terça-feira, abril 04, 2006

12 milhões

Doze milhões é o número redondo do número de imigrantes clandestinos nos Estados Unidos, segundo o El Pais, certamente baseado em fontes fidedignas.
E é para acabar com esta multidão de gente que entra no país à procura de uma vida melhor que o Senado acaba de aprovar uma nova lei sobre imigração. Além dos trâmites normais para qualquer estrangeiro, para se ser admitido naquele país é necessário que o interessado tenha um papel activo na sua integração linguística e cultural, um certificado de bom comportamento durante onze anos e que pague uma multa pela entrada ilegal.
Os EUA fundaram-se e funcionam com base na imigração. O melting pot é a base de toda a existência desta mega-poitência. Por isso, é não só compreensível como necessária, a imposição de regras para quem lá quer viver. A posição do Governo norte-americano é, antes de tudo o mais, sensata. Como em tudo na vida, há que estabelecer regras, mas estas não podem ser tão restritivas que bloqueiem o acesso, nem tão permissivas que aceitam a entrada desenfreada de imigrantes. As condições impostas são, do meu ponto de vista, perfeitamente justificáveis, numa base de troca: sim, aceita-se a entrada de estrangeiros que para cá vêm trabalhar e ajudar a tornar o país cada vez mais forte, mas isso tem contrapartidas, nomeadamente a sua integração e respeito pelo sistema existente. No fundo, é um negociação, como canta Bruce Springsteen em “Sinaloa Cowboys” (1995), a trágica história de dois irmãos chicanos:
Miguel came from a small town in northern Mexico.
He came north with his brother Louis to California three years ago
They crossed at the river levee, when Louis was just sixteen
And found work together in the fields of the San Joaquin

They left their homes and family
Their father said, "My sons one thing you will learn,
for everything the north gives, it exacts a price in return." (…)
É óbvio que a vontade de melhorar a vida é algo que todo o homem ambiciona. Mas a verdade é que isso não pode ser visto da forma libertina como muitos preconizam. E, na sequência e complemento daquilo que já ontem aqui dissemos, não pode um Governante de um país democrata esperar que um seu homólogo facilite o cumprimento da lei no que diz respeito a uma determinada nacionalidade de incumpridores da lei. Que é, no fundo, daquilo que se trata.
Dupont