quinta-feira, abril 13, 2006

O exemplo vem de cima. Sempre.

Os deputados e deputadas desta república à beira-mar plantada, deram aos portugueses mais um motivo para conversa em todos os cafés e praças do país.
Segundo o secretário da mesa da Assembleia da República Fernando Santos Pereira, ontem dia 12 de Abril, faltaram às votações 107 deputados.
ATENÇÃO: Faltaram mas assinaram o livro de ponto…Em serviço, não se brinca.
Dos 194 deputados que assinaram presença no hemiciclo no início da tarde, estavam presentes no final da tarde 110. Ou seja, houve 84 deputados que faltaram tão inesperadamente e com tanta urgência que nem tiveram tempo de desarriscar o livro. Este episódio faz-me lembrar a greve “part-time” dos médicos, aqui hás uns anitos: estes também assinavam os livros do ponto nos hospitais às 09h00 e, logo de seguida, entravam em greve. Greve nos hospitais, porque, em simultâneo, estavam a dar consulta nos seus consultórios privados. É fácil ganhar a vida...
É o chamado três em um: recebeu o ordenado do hospital porque assinou o livro de ponto; está em greve porque saiu do hospital depois de assinar o livro e está a ganhar no consultório privado. Edificante.
E, mesmo aqueles deputados e deputadas que venham a ter a merecida e justa falta, não precisam de se preocupar. Afinal o Estatuto dos Deputados - que eles próprios fizeram - impõe um desconto de "1/20 ou 1/10 do vencimento por cada falta injustificada". Perderão menos que os trabalhadores - da função pública e do privado - que, pura e simplesmente, perdem tudo se faltarem um dia e não justificarem.
Não quero fazer aqui o discurso da desgraça nem do ataque à classe política por dá-cá-aquela-palha. Mas todos percebemos sem dificuldade porque é que os políticos estão tão descredibilizados.
Pudera, faltam ao serviço e assinam livro de presença.
Haddock