segunda-feira, abril 24, 2006

Blitz

Após um período conturbado, encerrou, ontem, o único jornal de música português, o Blitz. É sempre de lamentar o desaparecimento de um título jornalístico, mas, neste caso, ainda é mais grave, uma vez que se trata de um jornal temático, numa área que vai ficar completamente órfã na comunicação social lusa.
A verdade é que o projecto Blitz há muito tinha deixado de ser apelativo, algo que nem o uso total da cor veio resolver. Uma publicação deste género tem de ir, forçosamente, ao encontro do público a que se destina e não vaguear ao gosto de quem a produz. Há vinte anos atrás, ler o Blitz era quase obrigatório, não só para se tomar conhecimento das bandas que estavam na berra, como também para ler o mar de pequenos comentários e mensagens que inundavam os “Pregões”. O jornal, era, portanto, a voz de uma geração.
Com o passar do tempo e um pouco como aconteceu com a MTV, deixou de haver uma espinha dorsal que definisse os gostos. O que passou a acontecer foi o jornal ir atrás do gosto da maioria. E entrou em desgraça… Hoje, no Blitz, somos capazes de ouvir louvores à música ligeira, como os ABBA. Há uns anos, no vigor do Blitz, isto era impensável. O jornal ditava o que era ou não era ‘in’ ouvir, e a banda sueca não estava, com toda a certeza, entre os eleitos.
Sempre fui um leitor do jornal, nem sempre com regularidade. Entretanto, a divulgação e acessibilidade de revistas estrangeiras, o advento da Internet e a heterogeneidade de gostos nos consumidores mais jovens, fizeram o resto. As mensagens sms substituíram os famosos pregões, os miúdos tanto ouvem D’zert como Ben Harper, 50 cent ou os Clã. Há quem ache positiva esta pouca unicidade de gostos. Eu acho mal. Do meu ponto de vista, isto demonstra pouco conhecimento, pouco interesse e, o pior de tudo, falta de critério e de consciência na escolha.
O Blitz, por ser “o Blitz”, deveria ter encerrado as portas ao mínimo sinal de degenerescência. Não o fizeram. Assim, o jornal que marcou uma geração desaparece quase moribundo. O que é pena.
Dupont