio constante.
Deixo também uma referência especial aos comentadores - residentes uns , ocasionais outros - que, atentos, nunca deixaram de contribuir para o debate de ideias e o confronto de perspectivas.
Adeus
Haddock

segunda-feira, abril 24, 2006

A última gargalhada

"Todos os arguidos no processo judicial sobre o jogo de futebol FC Porto-Estrela da Amadora, incluindo o presidente portista Pinto da Costa e Jacinto Paixão, foram ilibados das acusações, disse segunda-feira à Agência Lusa o advogado do ex-árbitro." Diário Digital
Dupont

A teoria dos condutores-vítimas

"Sinistralidade: Estradas portuguesas matam mais cinco", no Diário Digital
Dupont

«O Homem Secreto», de Bob Woodward

A história do escândalo “Watergate” já deu pano para mangas. Livros, são às centenas e o cinema também lhe prestou atenção, com “Os Homens do Presidente, de Alan J. Pakula, com Robert Redford e Dustin Hoffman, ou em momentos humorísticos, como em “Forrest Gump”.
Agora surgiu este “O Homem Secreto – a História da Garganta Funda do Caso Watergate”, assinado por Bob Woodward, um dos dois jornalistas do Washington Post responsáveis pela investigação. O outro foi Carl Bernstein, que deu o seu aval ao presente livro, na edição portuguesa da Quidnovi.
É curioso como pode ser tão interessante ler um livro cujo argumento já se conhece e jamais se perder o interesse. Woodward usa uma escrita jornalística, rápida e objectiva, transformando a leitura numa viagem alucinante, que se degusta em pouco tempo, atendendo até à pouco mais de centena e meia de páginas que medeiam entre a capa e a contracapa.
Como julgo que é do conhecimento de todos, “Garaganta Funda” era o nome dado ao informador que alimentou a polémica investigação do Post. Chegado ao consenso que teria de ser um alto quadro dos EUA, estabeleceu-se uma short list, onde vário nomes estavam incluídos, desde vice-presidentes a líderes das mais altas instituições americanas. Entre eles estava um tal de Mark Felt, vice-presidente do FBI, que já no século XXI desvendaria o mistério, ao anunciar publicamente ser ele o verdadeiro “Garganta Funda”.
Ao longo do livro, Woodward vai descrevendo um pouco de si, sempre na perspectiva de esclarecer como é que conheceu e como é que travou de amizade com Felt, tudo antes do escândalo ser conhecido. Como é óbvio, muito embora Woodward e Bernstein fossem jornalistas de excepção, nada aconteceria se a fonte não fosse largando, cirurgicamente, uma série de informações que levariam à queda de Richard Nixon. Aliás esta propriedade das fontes é defendida por Woodward, quando escreve que, sem elas, “a imprensa livre não conseguiria cumprir a sua função fundamental e constitucional”. Esta ideia, que é de aplaudir, conflitua, inúmeras vezes, com a ordem judicial e os jornalistas que se mostram fiéis às suas fontes acabam, por vezes, na cadeia… Aliás, e este caso perece-me ser desse estilo, há que saber, também, a motivação da fonte. Aqui, há um misto de desencanto com vingança, o que os jornalista souberam aproveitar com inteligência.
Um outro aspecto curioso, pelo menos para mim, é a percepção que, por vezes, se tem da passagem do tempo em casos famosos, como este. O “Caso Watergate” demorou meses e ocupou quilómetros de folhas de jornal. Não foi aquele acontecimento imediato, com um antes e um depois quase coincidentes, mas antes uma história bem longa e complexa. A prová-lo, está a história contada por Woodward, onde o leitor é confrontado com a narração de toda a espécie de intriga, traição, corrupção que, como todos sabemos, existe ao mais alto nível da política, o que demorou quase dois anos.
Já li “O Homem Secreto” há algum tempo, mas achei que teria alguma piada ser o último livro a ser recenseado aqui, n’O Vilacondense…
Dupont

Blitz

Após um período conturbado, encerrou, ontem, o único jornal de música português, o Blitz. É sempre de lamentar o desaparecimento de um título jornalístico, mas, neste caso, ainda é mais grave, uma vez que se trata de um jornal temático, numa área que vai ficar completamente órfã na comunicação social lusa.
A verdade é que o projecto Blitz há muito tinha deixado de ser apelativo, algo que nem o uso total da cor veio resolver. Uma publicação deste género tem de ir, forçosamente, ao encontro do público a que se destina e não vaguear ao gosto de quem a produz. Há vinte anos atrás, ler o Blitz era quase obrigatório, não só para se tomar conhecimento das bandas que estavam na berra, como também para ler o mar de pequenos comentários e mensagens que inundavam os “Pregões”. O jornal, era, portanto, a voz de uma geração.
Com o passar do tempo e um pouco como aconteceu com a MTV, deixou de haver uma espinha dorsal que definisse os gostos. O que passou a acontecer foi o jornal ir atrás do gosto da maioria. E entrou em desgraça… Hoje, no Blitz, somos capazes de ouvir louvores à música ligeira, como os ABBA. Há uns anos, no vigor do Blitz, isto era impensável. O jornal ditava o que era ou não era ‘in’ ouvir, e a banda sueca não estava, com toda a certeza, entre os eleitos.
Sempre fui um leitor do jornal, nem sempre com regularidade. Entretanto, a divulgação e acessibilidade de revistas estrangeiras, o advento da Internet e a heterogeneidade de gostos nos consumidores mais jovens, fizeram o resto. As mensagens sms substituíram os famosos pregões, os miúdos tanto ouvem D’zert como Ben Harper, 50 cent ou os Clã. Há quem ache positiva esta pouca unicidade de gostos. Eu acho mal. Do meu ponto de vista, isto demonstra pouco conhecimento, pouco interesse e, o pior de tudo, falta de critério e de consciência na escolha.
O Blitz, por ser “o Blitz”, deveria ter encerrado as portas ao mínimo sinal de degenerescência. Não o fizeram. Assim, o jornal que marcou uma geração desaparece quase moribundo. O que é pena.
Dupont

Somos amigos!?


Após uma qualquer tropelia, invariavelmente, o meu filho fita-me profundamente nos olhos e com um doce semblante pesaroso e suplicante, interpela-me: “somos amigos?!”.
Bobby Robson disse um dia que somente os adeptos do Liverpool são comparáveis aos do F. C. Porto: uns e outros apenas gostam do seu clube e de nenhum outro.
Estas frases vêem-me à memória sempre que, como aconteceu neste fim-de-semana, após mais uma das frequentes vitórias do F. C. Porto, os meus amigos que são adeptos de outros clubes me felicitam, concluindo invariavelmente, “antes o Porto que o benfica” ou “antes o Porto que o sporting”. Fico sempre com a certeza que é essa a forma que encontram para me transmitirem que também são, ao menos um pouco, portistas e que lamentam não o conseguirem ser plenamente, como verdadeiramente gostavam.
É difícil compreender como resistem à tentação, mas sinto que lhes devo uma palavra de encorajamento. Afinal até o meu filho, que é uma criança, rapidamente compreendeu que “somos amigos” e que não há nada que possa superar isso.
General Alcazar

Tertúlias, parte II

Há uns tempos, num post perfeitamente corriqueiro a propósito de uma tertúlia realizada aquando da reabertura do ‘Piolho’, no Porto, lançamos uma sugestão: a de que se fizesse idêntica iniciativa, aqui, em Vila do Conde. E com o socialista Abel Maia e o social-democrata Miguel Paiva politicamente “desempregados”, a organização de uma tal iniciativa era algo que os dois poderiam perfeitamente fazer.
Nas suas crónicas periódicas no suplemento de Vila do Conde d’O Primeiro de Janeiro ambos dissertaram sobre o assunto, embora Abel Maia tenha achado que a abordagem de Paiva não teria sido a que ele esperava. Enfim…
Mas, ao lado destes onanismos estéreis, ainda há alguém que mantém, e bem, os neurónios a funcionar. É o caso do six, do Vila do Conde Quasi-Diário que, em vez de ficar a “ver a banda a passar”, apresentou mais dois potenciais candidatos a preencher o espaço de debate de uma tertúlia: Rogério Torres e José Luís Ferraz.
Obviamente, só podemos subscrever esta dupla proposta. São dois vilacondenses de excelente safra, pessoas de indesmentível qualidade humana, cultural e com uma elevada postura na sua vida política. É claro que sendo da área socialista, não estando para entrar no seguidismo cultivado no PS local, e ousando pensar pela própria cabeça, não são bem-vistos pelo apparatchik local…
Dupont

“We Shall Overcome”, de Bruce Springsteen

É hoje posto à venda "We Shall Overcome: The Seeger Sessions", o novo álbum de Bruce Springsteen. Desta vez, e apesar da escrita prolífica do cantor-compositor, nenhuma das músicas tem a sua assinatura. Como o próprio nome indica e nós já aqui fizemos referência, trata-se de covers da obra do cantor folk Pete Seeger, compagnon de route de lendas como Leadbelly e Woody Guthrie, nos anos 40 e 50 do século passado. Recorde-se que Springsteen já havia patrocinado "Folkways", igualmente um álbum de versões de músicas de Guthrie. Desta vez, o homenageado é Pete Seeger, um autêntico cantor de intervenção, com ligações à esquerda norte-americana. Bruce Springsteen já havia gravado um tema de Pete Seeger, "We Shall Overcome", em 1998, precisamente o que dá nome a este trabalho.
Como qualquer fã que se preze, já conseguimos escutar o disco há alguns dias. É um trabalho esteticamente diferente de quase tudo o que Springsteen já fez ao longo da sua carreira de mais de três décadas. O som é mais cru e as letras chegam a ser mais negras. O ambiente é mais próximo de Bob Dylan, com muito folk à mistura, com uns pozinhos de gospel. No seu todo, é uma obra singular, mas que confirma a queda para a consciência social que o Boss sempre espelhou nos seus trabalhos.
O álbum abre com ‘Old Dan Tucker’, ‘Jesse James’ e ‘Mrs Mcgrath’ três temas no mais puro espírito do melhor folk. Seguem-se dois temas bastante alegres, “Mary Don’t You Weep’ e ‘Jonh Henry’ até chegarmos às brilhantes e melancólicas ‘Jacob’s Ladder’ e ‘Shenandoah’. Destaque, ainda, para ‘Pay Me My Money Down’ e ‘Froggie Went a Courtin’.
Da audição do disco decorre a ideia de que a sua gravação deve ter ocorrido em ambiente de festa. Não só por que algumas composições evocam saloons e ambientes do Velho Oeste, com há uma série de intervenções e comentários que seriam impensáveis num típico disco de estúdio. No entanto, tal como em todos os trabalhos de Springsteen, para desfrutar em pleno de “We Shall Overcome”, há que sentar num sofá e ir acompanhando a audição das canções com a letra das mesmas. Só assim se alcançará uma experiência total, que é precisamente o que este disco merece.
Dupont

Banco Expresso


Não sei se passou despercebida a publicidade na última edição do caderno principal do “Expresso”. O Banco Espírito Santo tinha três páginas ímpares a cor. O BPI, também a cor, ficou com as duas centrais e o Barclays ficou com meia página ímpar. Na capa, acima do nome do semanário, o BCP Milennium há muito que ocupa esse espaço nobre, além de ser o mecenas do caderno “Actual”. O BES faz idêntica aparição no topo da última página. Além disto há, ainda, duas páginas consagradas a instituições de ensino superior da área da gestão empresarial.
Repito que se trata do caderno principal e não do de “Economia”.
É verdade que há muito que esta preponderância da publicidade bancária se vinha notando no semanário de Pinto Balsemão. Há uns meses, uma crise entre o jornal e o BES foi rapidamente resolvida, já que a fatia de publicidade perdida era substancial. Não se poderá negar que a economia tem, hoje, um papel superlativo na nossa sociedade. Uma pergunta que se poderia fazer era: será que “o país que interessa” é leitor assíduo do Expresso? No entanto, estou mais inclinado para esta: até que ponto haverá isenção no tratamento de informação económico-financeira, quando a maior parte dos accionistas provém, todo, de um único sector?
Dupont

Bestial ou besta?

O FC Porto sagrou-se Campeão Nacional, num dos mais estranhos campeonatos dos últimos anos, muito por obra e graça do treinador, Co Adriaanse.
Na verdade, não deve ter havido adepto portista que não rogasse pragas ao treinador e que não esfregasse os olhos ao ver a equipa com cinco pontos de avanço, ainda a prova estava longe do final. Aliás, bastava ver a “comunicação social” desportiva, para se compreender que ninguém acreditava que o FC Porto terminasse a corrida em primeiro lugar.
Mas o certo é que, sozinho, o holandês teimoso, lá conseguiu levar a nau a bom porto, e ainda pode fazer a dupla, caso conquiste a Taça de Portugal. Será teimosia, perseverança ou… sorte? Para ser franco, ainda não encontrei uma resposta, até porque me custa acreditar que tenha sido só “qualidade” do treinador, quando o seu curriculum só agora perdeu a virgindade de títulos, e o senhor já vai nos “cinquentas”… Dando-lhe de barato algum mérito, quer parecer-me que a velha máxima “qualquer treinador no Porto arrisca-se a ser campeão” será a responsável pela maior fatia de responsabilidade na altura de verificar a contabilidade do campeonato. Isso e a nata de jogadores que o clube lhe disponibilizou: Baía e Helton - seguríssimos, Pepe e Pedro Emanuel – à prova de bala, Paulo Assunção e Ricardo Meireles - a brilhar, e Lucho e Quaresma - a encantar, mais ninguém em Portugal teve matéria de prima de tão boa qualidade.
Em Penafiel, quem viu a marmórea face de Pinto da Costa a olhar para os adeptos, esses, sim, em delírio, não pode ter deixado de estranhar. Toda a gente sabe que o Presidente do FC Porto tem andado com salgados de boca, mas isso apenas explicará parte do problema. Quem se recorda da exuberância da celebração da conquista de outros campeonatos, não poderá ter deixado de franzir o sobrolho perante tão fria comemoração.
O Porto venceu e isso é o essencial. Quanto a Co Adriaanse, é bom aguardar pela próxima época para ver se o sistema do treinador é, efectivamente, bom ou se tudo não passou de um acaso. Aguardemos, então, enquanto nós, portistas, nos deliciamos com uma taça de champanhe na mão.
Dupont

sábado, abril 22, 2006

Dragões! Dragões! Somos campeões!



Dupont

sexta-feira, abril 21, 2006

Passaportes para a felicidade

E ninguém vai preso?

"Sobre os salários, já passámos por situações bem mais graves no tempo do Ferreira Torres e o senhor Evangelista não apareceu a defender os jogadores. Porquê? A verdade é que agora as pessoas estão mais à vontade para falar mal. Esta Direcção já pagou quatro meses de salários e uma parte da época anterior. Estamos a fazer um esforço para tentar resolver a situação, mas não tem sido fácil", reconhece. Sem se deter, Joaquim Faria avança com alguns exemplos "Onde estão os empresários e os empreiteiros que colaboravam com o futebol? Bastava o Ferreira Torres lhes ligar. Agora, como não recebem nada em troca, nomeadamente, obras, empregos e outros favores, já não apoiam. Toda a gente sabe que é assim. Infelizmente, a esse nível, o Marco é um caso exemplar. Por isso, temos enfrentado muitas dificuldades. Há forças de bloqueio".
Joaquim Faria, Vice-Presidente do Marco Futebol Clube, in Jornal de Notícias

Dupond

Um presente de Rui Rio

A segunda loja em Portugal da cadeia espanhola El Corte Inglés vai abrir, em Gaia, (…) vem criar 1900 postos de trabalho e representa um investimento total de 215 milhões de euros”. JN
Fica, assim, concretizado o generoso presente que em tempos Rui Rio achou por bem oferecer aos gaienses em geral e ao seu “amigo” Luís Filipe Meneses em particular.
O “novo” Rui Rio estará nesta altura a amaldiçoar o “velho” Rui Rio que, entretanto, já não é mais que uma ténue memória contraditória.
General Alcazar

Santa Maria da Feira aqui tão perto...

Ainda a propósito das contas municipais, de que falámos aqui das nossas, vale bem a pena ver o que se passa na Câmara de Santa Maraia da Feira, onde as cores da oposição e do poder são as inversas de Vila do Conde:
«O Relatório e Contas da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, apresentado na última reunião do executivo, aponta para um passivo de funcionamento, incluindo o imobilizado a fornecedores, de 22 milhões de euros, mas o vereador da Oposição, Justino Pinto, lança dúvidas sobre uma verba de 30 milhões de euros que, embora conste no documento, não terá sido contabilizada no respectivo balanço.
Segundo as contas de Justino Pinto, esta verba, que está incluída no Mapa de Controlo Orçamental da Despesa como "compromissos assumidos em 2005 e por pagar", poderá não ter sido somada aos 22 milhões de euros. Neste caso, a dívida total será de 52 milhões de euros.
O vereador refere que, a confirmar-se este cenário, "a situação é preocupante". Explica que a soma dos valores em causa daria "para esgotar o Orçamento do corrente ano, caso este venha a ter o mesmo grau de execução do ano anterior".
A serem pagas estas dívidas, "a Câmara ficaria sem possibilidade suportar as despesas de funcionamento normal", adiantou.» No JN.
Ou seja: em Santa Maria da Feira, se a dívida for de 52 milhões, o PS local acha a situação preocupante, já que, pelos vistos, o Orçamento fica esgotado.
Em Vila do Conde, o passivo é de 91,7 milhões de euros, para um orçamento de 65 milhões. Por outro lado, a Câmara tem a sua capacidade financeira perfeitamente estrangulada. No entanto, o PS está longe de achar preocupante a situação...
Dupont

«Frases que fizeram a História de Portugal», de Ferreira Fernandes e João Ferreira

Todos nós gostamos de fazer citações. Desde as mais populares até às mais eruditas, sem esquecer o supra-sumo que é um latinismo, colorir o discurso recorrendo a uma referência cultural é sempre visto com agrado. Mas será que quem utiliza essas frases sabe o seu significado?
O livro “Frases que fizeram a História de Portugal” vem, precisamente, dar resposta a essa questão. Começando com “Roma não paga a traidores”, atribuída a Servílio Cipião o livro termina duzentas e cinquenta e duas frases depois com “Nunca me negano e raramente tenho dúvidas”, de Aníbal Cavaco Silva. Pelo meio ficam cinco capítulos, começando em “Nascimento de uma Nação” e continuando com “A Grande Aventura”, “De novo independentes”, “O Liberalismo” e, finalmente, “As Repúblicas”.
O que fascina nesta obra dos dois jornalistas é que consegue fazer uma simbiose perfeita entre rigor científico e divulgação. Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes articulistas portugueses, dotado de um sentido de humor ímpar. Já várias vezes fizemos, aqui, n’O Vilacondense, citações integrais de textos seus. E o que é extraordinário é que essa sua característica está presente ao longo das explicações oferecidas para cada uma das frases escolhidas, o que transforma a leitura do livro num momento de puro deleite.
Os textos nãos e limitam a dar a explicação para a frase, mas inserem-na no contexto histórico-político em que foi proferida. Por exemplo, o “Obviamente, demito-o”, de Humberto Delgado, é completado com quase duas páginas de informação. Outros, mais simples, como “A verdade pinta-se nua”, de Garcia de Orta, merece duas linhas…
Intercaladas, surgem várias páginas retratando uma longa série de personagens históricas associada à frase que os imortalizou, assim quebrando uma certa monotonia enciclopédica que se poderia apoderar de uma leitura em contínuo.
O grande prazer, claro está, é vasculhar o livro à procura de frases que julgámos conhecer, ou de que pensamos saber o real significado. Mas, ao mesmo tempo, e sem disso dar conta, o livro proporciona uma invulgar viagem pela nossa História, algo que, cada vez mais, parece estar remetida para os bancos da escola…
Dupont

Génio ou louco?

"Broward Sheriff's Office deputies arrested a 76-year-old man Thursday who they say was going door-to-door in a Lauderdale Lakes neighborhood offering free breast exams. Two women accepted the exams, BSO officials said." Miami Herald.
Dupont

Ay, que divertido, hombre!


"The €500 notes are popularly known in Spain as "Bin Ladens" because like the al-Qaida leader, everybody knows they are around but hardly anyone has seen them.". Guardian.
Dupont

«3121», de Prince


Para escrever sobre Prince convém, desde logo, fazer uma declaração se interesses: fui um fã fervoroso da sua obra. Já aqui no blog o disse, tenho quase tudo o que saiu do midget de Minneapolis: álbuns, singles, maxi-singles, vídeos, DVDs, bootlegs. Assisti às suas duas mortes artísticas, testemunhei as mudanças de nome, li tudo o que me foi possível. Um verdadeiro fã, portanto.
Mas desde “Diamonds & Pearls” que Prince não faz nada de jeito. As fórmulas estão gastas, a criatividade musical parece ter-se esgotado e compro cada álbum seu com a angústia de quem já viu a excelência e, agora, é confrontado com a mediocridade.
As críticas favoráveis a “3121” que a maior parte da crítica musical lhe ofereceu aguçaram a minha curiosidade. Infelizmente, as expectativas saíram completamente goradas, pois este álbum não traz nada, mas mesmo nada, de novo. Já ouvimos aqueles arranjos há décadas… As letras tanto podiam ter sido escritas hoje como há vinte anos… Até os colaboradores são os mesmos: Maceo Parker, Sheila E., Candy Dulfer, etc, etc., etc… Em poucas palavras, Prince parou no tempo e não parece haver forma de encontrar um buraco temporal que o faça voltar ao tempo presente.
O disco começa com o tema que dá título ao álbum, “3121” um tema funk desinspirado, seguindo com “Lolita” que mais parece ter saído do histórico “1999”… Segue-se o pior momento, com a primeira de muitas baladas, “Te Amo Corazón”, onde se misturam ritmos latinos, congas e guitarras acústicas. Só visto!... No quinto tema, “Incense and Candles”, Prince ainda mostra alguma chama: “’Cause this is not something U can do alone / There’s a dance floor but we can use a table / I got to have a partner that’s willing and able / Once U try 2 seduce me it grows and grows…”. Não é preciso fazer um desenho, pois não?... Antes de desistir, não queria deixar de chamar a atenção para o tema “Love”, onde o fantasma de Michael Jackson esvoaça por todo o lado. Será que Prince quer atacar o trono vazio do Rei da pop?
Um álbum para esquecer, que não vale, sequer, o dinheiro que custa, que, infelizmente, é muito pouco comparado à desilusão que é escutá-lo.
Dupont

Um estudo com resultados inéditos!!!


"Those sleep-deprived, multitasking drivers — clutching cell phones, fiddling with their radios or applying lipstick — apparently are involved in an awful lot of crashes. Distracted drivers were involved in nearly eight out of 10 collisions or near-crashes, says a study released Thursday by the government". Associated Press.
Dupont

Uma pirâmide na Europa?





Archaeologists and other experts began digging on the sides of the mysterious Visocica Hill near the central Bosnian town of Visoko last week. The pit workers on the hill revealed Wednesday geometrical stone blocks on one side, which Semir Osmanagic, the leader of the team, claims are the outer layer of the pyramid. 'These are the first uncovered walls of the pyramid,' said Osmanagic, who studied Latin American pyramids for 15 years and who proposed the theory that the 650-meter (2,120-foot) mound rising above the small town of Visoko is actually a step pyramid _ the first such found in Europe. 'We can see the surface is perfectly flat. This is the crucial material proof that we are talking pyramids", Associated Press.
Dupont

Trivial Pursuit

«Quinze estranhas coincidências», no 2Spare.
Dupont

«The Gatorade Conspiracy»


O que é que esta imagem faz lembrar?...
No Basketbawful.
Dupont

Günter Grass e o futebol

"I find the commercialisation of football terrible. There is no fair competition any more in Germany's first and second division. This makes the competition for the championship boring".
"Its [FIFA] behaviour has been cowardly. It has ensured that football is no longer a sport for the people but is merely a big business".
No Guardian.
Dupont

Moda

"Forty-somethings now buy more than twice as many pop CDs as teenagers and the gap is growing every year. So what is happening? Downloading is one factor explaining why teenagers are buying fewer CDs, especially when it comes to compilation albums. But there is another trend - older people are buying more music and going to more concerts". Texto integral no BBConline.
Dupont

quinta-feira, abril 20, 2006

Não há direito



Os pobres deputados da Nação andam sem descanso desde que, na passada quarta-feira, faltou o quórum necessário para a Assembleia da República poder deliberar, bradando que não há direito de serem tão enxovalhados. Até pode ser que aquele não exista, mas aos deputados não faltam direitos.
Uma leitura apressada do “Manual do Deputado” (com auxílio das facilidades informáticas) revela que os deputados são titulares de mais de quarenta direitos específicos, oito dos quais relativos ao parque de estacionamento da Assembleia da República, que assim se revela essencial para o cabal exercício das respectivas funções.
Ah, para que conste, importa referir que, equitativamente, os deputados também têm deveres, palavra, aliás, repetida mais de quatro vezes naquele Manual (três das quais em epígrafes de diversos capítulos do documento). Como já se adivinha, entre os deveres dos deputados enunciados naquele elucidativo Manual, consta expressamente o de colocar na viatura de forma “visível o cartão de utilizador do respectivo Parque que é passado pelo Gabinete de Segurança e assinado pelo Secretário-Geral”.
Não descobri se haverá sanção para o incumprimento do citado dever, mas não me admirava que exista e que, no mínimo, consista na perda do mandato, punição que, como é sabido, está reservada para as faltas verdadeiramente graves.
General Alcazar

Tanto barulho para… quem?

O Governo apresentou o “Livro Verde sobre as Relações Laborais”, onde se revela que “dois terços das convenções colectivas aplicam-se a menos de 6% dos trabalhadores”. Também por lá se diz que, com tal profusão de documentos, muitos trabalhadores acabam por se ver encaixados em mais do que uma CCT…Ou seja, há instrumentos reguladores a mais!
A conclusão mais imediata é que os trabalhadores acabam por ser prejudicados com esta enxurrada de convenções, que ainda complicam mais a já de si extensa legislação laboral. O que é mais lamentável, é que para tantas CCT, tanta lei, se faça tanto barulho em nome dos trabalhadores. A quantidade de parasitas que vegetam nos sindicatos e nas empresas, sempre com as palavras “direitos dos trabalhadores” na boca, deveriam parar e reflectir não só sobre a necessidade da sua função, como, principalmente, no facto de o seu desempenho não estar a ajudar ninguém.
Num país onde a mão de obra qualificada ainda é uma miragem, a flexibilização do emprego não pode ser confundida com precariedade. A ideia, velhinha e de esquerda, de que um emprego é para toda a vida, é um dos grandes óbices ao desenvolvimento do país, agrilhoado que está às tais leis laborais e a CCT supérfluas. Choque tecnológico não é só exibir na mão um CD. È também modernizar o país naquilo que ele tem de básico, caso queira, efectivamente, atingir um patamar de desenvolvimento económico mais elevado. Só assim se percebem outros dados do Livro Verde, como a taxa de pobreza no trabalho, que ronda os 15%, a segunda maior da Europa…
Dupont

A retoma está em crise!

O Banco de Portugal, segundo o Jornal de Negócios, veio dizer que a “retoma moderada da economia não é sustentada” e que temos “crescimento abaixo da média da zona euro, mau desempenho das exportações, perda de quotas de mercado”. A grande diferença para a retoma de 1999, é que essa teve na sua base o investimento e as exportações, coisa que, agora, não existe: “as exportações cresceram só 0,9% e o investimento caiu 2,6%”.
Dupont

«L’Anatomiste», de S. Miquel, N. Tackian e L. Godart

Apesar da banda desenhada ser um área que adoro, tenho evitado abordar o assunto no blog, porque tratando-se de uma sub-cultura, os posts dificilmente teriam alguma receptividade.
Resolvi fazer uma excepção para “L’Anatomiste”, o melhor álbum de BD que li nos últimos tempos. Editado na colecção Latitudes, da Soleil, o livro conta a história, em flashback, de um médico cujo passatempo é estudar cadáveres. Tudo estaria bem se ele não se desse ao trabalho de escolher os corpos quando ainda estavam… vivos. Na sua tarefa conta com a ajuda de dois homens, miseráveis e sem escrúpulos. Mas tudo se precipita quando o “anatomista” deseja como vítima a grande paixão de um deles…
Nesta história, com desenho de S. Miquel, N. Tackian e argumento e cor de L. Godart, a loucura está presente, esteja ela escondida atrás de uma profissão reconhecida ou do coração de um homem simples… Mas o golpe de génio de “L’Anatomiste” está na discussão histórico-filosófica que perpassa nas conversas entre o médico e os seus amigos: o evolucionismo versus criacionismo, o homem de ciência contra o homem de fé (ou de crença…). É claro que o que ressalta para o leitor é a antítese comportamental do anatomista, que acredita que o homem é o resultado de uma evolução milenar desde o tempo em que partilhava o espaço com os animais, e o seu comportamento secreto, que relembra… o de um animal.
Quanto ao desenho, o traço de Luic Godart recria o ambiente soturno, pesado e terrível da Inglaterra vitoriana, onde cada sombra escondia sempre coisas terríveis. As faces das personagens são quase cadavéricas, algumas evocando, realmente, zombies. O uso da cor é feito de forma cuidada, oscilando entre verdes e laranjas, acentuando, assim, ainda mais, a sensação de horror. É raro estarmos perante um livro de banda desenhada que proporciona leituras tão diversas, e onde o aspecto gráfico está absolutamente integrado no enredo.
Está à venda na FNAC.
Dupont

Bibi é advogado ou apenas um caso de mau português?

"O advogado de Carlos Silvino da Silva, Bibi, anunciou que enviou hoje ao bastonário da Ordem dos Advogados um pedido de abertura de processo disciplinar ao anterior bastonário, José Miguel Júdice, por alegada violação dos estatutos". Diário Digital.
Dupont

FOSGA-SE!!!!!


Tom Cruise e Katie Holmes foram pais de um menina. Nada de extraordinário, não se desse o caso de Cruise ter obrigado a mulher a dar à luz em silêncio, como manda a Igreja (?!) da Cientologia e ter publicamente afirmado que iria comer a placenta e o cordão umbilical do bebé! Nada que um outro maluco já não tivesse feito...
Dupont

Hipocrisia mexicana

"TULTITLAN, Mexico (AP) -- Considered felons by the [mexican] government, these migrants fear detention, rape and robbery. Police and soldiers hunt them down at railroads, bus stations and fleabag hotels. Sometimes they are deported; more often officers simply take their money.
While migrants in the United States have held huge demonstrations in recent weeks, the hundreds of thousands of undocumented Central Americans in Mexico suffer mostly in silence.
And though Mexico demands humane treatment for its citizens who migrate to the U.S., regardless of their legal status, Mexico provides few protections for migrants on its own soil. The issue simply isn't on the country's political agenda, perhaps because migrants make up only 0.5 percent of the population, or about 500,000 people - compared with 12 percent in the United States.
", via Associated Press.
Dupont

Preço do galão de gasolina no Mundo

No Reino Unido há quem peça $5.64, enquanto na Venezuela o preço fica pelos $0.14... Fonte: CNN/Money.
Dupont

Para a minha reforma...


A Bibliochaise
Na nobodyandco
Dupont

quarta-feira, abril 19, 2006

Um Deputado famoso

Como é do conhecimento geral, Vila do Conde tem um seu conterrânea a exercer funções como Deputado na Assembleia da República. Chama-se Lúcio Ferreira e é advogado de profissão.
Ao longo de um ano de mandato, muito pouco se ouviu falar dele ou do seu desempenho em S. Bento. As páginas dos jornais tem estado nuas de palavras referindo-se às suas intervenções, requerimentos, Leis, etc. Não sei se essa situação se deve à desatenção dos orgãos de comunicação social se à falta de produção do "nosso" Deputado. Era bom que se soubesse.
Mas, eis que o nome de Lúcio Ferreira chega hoje às principais páginas dos jornais. O seu nome, a par de mais alguns dos seus colegas, é mesmo tema das principais manchetes. A razão é simples:
LÚCIO FERREIRA FOI UM DOS DEPUTADOS QUE ASSINARAM O LIVRO DE PONTO NO DIA 12 BALDANDO-SE DEPOIS ÀS VOTAÇÕES!
Dupond

Uma vela, 500 anos depois


Seguindo a sugestão do Nuno Guerreiro, do Rua da Judiaria, e como estamos bem longe de Lisboa, aqui fica o contributo d'O Vilacondense, no dia em que passam 500 anos sobre o início do massacre dos judeus em Lisboa, que dizimou quatro mil pessoas, em apenas três dias.
Dupont

Vamos lá, Rio Ave!!!


O nosso Rio Ave está atrapalhado e precisa de todo o apoio. No próximo Domingo, a direcção revelou que vai fornecer uma bandeira e transportes gratuitos para Barcelos, onde a equipa defronta o Gil Vicente. Nunca seremos demais.
No entanto, nada disto seria necessário se o Rio Ave não tivesse sido escandalosamente roubado durante todo o campeonato, como demonstra o post "Liga da Verdade: Rio Ave em 8º com 45 pontos", no Blogue do Rio Ave. Leitura obrigatória.
Dupont

Alberto Costa está imparável...


...até no Além quer fazer notificações judiciais!
Dupont

A ovelha negra da família...


Chama-se Wafah Bin Laden, mas prefere ser conhecida por Wafah Dufour, não vá o diabo tecê-las... A sua grande ambição é ser pop star, mas, para já, vai fazendo uns trabalhos fotográficos, como este, para a GQ...
Dupont

«A pile of preposterous bullshit»

Laurent Robert, o jogador que podemos ver nesta notável fotografia, anda nas bocas do Mundo. Chegou ao Benfica, vindo da Inglaterra, com fama de matador. Pelos vistos é, mas não pelas razões que disso se esperariam...
Com efeito, titulava o Expresso na primeira página, qual pasquim desportivo a torcer pelo Sporting, que o jogador pôs "o Benfica em estado de choque". A razão para esta descarga eléctrica prende-se com o facto de auferir um ordenado líquido de 190.000 euros mensais, sem nada fazer por isso, excepto o tal golo "telecomandado" a Vítor Baía.
Os jogadores do Benfica, em especial as primadonnas Simão Sabrosa e Nuno Gomes, mostraram-se "melindradas". Segundo o semanário, cada um destes aufere cerca de 130.000 euros mensais, o que é bem menos do que o trintão Robert ganha. Pelos vistos, estes dois não se têm calado e já se insurgiram junto de José Veiga. Outros jogadores descontentes e com pedido para lhes ser dada guia de marcha são Manuel Fernandes, Petit e Ricardo Rocha. Uma outra razão de descontentamento prende-se, também, com o facto de todas as contratações de José Veiga terem dado para o torto, incluindo o irregular Moretto.
Mas, ontem, chegou-me às mãos a última edição da Arena, onde está inserida a reportagem "The Most Hated Sportsmen in the World". A triagem deixou apenas dez, sendo um deles o nosso Laurent Robert. Se o Benfica estivesse devidamente informado, certamente não o teria adquirido. Ora veja-se:


Dupont

Alandroal


Esta simpática vila alentejana está representada na blogosfera pelo Alandro Al, que tem no Luis Tata o seu webmaster. Há muito que somos visita frequente daquele blog, o que nos levou, no Verão de 2004, a visitar o Alandroal. Para quem não andava por cá nessa altura, pode ir até aqui e ver a reportagem fotográfica.
Agora, o Luís deu início à iniciativa "O Alandro Al convida", em que endereça convites a outros bloggers para que escrevem, no seu blog, sobre o Alandroal. O Vilacondense teve o previlégio de ser o primeiro a ser convidado. Além da honra, que penhoradamente agradecemos, já fizemos chegar o nosso contributo: "Ala p'ró Alandroal".
Dupont

Blogosfera

Por Vila do Conde, assinale-se o regresso do Kafka e do seu O Antivilacondense. O fvaz está com uma febre bloguística sem paralelo: já abriu mais dois blogs, o Imbushment e O Leão da Fonte da Moura.
Entratanto, depois d'O Acidental, o Paulo Pinto Mascarenhas regressou com o ABC.
Dupont

terça-feira, abril 18, 2006

Judo

De um modo geral, o desporto português é pouco mais do que medíocre. Deixando de lado o futebol, desporto para o qual se canaliza a quase a totalidade dos apoios públicos ao desporto, onde ombreamos com os melhores do Mundo, são poucas as restantes modalidades em que nos conseguimos afirmar no exterior. Quando isso acontece o mérito deve-se, quase sempre, a um determinado atleta, que com maior ou menor apoio técnico, consegue fazer valer as suas qualidades. Infelizmente os grande valores não surgem na sequência de um trabalho estruturado, coerente e com estratégias de médio/longo prazo definidas e cumpridas por dirigentes desportivos ou muito menos políticos.
Há algum tempo falamos aqui do bom trabalho que vem sendo realizado pela Federação Portuguesa de Vela, que reconhecendo as suas limitações, definiu um plano de aposta num pequeno grupo de atletas virtuosos, apoiando-os a criando-lhes condições que permitam alcançar o sucesso.
Hoje vamos dar os parabéns à Federação Portuguesa de Judo, que de uma forma serena, mas persistente, tem vindo a promover o desenvolvimento da modalidade em Portugal, conseguindo formar constantemente novos valores de grande alcance internacional. A medalha de bronze de Nuno Delgado em Sidney foi uma etapa feliz, mas viu-se em Atenas, onde não ganhamos medalhas, mas tivemos atletas bem classificados, que não foi a etapa final.
Hoje, foi divulgado o Ranking Mundial e verificamos, pela primeira vez na história da modalidade, que há uma atleta portuguesa, de nome Telma Monteiro, que o lidera na sua categoria, feito que poucos conseguem no desporto que for. Por isso mesmo, deixamos daqui um forte aplauso para a Federação Portuguesa de Judo e para todos aqueles que nos clubes desenvolvem e promovem esta modalidade.
Dupond

Nojo!

A TVI está a transmitir, em directo, o funeral de Francisco Adam, o jovem actor da série "Morangos com Açucar". Os jornais diários por onde passei os olhos, todos eles chamavam o assunto à capa. Parece que o "Dino", a personagem interpretada pelo actor, era muito querido por um largo estrato da nossa população juvenil, precisamente aquela que acha que a imortalidade é um dado adquirido e que juravam a pés juntos que o "Dino" e o Francisco eram um só. Esta parte até acho bem, porque essa é a altura para andar entretido com essas distracções e acreditar nas maiores parvoíces como se, um dia, elas se fossem efectivamente realizar.
Agora, é perfeitamente abjecto o aproveitamento que a TVI está a fazer do assunto. Alicerçada na emoção dos milhares de adolescentes lusitanos fiéis à série, a emissora não lhes dá conforto, como parece fazer, mas antes abusa do seu imberbe sentimento. Despudoradamente, quer conquistar share e vender mais uns anúncios, colando-se ao evento de uma forma parasitária, sugando as emoções de quem ainda não tem maturidade para as racionalizar. Será esta uma forma legítima de actuar, num mercado de livre concorrência? Talvez. Será que, se fosse uma qualquer actriz ou actor da SIC ou da RTP, também estes canais fariam a mesma coisa? Não duvido, como aconteceu com o funeral de Miklos Feher.
É que a morte sempre foi um grande negócio.
Dupont
PS - Já agora, compare-se com o post imediatamente abaixo.

A vigília


"Esta foto mostra Katherine Cathey, que, na noite antes do enterro do seu marido, pediu para dormir junto ao seu corpo pela última vez e adormeceu ao som de músicas de que ele gostava"
A foto está, hoje, na capa do Público, acompanhada da supracitada legenda. É daquelas imagens que, primeiro, intriga o observador sobre o seu significado para, depois da revelação, o deixar esmagado.
O seu autor foi Todd Heisler, para o Rocky Mountain News, e que lhe proporcionou a vitória do Pulitzer Prize para "fotografia de reportagem". A história original, "Final Salute", uma extensa reportagem sobre o regresso de soldados mortos em combate no Iraque, está aqui, longa de doze páginas. O capítulo referente à foto chama-se "A Vigília".
Dupont

Lasik@home ou o fim dos oftalmologistas...


Scal-Pal™, da Lasik@Home


How to use

"Do-it yourself surgery", da Lasik@home.
Dupont

O Mundo ao contrário

"Jandre Botha, de quatro anos, desobedeceu à ordem de chamar "papá" à amante lésbica da mãe. Esta, Engeline de Nysschen, de 33 anos, atacou vigorosamente a criança enquanto a obrigava a chamar-lhe "papá". Jandre acabou por morrer das lesões causadas por essa agressão, algo que o traumatologista Mohammed Dada referiu serem idênticas às de uma pessoa que tivesse caído de um segundo andar". No sul-africano The Star.
Dupont

“Instinto Básico 2 /Basic Instinct 2”, de Michael Caton-Jones

A moda das sequelas disparatadas há muito que deveria estar extinta. Era um favor que faziam a quem gosta de cinema, já que é raro, muito raro, a continuação que consegue superar a obra-mãe. A degeneração é evidente, até porque é extremamente complicado conceber e produzir uma obra que tem um outro filme como colete de forças criativo.
“Instinto Básico 2” não é excepção e acaba por ser um recauchetar dos “clichés” da obra original. Está lá tudo: as corridas de carros, a passagem pela discoteca, as casas maravilhosas, ambientes sofisticados e “modernos” e, claro, esse cocktail fatal que tem o sexo e a morte como ingredientes. No fundo, o filme não passa de um veículo de promoção para Sharon Stone se pavonear, numa interpretação tão cabotina que lhe deve garantir um prémio nos próximos Razzie Awards… Só os seus diálogos, o tom de voz e a pose “matadora” já davam vontade de sair da sala, não fosse a expectativa voyeurista para um qualquer novo descruzar de pernas…
O argumento até surpreende, uma vez que está razoavelmente bem conseguido. A acção, agora, não se passa em São Francisco, mas em Londres. É uma nova centralidade cultural que parece estar a desenvolver-se - basta ver Madonna, Gweneth Paltrow ou Woody Allen… Mas voltando ao filme, Catherine Tramell continua a ser uma escritora de sucesso e, à volta dos seus livros, teimam em aparecer cadáveres, sempre com ligações umbilicais aos enredos da obra. Desta vez, em vez de transpor para a realidade o desfecho de um dos seus livros, Catherine opta por um verdadeiro “work-in-progress”, manipulando um psiquiatra a seu bel-prazer, sem ele verdadeiramente se aperceber que não passa de uma marioneta nas mãos daquela loira fatal.
Uma outra curiosidade prende-se com o facto de haver bastante menos cenas de sexo do que seria de esperar. Sharon Stone já tem 48 anos, mas bate muita teenager descadada que se espreguiça em praias de areia branca.... Aliás, para se comparar a elas, Miss Stone resolveu disfarçar o efeito da gravidade, injectando algum silicone nas suas protuberâncias mamárias. O resultado merece aplauso, diga-se… A interpretação, essa, é o oposto… Bem melhor estão David Morrissey, no papel do psicólogo obcecado com Catherine e, especialmente, a sempre elegante e charmosa Charlotte Rampling.
Mas o que falta em “Basic Instinct 2” é uma centelha de originalidade que pudesse dar alguma chama ao filme. A química entre Stone e Morrissey não existe. A simbologia nada tem de subtil e inteligente, como o facto do principal personagem masculino trabalhar no novo símbolo fálico de Londres, o Swiss Re ou “Erotic Gherkin” [Pepino erótico], como os londrinos o apelidaram, ou o virtuosismo com que Stone manuseia a manete de velocidades, num mais do que óbvio paralelismo entre aumento de velocidade e de nível de excitação… Como se não bastasse, a realização é do mais desastrado que se pode imaginar, sem o ritmo por que a acção clamava e sem a inteligência que um argumento deste género requeria.
Enfim, mais um produto de Hollywood feito sem pés nem cabeça, achando que o erotismo de há treze anos ainda carregaria muita gente para o cinema. Mas, hoje, o mercado de sexo está de tal forma disseminado que não chega um descruzar de pernas para chamar espectadores às salas, até porque têm isso tudo em casa, de graça e graças à internet.
Dupont

Disco do Ano?


Enviaram-me um link para este produto à venda na Amazon. Até esbugalhei os olhos!. O rei da pancadaria chunga agarrado a uma guitarra? E, ainda por cima, num disco com um título completamente new age: "Songs from the Crystal Cave". Diz-se por lá que são "14 total tracks of blues, folk, reggae and World music with featured artists Tony Rebel, Stevie Wonder, Lt. Stichie & Lady Saw". Por outras palavras, uma pessegada. Mas eu não resisto a imaginar este canastrão a cantar "Lolippop" e outras pérolas da pop... Estou quase, quase, tentado a encomendá-lo. Deve ser uma coisa absolutamente fenomenal!
Dupont

segunda-feira, abril 17, 2006

Entrar com o pé direito e sair com ele torto

"Rosa Tavares, de Vila Real, disse que no dia 12 foi submetida a uma operação ao pé errado, ou seja, a utente deveria ter sido operada ao pé direito, mas quando acordou da anestesia viu que o tinha sido ao pé esquerdo.
«Agora com gesso no pé esquerdo e com dores no pé direito quase nem consigo andar»
". Portugal Diário
General Alcazar

A luta milionária dos pobres

Luta a dois. Nada melhor para animar a ponta final do campeonato do que uma luta acesa pelo milionário segundo lugar entre os dois velhos rivais de Lisboa” (João Bonzinho in A Bola)
General Alcazar

quinta-feira, abril 13, 2006

Boa Páscoa...

...com produtos Made in Vila do Conde, claro!....
Dupont

O exemplo vem de cima. Sempre.

Os deputados e deputadas desta república à beira-mar plantada, deram aos portugueses mais um motivo para conversa em todos os cafés e praças do país.
Segundo o secretário da mesa da Assembleia da República Fernando Santos Pereira, ontem dia 12 de Abril, faltaram às votações 107 deputados.
ATENÇÃO: Faltaram mas assinaram o livro de ponto…Em serviço, não se brinca.
Dos 194 deputados que assinaram presença no hemiciclo no início da tarde, estavam presentes no final da tarde 110. Ou seja, houve 84 deputados que faltaram tão inesperadamente e com tanta urgência que nem tiveram tempo de desarriscar o livro. Este episódio faz-me lembrar a greve “part-time” dos médicos, aqui hás uns anitos: estes também assinavam os livros do ponto nos hospitais às 09h00 e, logo de seguida, entravam em greve. Greve nos hospitais, porque, em simultâneo, estavam a dar consulta nos seus consultórios privados. É fácil ganhar a vida...
É o chamado três em um: recebeu o ordenado do hospital porque assinou o livro de ponto; está em greve porque saiu do hospital depois de assinar o livro e está a ganhar no consultório privado. Edificante.
E, mesmo aqueles deputados e deputadas que venham a ter a merecida e justa falta, não precisam de se preocupar. Afinal o Estatuto dos Deputados - que eles próprios fizeram - impõe um desconto de "1/20 ou 1/10 do vencimento por cada falta injustificada". Perderão menos que os trabalhadores - da função pública e do privado - que, pura e simplesmente, perdem tudo se faltarem um dia e não justificarem.
Não quero fazer aqui o discurso da desgraça nem do ataque à classe política por dá-cá-aquela-palha. Mas todos percebemos sem dificuldade porque é que os políticos estão tão descredibilizados.
Pudera, faltam ao serviço e assinam livro de presença.
Haddock

Doença incurável?


Apresentadoo Relatório de Gestão da Câmara Municipal de Vila do Conde para o ano de 2005, verifica-se que o passivo da autarquia atingiu, como já é sabido, o montante estratosférico de 91,7 milhões de euros, segundo o JN.
Como o blog tem um arquivo bem arrumadinho, pode ver-se que, em relação a 2003, o montante do passivo já atingia setenta milhões de euros, como pode aqui ser recordado. Em relação ao exercício de 2004, aquele valor tinha subido mais cinco milhões de euros, parando nos setenta e cinco milhões, tal como aqui referímos.
Este ano, a surpresa é total: um salto de 22% e um aumento de quase dezassete milhões de euros. Analisando os últimos anos, vê-se que em apenas meia década, o montante do passivo quase duplicou. Ao mesmo tempo, como ainda há bem pouco tempo referíamos e ironizávamos aqui, a Câmara Municipal de Vila do Conde tornou-se a quarta com maior índice de endividamento, totalizando 145%. "Somos o concelho socialista com o maior limite à capacidade de endividamento em todo o País!", dissemos então.
Visto de outra forma, se no ano passado cada vilacondense era "responsável" por cerca de 1000 euros do passivo da Câmara, este ano essa "responsabilidade" subiu para... 1.222 euros!
O que me fascina na nossa Câmara Municipal é a capacidade para da desgraça fazer festa. Veja-se que ao mesmo tempo que o passivo aumenta, aumenta o endividamento, mas não se vê para onde vai o dinheiro. Água e Saneamento não temos e, se viermos a ter, serão os privados a suportar. O Polis é, na sua esmagadora maioria, pago pelo Poder Central, assim como o Metro. As estradas...nem vale a pena falar. Habitação Social? Em relação às famosas 905 casas a fazer até 1999 ainda não se vê o fim, sendo certo que muitas estão feitas e permanecem...vazias. O Cine-Neiva aguarda dinheiro do Estado. A Ponte de Retorta aguarda dinheiro do Estado. O Hospital aguarda dinheiro do Estado. A ROM aguarda decisão e investimento do Estado. And so on...
Então o que é que fica?
Voltando aos números, convém recordar uma outra realidade, a orçamental. Este ano, o Orçamento baixou dez milhões de euros em relação ao de 2005, ou seja, passou de setenta e cinco milhões de euros para sessenta e cinco. Ou seja, se a Câmara cancelasse todos os pagamentos e condicionasse as receitas para a diminuição do passivo, ainda assim registar-se-iam vinte e seis milhões de euros de calote...
Posto isto, cabe perguntar:
Alguém confiaria a gestão da sua empresa a uma equipa com este curriculum?
Como é que um gestor como Mário Almeida consegue apresentar resultados piores de ano para ano e continuar a sorrir à população que nele confiou o seu voto?
Aliás, tendo em atenção os recentes resultados autárquicos, a pergunta certa até será: mas isto das contas da autarquia interessa a alguém? Será que alguém se rala se a Câmara Municipal estiver em falência técnica? Afinal, quem é que já viu uma autarquia abrir falência?
Eu tinha vergonha de apresentar contas destas relativamente a algo de que fosse responsável. Mas, pelos vistos, estou sozinho...
Dupont

quarta-feira, abril 12, 2006

Ofensas primárias

Num miserável escrevinho, cobardemente anónimo, intitulado “As feridas da liberdade” e publicado no “Jornal de Angola”, o director do Público, José Manuel Fernandes, é miseravelmente insultado, catalogado como “comerciante da honra caricato”, “turista da Jamba”, antes “a soldo de Sabimbi”, agora “sabe-se lá de quem” e incluído entre aqueles que o rabiscador considera “racistas”, “ignorantes”, “provocadores”, “indigentes mentais” e "racistas doentes".
A ignomínia prossegue, depois, contra os portugueses e Portugal, referindo que “Ninguém se lembrou de investigar os governantes portugueses por terem permitido que crianças à guarda do Estado Português tivessem sido abusadas sexualmente. Ninguém fez a lista dos corruptos que, segundo magistrados portugueses, crescem como cogumelos à sombra do aparelho de Estado e estão a exaurir a riqueza de Portugal
O escrevinhador termina desenrolando os habituais preconceitos e traumas, referindo que “A libertação de Angola das garras do colonialismo doeu a muita gente em Portugal. Ainda dói. Mas esses saudosos do colonialismo, esses racistas dementes, têm de se habituar, de uma vez por todas, que os angolanos são senhores do seu destino. E os partidos políticos angolanos, as nossas instituições não precisam de vozes de burros para se fazerem ouvir. Em Angola existe liberdade de expressão, ninguém precisa de voz de donos que ninguém sabe donde lhes vem a legitimidade democrática. A nossa vem da luta, do combate heróico contra o colonialismo e o fascismo (…)”.
Como português tenho um enorme orgulho na história do meu país, polvilhada, é certo, de muitos erros, tal e qual como a história de todos os países, os quais, contudo, não justificam que o relacionamento com as ex-colónias, mais de trinta anos depois das respectivas independências, seja eternamente condicionado pelos traumas que possam existir decorrentes de cinco séculos de colonização, reprimindo relações conformes com princípio da equivalência ou correspectividade.
É tempo de Portugal se relacionar com as ex-colónias como elas quiserem, de retribuir e (cor)responder na mesma moeda, reagindo vigorosamente às ofensas que sejam, como é o caso, perpetradas.
A verborreia despejada no editorial do “órgão oficioso” do governo de Angola visou demarcar a distância a que Angola pretende manter Portugal. Portugal deve responder aceitando tal distanciamento, repudiando, antes de mais, o editorial do Jornal de Angola e lembrando o funcionamento livre e independente dos órgãos de soberania nacionais, designadamente do Governo e dos tribunais.

Aditamentos:
O Ministério dos Negócios Estrangeiros remeteu declarações sobre o assunto para o gabinete do Primeiro-ministro que, como é habitual, se recusou a comentar. O nosso Governo, outra vez, de cócoras.
O Blasfémias também dedicou um post ao assunto.
General Alcazar

Tem 1222 euros disponíveis, caro vilacondense?

"1222 euros - seria o valor da dívida de cada um dos habitantes do concelho de Vila do Conde, o que corresponde à divisão de um passivo que totaliza 91,7 milhões de euros por 75 mil pessoas". JN.
Dupont

Os de Mercedes escapam?

«Segurança Social vai penhorar 6.353 carros topo de gama - (...) Ao que o jornal apurou, esta mega-operação culminará no final de Maio com a venda dos carros, na sua maioria Jaguar, BMW, Alfa Romeu e Audi, em hasta pública», Diário Digital.
Dupont

Simplex

Os reformados com pensões superiores a 7500 euros por ano começaram a pagar IRS em Abril, anunciou o Ministério das Finanças. A medida estava prevista no Orçamento de estado para 2006. Segundo o economista Eugénio Rosa, esta medida deve atingir cerca de 800 mil aposentados.Diário Digital
Dupont

Já se ouvem os motores dos aviões israelitas...

O Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, declarou esta terça-feira que «o Irão vai juntar-se brevemente ao clube dos países que detêm a tecnologia nuclear», segundo a televisão do Estado iraniano.”. Diário Digital.
Dupont

E que tal “sopas-de-cavalo-cansado”?

Na Bélgica, a Louvian Beer Therapists aconselha as crianças a beber cerveja (light!...). Aqui.
Dupont

«V de Vingança/V for Vendetta", de James McTeigue

De há uns anos a esta parte, e como já aqui n’O Vilacondense por diversas vezes fizemos referência, regista-se uma tendência para a Sétima Arte ir buscar inspiração à Nona… Na verdade, o número de filmes baseados ou inspirados na Banda Desenhada é crescente. Se, numa primeira fase, a ideia era dar vida a super-heróis, o registo tem sofrido algumas alterações, nomeadamente com o recurso a um nicho bem mais sério, o das graphic-novels. “V de Vingança” enquadra-se, precisamente, neste último caso, já que se refere à obra homónima assinada, entre 1982 e 1983, por esse génio que dá pelo nome de Alan Moore e desenhada por David Lloyd.
“V for Vendetta” é passado em 2020. O mundo sofreu alterações profundas: os EUA foram devastados por um vírus e a Inglaterra vive sob o domínio de um ditador, Adam Sutler, interpretado por John Hurt. O domínio de todas as facetas da vida dos cidadãos é a base desse poder, começando nas escutas da sua vida íntima e acabando no asfixiamento dos órgãos de comunicação social. É precisamente na televisão estatal BTN que trabalha Evey, uma jovem cujos pais foram torturados e mortos pela Polícia do regime. Um dia, quando regressava a casa, é apanhada por um grupo de homens que a tentam violar. É salva por uma misteriosa personagem mascarada, que assina “V”, e que se torna seu protector. Nessa noite, 5 de Novembro (“remember, remember, the fifth of November”…), V propõe-se dar início à libertação do país, começando por fazer explodir o edifício do ‘Old Bailey’, os Tribunais Criminais de Londres. Paralelamente, o herói mascarado elimina uma série de pessoas, homicídios que aparentemente sem nenhuma conexão, mas cujo puzzle a polícia tenta desesperadamente compor.
Não vale a pena estar a perder tempo, aqui, com a clássica discussão se o livro é melhor do que o filme, mas pode argumentar-se se a ideia que presidiu à graphic novel está, ou não, presente neste trabalho de James McTeigue. A resposta só pode ser negativa. Enquanto no livro o equilíbrio entre a vingança pessoal e a luta contra o regime ditatorial era patente, no filme fica-se com a sensação de que quase só existe motivação pessoal, para além de ser dado um muito maior destaque à personagem Evey.
Alan Moore criou “V de Vingança” em pleno thatcherismo, quando a esquerda inglesa anunciava que vinham aí tempos de autoritarismo. Hoje, a preocupação estará deslocada mais para o lado do terrorismo. Daí que a pergunta seja pertinente: rebentar com Tribunais e com a House of Parliament para combater um regime de ditadura é um acto legítimo ou de terrorismo? “V” é o salvador da pátria ou um Bin Laden com “boas” motivações?



A resposta não é fácil, mas parece claro que “V” é dos bons, usando métodos maus. A sua primeira inspiração – e daí a máscara – é Guy Fawkes, um louco que, no século XVII, pretendia fazer explodir o Parlamento britânico, num episódio que ficou conhecido por “A Conspiração da Pólvora”. Mas é claro que a personagem é um pot-pourri de muitas outras, como Batman e Zorro, além de, na própria história, se escutarem ecos de “O Fantasma da Ópera” e, claro, de obras críticas do totalitarismo, como “1984” e “O Admirável Mundo Novo”. Para quem conhece a obra de Alan Moore, isso não é novidade, bastando recordar “A Liga de Cavaleiros Extraordinários”, onde “ressuscita”, de uma assentada, o Capitão Nemo de “20.000 Léguas Submarinas”, Alan Quatermain de “As Minas de Salomão” e clássicos como “O Homem Invisível”, “A Ilha do Dr. Moureau”, “A Guerra dos Mundos” e “O Médico e Monstro/Dr. Jeckyll & Mr. Hyde”.
Se por isto já prometia, melhor ficou quando o argumento foi cair no seu equivalente cinematográfico: os irmãos Wachovsky. Efectivamente, os autores da trilogia “The Matrix” são igualmente peritos em construir histórias onde se cruzam referências filosóficas, históricas, religiosas e culturais.
Com isto tudo a favor, do lado do argumento, “V de Vingança” tinha tudo para ser um filme excepcional. Mas a verdade é que tal não acontece. A culpa não será dos actores, já que John Hurt e Natalie Portman estão irrepreensíveis e Hugo Weaving (o Agente Smith, de “Matrix”), como “V”, excede-se, até porque apenas trabalha a voz, fabulosa, e o corpo. Efectivamente, não chega a haver um “problema” com o filme. Tudo está bem e é de boa safra, incluindo a realização, serena e discreta, sem embarcar nas pirotecnias típicas de um blockbuster. “V de vingança” é um bom filme, sério, fugindo a clichés e reinventando muito do que de melhor tem a nossa pop culture, sem esquecer o aviso, sempre útil, sobre os perigos do totalitarismo. O todo é que não chega a deslumbrar, deixando, no fim, o espectador com uma ligeira sensação de insatisfação.
Dupont

Os 50 melhores restaurantes do Mundo


De acordo com a revista britânica “Restaurant Magazine”, estes são os cinquenta melhores restaurantes do Mundo. O top ten é:
  1. El Bulli, em Espanha (na imagem, Ferran Adriá)
  2. The Fat Duck, Reino Unido
  3. Pierre Gagnaire, em França
  4. French Laundry, nos EUA
  5. Tetsuya, na Austrália
  6. Michel Bras, França
  7. Alain Ducasse - Le Louis XV, no Mónaco
  8. Per Se, em Nova Iorque, EUA
  9. Arzak, em Espanha
  10. Mugaritz, em Espanha
Não deixa de ser significativo que, nos dez primeiros, a Espanha coloque três representantes e a França somente dois. No total os nossos vizinhos conseguem seis entradas, contra uma dezena de gauleses.
Nem será preciso dizer que este post é um prazer dos diabos
Dupont

Tirallas...


Em Hollywood, alguém resolveu ressuscitar "Dallas", a soap opera que entreteve os serões de milhões de pessoas no início dos anos 80. Cá, se não me engano, dava ao Domingo à noite...
Bem, então é assim: a infeliz e insatisfeita Sue Ellen deverá ser interpretada por Jennifer Lopez, o mauzão JR Ewing terá a cara de John Travolta, a irritante Shirley McLaine interpretará Miss Ellie e Luke Wilson será o insosso Bobby Ewing... Quanto à actriz que encarnará a sensual Pamela Barnes Ewing aceitam-se apostas!
Dupont

terça-feira, abril 11, 2006

Imparcialidade da nossa comunicação social

As eleições em Itália mostraram um país literalmente dividido ao meio. Segundo os últimos dados, Prodi terá vencido a eleição para a Câmara dos Deputados (49,80% contra 49,74%) e Berlusconi deverá ficar à frente no Senado (50,21% contra 48,96%). Como se vê, a diferença em ambos os orgãos é extremamente pequena.
Sabendo nós que o país tem perto de 50 milhões de eleitores e que a afluência à urnas foi na ordem dos 85%, estaremos perante uma votação de cerca de 21 milhões de votos em cada bloco político.
Eu acompanhei de forma algo distante as resportagens que foram transmitidas nas nossas televisões, mas vi alguma coisa. Não querendo abordar as tendências demonstradas pelos comentadores e mesmo pelos enviados especiais a Itália (abertamente opositores a Berlusconi), chamou-me a atenção o facto de 100% dos populares entrevistados nas habituais consultas de rua terem criticado e atacado Berlusconi.
Não quero comentar os candidatos em causa. No entanto, a forma tendenciosa e totalmente desligada da realidade como nos contaram o que se passava em Itália (os resultados provam-nos) é merecedora de sereva crítica. Quem visse as notícias da televisão (e acreditasse nelas) teria pensado que Berlusconi iria ser esmagado nas urnas. Quem analisa aquilo que efectivamente aconteceu, chega à conclusão que os jornalistas foram, eles sim, esmagados pelos factos.
Dupond

Erro de identidade?

"Detido «número um» da máfia, Bernardo Provenzano - O «número um» da máfia italiana, Bernardo Provenzano, foi detido hoje na Sicília, na região de Corleone, noticiou a agência italiana Ansa. Em fuga há 42 anos e actualmente o homem mais procurado de Itália, Bernardo Provenzano assumiu o controlo da Máfia siciliana depois da detenção de Salvatore «Totó» Riina, em 1993, em Palermo". Diário Digital.
Dupont

Silvio Berlusconi e o exercício do poder...


Dupont

Uma ideia tão original que até parece portuguesa...

Quando aqui falámos nas câmaras de controlo de velocidade na Inglaterra nunca imaginámos que os condutores locais fossem tão longe para delas se escaparem... O The Observer veio noticiar que os condutores britânicos inventaram um método para que a multa não lhes chegue às mãos. O processo é simples: a morada que está inscrita na licença de condução refere-se apenas a um endereço postal. Simples e eficaz. A polícia, claro, já fala em mudar a lei...
Dupont

Não sei se chega...


Dupont

«North Country», de Niki Caro

A luta de uma mulher contra a forma como os seus colegas de trabalho a tratam e a indiferença perante isso da empresa onde todos trabalham é o mote de “North Country”.
A acção decorre em 1989, no Minnesota, numa zona de minas de ferro chamada “Mesabi Iron Range”, que Bruce Springsteen cantou em “Youngstown”. Ali, onde as gentes são tão duras como o chão que escavam, Josey vai buscar refúgio a casa dos pais, em fuga de um companheiro que a agride constantemente… Após um efémero emprego como cabeleireira, opta por ir trabalhar para as minas, onde se ganha seis vezes mais. A motivação de Josey é ganhar honestamente a vida, para suportar a sua família, composta por um adolescente e uma miúda em idade pré-escolar. Só que trabalhar na empresa não é fácil, com Josey constantemente a ser agredida, física e verbalmente, pelos colegas homens, o mesmo se passando com as colegas de trabalho. Após um calvário de insultos, ela resolve abandonar o emprego e processar a empresa e os colegas por assédio sexual no local de trabalho.
A apresentação da história não é linear. Ficamos logo a saber que estamos perante um caso que chegou a Tribunal, muito embora o espectador ainda pouco ou nada saiba sobre dele... Niki Cairo optou pela montagem paralela, alternando a vida de Josey com o desenrolar do drama na sala de audiências, onde se discute a admissibilidade do pedido e, ainda não, o julgamento final.
Baseado numa história real, do primeiro caso de assédio sexual no local de trabalho julgado em Tribunais Americanos, e de cujo desfecho as mulheres sairiam vencedoras em 1991, “North Country” mostra-nos a luta desigual de uma mulher contra os colegas de profissão e contra a empresa que a todos paga o ordenado. Mas é nas dificuldades que se vê o carácter das pessoas e o de Josey é enorme. Ele não quer tirar vantagem da sua situação, mas antes ser tratada com respeito e igualdade. O enxovalho brutal a que as mulheres da empresa eram sujeitas está para lá de qualquer tolerância. Mas ela aguenta até ao limite do humanamente possível, sempre com a ideia firme de proteger os filhos. As dificuldades encontra-as, também, cá fora. O pai é igualmente trabalhador na mina e oscila entre o amor pela filha e o receio de ser humilhado pelos colegas. As amigas não a apoiam com medo de perder o emprego e de as coisas piorarem. E o próprio filho chega a rotular a mãe de “puta”… Perante este cenário, só a determinação de Josey e do seu advogado conseguem levar a acção a bom porto…
“North Country” só peca por uma coisa, mal que afecta muito cinema americano: tenta ser demasiado moralista. A luta é dura e, no final, vencem o bons… Já tínhamos percebido, mas a realizadora não quer deixar dúvidas e, vai daí, trata de mostrar rios de lágrimas e momentos de catarse colectiva… Aliás, são estes momentos finais que roubem alguma classe a um filme que, até ali, seguia sóbrio e seguro.
A luta entre o indivíduo e o colectivo, já é velha no cinema, especialmente em casos de Tribunal. Estou a recordar-me de “Silkwood”, “A Class Action”, também um pouco de “Erin Brokovich” e, especialmente, de “Norma Rae”. Charlize Theron tem um desempenho diferente, mas extraordinário. Carinhosa, desiludida, confiante, perdida, o seu rosto mostra todos os matizes possíveis do espírito de uma mulher que abraçou uma causa. E, claro, nem coberta de fuligem consegue esconder os mais belos traços do cinema actual. Depois, há um bom naipe de actores secundários, alguns oscarizados como Francês McDormand e Sissy Spacek, mas também Sean Bean e Richard Jenkins, este que conhecemos como o pai da família de “Sete Palmos de Terra” e um tremendo character actor.
Dupont

Criatividade publicitária


Publicidade sobre mendicidade infantil, na India. Mais aqui.
Dupont

Novos lançamentos



Da América, mais propriamente dessa área onde fervilham novidades chamada "alt-country", chegaram:
  • Calexico - Garden Ruin
  • Lambchop - Decline of Country & Western Civilization Part II
  • Josh Ritter - Animal Years
Dois originais e uma compilação, a dos Lambchop.
Dupont

segunda-feira, abril 10, 2006

Operação «Mãos Limpas» na Saúde...

"Calcula-se que entre 50 a 60% dos médicos e enfermeiros em todo o mundo não lavam nem desinfectam as mãos quando tratam os doentes, uma falha responsável pela maior parte das infecções cruzadas nos hospitais, diz a OMS.". Diário Digital.
Dupont

Quem não chora, não mama!...

"O presidente francês, Jacques Chirac, anunciou hoje que o Contrato de Primeiro Emprego, CPE, será substituído por um mecanismo a favor da inserção profissional dos jovens com dificuldades para entrar no mercado laboral." Diário Digital.
Dupont

PC


A notícia vinha na Sábado: “Os miúdos já não cantam como antes”. O conteúdo do texto prendia-se com o facto de, agora, as letras das crianças estarem adoptadas aos tempos actuais. Assim, onde havia agressividade passa a haver suavidade. Um exemplo;
Atirei o pau ao gato/mas o gato não morreu” passa a “Atirei o pão ao gato/mas o gato não comeu”.
Nem sei bem se isto é para rir ou para chorar… A paranóia do politicamente correcto leva a que tenhamos medo de assumir posições, de usar expressões ou palavras que possam ofender terceiros. Levada à letra, a coisa assume proporções medonhas. Sim, porque quem usar os substantivos e frases tradicionais é visto como um bronco e um troglodita que não se sabe comportar em sociedade.
Esta ditadura do PC que se continua a impor de forma absolutamente inacreditável, está a conseguir diminuir a capacidade crítica dos cidadãos, condenando-os a um entediante cinzentismo que não augura nada de bom. Porque não só condiciona quem se expressa, que perde metade do tempo e energia a verificar se o que diz estará ou não correcto, como anestesia quem ouve, que não encontra nem cor, nem alma nas palavras que lhe entram pelos ouvidos.
O exemplo que a Sábado apresenta sobre aquela canção infantil que todos conhecemos, é sintomática deste estado de coisas. Até pelo absurdo: atirar pão a um gato? E que mal é que tinha a versão original? Milhões e milhões de portugueses cantarolaram-na e não me parece que alguém andasse a atirar paus aos gatos para verificar a veracidade da letra… E as histórias infantis? O que é que vai acontecer ao Lobo Mau que come meninas e avozinhas? Não haverá aqui resquícios de pedofilia? Não sei, não… E aquela do beijo que a Bela dá ao Monstro para ele se transformar em príncipe não ecoa a acto sexual? E que dizer da Gata Borralheira que era mandada, ainda criança, para a cozinha? Trabalho infantil, sem dúvida!... Não será melhor criar um codex infantil e proibir as nossas crianças de ouvirem estas histórias horríveis? Que se lixe a capacidade de maravilhar, o medo fantástico do escuro, a imaginação galopante de quem acabou de se escutar uma história maravilhosa! Na verdade, o que estes seres bem-pensantes precisam é de umas sessões de psicoterapia para exorcizarem alguns fantasmas que ainda os assustam… Será que ainda tê medo do Lobo Mau porque ainda não tiveram coragem de escutar a história até ao fim e não sabem que os caçadores mataram a besta, abriram-lhe a barriga e tiraram de lá a Capuchinho e a Avozinha?
Dupont