terça-feira, abril 25, 2006

Fim



O Vilacondense acaba aqui. A decisão já estava tomada há algum tempo e fui eu a despoletá-la – pelo que os outros estão desculpados. Era cada vez mais difícil tratar do blog com a dedicação e prazer com que a ele sempre me dediquei, pelo que, ao optar por sair, faço-o, acreditem, com uma profunda tristeza.

Em Setembro de 2003, estava o Dupond de férias no Algarve, nasceu a ideia de criarmos um blog. O projecto viria a tornar-se realidade em 5 de Outubro. A partir daí, a história é conhecida e estão aí os arquivos para o provar. Nos primeiros tempos, dobrar o cabo das trinta ou quarenta visitas era motivo de celebração. Hoje, à semana, visitas diárias acima das quinhentas é perfeitamente normal. Fazendo fé no blogómetro, entre centenas e centenas de blogs, O Vilacondense termina, quanto a visitas (785), em



e quanto a visualizações (1080),


Se retirássemos a enxurrada de blogs porno-eróticos ainda estaríamos bem mais acima, entre os trinta primeiros. Nesse aspecto, o período que antecedeu as eleições autárquicas foi a nossa subida do Everest: chegámos a estar em 13º lugar nacional...
Efectivamente, O Vilacondense foi um surpreendente caso de sucesso na blogosfera - especialmente para nós, que nunca, mas mesmo nunca, imaginámos alguma vez atingir semelhante dimensão. Não há registo de um blog de expressão local ter esta dimensão. É claro que, a partir de certa altura, “alimentar o monstro” já não era só um prazer, mas uma obrigação… Ver um filme, ler um livro ou um jornal e estar constantemente a questionar se há, ou não, matéria para carrear para o blog é um indício claro de blogo-dependência. Também por isso, o fim do blog significa o regresso a alguma independência. Daí termos simbolicamente escolhido o 25 de Abril como data para o seu encerramento. Mas não só…

A chegada a Vila do Conde deste blog foi, ainda, uma lufada de ar fresco na exposição e tomada de opiniões. A questão do uso de pseudónimos teve, até, um efeito curioso. Numa terra onde toda a gente está politicamente rotulada e, como tal, engavetada, o uso de um nickname permitiu a muita gente ler um texto sem o ligar a uma cara, a um partido, a uma qualquer referência que lhe toldasse ou condicionasse a apreciação. Sim, aqui somos todos do F.C.Porto e andamos, politicamente, à volta da social-democracia. E daí? Só aqui vinha quem queria e nunca recusamos comentários, com excepção dos insultuosos. O Vilacondense, goste-se ou não, foi um espaço de liberdade, numa terra onde a comunicação social continua completamente estrangulada. Nesse espírito, e ao contrário da maior parte dos bloggers que não respondiam a invectivas, nós sempre encetávamos verdadeiras conversas com os comentadores, numa abordagem que sempre julgamos franca e, principalmente, agradável.

Foi assim que muitos bloggers e frequentadores das caixas de comentários se tornaram nossos conhecidos. Em primeiríssimo lugar, o nosso provedor, João Paulo Meneses, com quem trocámos ideias, abordagens e algumas reflexões. E ele sempre foi de uma correcção e verticalidade absolutamente inultrapassáveis. Depois, uma saudação muito especial para a restante comunidade blogueira local, onde pontificam, entre outros, o Eduardo, o six, o kafka, o Miguel, o Luís e o Nuno, o jardineiro, o Gonçalo, o Fernando Vilarinho, o Mário Azevedo e o Alex, entre outros, sem esquecer, claro, todos os que passaram pelo Blogue do Rio Ave Futebol Clube e ao prazeres diabólicos do Fernando Vaz. Aqui ao lado, na Póvoa de Varzim, referência incontornável para o Peliteiro, do Trenguices, que já entrou para o clube dos amigos – não é preciso dizer mais nada, pois não? – e um abraço ao mestre Tony.
Depois, não queria ir embora sem algumas menções especiais. Desde logo, o Blasfémias, onde mora a nata da blogosfera portuguesa, como o CAA, o Luís, o Gabriel, o jcd, o Carlos, o Rui e o André. Aliás, o extinto Mata-Mouros foi como que o nosso padrinho blogosférico… Depois, o blogame mucho, do besugo e da lolita, minha reencontrada colega de curso. O Origem das Espécies, do Francisco José Viegas, o Pacheco-pai-da-blogosfera-Pereira, o Observador do André, o eterno Velho do Velho da Montanha, o Miguel do Hollywood, o destemido António do Portugal Profundo, o nórdico Homem das Neves e A Fundasão, que nos promoveu a colaboradores.. E, claro, também o Alandroal, do Luís Tata, blog por via do qual quase nos irmanamos com aquela vila alentejana… Uma outra curiosidade que escapou à maior parte dos leitores é que o blog se tornou num local de reencontro de colegas da Universidade, como o pp, o incrédulo, a castafiori, o noddy ou o patapouf.
Como os últimos são os primeiros, o maior agradecimento vai, obviamente, para os extraordinários e excelentes companheiros de viagem, o Dupond, o Alcazar e o Haddock.

Pois é…Todas a coisas têm um fim e o do Vilacondense é este. Para quem andou este tempo todo a tentar descobrir quem era o Dupont, já não precisa de procurar mais… estou aqui.
Muito obrigado a todos. Vemo-nos por aí…
Dupont


O Vilacondense acaba hoje. No momento em que me despeço dos nossos amigos e leitores quero dizer-lhes que gostei muito de fazer parte desta equipa. Primeiro a sós com o Dupont, que teve a ideia de fazer o blog e foi, de longe, o maior animador do mesmo. Depois, disfrutando da companhia do Haddock e do Alcazar, parceiros que completaram o painel de colaboradores deste espaço.
No decorrer deste longo período de tempo, cumpri religiosamente aquilo que tinha assumido comigo mesmo: transmitir a minha visão de Vila do Conde, de Portugal, da Europa e do Mundo. Fi-lo sempre em concordância absoluta com a minha consciência íntima e sem fazer qualquer esforço para alinhar em discursos politicamente correctos ou violentando convicções. Sabem uma coisa: senti-me muito bem a fazê-lo!
Não quero fazer balanços. Cada um fará os seus. É melhor assim. Já imaginaram se lhes dissesse o que penso sobre o que foi O Vilacondense? Ainda corria o risco de me chamarem vaidoso ou convencido...
Até sempre!...
Dupond


Há precisamente um ano O Vilacondense anunciava a revolução, profetizando evolução. Não me atrevo a julgar se, neste período, O Vilacondense progrediu ou não. Com a qualidade e os méritos que o Dupont e do Dupond possuem era inevitável o crescimento verificado no número de visitas diárias.
Pessoalmente, no entanto, foi uma experiência notável. A familiaridade que existe entre os bloggers do Vilacondense derramou para os comentadores mais ou menos habituais, emergindo daí um respeito mútuo que estribou a discussão livre, despretensiosa e enriquecedora neste espaço de “conversa de café” virtual que O Vilacondense sempre pretender ser. Todos pudemos pensar, opinar e contradizer sem condicionalismos, contrariando o recato e a precaução aconselhadas pela tirania do “politicamente correcto” que, neste país e em particular nesta terra, floresceu e continua a prosperar. Foi, ao menos para mim, um espaço de evasão, de partilha e de engrandecimento, no qual tive o prazer e o privilégio de poder participar.
Terão havido, certamente, alguns exageros, mas jamais o anonimato dos bloggers do Vilacondense foi um meio para a prossecução de intuitos ou causas inconfessáveis. Em vez disso, serviu para, umas vezes, “conversar” sobre coisas sem importância e, noutras ocasiões, partilhar preocupações mais sérias. O feed back que encontrou aqui e ali e a participação que mereceu, testemunham o papel que O Vilacondense desempenhou. Creio ser justo afirmar quer O Vilacondense ganhou o respeito de quem por aqui passou e isso basta-me.
O tempo que O Vilacondense exige é, contudo, demasiado para a disponibilidade pessoal que lhe poderia ser dada, pelo que chegou o penoso momento de parar.
Vila do Conde, Portugal, a Europa e o Mundo” terão sempre o meu despretensioso e elementar contributo, mas este processo revolucionário termina aqui.
General Alcazar


Tudo o que começa acaba... e o que nasce, morre... e o que... Ok, vou terminar.
Um abraço grande para os compinchas Dt e Dd (de antes e de depois), que me abriram as portas deste blog - seu estimado "filho" . O honroso convite para, com eles e o Alcazar, ir dando vida a um projecto digital da importância d´O Vilacondense foi muito gratificante e tornou-se para mim um desafio constante.
Deixo também uma referência especial aos comentadores - residentes uns , ocasionais outros - que, atentos, nunca deixaram de contribuir para o debate de ideias e o confronto de perspectivas.
Adeus
Haddock