segunda-feira, abril 24, 2006

Bestial ou besta?

O FC Porto sagrou-se Campeão Nacional, num dos mais estranhos campeonatos dos últimos anos, muito por obra e graça do treinador, Co Adriaanse.
Na verdade, não deve ter havido adepto portista que não rogasse pragas ao treinador e que não esfregasse os olhos ao ver a equipa com cinco pontos de avanço, ainda a prova estava longe do final. Aliás, bastava ver a “comunicação social” desportiva, para se compreender que ninguém acreditava que o FC Porto terminasse a corrida em primeiro lugar.
Mas o certo é que, sozinho, o holandês teimoso, lá conseguiu levar a nau a bom porto, e ainda pode fazer a dupla, caso conquiste a Taça de Portugal. Será teimosia, perseverança ou… sorte? Para ser franco, ainda não encontrei uma resposta, até porque me custa acreditar que tenha sido só “qualidade” do treinador, quando o seu curriculum só agora perdeu a virgindade de títulos, e o senhor já vai nos “cinquentas”… Dando-lhe de barato algum mérito, quer parecer-me que a velha máxima “qualquer treinador no Porto arrisca-se a ser campeão” será a responsável pela maior fatia de responsabilidade na altura de verificar a contabilidade do campeonato. Isso e a nata de jogadores que o clube lhe disponibilizou: Baía e Helton - seguríssimos, Pepe e Pedro Emanuel – à prova de bala, Paulo Assunção e Ricardo Meireles - a brilhar, e Lucho e Quaresma - a encantar, mais ninguém em Portugal teve matéria de prima de tão boa qualidade.
Em Penafiel, quem viu a marmórea face de Pinto da Costa a olhar para os adeptos, esses, sim, em delírio, não pode ter deixado de estranhar. Toda a gente sabe que o Presidente do FC Porto tem andado com salgados de boca, mas isso apenas explicará parte do problema. Quem se recorda da exuberância da celebração da conquista de outros campeonatos, não poderá ter deixado de franzir o sobrolho perante tão fria comemoração.
O Porto venceu e isso é o essencial. Quanto a Co Adriaanse, é bom aguardar pela próxima época para ver se o sistema do treinador é, efectivamente, bom ou se tudo não passou de um acaso. Aguardemos, então, enquanto nós, portistas, nos deliciamos com uma taça de champanhe na mão.
Dupont