quarta-feira, abril 12, 2006

Ofensas primárias

Num miserável escrevinho, cobardemente anónimo, intitulado “As feridas da liberdade” e publicado no “Jornal de Angola”, o director do Público, José Manuel Fernandes, é miseravelmente insultado, catalogado como “comerciante da honra caricato”, “turista da Jamba”, antes “a soldo de Sabimbi”, agora “sabe-se lá de quem” e incluído entre aqueles que o rabiscador considera “racistas”, “ignorantes”, “provocadores”, “indigentes mentais” e "racistas doentes".
A ignomínia prossegue, depois, contra os portugueses e Portugal, referindo que “Ninguém se lembrou de investigar os governantes portugueses por terem permitido que crianças à guarda do Estado Português tivessem sido abusadas sexualmente. Ninguém fez a lista dos corruptos que, segundo magistrados portugueses, crescem como cogumelos à sombra do aparelho de Estado e estão a exaurir a riqueza de Portugal
O escrevinhador termina desenrolando os habituais preconceitos e traumas, referindo que “A libertação de Angola das garras do colonialismo doeu a muita gente em Portugal. Ainda dói. Mas esses saudosos do colonialismo, esses racistas dementes, têm de se habituar, de uma vez por todas, que os angolanos são senhores do seu destino. E os partidos políticos angolanos, as nossas instituições não precisam de vozes de burros para se fazerem ouvir. Em Angola existe liberdade de expressão, ninguém precisa de voz de donos que ninguém sabe donde lhes vem a legitimidade democrática. A nossa vem da luta, do combate heróico contra o colonialismo e o fascismo (…)”.
Como português tenho um enorme orgulho na história do meu país, polvilhada, é certo, de muitos erros, tal e qual como a história de todos os países, os quais, contudo, não justificam que o relacionamento com as ex-colónias, mais de trinta anos depois das respectivas independências, seja eternamente condicionado pelos traumas que possam existir decorrentes de cinco séculos de colonização, reprimindo relações conformes com princípio da equivalência ou correspectividade.
É tempo de Portugal se relacionar com as ex-colónias como elas quiserem, de retribuir e (cor)responder na mesma moeda, reagindo vigorosamente às ofensas que sejam, como é o caso, perpetradas.
A verborreia despejada no editorial do “órgão oficioso” do governo de Angola visou demarcar a distância a que Angola pretende manter Portugal. Portugal deve responder aceitando tal distanciamento, repudiando, antes de mais, o editorial do Jornal de Angola e lembrando o funcionamento livre e independente dos órgãos de soberania nacionais, designadamente do Governo e dos tribunais.

Aditamentos:
O Ministério dos Negócios Estrangeiros remeteu declarações sobre o assunto para o gabinete do Primeiro-ministro que, como é habitual, se recusou a comentar. O nosso Governo, outra vez, de cócoras.
O Blasfémias também dedicou um post ao assunto.
General Alcazar