sexta-feira, abril 21, 2006

«Frases que fizeram a História de Portugal», de Ferreira Fernandes e João Ferreira

Todos nós gostamos de fazer citações. Desde as mais populares até às mais eruditas, sem esquecer o supra-sumo que é um latinismo, colorir o discurso recorrendo a uma referência cultural é sempre visto com agrado. Mas será que quem utiliza essas frases sabe o seu significado?
O livro “Frases que fizeram a História de Portugal” vem, precisamente, dar resposta a essa questão. Começando com “Roma não paga a traidores”, atribuída a Servílio Cipião o livro termina duzentas e cinquenta e duas frases depois com “Nunca me negano e raramente tenho dúvidas”, de Aníbal Cavaco Silva. Pelo meio ficam cinco capítulos, começando em “Nascimento de uma Nação” e continuando com “A Grande Aventura”, “De novo independentes”, “O Liberalismo” e, finalmente, “As Repúblicas”.
O que fascina nesta obra dos dois jornalistas é que consegue fazer uma simbiose perfeita entre rigor científico e divulgação. Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes articulistas portugueses, dotado de um sentido de humor ímpar. Já várias vezes fizemos, aqui, n’O Vilacondense, citações integrais de textos seus. E o que é extraordinário é que essa sua característica está presente ao longo das explicações oferecidas para cada uma das frases escolhidas, o que transforma a leitura do livro num momento de puro deleite.
Os textos nãos e limitam a dar a explicação para a frase, mas inserem-na no contexto histórico-político em que foi proferida. Por exemplo, o “Obviamente, demito-o”, de Humberto Delgado, é completado com quase duas páginas de informação. Outros, mais simples, como “A verdade pinta-se nua”, de Garcia de Orta, merece duas linhas…
Intercaladas, surgem várias páginas retratando uma longa série de personagens históricas associada à frase que os imortalizou, assim quebrando uma certa monotonia enciclopédica que se poderia apoderar de uma leitura em contínuo.
O grande prazer, claro está, é vasculhar o livro à procura de frases que julgámos conhecer, ou de que pensamos saber o real significado. Mas, ao mesmo tempo, e sem disso dar conta, o livro proporciona uma invulgar viagem pela nossa História, algo que, cada vez mais, parece estar remetida para os bancos da escola…
Dupont