terça-feira, abril 11, 2006

Imparcialidade da nossa comunicação social

As eleições em Itália mostraram um país literalmente dividido ao meio. Segundo os últimos dados, Prodi terá vencido a eleição para a Câmara dos Deputados (49,80% contra 49,74%) e Berlusconi deverá ficar à frente no Senado (50,21% contra 48,96%). Como se vê, a diferença em ambos os orgãos é extremamente pequena.
Sabendo nós que o país tem perto de 50 milhões de eleitores e que a afluência à urnas foi na ordem dos 85%, estaremos perante uma votação de cerca de 21 milhões de votos em cada bloco político.
Eu acompanhei de forma algo distante as resportagens que foram transmitidas nas nossas televisões, mas vi alguma coisa. Não querendo abordar as tendências demonstradas pelos comentadores e mesmo pelos enviados especiais a Itália (abertamente opositores a Berlusconi), chamou-me a atenção o facto de 100% dos populares entrevistados nas habituais consultas de rua terem criticado e atacado Berlusconi.
Não quero comentar os candidatos em causa. No entanto, a forma tendenciosa e totalmente desligada da realidade como nos contaram o que se passava em Itália (os resultados provam-nos) é merecedora de sereva crítica. Quem visse as notícias da televisão (e acreditasse nelas) teria pensado que Berlusconi iria ser esmagado nas urnas. Quem analisa aquilo que efectivamente aconteceu, chega à conclusão que os jornalistas foram, eles sim, esmagados pelos factos.
Dupond