quinta-feira, abril 20, 2006

Tanto barulho para… quem?

O Governo apresentou o “Livro Verde sobre as Relações Laborais”, onde se revela que “dois terços das convenções colectivas aplicam-se a menos de 6% dos trabalhadores”. Também por lá se diz que, com tal profusão de documentos, muitos trabalhadores acabam por se ver encaixados em mais do que uma CCT…Ou seja, há instrumentos reguladores a mais!
A conclusão mais imediata é que os trabalhadores acabam por ser prejudicados com esta enxurrada de convenções, que ainda complicam mais a já de si extensa legislação laboral. O que é mais lamentável, é que para tantas CCT, tanta lei, se faça tanto barulho em nome dos trabalhadores. A quantidade de parasitas que vegetam nos sindicatos e nas empresas, sempre com as palavras “direitos dos trabalhadores” na boca, deveriam parar e reflectir não só sobre a necessidade da sua função, como, principalmente, no facto de o seu desempenho não estar a ajudar ninguém.
Num país onde a mão de obra qualificada ainda é uma miragem, a flexibilização do emprego não pode ser confundida com precariedade. A ideia, velhinha e de esquerda, de que um emprego é para toda a vida, é um dos grandes óbices ao desenvolvimento do país, agrilhoado que está às tais leis laborais e a CCT supérfluas. Choque tecnológico não é só exibir na mão um CD. È também modernizar o país naquilo que ele tem de básico, caso queira, efectivamente, atingir um patamar de desenvolvimento económico mais elevado. Só assim se percebem outros dados do Livro Verde, como a taxa de pobreza no trabalho, que ronda os 15%, a segunda maior da Europa…
Dupont