quinta-feira, abril 13, 2006

Doença incurável?


Apresentadoo Relatório de Gestão da Câmara Municipal de Vila do Conde para o ano de 2005, verifica-se que o passivo da autarquia atingiu, como já é sabido, o montante estratosférico de 91,7 milhões de euros, segundo o JN.
Como o blog tem um arquivo bem arrumadinho, pode ver-se que, em relação a 2003, o montante do passivo já atingia setenta milhões de euros, como pode aqui ser recordado. Em relação ao exercício de 2004, aquele valor tinha subido mais cinco milhões de euros, parando nos setenta e cinco milhões, tal como aqui referímos.
Este ano, a surpresa é total: um salto de 22% e um aumento de quase dezassete milhões de euros. Analisando os últimos anos, vê-se que em apenas meia década, o montante do passivo quase duplicou. Ao mesmo tempo, como ainda há bem pouco tempo referíamos e ironizávamos aqui, a Câmara Municipal de Vila do Conde tornou-se a quarta com maior índice de endividamento, totalizando 145%. "Somos o concelho socialista com o maior limite à capacidade de endividamento em todo o País!", dissemos então.
Visto de outra forma, se no ano passado cada vilacondense era "responsável" por cerca de 1000 euros do passivo da Câmara, este ano essa "responsabilidade" subiu para... 1.222 euros!
O que me fascina na nossa Câmara Municipal é a capacidade para da desgraça fazer festa. Veja-se que ao mesmo tempo que o passivo aumenta, aumenta o endividamento, mas não se vê para onde vai o dinheiro. Água e Saneamento não temos e, se viermos a ter, serão os privados a suportar. O Polis é, na sua esmagadora maioria, pago pelo Poder Central, assim como o Metro. As estradas...nem vale a pena falar. Habitação Social? Em relação às famosas 905 casas a fazer até 1999 ainda não se vê o fim, sendo certo que muitas estão feitas e permanecem...vazias. O Cine-Neiva aguarda dinheiro do Estado. A Ponte de Retorta aguarda dinheiro do Estado. O Hospital aguarda dinheiro do Estado. A ROM aguarda decisão e investimento do Estado. And so on...
Então o que é que fica?
Voltando aos números, convém recordar uma outra realidade, a orçamental. Este ano, o Orçamento baixou dez milhões de euros em relação ao de 2005, ou seja, passou de setenta e cinco milhões de euros para sessenta e cinco. Ou seja, se a Câmara cancelasse todos os pagamentos e condicionasse as receitas para a diminuição do passivo, ainda assim registar-se-iam vinte e seis milhões de euros de calote...
Posto isto, cabe perguntar:
Alguém confiaria a gestão da sua empresa a uma equipa com este curriculum?
Como é que um gestor como Mário Almeida consegue apresentar resultados piores de ano para ano e continuar a sorrir à população que nele confiou o seu voto?
Aliás, tendo em atenção os recentes resultados autárquicos, a pergunta certa até será: mas isto das contas da autarquia interessa a alguém? Será que alguém se rala se a Câmara Municipal estiver em falência técnica? Afinal, quem é que já viu uma autarquia abrir falência?
Eu tinha vergonha de apresentar contas destas relativamente a algo de que fosse responsável. Mas, pelos vistos, estou sozinho...
Dupont