sexta-feira, abril 21, 2006

«3121», de Prince


Para escrever sobre Prince convém, desde logo, fazer uma declaração se interesses: fui um fã fervoroso da sua obra. Já aqui no blog o disse, tenho quase tudo o que saiu do midget de Minneapolis: álbuns, singles, maxi-singles, vídeos, DVDs, bootlegs. Assisti às suas duas mortes artísticas, testemunhei as mudanças de nome, li tudo o que me foi possível. Um verdadeiro fã, portanto.
Mas desde “Diamonds & Pearls” que Prince não faz nada de jeito. As fórmulas estão gastas, a criatividade musical parece ter-se esgotado e compro cada álbum seu com a angústia de quem já viu a excelência e, agora, é confrontado com a mediocridade.
As críticas favoráveis a “3121” que a maior parte da crítica musical lhe ofereceu aguçaram a minha curiosidade. Infelizmente, as expectativas saíram completamente goradas, pois este álbum não traz nada, mas mesmo nada, de novo. Já ouvimos aqueles arranjos há décadas… As letras tanto podiam ter sido escritas hoje como há vinte anos… Até os colaboradores são os mesmos: Maceo Parker, Sheila E., Candy Dulfer, etc, etc., etc… Em poucas palavras, Prince parou no tempo e não parece haver forma de encontrar um buraco temporal que o faça voltar ao tempo presente.
O disco começa com o tema que dá título ao álbum, “3121” um tema funk desinspirado, seguindo com “Lolita” que mais parece ter saído do histórico “1999”… Segue-se o pior momento, com a primeira de muitas baladas, “Te Amo Corazón”, onde se misturam ritmos latinos, congas e guitarras acústicas. Só visto!... No quinto tema, “Incense and Candles”, Prince ainda mostra alguma chama: “’Cause this is not something U can do alone / There’s a dance floor but we can use a table / I got to have a partner that’s willing and able / Once U try 2 seduce me it grows and grows…”. Não é preciso fazer um desenho, pois não?... Antes de desistir, não queria deixar de chamar a atenção para o tema “Love”, onde o fantasma de Michael Jackson esvoaça por todo o lado. Será que Prince quer atacar o trono vazio do Rei da pop?
Um álbum para esquecer, que não vale, sequer, o dinheiro que custa, que, infelizmente, é muito pouco comparado à desilusão que é escutá-lo.
Dupont